terça-feira, 31 de março de 2009

Altas Horas: Orgasmos, duendes e a xuxologia das letras mortas

Vi a Xuxa no Altas Horas. Eu estava disposto a me reconciliar com ela: seus programas teem ficado mais educativos, já vi eles citando até o folclorista Câmara Cascudo, base teórica do ataque a ela em O Cabaré das Crianças, texto de Gilberto Vasconcellos. Ela é "a" perseguida, a loira de olhos azuis que não causa crise e sim embevecimento.

Mas ela me decepcionou: ela não vê saída no Rio (Xuxa, então a saída é mudar para New Jersey!), disse que canta em playbackão mesmo e que é uma mera vendedora de cedês e devedês e não uma cantora. Deu vontade de ir logo ao site do Institut fur Sozial Forschung. Adorno contra Xuxa! A equipe pedagógica que faz os programas é boa. Xuxa é um amor, estranho amor.

Xuxa assumiu-se multiorgástica que vê gnomos puxando o edredom de sua cama. Ela tem orgasmos com os gnomos, duendes e fadas? Ela toma café da manhã no chão com seus bichos e se assusta que os outros se assustem em ver: que bichos são? Existem porcos entre eles? Como disse Gerald: porco come cocô...Já pensaram Xuxa comendo frutas enquanto porcos ao seu redor comem seus cocôs reais? É chocante mesmo, Xuxa.

O pensamento social dela é o de um romana da decadência, uma católica do Renascimento esperando a contra-reforma das plásticas: Xuxércia Bórgia, a baixinha da Baixa Idade Média!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Big Brother Iraque & Afeganistão/Paquistão

Essa é só para registrar uma idéia que me ocorreu:

Que tal o Big Brother Iraque? Um curdo, um xiita, um sunita, cristãos e outros representantes iraquianos presos numa nave. Um marine faria o papel de "Pedro Bial".
O mesmo no Afeganistão: os hazaras, os uzbeques, pashtus e outros também reunidos com essa mesma mediação. Cada etnia falaria ora com Hamid Karzai ou Pervez Musharaf em estilo teleconferência. Abu Ghraib, Israel e outros temas fariam a casa pegar fogo (literalmente).

O paredão seria muito temido: seria fuzilamento de verdade. Rá-tá-tá.

Aqui não, é tudo muito cordial, é o Big Brother sem Orwell. São bibas, bofes e barangas de Bial!

O povo do Digestivo Cultural invadiu a Revista Discutindo Filosofia! Luiz Eduardo Matta e Rafael Rodrigues estão no último número. Rafael assumiu-se escritor e não escrevinhador e resenhou André Comte-Sponville herdando de todos os pensadores só o cinismo enquanto Luiz Eduardo Matta, que tenta vender o conceito de LPB (literatura popular brasileira) para concorrer com a MPB (será que ele vai vencer? Será que era por aí, a literatura popular brasileira precisa de quixotes? Coitado!), diz que um dos pesadelos dele na web são as ideologias infames e assassinas (comunistas? Socialistas?) e que atrapalharam o otimismo dele nos anos 90, fazendo-o perder as ilusões...Oh, as ilusões e virgindades perdidas! Ah, o idílico fundamentalismo de mercado, oh, musas neoliberadas do real! Oh, quimeras hayekianas...Mas livrai-nos do crack, amén.

Ele diz que a internet é feita de pessoas que soltam os monstros (será que ele escreveu depois de ler o blog do GT?) E o Luiz, na onda neoclássica conservadora do Digestivo, lamentou que pessoas cultas não cultuem a norma padrão ao escreverem na internet, provavelmente cedendo ao dialeto internetês...Oh, os bárbaros estão chegando! É a decadência! Nero! Heliogábalus!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Obama é OB

Li uma ótima na coluna de Walter Navarro no Tempo, há algum tempo:

O presidente Juscelino era JK. Kennedy virou JFK.

E Obama também tem uma sigla: "OB".

Por que? Porque ele está no melhor lugar, mas no pior momento!

terça-feira, 24 de março de 2009

Verbete do Gerald na Desciclopédia

Eu fiz o verbete do Gerald na Desciclopédia, já que não tinha e ninguém se habilitou; é melhor eu, um fã, fazer, antes que algum rancoroso ou aventureiro lance mão. É uma paródia afetiva da biografia do Gerald. Vocês, leitores, podem opiniar a respeito: se não gostarem de algo, sugiram mudanças!

Se alguém puder, formate este pobre artigo segundo as diretrizes estabelecidas no livro de estilo antes que alguém infarte lendo esse artigo mal formatado...
NÃO REMOVA ISSO ANTES DE TER CERTEZA ABSOLUTA QUE O ARTIGO JÁ FOI COMPLETAMENTE "WIKIFICADO".
Se você é burro e não sabe como wikificar um artigo, leia o nosso Tutorial Wiki. Ou então desapareça daqui!!!

1 Biografia

Gerald Thomas nasceu em 1954 na Inglaterra e também Países Baixos com um nome que é melhor omitir, Na Bélgica ele nasceu como Holandês Voador, mas nasceu também no Brasil como Geraldo Thomás, assim como nasceu na Alemanha como Georg Thomas Munster, na África, Ásia e Nordeste do Brasil ele nasceu com outros nomes mas é melhor também omitir. Foi registrado nesses países todos.

2. Obra

Gerald Thomas começou sua carreira com um papel menor numa opereta de Offenbach dirigida em Londres dos anos 70. Foi dele a idéia de introduzir ritmos punks no can-can. Nessa época, no entanto, Gerald tinha acabado de voltar do Woodstock a pé e era um hippie formado em Música em no Pier de Ipanema, no Rio de Janeiro, Brasil. Sua graduação foi terminada com louvor com a canção Cogumelos Azuis.

Foi logo chamado para o Mamia Mia Experimental Theater, na cidade de Bolonha, Itália, onde aprendeu a fazer teatro de massa. Ganhou destaque, no entanto, ao entrar fingindo de árvore em plena peça dirigida por Peter Brook, que adorou imensamente sua atuação. O público aplaudiu e Thomas passou a desempenhar o papel de poste, espanador e cabide em peças do teatro do absurdo, o que lhe valei prestígio em meios teatrais norte-americanos e londrinos de vanguarda.


O sucesso mundial só veio mesmo quando o famoso irlandês Beckett Joyce Wilde chamou-o chamou para dirigir suas peças leves e fanfarronas. Encheu teatros mundo afora com essas peças, muito apreciadas, tais como As tranças da cantora careca, paródia de Ionesco, ou A Volta dos que não Foram, adaptada para o cinema em < e que no Brasil ganhou o nome de O Trem Partiu.


3. Polêmicas.

No Brasil, Gerald Thomas ficou famoso ao fazer a atriz Dercy Gonçalves mostrar os seios em sua adaptação teatral da peça de Antônio Nelson Rodrigues Amanhã faço cem anos. A polêmica na mídia foi turbinada por seu assumido romance com essa centenária atriz, logo trocada por suas duas filhas de cinquenta anos.

Não contente com esse sucesso, Gerald Thomas passou a montar óperas. Montou Benazir Butto, uma vida, um remix de compositores nacionalistas brasileiros tais como Guerra Peixe e Camargo Guarnieri, o que marcou também a fase profundamente nacionalista de Gerald Thomas, que se disse inspirado em Mário de Andrade e Bella Bartok.

Após isso, Gerald resolveu ousar mais ainda e montar A Baguete, ópera inspirada no texto inacabado O Banquete, de Mário de Andrade. Seu nacionalismo extremado o fez entrar em choque com brizolistas, integralistas, emos, vegetarianos e outras tribos urbanas, às quais ele sempre chamava de alienadas e burras nas entrevistas.

Ao fim da ópera, ao ser vaiado por integrantes das tribos urbanas, Gerald Thomas lhes mostrou a bunda, valendo-lhe um processo e a expulsão do país com a cassação de seu visto pelo presidente Lula em pessoa, irritado com o nacionalismo de Gerald, proclamado como "descabido" e "idiota" pelo presidente em entrevista coletiva.

Desde então, Gerald Thomas montou a Companhia de Ópera Flutuante num navio na costa brasileira e faz apresentações marinhas em portos brasileiros e do mundo todo. Ele não conseguiu, no entanto, até hoje, permissão para voltar ao país.

Ele tornou-se, agora, anti-nacionalista extremado e um de seus sucessos mundo marítimo afora é uma ópera escrita em parceria com Reinaldo Azevedo e que se chama, de forma bastante crítica ao presidente Lula e seu gosto por rabada, Lula, Rabada, A Srta. Manjuba, Robalinho e o Filho do Brasil.

4. Ligações externas

blog do Gerald: [www. geraldthomas.ig.com.br]

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Mago, Goldman, Lúcio, Honneth e Pondé

Eu andei lendo O Mago, do Fernando Morais sobre o Paulo Coelho, numa aprazível biblioteca do ICBEU, num dia quente de março em BH; a biblioteca é um oásis de ar condicionado numa BH quente como um forno.

Antes o mundo estivesse entrando em outra era glacial!

O Mago é uma narrativa bem mais interessante que os romances medíocres do Paulo. Tentei ler o Zahir, mas pfui. Quando entraram os rituais, larguei. Não dou conta de misticismo barato. Prefiro ler Kafávis, Borges, Santa Terezinha de Ávila, São João da Cruz. Ele melhorou desde a escrita inodora e insípida de O Alquimista, ficção jornalística, mas não o suficiente.

O Mago conta que ele teve três transas homossexuais com colegas do teatro numa época onde fazia um gay na peça Capitães de Areia (será que foi um aprofundamento stanislaviskiano radical ou um workshop de Grotowski?) Ele concluiu que não era gay, mas assumiu ter penetrado e sido penetrado. Tiro o chapéu (e as pombas do chapéu) para a coragem sua coragem mágica.

Como ele contou na entrevista com Gerald Thomas, conheceu Julian Beck, mas Beck lhe deu um gelo e não se dirigiu a ele a maior parte do tempo. Ele anotou em seu diário que entendia, pois o Living Theatre "custou a chegar onde chegou" ou algo assim.

O livro é interessante, muitas outras passagens me interessaram. É um romance da contracultura, romance que nunca houve, romance biográfico.


Saiu um artigo meu na revista Discutindo Filosofia, Conhecimento Prático de novembro. Tem chamada na capa e tudo o nome é Honneth: uma teoria da identidade. A revista é número 15 e teve até chamada na capa: era um artigo sobre Honneth, autor que iria cair no vestibular da UFMG no final do ano. Eles me colocaram num 69 com o Luiz Pondé: ele atacando o politicamente correto e eu explicando Honneth, teórico que se ajusta perfeitamente ao que se chama politicamente correto. Quem é contra o politically correct julga que ele só muda a linguagem para tratar dos sujeitos, é um moralismo do eufemismo -- e isso seria perfumaria, jogo de linguagem de salão para idiotas que não leem Veja.

Para Honneth, a linguagem é tudo, o sujeito é pura construção de linguagem, por isso mudar a linguagem é tão importante. Dissolvendo a linguagem que ele usa para definir a si mesmo, impondo uma visão de fora, alguém sofre imensamente e se sente rebaixado socialmente. Para ele, saber da linguagem negativa dos outros sobre si mesmo pode fazer desmoronar o eu de alguém.

Outro dia vi um advogado afro-descendente dizendo que esse termo é que ele mais gosta, o mais técnico. E disse que "neguinho", "negão" são aceitos, mas depende muito do contexto. Já "afro-descendente" não. Achei muito boa essa explicação: como as palavras designando a cor podem levar a mal-entendidos, melhor usar o termo que trata da origem, com o qual não se corre o risco de melindrar o sujeito.

O caso Goldman, do menino dividido entre USA e Brasil, alonga-se em grande repercussão midiática. Eu fui o primeiro a falar sobre o caso no blog do GT, depois foi uma mulher. Enfim, o próprio Gerald Thomas vestiu a camisa do Goldman, fazendo dois posts a respeito, depois do caso ter explodido e dele ter visto falar sobre a história no Larry King Live (curiosamente, foi a partir do site do Larry King que eu me lembro ter postado no blog dele. O Goldman deve estar indo lá sempre). A revista Piauí fez uma matéria com a visão do Goldman e a Época com a visão do João Paulo Lins e Silva.

Eu só faço algumas pontuações: parece-me mesmo que Goldman apostou num tudo ou nada jurídico transnacional: ou fica com o menino -- que então dificilmente voltará ao Brasil -- ou fica restrito a poucos contatos. Ambos as versões possuem pontos obscuros: as visitas de Goldman no caso da família Lins e Silva e os cheques de Bruna no caso de David. A família Lins e Silva aparentemente está com raiva e quer apagar David. David disse que não sabe quem deu os cheques falsificando a assinatura de Bruna, mas disse em tom de justificativa no Fantástico: "ah, eram as contas dela..."

Chamem o rei Salomão! O Contardo Calligaris também serve. Ele teorizou, no caso Elián, que ficar nos USA era o desejo da mãe e fatalmente Elián voltaria para esse desejo. Seguindo esse raciocínio, o desejo da mãe é o desejo de Lins e Silva e fatalmente Sean, mesmo indo para os USA, retornará quando puder ao Brasil. Será que essa teorização psicanalítica se aplica? O pessoal psi me dê uma ajuda.

domingo, 15 de março de 2009

Estúdio 11: BH descobre Beckett! Quanto tempo ainda falta para descobrir GT?

Do blog estudio 11: estudio11.blogspot.com (um blog mineiro muito bom):


50 anos depois Belo Horizonte descobre Samuel Beckett. Existencialismo do anos 60/absurdo. Ao abrir o caderno de cultura do Estado de Minas no sábado ( 17 de Janeiro). Ficamos assustados, comovidos e intrigados com oque lemos, Minas Gerais acaba de descobrir que existe teatro que não seja comédia fácil.A matéria de Janaina Cunha Melo e Sérgio Rodrigo Reis elogia de maneira enfática oque eles chamam de "novidade" no Brasil ." Aqueles dois" do grupo Luna Lunera e "Amores surdos" do grupo Espanca!,apresentam-se como a nova marca de Minas Gerais e um "pisoteio" nas comédias e na Campanha de Popularização de dança e Teatro de Belo Horizonte. Será que estamos bêbados de montanhas? e que montanhas !!! e que relevos!!!! sem platôs é lógico, pois estes só temos nas Gerais do Serrado de Guimarães que se estendem para além de Goiás e Savanas/Agreste nordestino. Seguindo o caminho inverso dos gregos e de qualquer outros povos e tempos do mundo. O Mineiro parece desejar abandonar a comédia falaciosa e se engendrar num teatro onde o texto é o privilégio, onde a existência é o privilégio. Engraçado isto não? deve ser mesmo o efeito dessas montanhas auroferríferas... que entram pelo nosso sangue e pelos nossos cérebros e conexões... como assim? Caio Fernando Abreu é mineiro? onde estão nossos dramaturgos? Haaa! nós nos esquecemos, devem estar preparando seus próximos textos de sucesso como " A idade da Ameixa" para a próxima campanha de Popularização de teatro, a do ano que vem!!! concordo que tudo nessas peças que Janaína e Sérgio dizem ser uma grande novidade exportada de Minas para o resto do país num olhar primeiro parece interessante, talvez por não serem comédias, CHEGA de COMÈDIAS!!!!!!!!! Neste ano a Campanha de Popularização do teatro e da dança de Belo Horizonte ultrapassaram 80... Será porque a mineirada gosta tanto de rir? ou não seria uma maneira fácil de dizer que foi ao teatro e pagar a sí mesmo, cada um, a dívida com o saber. Enfim teatro é muito chato mesmo!!!! mas ainda tem alguns ou a maioria de alguns, que ainda acreditam o teatro ainda é fonte de revolução e originalidade estética. Que me desculpem meus companheiros, mas no momento nossa melhor arte, ainda estão nas incubadoras epistemológicas dos estudos avançados das equações diferenciais estocásticas. Não fiquem bravos!!!! nem muito menos nos perguntem o que é isso que acabamos de falar...ouvimos um dia. Só sabemos que a subjetividade configurável ou não incomoda mais os artistas da ciência do que os artistas da arte, coitados!!! Estes perdidos no achismo, quando muito na reinvenção da roda!!! da roda que nem mais roda... pois tudo agora parece não passar de dígitos e bytes que trafegam quando muito em movimentos translacionais, pois a rotação agora relativa também quer transladar. ( não nos perguntem sobre isto também). Haaa! mineiros, mineiros!! onde estão nossos heróis? anti-heróis? Chico Reis, Miguilins, Riobaldos?? que pena, se já os vejo estão travestidos... e aí sim, prefiro as comédias, são mais cômicas, mais comíveis e até mesmo mais antropofágicas.
Ser mineiro é ser resto.
Resto de mesa.
Resto e fundo de bateias.
Vaqueiros sem vacas.
Um teatro sem drama.
HO HO HO Minas Gerais!!! Que pena o melhor dessa peça ficou no próprio título. Cômico? quem sabe, não começou aqui nossa trágica comédia. Enfim parece que chegamos de volta a nossa terra mãe, mãe dos nossos caboclos, tambores, Tizumbas, Titânes, Miltons, e outros tantos que ainda choram nos fundos de nossas senzalas perdidas. Marília de Dirceu não passa de uma lembrança genética se extiguindo nas nossas veias emburacadas de ouro, por onde escorrem o tempo e nossa coragem dramática. Enfim! estamos neste momento na terceira margem, em qualquer outro lugar entre os limites do Brasil e as costas da África, presos nas malhas genéticas, puchadas para o Oriente pelos ritmos dos tambores incessantes, para o Ocidente pelas flechas tortas e frágeis Tupís/Aimorés, para o norte pelos antropofágicos modernistas, tropicalistas culpados, assustados, para onde iremos??? para onde devemos nos encaminhar agora??? Só as montanhas teêm as respostas. E não mais serão as montanhas de Cecília ou Drummond... quem sabe? nós não sabemos. Só sabemos com certeza que acabamos de descobrir a terceira margem de Guimarães. Que pena que Bertola, não sabe disto. Reveja sua peça Bertola, chamem todos do Rio de Janeiro, quem sabe aqueles que cortaram a cabeça de Tiradentes não sabem... Barbacena também fica no Rio de Janeiro? ou estamos enganados? Gostaríamos mesmo, que alguns dos grandes críticos de BH, pudesse nos esclarecer o que afinal se sucede com o movimento teatral de Belo Horizonte... Porque só agora, quase 60 anos depois, nosso movimento teatral descobre o existencialismo/Absurdo, Europeu.Porque só agora começam a achar que Peter Brook nasceu em BH? Engraçado... assistimos Peter Brook, ele mais parecia um colega de classe, de sala de aula. E o pior, o cara fez uma peça sobre o Islamismo, eu não sabia que Minas Gerais tinha uma comunidade Islâmica, ou nossa modernidade é realmente SURPREENDENTE????????? nos tornamos de antemão Islamicos, defendendo uma causa de Palestinos. Ha! Mineiros!!! HO HO HO Minas Gerais!!!!!!!!!!! que bom que essa peça existe... este título me serve tão bem agora. ( repito, é melhor do que a peça). Só nos falta mesmo a nossa faixa de Gaza, que Gerald Thomas já havia vislumbrado nos anos 80, pois daqui levou enamorado nossa grande Bete Coelho, pelos túneis e labirintos minero-auríferos que nos ligam até a civilização Becktiniana que Gerald soube traduzir plasticamente como ninguém a digitalidade de Beckett, para nós analógicos, Tupís-Macunaímas, habitantes dos tristes trópicos do construtivismo de Levi Strauss. Ha! meu querido Gerald, que pena que auschwitz não te levou como os seus, hoje entendo porque todos aqui te detestam, te odeiam Gerald e te empurram para o Monte Sião ( onde um dia chegarás) com o seu mal falado Iidich, pois contaminado está de Tupí e outras línguas clandestinas, que aqui não convem nem mesmo serem citadas. Porque pra nós mineiros, são como línguas do fundo do mar! muito abaixo das montanhas... dramaturgos nossos de agora, filhos amortecidos do anos 80/90. Coragem!!!!! matem de fato os heróis fantasmas que não reconhecem... pois melhores que sejam estas peças... peças de agora... não passam de cópias mal feitas que nosso escroto e amado Gerald já fez nos anos 80 e agora parece aposentado, bem como seu guru Bob wilson nos EUA e no mundo, e Peter Brook nos anos 70! Bem... todos estão vivos.... é nós aqui de Minas insistimos em achar que não existem e quando existem são Mineiros! Ainda bem que ser pretencioso é antes de mais nada ser Mineiro, ser inocente e solidário no cancêr.

Acionado por Estúdio11 exatamente às 20:31:00 9 devaneios

quarta-feira, 11 de março de 2009

Artigo do Mau Fonseca

O poder da imagem contra a arte abstrata
Por Maurício Fonseca


Por volta da década de 10 surgia na URSS aquilo que foi chamado o fim de qualquer representação do real nas expressões artísticas com os quadrados pintados por Malevitch. Na seqüência o neoplasticismo de Mondrian, Theo Doesburg, o concretismo de Max Bill, entre tantos nomes da história da arte. Este movimento artístico se configurou ao longo das décadas seguintes como a arte da expressão intelectual das elites e por conseqüência pertencente ao poder intelectual, distante da massa social. A arte abstrata e concreta tem uma grande contradição, devido a essa deficiência em sua elaboração, afastando-se dos propósitos iniciais, desde os construtivistas russos como do próprio Mondrian que previu esse deslocamento artístico, ainda preconizando a necessidade um tempo maior, talvez séculos, para que essa nova linguagem plástica se tornasse compreensível.

As razões que afastaram a arte abstrata do verdadeiro ideal comunicativo é objeto de estudo de muitos pesquisadores na arte contemporânea. Entenda-se por abstração, a eliminação da imagem da realidade e dos símbolos que remetam à vida tangível. Uma discussão que nasceu no período impressionista com Cézanne, e fora responsável pelas vanguardas modernas, como o Cubismo, Futurismo e sua máxima atuação no construtivismo e concretismo. Devem-se salientar as discordâncias quanto à abstração e o concretismo. Van Doesburg que era amigo de Mondrian não considerava o neoplasticismo como arte abstrata, dizia que as linhas retas horizontais e verticais eram tão concretas na tela quanto uma pessoa de carne e osso em vida. Uma discussão complexa, o próprio Doesburg por volta de 1926 se distanciou de Mondrian, seu mestre, para ir além com a arte neoplástica, aplicando-a de forma prática ao ambiente arquitetônico. Essa aplicabilidade refletiria alguns anos depois na Alemanha com Gropius, o genial mentor da famosa Escola de Bauhaus.

Essa complexidade levou para longe o entendimento da arte. Nota-se que as diferentes vanguardas e os muitos artistas, por muitas vezes divergentes entre si, fizeram da arte moderna algo incompreensível ao olho popular, embora fosse de uma riqueza insuperável. O poder de uma imagem realista fala alto e brilha com sua nitidez contra as premissas abstratas. Um quadro renascentista ou barroco que inspirado em alguma cena histórica, que representa, por exemplo, alguma revolução ou dinastia real, como fizera Goya ou Velásquez durante períodos conturbados, por exemplo, a Revolução francesa, é facilmente decodificado pelo público quanto a função e estética.

O aspecto da percepção em relação a "não representação" na arte abstrata fica impossível numa sociedade contemporânea, viciada na imagem por uma invasão de signos e marcas através da publicidade via TV e mídias exteriores. Os impactos dessa excessiva amostragem visual condicionaram a experiência do olho humano a uma degradação, uma espécie de mediocridade ou empobrecimento do repertório. Talvez, realmente seja prematuro adentrar as idéias das vanguardas européias, ainda que se tenha passado quase um século. Por exemplo, a arte moderna chegara ao Brasil definitivamente na década de 50 - data em que acontecia a primeira Bienal Internacional de Artes (1951). Ainda que tardiamente, desenvolveu-se baseando suas fundamentações na Escola de Ulm por influência do suíço Max Bill que estivera na Bienal. Essa atuação concreta que se dava em São Paulo entrou em divergência com os artistas que não compreendiam a arte com tamanha racionalidade, surgindo o grupo neoconcreto. Ferreira Gullar, que participou ativamente desse período, descreve em seus artigos sobre a arte moderna publicados no Jornal do Brasil nos anos 80 as idéias contrastantes entre os grupos; concretos paulistas vislumbravam a arte exaurida de subjetividade, enquanto neoconcretos cariocas fugiam dos processos mecânicos e racionais para esculpir o espaço através da subjetividade.

Não havia um direcionamento único, o que demonstra a dificuldade das teorias que para o grande público comum torna-se longínquo. O poder da imagem nítida que a televisão no mesmo período trouxera iniciando a era televisiva nos lares brasileiros, dando rosto à cultura popular, através das telenovelas, festivais musicais, jornalismo e variedades, extinguiram a capacidade perceptiva visual do espectador. A arte contemporânea em nossa atualidade luta para sobreviver dentro desse massacrante panorama da imagem midiática, que tem na internet uma nova aliada. Se a idéia original na Rússia de Lênin com Gabo ou Rodchenko era tornar a expressão artística tão simples quanto uma linha reta e acessível à sociedade, o tempo fez o contrário. Um quadro como a Monalisa de Da Vinci responde muito mais claramente aos anseios do público quanto o não menos famoso "quadrado branco sobre fundo branco" de Malevitch.

A imagem imediatista contemporânea
Contra os preceitos concretos ou abstratos tem-se o império da imagem contemporânea cuja fonte é a poderosa mídia de massa, não apenas marcas ou produtos, algo além, conceitos de vida e comportamento. O realismo do século atual é a representação da vida feliz, da conquista e do prazer instantâneo. Padronizado pelos meios de comunicação, através do cinema comercial e da televisão, a sociedade do carpe diem foi moldada e caminha feito um rebanho humano para os mesmos lados, ainda que se pratiquem contraditoriamente anseios pela individualidade de cada pessoa. Essa duvidosa individualidade se dá apenas na estética externa, na vestimenta ou no corte de cabelo como exemplo, mas o comportamento, o pensamento e o gestual é quase genérico. Vive-se o equívoco da personalização do indivíduo, mas este já é uma marca, um símbolo de algo maior, um subproduto de mega corporações, de grandes e prestigiosos grupos, o que torna nossa realidade uma mentira muito bem acreditada.

Quando uma imagem bem construída reflete fidedignamente a realidade, portanto espelha-se nosso reflexo, assim sendo bem recebida pelo espectador, que se enxerga dentro dela, demonstrando um apelo pelo conhecido, rechaçando o misterioso, para não dizer que a experiência visual humana tornou-se obsoleta, prefere-se o reconhecível, acima de tudo, existe uma fobia por aquilo que não se pode interpretar (o abstrato). Remonta-se o medo pelo fracasso e a frustração ou a necessidade diária de estampar um sorriso otimista.

É claro que no ínicio do século anterior o mundo respirava guerras, doenças e preconceitos que foram expulsos da história oficial no decorrer do tempo. Vieram as leis universais garantindo direitos e deveres - os Direitos humanos, as independências dos países subjugados e a liberdade sexual feminina. Nosso mundo ficou livre de antigas tradições, ganhou mobilidade social e econômica, e não se pode esquecer o quanto de sangue humano se derramou em duas grandes guerras. Este cenário foi o grande motivador da abstração na arte, quando não fazia mais sentido galerias ou museus, estúdios e modelos humanos.

O mundo de hoje nunca esteve tão honesto e acessível para tantas distintas pessoas e estendendo seus domínios a muitos povos, embora ainda haja injustiças, conquistas importantes imergem em nossa realidade. Diante da beleza da vida atual, que é democraticamente segmentada pelo capitalismo, não há monstros ou vilões. A imagem do mundo é um reflexo prazeroso, sendo então receptivo e desejável. Ninguém deseja se perder no abstrato desconhecido, o que explica o abismo que existe entre o público e a arte moderna, concreta ou abstrata. A era visual panóptica tem lugar ao Sol para todos.


Maurício Fonseca formou-se em design e comunicação e artes. Trabalha com artes visuais, direção de arte audiovisual e corriqueiramente escreve por necessidades existenciais. Entusiasta da história da arte, tem pesquisado, desde o período de sua graduação, as minuciosas etapas da arte moderna e sua relação com o espectador.