domingo, 15 de fevereiro de 2009

Delírios, Ecstasy, Schweitzer, Volks Partei, etc.

Acabo de ver um "reader´s guide" de Shakespeare. Em determinado momento eu ri muito, pois a mãe de Hamlet diz a ele, logo da segunda vez que ele vê o fantasma do pai, na cena do gabinete:

Mãe de Hamlet: está tudo no seu cérebro, é tudo causado pelo ecstasy.
Hamlet: ECSTASY?

(Corta).

A imprensa suíça passou a atacar com rudeza o Brasil, como mais um tentáculo do poder a tentar sustentar seu governo de coalização xenófobo. Agora começaram com todo o tipo de difamação, deitando e rolando a partir dos laudos (sabiam que vendem-se laudos? Badan Palhares é um estado de espírito!) que "desmentem" a versão de Paula, atacada por neonazistas na Suíça. E a imprensa aqui embarca. Eliane Cantanhêde, leia Foucault: saber é poder. Os sábios da Suíça estão ligados ao poder. Assim como Reinaldo Azevedo aqui está ligado a que tem poder econômico. Quer queimar Celso Amorim e Lula de qualquer jeito, a qualquer custo, mesmo apelando. Aí não dá. Mas eu ri também agora, com os insultos suíços à nossa imprensa, ele foi atingido e precisou rebolar para não dizer a dura verdade: a Suíça é marketeira, vende uma imagem de tolerância enquanto aceita propagandas racistas do SVP como aquela da ovelhinha negra sendo expulsa. Reinaldo precisou de rebolado para poder sair dessa. Mas afinal é carnaval, RA, a gente que vê faz quá quá quá!


Por isso, o diploma dos peritos suíços precisa cair das paredes. A polícia suíça está se comportando como a polícia de uma delegacia do interior do Brasil. Já vi isso acontecer com gente conhecida: a mulher vai denunciar violência e é levada, pelo ambiente machista, a desistir, a culpar a si própria, a imaginar que foi tudo "delírios de uma anormal"...Para isso surgiu a Lei Maria da Penha. Eu conheço esse fake do poder. Os imigrantes estão só no lugar dos judeus de ontem: engendram-se as mais variadas desculpas, porque economicamente é mais interessante culpar os imigrantes e as minorias do que os ricos e poderosos, é mais cômodo do que questionar Davos e a ausência dos especuladores de Wall Street lá.



Obama deveria acabar com as guerras, mas sabe que o poder não quer. Os pacotes de Obama serão, no fim das contas, para que o grande capital não corra risco. E qual a política de Obama para os negros? Até hoje não entendi. Quando eles perguntaram com faixas, Obama deu de ombros: podem apoiar outro candidato. Foi como dizer: "fodam-se. Me apoiem ou nada."

Precisamos pedir a revisão desses exames da Suíça aqui no Brasil. Nas fotos, ela estava visivelmente grávida, exibindo uma barriga que começava a crescer, além dos terríveis cortes.

Dei um voto de confiança a outro suíço, o Jorge Schweitzer e fui lá ver um vídeo dele no Museu Villa-lobos e no Tempo Glauber, além do Catete. Qual nada! Só porque o Tempo Glauber não quis que ele filmasse o local, ele desmereceu o lugar. Ele é uma criança, meu Deus...E ainda falou: "O Gerald vai ficar chateado..." Ele descobriu Glauber através do Gerald agora em 2008, tadinho!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Troccoli, o Battisti Uruguaio

Troccoli, il Battisti uruguayano
di Roberto Rossi

Un caso “Cesare Battisti” ce lo abbiamo anche in Italia. Non ha sollevato le polemiche. Anzi, è passato sottotraccia, senza creare scalpore, senza alcuna indignazione ministeriale o richieste di annullamento di amichevoli. Il “nostro Cesare Battisti” è uruguayano, anche se da qualche anno ha la nazionalità italiana. Si chiama Jorge Troccoli. Ha 64 anni, la corporatura robusta e un pizzetto bianco. È stato capitano dei Fucilieri Navali dell’Uruguay, ed è accusato di aver fatto sparire un numero imprecisato di persone nel suo paese tra il 1975 e il 1983. Tra questi sei cittadini italiani. Il governo Berlusconi, nel settembre scorso, ha respinto la sua richiesta di estradizione.

Secondo la magistratura uruguayana Troccoli prese parte a quello che è conosciuto come Piano Condor. Una sorta di internazionale del terrore che, negli anni ’70, coordinò il sequestro, l'interscambio e la sparizione di migliaia di oppositori politici in Cile, Paraguay, Uruguay, Brasile, Bolivia e Argentina. Troccoli ammise la sua partecipazione al trasporto clandestino dei detenuti politici tra Uruguay e Argentina ma non ha mai subito un processo. Troccoli ha lasciato il Sud America da tempo per rifugiarsi proprio in Italia, dove nel 2002, nonostante si conoscesse il suo passato, ha ottenuto la cittadinanza italiana. Secondo la stampa uruguayana per lo stesso reato di cui è accusato Troccoli, «omicidio specialmente aggravato» e «violazione dei diritti umani», lo scorso ottobre la Corte d’Appello di Montevideo ha confermato l’incriminazione dell’ex dittatore Gregorio Alvarez e dell’ufficiale della Marina in pensione Juan Carlos Lacerbeau.

In Italia Troccoli è stato arrestato il 29 dicembre del 2007 a Marina di Camerota in provincia di Salerno nell’ambito dell’inchiesta condotta dal pubblico ministero Giancarlo Capaldo sui deparecidos di origine italiana. Nella quale sono coinvolte circa 147 persone (14 brasiliani, 61 argentini, 32 uruguayani, 22 cileni, 7 boliviani, 7 paraguaiani e 4 peruviani) accusate di crimini contro l’umanità. Ma in carcere Troccoli era rimasto poco. La Corte di Appello di Salerno lo aveva rimesso in libertà il 24 aprile scorso non essendo pervenuta nel termine previsto del 23 marzo la richiesta di estradizione dall’Uruguay. Nel paese sudamericano la cosa aveva sollevato un caso nazionale. Dopo due mesi di proteste lo scorso giugno il governo di Montevideo aveva deciso di sollevare l’ambasciatore Carlos Abin e il suo braccio destro Tabare’ Bocalandro. Ma soprattutto di proseguire la causa contro l’ex capitano, riprendendo l’iter di estradizione.

Una richiesta che lo scorso settembre ha subito un brusco stop. Il ministro della Giustizia Angelino Alfano ha negato alle autorità uruguayane di riprendersi Troccoli. Nella risoluzione si sostiene che l’ex militare accusato di crimini contro l’umanità è nato in Italia ed è rimasto cittadino italiano, per cui per il trattato in vigore tra i due paesi (firmato più di un secolo fa, cioè nel 1879), non è estradabile. Contro la decisione del governo italiano l’Uruguay ha presentato un ricorso presso la Corte di Cassazione. Che lo ha però rigettato. Nella sentenza, però, la Corte ha riconosciuto come la sentenza della Corte di Appello di Salerno, che rimetteva in libertà Troccoli, fosse sbagliata. Secondo la Cassazione i termini del ricorso non erano scaduti. Tra l’altro, il governo di Montevideo, che in Italia si è affidato all’avvocato Fabio Maria Galiani, ha sempre sostenuto di aver depositato la documentazione nei tempi previsti.

Nonostante la Cassazione e il Trattato secolare Troccoli, visto che ora è cittadino italiano, potrebbe essere sottoposto a processo in Italia per reati come sequestro di persona e omicidio. Non per crimini contro l’umanità visto che ancora la nostra legislazione non si è mai adeguate alle regole internazionali. Inoltre il nostro governo potrebbe formalizzare con il governo uruguayano un nuovo accordo che permetterebbe di creare profili investigativi comuni. Anche qui serve la volontà del ministro della Giustizia.
30 gennaio 2009

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SVP=FDP, Battisti, Mitre, Casoy, Jean Wyllys, Fórum Social, Venus de Willemdorf, Kate Moss

A novela Battisti continua. Leio no blog do Caetano que existe um tal Bragaglia em Ilhabela que cometeu crimes de extrema-direita e poderá ser extraditado. Uma tal Cristina, a mesma que protagonizou um barraco com o Gerald lá no blog dele, está lá no Caetano e comentou essa do direitista de Ilha Bela. Será amigo dela?

Crimes de extrema-direita costumam ter certa simpatia de partes do aparelho do estado. Um exemplo é o da Paula, advogada brasileira atacada por suíços de extrema-direita. A Europa está ficando cheia de neofascistas violentos, essa é a face mais perversa da globalização por lá. A polícia diz que os acontecimentos não estão muito claros e a mídia reproduz isso. Um jornal suíço, protegendo o SVP, União Democrata Cristã ou coisa que o valha: na verdade, um bando de xenófobos. SVP=FDP. Eles são os verdadeiros abutres que devoram a Suíça e a Europa. E ela, como na versão maluca dos suíços para ficarem bem com o poder, tiver se auto-flagelado? E se isso virar moda e Reinaldo Azevedo aparecer com um "PT" tatuado em pleno auto-flagelo católico no bumbum? Bem fashion, não? Eu tinha simpatia pelo Direto da Redação, mas hoje, como um cara que escreve na Suíça lá, um tal Rui Martins, bancou essa versão do poder e mandaram como título do newsletter, acho que Gerald deve estar certo a respeito deles e "alguém do DR deve ter problemas".

Badan Falhares é um estado de espírito, hein? Baixou nos suíços! E ninguém vai ser condenado pela morte do mineiro Jean Charles. Scotland Yard sucks! Schweitzer SVP, du bist schrecklich!

O Terceiro Mundo precisa explodir essa hegemonia do norte. Mas nós continuaremos indo para lá, pois eles estiveram aqui como colonizadores.

Sinceramente, como Netantahu, com o russo ou com, como a mídia pronuncia, "Zíper Livre", o futuro de Israel me parece sombrio. O país apostou tudo no apoio americano. Se o apoio americano se tornar anti-econômico, não duvido que os USA abandonarão Israel à própria sorte. Daí ouviremos falar da "Faixa de Haifa" ou coisas que tais. Mas por enquanto, embora a Igreja Católica esteja santificando padres franquistas que tombaram às dezenas, ainda pelo menos obriga o padre antissemita a pedir desculpas.

E o caso Battisti ainda dá o que falar. Casoy, para reforçar suas verdades, chamou lá no SBT o Fernando Mitre e um professor universitário cujo nome esqueci. Ficaram com uma conversa que não enfrentou os fatos a respeito do caso e ficou repetindo o caso dos boxeadores cubanos (Caetano já voltou atrás e retirou essa comparação, no que foi muito sensato; talvez Tarso Genro tenha lhe telefonado). Casoy tinha algo de escultura, de estátua, de pedra, de retorno ao chão. Ele parece uma estátua de si mesmo, uma talking head de mármore. Mitre era mais humano, mais eros do que tanathoscasoy, mas mesmo assim com uma barbicha histriônica acentuava sorrindo "verdades" levianas televisivas. Tinha para tudo o aval do profe, que sempre repetia que o Proletários Armados pelo Comunismo era um grupo criminoso comum, que Battisti precisa ir para Itália senão estamos falando mal da DEMOCRACIA italiana, que está sendo conspurcada em sua pureza burlescômica. Hard Times in Bello Paese, como escreveu John Hemingway, acentuando que Burlesconi é tão xenófobo com os ciganos da Itália quando outros partidários modernos da expulsão dos imigrantes.

A coisa foi muito diferente na Record, quando um jovem entrevistador confrontou um jovem representante do governo italiano e um defensor dos Direitos Humanos. Falou-se em Mitterrand (que perdoou Battisti), no fato de que o grupo de Battisti era político, incontestavelmente, dentre outros argumentos, deixando o defensor de Bushesconi em maus lençóis. Os argumentos dos caras se desfazem num diálogo sério.

Fico feliz pelo Fórum Social no Pará e fico satisfeito em ver que em Davos assumiram que o papel do estado é importante. Já a Revista Veja se sentiu pessoalmente desacatada. Davos virou marxista?

Jean Wyllys atacou Patrícia Kogut por uma nota que dizia que ele se negou a dar entrevista no Globo Repórter. O único que me interessava na história toda era ele, um professor universitário intelectual que vivia citando Caetano Veloso. Caets, que eu saiba, nunca citou o nome dele. O blog dele era simpático e ele até me respondeu um e-mail que mandei a respeito do programa e de um texto meu sobre Oswald e a tropicália. Mas o blog do Jean, aí por 2006, era como o myspace da Nina Hagen: comandado por outros, oxe, pois Jean tinha mais o que fazer...

Wyllys fez uma grande jogada política assumindo ser gay na TV e ganhou a disputa. A partir da aprovação do público à sua pessoa, ele ficou imune no programa e conspirar contra ele virou ataque politicamente incorreto ao público e a uma minoria. E, diga-se de passagem, eu acho o politicamente incorreto importante e é algo que deve ser pensado. Em geral, é positivo. Eu simpatizo com Jean, mas no caso da Kogut, ele quis se defender, na verdade, da Globo. Foi ela que disse que ele se negou a dar entrevista para o Globo Repórter, numa postura vingativa. Ele simplesmente estava de férias. Mas as organizações querem não só o corpo dos bróderes, querem suas almas. Jean se negou, pois foi curtir o paraíso baiano e baiano não tem a ética protestante do trabalho, graças a Deus e aos orixás.

Outro dia vi uma entrevista de Kate Moss, a "cocaine Kate" dos tablóides ingleses. Um artista fez dela uma escultura dobrada com seu peso: cinquenta quilos. Kate é o modelo da mulher moderna, magra por cobrança do padrão. O meu padrão é a Vênus de Willemdorf.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Manson: quarenta anos essa noite

Nesse ano de 2009, os crimes de Charles Manson completam quarenta anos. Existem sites a respeito na web. O que existe em português não foi reeditado. O impacto deles no mesmo ano do Woodstock foi enorme. No festival, uma pessoa morreu de overdose de heroína, mas a imprensa não divulgou amplamente o fato. Já os crimes de Manson e sua “família” tinham elementos grotescos e foram amplamente divulgados. De certa forma, o acontecimento culturalmente sinalizou o fim da era de paz e amor e o início do tempo dos darks, metaleiros e punks. O fato do nome dos Beatles ter sido envolvido também gerou críticas ao grupo.
O impacto dos crimes de Manson foi enorme na época e levantou uma onda de críticas aos jovens e à contracultura como um todo. A experiência das comunidades alternativas da Califórnia estava se desfigurando com a chegada de turistas, com o aumento dos conflitos com a comunidade negra, revoltada em vez a juventude branca falando nas virtudes da pobreza, assim como aumentava a divisão entre quem tinha família rica e portanto possuía alternativas e aqueles que tentavam refazer a vida no ambiente alternativo após terem rompido com os pais. O crime abalou especialmente os Beatles, acusados pela mídia de inspirarem o crime com suas canções.
A história de Manson sempre foi marcada pela rejeição, dor e tragédia. Nascido em Cincinatti, de origem proletária, sua mãe, então com dezesseis anos, estava na prostituição e registrou o garoto sem o nome do pai. A mãe foi presa logo em seguida e o garoto cresceu um período com parentes religiosos fanáticos, dentre outros, sempre mudando de casa, empurrado de um lugar para o outro, passando por humilhações como ir para a escola vestido de menina. Mesmo depois de solta, a mãe o rejeitou, pois o padrasto não queria o garoto por perto. Como conseqüência, Manson foi para um internato, de onde fugiu e começou os primeiros furtos. Ele contou em entrevista que, a partir do momento em que perdeu a confiança na mãe, não confiou em mais ninguém. Preso algumas vezes, aprendeu na cadeia a lidar com as mais diversas drogas e também iniciou-se no misticismo.
Tendo crescido nos anos 50 como um delinqüente juvenil típico, sendo sucessivamente preso e solto, a vida de Manson mudou quando ele saiu da prisão nos anos 60. O perfil de Manson foi o que mais chocou quando foram revelados seus crimes: ele morou no bairro de Haight-Ashbury em São Francisco, meca da juventude rebelde americana de então, tocava guitarra e seu grupo, a Manson Family, fazia tudo em grupo, inclusive sexo e rituais de magia negra. Na época em que cometeu seus crimes, Manson tinha três filhos com mulheres diferentes.
O grupo entrou em paranóia devido a dois acontecimentos: Terry Melcher, produtor da banda Beach Boys, chegou a interessar-se em gravar e filmar a Family Manson, mas voltou atrás, o que fez Manson supor, em meio a suas viagens de LSD, que suas músicas tinham sido roubadas. Ele morava numa casa no campo chamada Cielo Drive, uma colina nas proximidades de Los Angeles. Na época estava na moda as celebridades abrirem sua casa para hippies e jovens rebeldes em geral, e foi assim que o grupo conheceu a paradisíaca casa em Cielo Drive, onde depois realizaram seus crimes.O outro fato foi o atrito que Manson teve com um jovem negro, supostamente um componente do grupo Panteras Negras, grupo político de negros que estavam em luta armada. O grupo encontrou justificativas para se tornar agressivo e, a partir daí, os componentes passaram a furtar, agredir e matar.
A lama de Woodstock ainda não tinha secado quando o grupo de Manson, sem a presença de seu guru, penetrou na mansão de Cielo Drive e esfaqueou todos que ali estavam dormiam. Naquela noite, quem estava lá não era Terry Melcher e sim a atriz Sharon Tate, esposa do cineasta Roman Polanski, grávida de oito meses e vários casais convidados. Polanski estava filmando O Bebê de Rosemary e estava sempre ausente, viajando e trabalhando. O filme era sobre uma mulher aterrorizada pelo marido e por uma seita de satanistas. É possível que, tendo escutado boatos sobre o filme, Manson estivesse pensando que aquela era a história de seu grupo. Sharon e todos seus convidados foram mortos e foram apenas algumas das vítimas do grupo. Embora estivessem cometendo crimes há muito, a partir do assassinato de uma celebridade todos foram presos e uma das (belas) moças da Family confessou tudo em troca de uma pena mais leve e desapareceu dos USA. Durante o julgamento, vieram à tona as bizarras explicações para os crimes: Manson escutou os sons experimentais do Álbum Branco dos Beatles em 1968 e conclui que era preciso iniciar uma grande guerra apocalíptica entre brancos e negros. Por isso, canções como “Piggies” e “Helter Skelter” foram escritas no local do crime pelos comparsas de Manson.
A obsessão norte-americana por serial-killers ficou fortemente evidenciada no caso Manson. Ano passado foi realizado um filme chamado Manson Girls, um dos vários filmes realizados a respeito. Manson foi preso e condenado à morte, mas sua pena acabou comutada para prisão perpétua. Surgiu um verdadeiro culto em torno de sua pessoa: ele grava discos, pinta quadros, escreve textos, dá entrevistas, vende souvenirs como fios de sua barba, etc. como se fosse um popstar comum. Na prisão, ele foi internado com queimaduras graves, inclusive no rosto, após uma discussão teológica com um Hare Krishna que tentou queimá-lo. Já gravaram canções suas: Marilyn Manson, Guns and Roses, Lemonheads, entre outros.


Bibliografia:


www.paulotanoeiro.blogspot.com
www.cielodrive.com
www.charlesmanson.com

Pequeno concerto para ver no celular

“A chuva dá de beber aos mortos”, como já disse Walter Campos de Carvalho. Um belo dia musical encontrei na Praça da Liberdade o líder pacifista Eriuch Itzak Rabin, fazendo campanha contra uma aliança política do governador mineiro. Suas palavras eram música para meus ouvidos, música adocicada de Mozart. Eu lhe falei sobre Villa-Lobos, Stockhausen e ele imediatamente começou a reger uma sinfonia. Eu perguntei a ele se tinha ficado louco e ele me disse que não, que era médium e estava regendo uma peça fantasma, uma peça espírita, um pequeno concerto ali no coreto.
Imaginei que, ali na Praça da Liberdade, poderíamos facilmente ser acertados pelos mísseis do Hamas, mas logo dos alto-falantes da Praça veio a voz de Lula, como se fosse uma lua vindo da Ásia: “foguete não resolve o pobrema de ninguém”. Imediatamente, Eriuch acusou o governador e um tocador de violão cabeludo que estava no portão do palácio de ecléticos, santas e rapaduras. O governador reclamou dizendo que tinha sido guerrilheiro na Itália e tinha extraditado a Dama das Camélias e o ator Paparabadas. O cantor cabeludo passou logo a dar com o violão na cabeça da Dama das Camélias corrigindo o seu português, enquanto Paparabas os perseguia, acusando o cantor cabeludo de preconceito lingüístico, no que tinha total razão.
Eriuch e eu fomos imediatamente então para o cemitério Père Lachaise, em Paris. Olhamos nossos passaportes e havia ali um zero muito grande, um zero em lógica, mas foi tudo ilusão idiótica. Eriuch, com a casaca toda rasgada, queria visitar o túmulo de Chopin, mas eu o levei ao de Chico Xavier que eu nem sabia que estava enterrado ali, no lugar do túmulo de Kardec. Andamos entre os túmulos e logo escutamos uma canção dos Doors e algumas passagens de Proust, além da conversação de Oscar Wilde. Chico Xavier, que na verdade era Simão Pedro ressuscitado, estava fazendo uma preleção a seus fiéis, que alegremente atiravam flores pelo cemitério, dançando alegres & risonhos & ressuscitados. Chico, eufórico pelo fato de um médium canadense ter descoberto, em meio à Ópera H, de Gerald Thomas e John Hemingway, a senha para poder, enfim, reencarnar como Simão Pedro, enfiava as flores em suas chagas petrificadas, enquanto retirava algodão e farinha das narinas.
No entanto, diante dessa cena no cemitério eu adormeci e acordei diante do velho oceano de vagas de cristal e minha barriga suja de areia. Eriuch estava morto ao meu lado. Ao ver seu cadáver nu quis vendê-lo à faculdade de Engenharia Metalúrgica, pois descobri que Eriuch era um robô-maestro. Chico Xavier saiu do mar com livros para me vender, andando sobre as águas e o pior, trazia de enfiada uns quadros de Portinari que acabava de pintar. Eu lhe disse que queria ser médium e escritor, mas observei que Portinari desaprendeu a pintar no além. A partir daí, Eriuch ressuscitou e me contou que seu nome verdadeiro era Zínia Gasparzin. Ele estava todo vestido com flores, andando num carro novo e cantando a canção hippie Happy Together. Amando os The Turtles, pensei então em pescar truta na América com Gerald Thomas, Caio Blinder, Adam Sandler e outros judeus cultos, mas Eriuch me disse que eu devia ser médium e converter gays ao espiritismo heterossexual. Partiria, então, imediatamente numa missão católica para converter os gays do Irã. No entanto, lembrei-me que um dia escutei o presidente Ahmadinejad, do Irã, dizendo que lá não existiam gays. Ao saber que ficaria ocioso, imediatamente desisti da viagem.
Eriuch ainda me deu um folheto a respeito e eu e o subitamente ressuscitado Kardec lemos atentamente. O folheto era, na verdade, uma partitura e Eriuch cantou maravilhosamente sua sinfonia aos espíritos másculos para nós. Embevecido, mas mesmo assim realista, Kardec disse a Eriuch que ser médium e converter gays dava intenso formigamento no ânus, vagina e pênis. Chico Xavier, então, desistiu prontamente deixar de investigar a cura dessas práticas contra a natureza. Ele passou a pesquisar a possibilidade de ressuscitar Evita Perón e Tancredo Neves. No entanto, ao som de Joan Baez, encontrou a essência que transformaria tudo em ouro, mas perdeu-a. Ah, as misturas alquímicas! O governador mineiro deu todo apoio ao projeto de ressurreição de Tancredo Neves, mas só colocou uma exigência: deveria ser no dia vinte e um de abril.
Diante de toda essa conversa, Eriuch nos convidou a irmos a uma Igreja católica recentemente restaurada. Chegando lá, ele nos contou que era maçom e nos mostrou sua rosa cruz entre as pernas, bimbalhando entre canções natalinas onde ele citava um maestro cabeludo e alegre que sempre anima a Rede Vida. Ele era todo música, mas a Igreja estava em ruínas, não fora restaurada de forma alguma. Eriuch passou então a só aceitar ser chamado de Zínia e a partir daí passou a andar de terno sem calças e se dizendo uma nuvem de calças. Ele entrou numas de Maiakósvski e passou a assobiar Chostakóvich.
Numa cena violenta, o escritor Campos de Carvalho, rebatizado Walter Oak Fields, apareceu de dentro de um cocô da praia, que na verdade era a cabeça de sua mãe, agarrou as pernas de Eriuch e começou a mordê-las, arrancando sangue. Eu me assustei, imaginando subitamente se aquela agressão não se devia aos meus espíritos obsessores e também devido ao fato de que médium baiano muito bem dotado ter aparecido num filme e me ensinado, à distância, no escuro do cinema, a baixar espíritos de luz on line.
Eu já tinha mesmo me convertido ao budismo de novela e cultuava um deus elefante quando Eriuch partiu para Israel, agora um território ocupado por russos, iranianos, árabes e sírios. Ele me disse que iria se martirizar tocando Wagner por lá, tentei dissuadi-lo, mas não consegui. Dias depois, vi um extremista judeu assassinar Eriuch Itzak Rabin na televisão, em meio a um discurso em um kitbuzim sitiado por palestinos do Hamas. Eriuch propunha trazer um médium do Brasil que ia ressuscitar Benazir Butto, quando o extremista o achou por demais ensandecido e matou-o a coronhadas de fuzil diante de um mundo que sempre foi bárbaro, segundo Oak Fields.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O Fantasma de Maura Lopes Cançado

Eu não sei o que estou fazendo aqui nesse hospício em Engenho de Dentro. Hospício é não se sabe o quê, pois Hospício é Deus. Estou aqui perdendo tempo, anos comem tempo, tempo come carne. Aliás, sei o que engendro no Engenho: estou maquinando todos os mecanismos internos de minha mente, investigando-os, viviseccionando-os. Intelectualizo tudo, mas não quero sair lá para fora, da última vez que fui a Belo Horizonte estava só com a roupa do corpo e um livro do Beckett. Esperando Godot. Talvez fosse melhor não ter nascido. Eu já fui internada como louca, mas agora estou de novo aqui, sinto frio, mas escrevo com um toquinho de lápis, voltei, Deus, loucas, voltei. Cantei Puccini no pátio e chorei com outras loucas rasgadas protagonizando uma ópera insuspeitada. E as loucas respondiam presentes, tocadas pela música. Cantamos, eu e outra louca culta, a Valsa da Musetta. Ao falar com o psicólogo, percebi que ele me desejava e justificava seu desejo dizendo para mim que desejos são algo absolutamente natural. Já tive caso com um psiquiatra e gastei toda minha herança. Não me preocupei com o futuro. O futuro dura muito tempo. Eu me sinto presa no quadrado de Joana. Já morei com uma moça que coletava pedras na praia, já morei com árvores, morei no centro-oeste mineiro, tentei ser piloto de avião, mas não consegui tirar brevê. Deixei o avião cair numa casa: sonhava em estar num avião caindo. Fiquei sem asas para voar. Casei-me com um moço que era também aviador, tive um filho e separei-me. Amava, na verdade, o meu sogro. Insinuei-me, ele nunca percebeu. Ele era comandante de um batalhão de polícia em Bom Despacho e era belo e jovem e sua foto até hoje está no Colégio Coronel Praxedes. Ele era o Praxedes e eu uma adolescente sem práxis que sonhava em trabalhar de espiã para a Alemanha, traindo o Brasil. Sonhei que no futuro um poeta ainda vai ser internado aqui, um poeta bêbado, incognoscível, que apareceu no meu sonho como uma sombra concreta de um nariz em linha reta. Uma sombra concreta. Meu pai morreu quando era muito jovem e deixei mamãe na fazenda. Fui para o Rio. Numa crise, matei uma enfermeira e meu namorado. Hospício são flores frias que se colam em nossas cabeças perdidas em escadarias de mármore frio, subitamente futuro. É uma cidade triste de jalecos brancos. Sou um anjo com vocação para demônio. Existo desmesuradamente, como uma janela aberta para o sol. Existo com agressividade. Eu gostaria que meu pai e minha mãe, ou os dois, já que ambos tinham a mesmíssima responsabilidade, houvessem refletido sobre o que estavam fazendo quando decidiram me conceber.

Carta para o Obra em Progresso

Oi, pessoal.

Claro que Caetano também é escritor. Não vejo problema nisso. Fiz um trabalho analisando Verdade Tropical como antropofágico e um colega do mestrado me disse: mas vc tem certeza de que Caetano é antropofágico? Ser escritor, ser antropofágico em si é visto como elogio. Já vi gente culta dizendo isso, como por exemplo um colunista do Digestivo Cultural (uma espécie de altar do Paulo Francis na web), o baiano de Feira de Santana Rafael Rodrigues. Ele se diz um escrevinhador...pfui!

Lícia: quanto a aprender um idioma estrangeiro, vc pode aprender ouvindo, mas sua fala e seu entendimento da forma escrita dele precisarão ser aprimorados. São 4 habilidades: ouvir, falar, ler e escrever. Qual a relação disso com o português padrão? Ele ajuda a vc entender na hora de estudar a gramática do outro idioma, estruturas, principalmente. Sem elas, mesmo vc sabendo seu inglês ou francês pode soar surreal para eles.

Espero não ter "fundido a cuca de Lícia" com essa explicação...