terça-feira, 28 de abril de 2009

Gerald : "Fazer uma grande orgia e morrer..."

Entrevista com GT no Questao de critica:

Nelson Rodrigues X Vianninha e os Porcos com Asas

Estava lendo a coluna do Afonso Romano de Sant Anna ontem e dela recolho a polemica de Vianninha versus Nelson Rodrigues:

"Meu caro Nelson Rodrigues: de tempos em tempos para ca, voce anda me cobrindo de penas (...). De marxista de galinheiro passei a cambaxirra, a colibri e vou ficando cada vez mais empenado (...). Voce sabe que o projeto do teatro brasileiro que se instalou e irreversivel e deixa voce longe de varios corpos."

E Nelson respondeu, em Dracula ou Passarinho: "Eu e o Vianninha falamos a mesma lingua, isto e, eu falo a brasileira e o Vianninha, a cubana. Mas nao e o idioma que nos separa (em ultimo caso, o que nos separa e a idade. Somos de duas epocas que se digladiam a cusparadas (...). E vamos e venhamos: para um velho como eu (sou realmente uma mumia), e uma delicia discutir com as Novas Geraçoes. Todavia, no meu debate com o Vianninha ha um defeito tecnico. Pergunto: como polemizar com um sujeito que trato pelo diminutivo? (...). Nao deixando pedra sobre pedra, eu era um sujeito desmoronado, um sujeito demolido. E, agora mesmo, ao redigir essas linhas, tenho que espanar a poeira do meu proprio desabamento".

Eu tambem me sinto a sim ao ironizar que a gripe seria fashion. Ate o teclado desconfigurou-se, hoje. Sao os virus de computador, tao malevolos quanto os dos porcos. Alias, esse ano faz 40 anos do crime da Manson Family.

PIGS! DEATH TO PIGS!

Os porcos infectados com virus da gripe porca ou Nova Gripe poderiam ser mandados ao Paquistao? Para servirem no exercito, para serem servidos aos muçulmanos ou para serem porcos-bomba?

Have you seen the little piggies, living piggy lives...

Lembram dos Beatles? Leram Porcos com Asas? Escutaram Pig Floyd? Pinks on the Wing?

Eu pergunto que nos trara a peste, quem sera a pessoa que nos trara esse novo virus. Mas ele se alastra muito rapidamente e no mesmo dia em que eu falava os casos ja estavam, supostamente, aqui em BH, 150 km de onde escrevo. Fiquei com medo de pagar lingua. Ah, Sandra, fazer uma orgia e morrer.Bom projeto para o futuro. Mas com gripe nao da.

E como Freud diz: eu vos trago a peste.

A mesma mascara negra...lembram da marchinha de carnaval? E que tipo de moda fashion combina com mascaras azuis?

Ja pensaram um desfile de modelos com mascaras pretas, azuis, estilo Primeira Guerra Mundial, etc?

Barbara Heliodora e um monolito? Otimo! E se fosse um COPROLITO? Eu gosto dela, ela e simpatica. So nao curte muito a vanguarda, parece que ela e transa mais a retaguard

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lugaucho tiene corazón, pero no usa el condón...

Eu vou procurar e lincar aqui esse vídeo dos garotos do Los Angeles gozando o Lugo, chamando-o de "lugaucho", ou seja, garanhão na gíria local:




Isso me faz lembrar um diálogo de Marco Zero, romance do Oswaldão. Duas mulheres estão conversando. Uma fala que tá transando uma freira. A outra pergunta como é. Resposta:

--É DIVINO!

Todas as mulheres que transaram com Lugo enquanto ele era bispo católico também poderiam responder: É DIVINO!

Ave, Lugo, pai de todos os paraguaios!

E ele está dentro das orientações da Igreja Católica e da Bíblia: crescei e multiplicai-vos. A coisa é tão assim que outro dia conversei com Padre Antosco, pároco aqui da cidade e famoso por suas tolices e besteiras e ele me disse para ter muitos filhos sem me preocupar com o fator econômico. Quase perguntei se eu poderia deixar numa cestinha na porta da casa dele ou algo assim, mas me contive. E não contei para ele que meu filho mais velho não é meu consanguíneo, ou seja, como não foi assumido pelo pai, que é um ser bizarro aqui da cidade, um rapaz chamado Dartiano, foi passado para o meu nome na justiça. Gabriel foi adotado por mim quando casei com minha esposa...Mas essa egotrip bodante não interessa a ninguém e não a contei a Padre Antosco, que mesmo assim queria mais filhos, mais que dois. E pior é saber que o Paraguai é um país onde somente um a cada quatro nascidos é assumido pelo pai, ou seja, é um país bastante "dartiano"...


É...ELES querem algo como aquela música do Sérgio Reis e do Padre Fábio, aliás, que eles cantam: "Com sacrifício, eu criei meus sete filhos/do meu sangue eram seis/e um peguei com quase um mês"...Antes fosse o contrário, não? Adotar seis e ter um do próprio sangue, porque esse negócio de fazer mais almas para Jesus...Bom, pelo menos rendeu uma frase em latim bonita: "ejacutio em vasu improprio". O que significa? Será "ejacular no buraco errado"? Meu latim não dá nem para o começo de conversa, mesmo.

E pior é ler um artigo do Milton Ribeiro onde ele diz que o Paulo Francis era obcecado com sexo porque morreu virgem! E é a segunda vez que leio algo assim, Ruy Castro também já escreveu isso num artigo sobre o amigo (depois que ele morreu, claro). Mas Ruy, para mim, não tem credibilidade alguma depois daquele episódio em que ele disse que a avó do Gerald Thomas era amiga dos nazistas, sendo que ela foi perseguida por eles e era judia. E já vi outras dele, como dizer que o espetáculo Opinião só era suportável por comunista de carteirinha, uma enfermeira avaliou o tamanho enorme do pinto de Garrincha, o filme do Joaquim Pedro era para quem gosta de cinema e não de futebol, etc, etc. Vou parar por aqui.

domingo, 26 de abril de 2009

Dilma; quase uma personagem da blognovela penetrália

Dilma Rousseff: a mulher que quer governar o Brasil
Ela tem um cão, gosta de livros, de tango e de se ver bonita. No passado, comandou guerrilheiros, foi presa e torturada. Tida como dura na queda, a ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula à Presidência, abandona as reservas e, descontraída, conta detalhes (alguns tristes, outros divertidos e saborosos) da sua vida privada
Patrícia Zaidan e Alessandra Roscoe
No quarto andar do Palácio do Planalto, um acima do gabinete do presidente da República – e de onde se vê o sol corar o lago Paranoá –, trabalha a mulher mais importante do país: Dilma Vana Rousseff, 61 anos, ministra-chefe da Casa Civil, que controla a máquina federal. Equivale a dizer que é a número 2, atrás apenas do chefe da nação. Jamais disputou uma eleição e não é petista histórica. Chegou ao Planalto como a perita que aplacou a crise de energia no Rio Grande do Sul nos anos 90, quando secretária do governo gaúcho. Seu nome foi indicado a Lula como a peça-chave para evitar o apagão que assombrou o antecessor, Fernando Henrique. Dilma abriu o laptop, apontou soluções e virou ministra de Minas e Energia. Mineira, economista divorciada, foi dela que Lula se lembrou quando o escândalo do mensalão arrasou a moral do PT e destronou José Dirceu, então homem forte do Planalto. Dilma o substituiu na Casa Civil em 2005. Pouco depois, um novo escândalo derrubou o titular da Fazenda Antonio Palocci – outro pilar do staff –, e Dilma se tornou o principal apoio do presidente. “Lula ficou mais solto para agir, as tensões diminuíram, não há queda-de-braço como as ocorridas entre Dirceu e Palocci”, diz Franklin Martins, ministro da Comunicação Social.
É sobre ela que recai a escolha de Lula para sucedê-lo. Guerrilheira que enfrentou a ditadura militar, agora acusada pelos adversários de antecipar a disputa eleitoral, Dilma tem 14% da preferência do eleitorado e pode ser a primeira mulher a governar o Brasil.
CLAUDIA Num jantar político, a senhora cantou com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) o tango EL DIA QUE ME QUIERAS. Gosta de música?
DILMA Adoro. Mas não cantei. Minha voz é de fazer chover. Eu falava a letra e Suplicy cantava. Meu pai me obrigou a estudar piano por quatro anos, mas, infelizmente, não tenho o menor talento. Aprendi a ouvir tango e jazz na prisão, com uma colega de cela, a professora Maria do Carmo Campello de Souza. Naquela época, passei a entender melhor Astor Piazzola e a apreciar a voz de Ella Fitzgerald. Maria do Carmo tinha muitos discos, que nós tocávamos numa vitrolinha. As caixas de som eram ótimas, feitas por outra presa com caixotes de maçã. Hoje ouço muita música clássica – Bach e Vivaldi estão sempre comigo – e ainda curto a dupla Zezé di Camargo e Luciano.
CLAUDIA Sertanejo? Isso é influência do presidente Lula...
DILMA Não! Já gostava bem antes de trabalhar com Lula. É O AMOR é linda. Não tenho restrição a gênero algum. Meu lado gaúcho (viveu no Rio Grande do Sul por três décadas) me leva a gostar ainda do Bagre Fagundes: “O canto gauchesco e brasileiro desta terra que eu amei desde guri....” (cantarola batucando com a mão sobre a mesa).
CLAUDIA Seu lazer é à base de música?
DILMA Em primeiro lugar, de leituras. Leio tudo. Estou na fase dos angolanos, como José Eduardo Agualusa, autor de O VENDEDOR DE PASSADO, e de Pepetela, de PREDADORES. Também gosto muito de pintura e tenho a minha galeria.
CLAUDIA A senhora coleciona obras de arte em casa?
DILMA No computador. Entro nos sites dos museus famosos, como o Metropolitan, acesso as que quero e baixo. Se estou numa fase impressionista, seleciono obras impressionistas. Atualmente, prefiro as japonesas. Para mim, literatura, música e pintura são instrumentos de descoberta. A nossa aventura neste mundo passa por compartilhar a arte. Por meio dela, acesso um pouco a raça humana. Se não tiver essa dimensão, entendo bem menos as pessoas.
CLAUDIA A senhora se sente sozinha em Brasília?
DILMA Não me sinto só. Trabalho muito e no fim de semana quero me recolher, quase não saio de casa. Às vezes, recebo a visita da minha mãe (Dilma), que vem de Belo Horizonte, e da minha filha (a procuradora do Trabalho Paula, 31 anos, do segundo casamento), que vive em Porto Alegre. Adoro quando o meu bebê vem me ver.
CLAUDIA Ainda mantém o labrador Nego, que ganhou do ex-ministro José Dirceu?
DILMA Ele é um labrador genial. O Zé Dirceu fez o imenso favor de deixá-lo comigo. Ao sair do governo, não tinha para onde levar o Nego, que é enorme (Dilma vive na mansão antes ocupada pelo petista, na Península dos Ministros, no Lago Sul). Passeamos muito juntos. Desde pequena, tive cachorros, sempre vira-latas. Quando minha filha nasceu, eu lhe dei um policial para que aprendesse a lidar com os bichos. Ela cuidava, escovava os dentes dele até que o cão morreu, aos 15 anos. Foi uma choradeira danada.

CLAUDIA O feminismo está revendo o discurso que dava a maternidade como algo secundário. A escritora americana Camille Paglia é partidária dessa revisão. O que pensa disso?
DILMA Em que pesem todas as ótimas constatações que Camille fez sobre sexo e cultura, sua visão, no passado, de que maternidade era secundária, estava equivocada.Uma das coisas mais importantes da minha vida foi ter uma filha. Tem mulher que decide não ter filhos, eu as respeito. Mas não podemos abrir mão damaternidade. Se você dá a vida, tem que cuidar dela, providenciar alimentação, ver se as orelhas estão limpas... a maternidade dá competência. A capacidade de agregar vem do treino com os filhos. A visão privada amplia a visão pública. Nem todo feminismo se opôs àmaternidade. Foram as feministas que exigiram do governo o tratamento pré-natal, a licença-ma ter nidade...
CLAUDIA O fato de o ex-ministro Gilberto Gil ter dito que a senhora tem um lado macho a ofendeu? Sente-se incomodada quando ouve que é uma gerentona, uma mulher dura demais?
DILMA O meu amigo Gil pode me chamar do que quiser, porque é um artista. Talvez ele olhe coisas minhas e capte a essência. Gil disse na música SUPER-HOMEM que ele tinha um lado feminino a cultivar. As mulheres têm um lado de resistência, identificado com o sexo masculino, para ressaltar. Não somos um bando de manteigas der retidas que não enfrenta a diversidade; pelo contrário, resistimos a tudo. Eu costumo afirmar que sou uma mulher dura cercada de homens meigos.

CLAUDIA A senhora perdeu 10 quilos. Fez dieta?
DILMA Cheguei à Brasília pesando 67 quilos. Não mantive as atividades físicas, a alimentação era desregrada e, como a tensão é grande, atingi 78. Emagrecia e voltava a engordar. Aí mudei a tática. Diminuí o carboidrato, aumentei verduras e carne branca e caminho todo dia. Demorei um ano e dois meses para estar como estou..
CLAUDIA A fitinha no pulso é do Senhor do Bonfim?
DILMA Foi a Flora (mulher de Gilberto Gil) quem amarrou e disse: “Mentalize um desejo; quando arrebentar, ele se realiza”. Se eu revelar o que é, não se concretiza.
CLAUDIA Atrás da sua mesa, tem uma Santa Ana e outras imagens. O que elas representam?
DILMA Vou ganhando e ponho aí para me proteger. A medalha foi do pessoal da Canção Nova. O Jaques Wagner (governador da Bahia) me deu a mãe-de-santo. Ainda guardo o desenho de um garoto sobre o trem-bala que queremos fazer.
CLAUDIA A senhora parece mais saltitante depois da plástica...
DILMA Eu sou uma pessoa alegre. O fato de ficar séria não quer dizer mau humor. Fico séria enquanto penso. Preocupada, então, é que não rio mesmo. Isso não tem nada a ver com depressão.

CLAUDIA Ficar mais bonita mexeu com sua alma?
DILMA Muito. Qualquer um gosta de se sentir mais bonito. Mulher de Minas não entrega a idade. Minha mãe me proibiu de dizer a minha para não deduzirem a dela. Mas digo sem problemas que tenho 61 anos. Embora me orgulhe deles, devo admitir: minha olheira bate aqui embaixo. À noite ela reaparece, mesmo com a plástica.. Vocês não sabem o que é o rally Paris Dakar que enfrento todo dia no governo. Além disso, a minha linha de queixo estava caída. Não tenho vergonha, precisaria ser muito insegura para não decidir pela plástica.
Os homens também fazem. Fernando Henrique e Serra (o governador de São Paulo, seu provável adversário na disputa presidencial) fizeram. É bom fazer, principalmente quando dá certo. A minha ficou natural.

DESCOBERTA DA REDAÇÃO Dilma Rousseff usa mais um expediente para dissipar os efeitos do Paris Dakar: em fins de noite, dirige seu Fiat Tipo até uma pequena clínica de massagem no bairro Sudoeste. Deita-se na maca com dores musculares e adormece. Antes de escolher a clínica, pediu à massagista para ver os documentos de funcionamento do local e os certificados de cursos que ela havia feito.

CLAUDIA A senhora já assimilou o estilo Lula, anda cheia de metáforas para popularizar o discurso. Até comparou o Plano de Aceleração do Crescimento, que gastará 646 bilhões de reais em obras até 2010, a um boi gordinho.
DILMA Não o comparei a um boi. A imprensa publicou tudo errado. Uma repórter perguntou se o PAC empacou. Eu respondi: “Não, ele não empacou. Está mais para uma vaquinha. No início era uma vaquinha ma-gérri-ma. Aí, foi ficando gordinha em 2008 e, em 2009, vai virar uma vaquinha de raça”. Foi essa a história.
CLAUDIA Como reage quando Lula diz que pode economizar no batom da dona Dilma, mas não vai cortar recursos do PAC?
DILMA Até acho graça, aprendo muito com ele.
CLAUDIA A oposição, que dizia que a senhora era apenas boa técnica, já viu que sabe fazer política?
DILMA O vício de tachar alguém de tecnocrata vem da ditadura, que construiu dois perfis: o técnico é correto e capaz; o político é subversivo ou corrupto. Não acho correto o Brasil herdar essa visão sem saber a que ela serviu. Já me aconselharam: “Deixe que falem, o povo associa político a safadeza e separa você do bolo”. Não posso compactuar com essa ideia. É impossível ser boa ministra se não tiver uma ampla visão política sobre o meu país. É sandice achar que todo político é mau. INTERRUPÇÃO. Neste momento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, telefona. Antes, dois governadores haviam ligado – ela não pronunciou o nome deles. A agitação era em torno do programa para construir 1 milhão de casas populares. Com o ministro, foi cirúrgica: “Li seu primeiro relatório e não achei satisfatório”. Ele deve ter dado justificativas, e Dilma arrematou: “Guidinho, você já repetiu isso seis vezes. Venha na quinta (a entrevista foi na terça) e conversamos”.

CLAUDIA O senador Agripino Maia (DEM-RN) provocou-a, ano passado, lembrando que a senhora tinha mentido para os torturadores.
DILMA Aquele senhor não sabe o que é passar 22 dias sob choque elétrico e pau-de-arara. Menti para não entregar parceiros. Por dois dias, apanhei sem revelar onde morava com uma amiga. Assim, ela saiu da pensão, na avenida Celso Garcia, em São Paulo, e outros deixaram os locais onde se refugiavam.
CLAUDIA Como era a pensão? Guardava armas ali?
DILMA Era simples, tinha um corrimão típico: descascando com a unha, apareciam várias cores, até chegar à madeira. Havia armas ali, sim. Eram algumas pistolas.
CLAUDIA A senhora ainda se lembra de como é atirar?
DILMA Não era a minha função. Eu participava da direção.
CLAUDIA Mas foi treinada para lidar com fuzis...
DILMA Sempre tive muitos problemas com a minha visão, uma miopia pesada, de 8 graus num olho e 6 no outro. Não tinha bom ajuste de mira. Eu era ótima para limpar uma arma, ainda sei como desmontar e montar uma.
CLAUDIA A senhora participou ou não do roubo do cofre do ex-governador paulista Adhemar de Barros, que estava na casa da amante dele e continha 2,5 milhões de dólares?
DILMA Gostam de dizer que participei. Podia ter havido minha participação, mas não houve. Não estou querendo negar nada. Tem várias pessoas vivas, que atuaram no episódio, que podem confirmar o que digo. Naquele momento, eu cuidava de reinserir os militantes clandestinos na luta legal.. Deslocava pessoas de um estado para outro onde pudessem trabalhar. Era hora de abrandar as ações e priorizar a mobilização das massas.
CLAUDIA Quando viram que a luta armada havia fracassado?
DILMA Éramos cerca de 300 jovens convictos de que mudaríamos o Brasil e a América Latina. Com a quantidade de prisões, percebemos a fragilidade daquela luta. Nas casas da morte, a repressão massacrou quase todas as organizações de esquerda até 1974.

"Nasci dia 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. Com meus irmãos (Igor, 62 anos, e Zana Lívia, já falecida), nadava no Minas Tênis e subia em árvores: tínhamos jabuticaba, fruta da minha mãe, e pera, do meu pai (o empresário Pedro Rousseff, já falecido). Ele era socialista, não tinha religião, mas, quando eu disse que queria fazer primeira comunhão, me levou para o Sion, escola de freiras que promovia ações sociais no morro do Papagaio. Dias antes do golpe de 1964, entrei no Estadual de Minas Gerais, um colégio efervescente. Ia a passeatas, via o Teatro Opinião encenar Arena Conta Zumbi, uma ode aos direitos dos oprimidos. Aos 16, ingressei na Polop (a organização Política Operária). Lia obras do Celso Furtado, considerado subversivo, e assistia aos filmes do Glauber Rocha, com ele na plateia. Guardo memórias boas, como conviver com Milton Nascimento – para mim, Bituca – e Márcio Borges, parceiro dele. Na casa do Marcinho começou o Clube da Esquina. Ele e eu roubávamos lanche da geladeira da minha mãe... Mas outro dia achei estranho: encontrei Bituca no aeroporto de Porto Alegre, e ele não me reconheceu.
O AMIGO Márcio Borges, 62 anos, gargalhou ao saber que Dilma se lembra dos assaltos à geladeira. “Buscávamos comida e bebida para que nossas festas durassem uma semana”, diz. “Ela era a líder mais brilhante, tinha uma coragem surpreendente, pagou o ideal com as dores do corpo. Fiquei arrasado ao ver, em 1968, cartazes com a foto dela e a palavra ‘Procurada’. Quando ressurgiu na TV como pessoa pública, gritei: ‘É a Dilma, a minha Dilma! Minha candidata desde os 20 anos’.”

A prisão
"Casei aos 19 anos. Universitárias não usavam véu e grinalda. Então, me vesti num redingote lindo, verde-clarinho e segui para o cartório, para alegria da minha mãe, que nos deu um apartamento para morar. O meu marido (o jornalista Claudio Galeno Linhares) também era militante na Polop. Em 1968, os militares decidiram endurecer, porque não haviam enquadrado todos os setores na ditadura. Foi o golpe do golpe. Procurados pela polícia, chegamos a dormir fora de casa e nos mudamos para o Rio. Com o AI-5, o Congresso foi fechado, políticos acabaram cassados, a censura à imprensa e as prisões cresceram. Entre nós, avaliávamos que os militares não deixariam a democracia voltar mais. Não havia espaço para fazer as mudanças de que o país precisava, a única forma de resistir era lutar. Fui presa no centro de São Paulo, dia 16 de janeiro de 1970, aos 22 anos, por falha minha. De manhã, havia ido ao encontro de um companheiro, que não apareceu. Era um mau sinal, eu não deveria ter tentado o segundo encontro, à tarde, numa lanchonete. Entrei e ouvi: “Você está cercada”. Andei rápido até uma loja de móveis.. Pensei em escapar pelos fundos, mas me pegaram. Eram três equipes, muitos homens.
A PENA
Condenada a seis anos de prisão, Dilma cumpriu três no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Era o cérebro da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, codirigida pelo maior mito da guerrilha brasileira, o capitão Carlos Lamarca. Usava os codinomes Stela e Marina e já havia se separado de Galeno, que sequestrou um avião e o levou para Cuba. Com o segundo marido, o advogado Carlos Franklin de Araújo, participou da elaboração de assaltos a banco. O procurador militar que a denunciou referiu-se a ela como “Joana D’Arc da subversão” e “figura de expressão triste e notável”.

O brado da oposição
O PSDB e o DEM, que também estão em plena campanha, com anúncios de José Serra nas TVs de todo o país, pagos com dinheiro público do governo de São Paulo, acusaram, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula e Dilma de realizarem um evento eleitoreiro com 4 mil prefeitos, em fevereiro, em Brasília. Pela lei, a campanha só começa em julho de 2010. Até o fechamento desta edição, o TSE não havia julgado a questão. O líder dos deputados tucanos, José Aníbal, dirigiu-se ainda ao Tribunal de Contas da União questionando o gastos. “Acho que torraram 10 milhões de reais. Desvio de verba pública é corrupção”, diz. Mas a ministra tem sorte, seu opositor a admira. “ Minha primeira eleição, na faculdade, ganhei com a ajuda dela. Ainda saímos para jantar, mas não posso deixar de apontar os erros.” Para ele, Dilma “é boa gestora, mas está contaminada pelos vícios do PT”. Enquanto isso, ela bota o bloco na rua. Participou do Carnaval de Olinda e até da missa do padre Marcelo, no Terço Bizantino, em São Paulo. Perguntada sobre campanha, diz: “Não falo no assunto nem amarrada”.




--
Att,
Francisco J. de Abreu Duarte
Gerenciamento da Informação
M&C Comunicação
http://mccomunicacao..com


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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Blognovela Penetrália 13: Yoani, Joaquim Barbosa, etc.

(Lúcio sai da lan-house cubana e volta com expressão desolada. Todos param de mexer nas máquinas e se voltam para escutá-lo).

Lúcio: pessoal, más notícias. Yoani me contou que as coisas por aqui não estão mudando mesmo com a aproximação do Obama. Raul quer discutir com Obama coisas que nunca discutiu com os cubanos.

Henrique Hemídio: Lúcio, essa conversa está descambando para um papo que pode acabar com a liturgia de nosso blog...

Targino: A corja do STF esta apoiando Gilmar Mendes Quem quiser mandar email apoiando Joaquim Barbosa, para ele se fortalecer e dizer mais verdades ai esta

Gilmar Mendes - mgilmar@stf.gov.br

Celso de Mello - mcelso@stf.gov.br

Marco Aurélio de Mello - marcoaurelio@stf.gov.br

Cezar Peluso - carlak@stf.gov.br

Carlos Britto - gcarlosbritto@stf.gov.br

Joaquim Barbosa - gabminjoaquim@stf.gov.br

Eros Grau - gaberosgrau@stf.gov.br

Ricardo Lewandowski - gabinete-lewandowski@stf.gov.br

Carmen Lúcia - anavt@stf.gov.br

Menezes Direito - alexandrew@stf.gov.br

Tem ainda o e-mail do Conselho Nacional de Justiça, que é o cnj@cnj.gov.br

Sandra (com gestos robóticos): eu...vou...enviar...e-mail...para o Gilmar...

Gerald: vocês são de amargar, os seus psicólogos morreram de chorar e sangrar! Arrasam com todo mundo! Em Cuba eu vi a miséria organizada. Vou fazer um grupo no twitter. Grupo seleto. E não vou liberar a Luciana.

Luciana: nessa blognovela conheci pessoas boas, pessoas más, pessoas, pessoas, pessoas, personas. Mas não sou uma persona de Gerald Thomas.

Alberto Guzik: Lúcio, não vai dar para colocar aquela chimpanzé fêmea na peça, já colocamos cacos demais.

Caetano Vilela: tá faltando patrocínio para a Ópera H, John! Mas sou brasileiro e nunca desisto! Pessoal, ajudem!

John (com tecla sap): a ópera foi morta pela crise.

Yoani: e eu queria poder viajar não somente virtualmente...

Gerald: eu viajo demais e me canso. Os aeroportos são péssimos. Choro em aeroportos. Vivo jet-legged.

Yoani: eu já vivi na Suíça.

Gerald: voltou para quê? O Brasil é um país macunaímico e cansado. Cuba está cansada também?

Lúcio: Gerald, deveriam liberar aquelas passagens dos parlamentares para vc e o Caetano viajarem. Em nome da arte.

Gilmar Mendes: Vossa excelência me respeite.

Fernando Lugo: Meus filhos e minhas filhas...

Joaquim Barbosa: você não está falando com seus capangas em Mato Grosso, excelência.

Gilmar: me respeite, kkkk

Lúcio: pessoal, isso aqui não é arquibancada de futebol. Parem de brigar. Isso é bom para a democracia, mas não exagerem. E obrigado, Walter, gracias por su livro!

Crítico de arte: Lúcio, ustedes não é um crítico respeitado, eu é que sou!

Susan Boyle: you´re killing me softly with your blognovela.

Alziro: Inglaterra não é British got talent. Grotty.

(Continua...)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Blognovela Penetrália 12: blogando em Cuba

(Cenário: uma lan-house para turistas em Cuba. Os turistas brasileiros do barco Vampiro de Curitiba ocuparam-na totalmente, para perplexidade de cubanos e outros turistas).

Denny Yang: pessoal, o meu blog não acabou.

Henrique Hemídio: eu vim no barco também. Olha, Lúcio, o quê você acha da Filosofia Clínica?

Lúcio: Filosofia cínica? Adoro! Tem o Sloterdjik com a Crítica da Razão Cínica...

Hemídio: Não, é Clínica.

Lúcio: aquela do meu xará, Lúcio Packter? Ah, dizem que ele é um Gugu Liberato filósofo. Mas do jeito que o nível tá baixo, vou fazer três anos de psicanálise e clinicar.

Crítico de Arte: vocês gostam do Freddy?

Hemídio: que Freddy, o Krueger?

Crítico de Arte: não, o Freddy Nietty, o filósofo.

Lúcio: quanta intimidade! Gosto de Schopp Hause também.

Fantasma de Francis: vem cá, Lucianta! São dois metros e trinta, é pouco, mas é tudo para você!

Luciana: não, Francis, no meu Paco Rabane, não!

Lúcio: pessoal, vamos para a aula de Filologia com a Yoani. Cadê o John Hemingway? Foi comido pelos tubarões?

Gerald: estava justamente falando sobre isso agora...Ele está em Salzburgo vendo a Ópera H.

Denny: essa blognovela demora ainda? É longa?

Lúcio: essa blognovela, Denny, é toda de improviso...

Walter Greulach: Vou contar como conheci um tal Gerald: o sol ameaçava cair, mas a tarde, impávida, se esforçava muito pouco em evitar. Três ou quatro turistas, de barriga para cima, aproveitavam os últimos raios de luz em uma praia da Flórida. Eu me encontrava em minha rotina de arrumar os quartos na praia de National. Tirava toalhas e cobertores sujos e os colocava num saco preto, ao mesmo tempo em que repassava mentalmente os rótulos que tive durante meus quarenta e poucos infrutíferos anos: filho em Mendoza, estudante em Córdoba, locutor em Entre Ríos, cozinheiro em Aruba, agora morando em Miami e atendente na praia. Nada muito recompensador para quem aos dezessete anos se imaginava o sucessor de Borges ou pelo menos um pouco de Cortázar...


Lúcio: eu fui ver a novela e conferir a atuação do chimpanzé em Poucas e Boas. Gostei! Excelente ator!

Crítico de arte: os quadros dele eram um jogo dramático entre a forma e a essência...

Jô Soares: a dança da tartaruga, meu amor. Eu sou o ladrão de Bagdá, lá na Bahia comi vatapá.

Lúcio: as novelas combatem o abstracionismo. Mas para mim, o código realista não é "o" código. Mas o que eu queria mesmo era estar naquele barraco lá em Genebra, aquela palestra animada do "Jade". Ahmadine-Jade. Um Jade desmancha-rodinha e que não sabe dançar a dança do ventre.

Jô: eu tô doidão, eu tô doidão, eu tô doidão, de batida de limão!

Crítico de arte: seu papagaio de piratas do Caribe!

Lúcio: eu sou papagaio e Gerald Thomas é o pirata?

Crítico de arte: Nem me fale em Gerald, ele já citou Ahmadine-Jade em Porto Alegre e eu não fiquei nada alegre.

Contrera: e eu, sou o "Alex"? Sou o "mordomo chileno" e o Gerald é Jô?

Lúcio: eu adoraria ver aquela palestra. Jade, falar no Jade é dar polêmica.

Gerald: eu fui falar nele em Porto Alegre, me arrependi.

Lúcio: é, mas quem eram aqueles caras vestidos de palhaço com umas cores de arco-íris na cabeça, dando chilique na platéia? Eram gays protestando contra a posição anti-gay do Jade?

Crítico de Arte: eu achei linda aquela loira saindo...queria tomar um café com ela.
Aqueles europeus saindo altivos, tanta gente bonita...

Lúcio: foi animado demais! E aquele pessoal gritando das galerias! E berrando "change" para o Jade na saída! Te pego na saída, velho grito de guerra! E o Jade tinha que lembrar que existe racismo contra muçulmanos em Israel e racismo na Suíça? A Paula que o diga. Fez aquele "body-art" só para ganhar uns trocados...

Crítico de arte: É, o Jade não dança a dança do ventre, mas quer ver Cuba, Coréia do Norte e Irã lançar foguete. Quer ver Cuba lançar e balançar os USA. Ele é do mal mesmo, ele negou o holocausto, ele quer destruir Israel, ele. Enfim, enfim, o Jade é pop, o Jade é pop, cantem com a melodia daquela canção dos Engenheiros do Havaí.

Lúcio: que coisa mais cafona! Você comeu siri bosta? Vá ter um filho com o Lugo-gostoso. E-z-i-r, no nosso Hamlet, você seria a mãe de Ham-let e nos deixaria p-i-r-a-d-o-s.

James: minhaliteraturaagora.blogspot.com. Vocês viram Vik Muniz no JÔ ontem? Levei vinte e dois anos para fazer sucesso do dia para a noite! ÓTIMA FRASE! VIVA VIK!

Alberto Guzik: Lúcio, vc fez um post chamado Francis, Kantor, o escambau e você? Aff. Não achei poderoso, não. Achei...vou inventar um conceito. Alô, alô, Mirisola, Bin Laden dos frustrados! lembrando, pessoal, o Monóloga da Velha Apresentadora continua em cartaz em...


Lúcio: Falando sobre Tiradentes, adoro a cena final de Os Inconfidentes, do Quincas: Tiradentes ia ser enforcado, daí começam palmas e é uma encenação em 1972, com imagens de documentário mostrando que a ditadura militar também celebrava o militar Tiradentes...

Mirisola: A minha fanfarronice nada tem a ver com o texto que o Guzik está falando... já faz mais de dois meses que a Velha entrou em cartaz e até agora a peça não foi criticada num veículo de massa. Por quê? As pessoas tem que saber o que está acontecendo. Cadê o público? Por que eu só ouço falar no filme da Lília Cabral e no tornozelo fraturado do Rogério Ceni?


Lúcio: oi, oi, Guzik, merchan não rola, mas quem tá aí com vc...Caetano Vilela! Vc não deveria estar em Salzburgo? Manaus? Na selva amazônica?

Caetano Vilela: na guerra e no rock, estou com GT!

Alziro Patafísico: e eu tô sentindo um desespero, eu tô cada vez mais sarapatético e patafísico...ah, a ciência das verdades absurdas e ridículas, cada vez mais atual e tão renegada!

João Paulo do Estado de Minas: Os blogs são os olhos de um furacão de inconsequência e burrice eleito por Andrew Keen em O CULTO DO AMADOR. Quem lê um bom jornal está numa praça pública de pessoas decentes que querem vencer pela razão, não consolar pela concordância. Quem vai aos mesmos blogs se sente confortado em ver que há gente com quem sempre concorda.

Lúcio: JP, concorrente a gente trata com estriquinina, né? Deve ser esse o primeiro blog que você vê...E eu quero pedir desculpas publicamente para a Mariana Berger, que me pagou na Revista Discutindo Filosofia e eu nem vi...obrigado, Mariana! Beijos infinitos!

(Continua...)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cuba, A Cristiane F da América Latina

Gerald Thomas relacionou Cuba com The Who. No entanto, essa história está mais para Cristiane F, a que se rebela, mas nunca é aceita como reabilitada!

Eu sou da geração da Cristiane. Quando li sobre a mudança dela do interior para Berlim, identifiquei-me muito. Mas é só esse pedaço. Ela era burra até, dizendo que na época do nazismo existia algo para acreditar, coisa e tal. Burra e alienada.

Um dia a Coréia do Norte vai se unificar com a do Sul? E as Chinas? São antigos divórcios sem solução.

Mistura de Cristiane F. com Rosa Luxemburgo. As veias abertas de Cristiane F, o livro que Chávez deu a Obama.

E o "F"? É Felscherinov? Não, é FIDEL!

KKK

E Contardo Calligaris tá com uma peça sobre Crossdressing. Eu vi no Jô ontem. Tem um personagem casado que entra na web com o personagem da puta crossdressing SP e questiona o que é ser homem. Legal! Minhas alunas de Direito faziam muito isso, entrando como Puta Universitária e Boa de Cama e fazendo a festa dos adolescentes. O vício solitário agora é vício internético!