Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Resposta ao "Connard"
Questionei, outro dia, um tal "communard" por desejar que não se falasse sobre Stálin no Portal O Vermelho, do PC do B. Ele me chamou de "stalinista" e depois cortou minha resposta, o "connard" (bobão, em francês).
Stálin está na história e em boa parte na origem do PC do B, que podemos dizer que se formou ideologicamente em 62. Ele, que se diz sociald-democrata, já me etiquetou de stalinista logo de saída. O texto dele está aqui:
https://ocommunard.wordpress.com/2013/01/22/questionamentos-de-alguns-stalinistas/
Eu decidi não perder tempo com tantos argumentos de um social-democrata. Para ele, a revolução de 17 não deveria ter acontecido, assim como, embora ele poupe Trotsky, ele insiste na tal da revolução permanente ( teoria de Trotsky!!!). Ele é contra Lenin, Stalin e "Trotsky caiu com a URSS", mas se diz comunista. E ainda pontifica que não se deveria falar em Stálin. Por que não largar o PC do B e ir para um partido social-democrata, meu chapa???
O que se pode dizer para alguém assim? Por que há tantos social-democratas, ou seja, liberais reformistas, em partidos comunistas no Brasil? E o pior, para ele, "estatismo" é algo ruim, que o Marx que ele cria só para si (Marx é ele) rejeitava. Mas um social-democrata de verdade é a favor do estado empresário, do estado de bem-estar social.
Ou seja: o bobo "connard"), é um neoliberal fraudador, expert em sofistarias, se escondendo atrás do nome de Marx.
Vejam a que ponto chegamos: as pessoas estão num partido comunista, mas são na verdade neoliberais governistas. E ainda se permitem cobrar dos outros o que pode e o que não pode.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Jovens libertarianos incitam: "demitam o professor Furr!"
A polêmica com relação ao professor Grover Furr, de Montclair, New Jersey, continua tendo desdobramentos. Foi feito até um abaixo-assinado pedindo seu desligamento da universidade (ela é uma pequena universidade estadual norte-americana).
Até mesmo um blog, stopgroverfurr foi criado para a campanha e tem traduções em várias línguas, inclusive português, enquanto nenhum trabalho desse historiador está disponível em português até hoje!
Os jovens do movimento Tea Party local atacaram o professor em um blog:
http://njteapartiesunited.blogspot.com.br/2012/11/montclair-state-university-montclair-nj.html
Nessa postagem, assim como a direita brasileira, eles culpam a nós, professores, assim como uma suposta doutrinação ideológica nas escolas pelos seus fracassos. Mark Kalinowski, que assina esse artigo em nome dos jovens libertarianos, é um imbecil que vocifera que é dos professores a culpa pela eleição de Obama e ainda reitera: "Obama é o presidente mais anti-americano da história americana."
Não sei que doutrinação seria essa, uma vez que implica em alunos prestando extrema atenção e respeitando ao máximo o professor, o que qualquer um pode saber que não existe. Os alunos não param quietos, atendem ao celular, mastigam batatas chips, etc. O único diferencial é que na escola se pode debaber, sem preconceitos, muitos temas proibidos ou indesejáveis.
O jornal A Verdade fez uma matéria a respeito:
http://averdade.org.br/2012/12/historiador-grover-furr-difamado-pela-extrema-direita-nos-eua/
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Um trabalho pioneiro sobre Orwell
Um trabalho de relevância, penso eu, mundial:
http://www.republicasocialista.blogspot.com.br/2012/12/ficcao-e-historia-em-revolucao-dos.html
http://www.republicasocialista.blogspot.com.br/2012/12/ficcao-e-historia-em-revolucao-dos.html
sábado, 15 de dezembro de 2012
Libertarianos tentam difamar professor Grover Furr
O professor Grover Furr, de Montclair State University, está sendo objeto de difamação em um vídeo que tem circulado, principalmente, entre os seguidores de Von Mises, os chamados "libertarianos".
No vídeo, um debatem (ocorrido em fins do mês passado, novembro 2012) da juventude promovido pela juventude de ultra-direita norte-americana, envolvendo um "liberal" (Grover Furr), um conservador e um "libertariano", mostra o professor Furr, do departamento de Inglês, polemizando em público com um estudante. Furr foi o liberal convidado pelos organizadores do debate.
"Os Estados Unidos têm o mais baixo nível de vida de todos os países industrializados e todos eles têm um sistema de saúde gratuito, e vocês deveriam ter direito a isso também", diz o professor no vídeo.
Grover Furr é professor há 43 anos em Montclair. Leciona História do Jornalismo, Literatura e História Mundial e Língua Inglesa.
O vídeo (disponibilizado no youtube e com linque aqui) envolve não suas aulas, mas suas pesquisas sobre Stálin. O aluno pergunta sobre as bilhões de mortes provocadas por Stálin. Primeiro Furr diz que esse não é o assunto do debate, que aquilo não deveria ser debatido ali. Mas o estudante insiste e fala no Relatório Kruschev. Alguém lembra ao estudante que o professor escreveu um livro chamado "Kruschev Mentiu". Logo, Furr perde a paciência: "Você fala merda." O aluno grita: "Então essa é uma grande mentira bem sucedida?" O professor também grita: "Isso é que é a mentira bem sucedida. Tentei encontrar pelo menos um crime que Stálin tenha sucedido, pelo menos um". Depois disso, os organizadores retomam a palavra, reafirmam o consenso de que Stálin provocou milhões de mortes e ainda citam a frase que seria de Stálin: "uma morte é uma tragédia, milhões são uma estatística". Furr ainda foi ao microfone questionar onde é que essa frase foi citada por ele, pois é de autoria duvidosa.
Essa resposta fez com que os libertarianos postassem o vídeo, que já tem mais de 40 0000 visitas, sob a legena de "professor louco diz que ninguém foi morto por Stálin", que não corresponde à verdade do que foi dito no debate. Furr trabalha com evidências e fontes primárias e não achou evidências de que tenham ocorrido os tais crimes.
Professor Furr no dia da polêmica
No entanto, com seu espírito advindo da ditadura militar e do macartismo, querem nos perseguir e culpar por seus erros e fracassos.
O vídeo tem sido comentado em jornais conservadores com a mesma visão que é epidêmica nesses meios --e no Brasil: a universidade seria um ambiente liberal onde, às custas dos contribuintes, os jovens são doutrinados com ideologias de esquerda. "Eles nunca viram uma aula minha, nem conversaram com meus alunos", disse o professor Furr em resposta.
No entanto, o coordenador do deparmento de Inglês, Dr. Emily Sachs, comentou que não recebeu nenhuma queixa a respeito das aulas de Inglês nesse semestre.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Sobre a resenha de um gramsciano contra Hoxha
Lendo a resenha antiga do livro do gramsciano Luiz Sérgio Henriques sobre o livro Imperialismo e Revolução, de Enver Hoxha, disponível abaixo:
http://www.materialismo.net/2012/11/luiz-sergio-n-henriques-no-marxismo-de.html
Faço algumas observações. Em primeiro, Henriques, como gramsciano e organizador do site Gramsci e o Brasil, com certeza ele se vê retratado nos togliattistas que ali são chamados de revisionistas e renegados. Daí sua absoluta má vontade com a "versão de quinta categoria da codificação staliniana" do pensamento de Marx e Lenin. Assim, Henriques impinge seu vocabulário "marxiano" até a Stálin.
Será que Henriques conhece codificações de "primeira categoria" da codificação staliniana? Ele acusa Hoxha de diminuir a riqueza e a diversidade da obra de Marx, ou seja, acusa-o de caricaturá-lo. Mas não se trata apenas de Marx aqui, como repetem com ânimo dogmático os gramsci-lukácsianos que ficam "escavando" a obra de Marx. Trata-se de Lênin e de seu fiel seguidor, Stálin.
A revisão do marxismo que fazem e que gera o marxismo "marxiano" só é pluralista no sentido de dialogar com as vertentes que renegam o marxismo bolchevique. Quando se trata de reconhecer a óbvia continuidade entre Marx, Lênin e Stálin, acaba o amor ao pluralismo e vemos, então, a verdadeira face desses burocratas de partido e catedráticos autoritários. Brotam, então, os argumentos de autoridade e o tom doutoral dos José Paulo Netto da vida.
Ainda que Hoxha exagere ao renegar até mesmo o maoísmo como revisionista, Henriques não argumenta, vitupera e injuria: "religioso", "franciscamente pobre", etc. Pode ser que Hoxha tenha errado quando escreveu que não se deve particularizar o marxismo-leninismo. Se essa argumentação teve então um papel descolonizador na sociedade semi-colonial chinesa, de fato, posteriormente, isso abriu para que se argumente, com a autorização do maoísmo, que a China assumiu um "socialismo com características chinesas", na verdade um revisionismo que começou em 1976, com o afastamento dos antigos maoístas.
Mas absolutamente inaceitável é a argumentação final de Henriques, dizendo que a teoria de Hoxha não merece lugar porque não "enriquece" a "sociedade civil" na democracia [burguesa] que se está construindo naquele período (final da ditadura militar, quando esse livro foi publicado pela primeira vez). Aí Henriques está fazendo o que diz que Hoxha faz: não tolera e proíbe de uma interpretação do marxismo diferente da dele. Ele denuncia essa interpretação como totalitária, como se existisse outra alternativa senão o totalitarismo da burguesia ou o totalitarismo do proletariado. É claro que Henriques com sua "sociedade civil", que não é mais do que a ideologia da pequena-burguesia sob um nome bonito, está ao lado do totalitarismo disfarçado da burguesia e deseja marginalizar e excluir qualquer um que proponha o totalitarismo do proletariado. Como sua classe, Henriques também é totalitário.
E pelo que se vê pelo Brasil hoje em dia, os gramscianos obtiveram muito, mas muito sucesso em sua empreitada!
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Carta ao camarada Marcelo Caldeira
Camarada Marcelo:
Essa postagem visa responder alguns de seus questionamentos que estou há muito para responder. Irei respondê-los com o máximo de brevidade.
1--Você me perguntou se a candidatura de Bertolinho (PMDB) não seria mais apropriada a um comunista. E qual seria a candidatura apropriada, uma vez que a direção do PC do B aqui se encontra nas mãos da oligarquia? Suponho que você imagina que é a candidatura, agora vitoriosa, de Fernando Cabral (PPS-PT-PC do B). No entanto, eu preferi votar em um partido, o PMDB, que é melhor organizado aqui, tendo militantes históricos. Eu voto em partidos. Sobre o PMDB ser elitista, note que também dentre a vertente pela qual você optou existe, por exemplo, quem tenha optado por Serra em 2010, no segundo turno, assim como quem usa o termo "ideologia" para dar nome à esquerda. Sinceramente, creio que a esquerda socialista têm mais o que se preocupar do que simplesmente se preocupar com as eleições no atual sistema político-eleitoral. Eu jamais aceitaria uma boquinha em um governo aqui, ao contrário do que você insinuou. Prefiro ficar na planície para analisar o poder. Não me julgue com parâmetros oportunistas e carreiristas. Eu fundaria uma revista e um jornal, não me candidataria a nada.
2--Quanto ao "stalinismo" no PCB, partido chamado por você de extremista. O PCB tem militantes que defendem o marxista-leninista que foi Stálin. Esse é um debate da esquerda socialista onde os dois lados (Trotsky e Stálin) têm bons argumentos. Eu opto pelos argumentos a favor de Stálin.Quanto ao PCB ser extremista, depende do extremo onde você estiver. Se você estiver na extrema-direita, sim, o PCB é extremista (de esquerda).
3--Quanto à classe trabalhadora estar desaparecendo: essa é uma argumentação que tem sido repetida por aí, por FHC, Hobsbawn, etc. Mas veja o artigo de Paulo Passarinho sobre os dados da SAE no jornal Correio Cidadania: o governo federal tem considerado classe média todo mundo que ganha R$ 246 ao mês. Não existe, então, ascensão da classe média. Temos agregado um parte dos trabalhadores ao mercado consumidor. Assim, eles passam a ter carro na garagem, TV de plasma, mas moram num moquifo e são vítimas de chacinas.
4--Quanto às ONGs e o tal terceiro setor terem tornado o Marx ultrapassado. ONgs são reformistas, não vão superar o capitalismo. A discussão de Marx não é essa.
Espero com esses pontos ter contribuído para a retomada de nosso diálogo, interrompido por seu bloqueio no feicebuque.
Abs do Lúcio Jr.
Essa postagem visa responder alguns de seus questionamentos que estou há muito para responder. Irei respondê-los com o máximo de brevidade.
1--Você me perguntou se a candidatura de Bertolinho (PMDB) não seria mais apropriada a um comunista. E qual seria a candidatura apropriada, uma vez que a direção do PC do B aqui se encontra nas mãos da oligarquia? Suponho que você imagina que é a candidatura, agora vitoriosa, de Fernando Cabral (PPS-PT-PC do B). No entanto, eu preferi votar em um partido, o PMDB, que é melhor organizado aqui, tendo militantes históricos. Eu voto em partidos. Sobre o PMDB ser elitista, note que também dentre a vertente pela qual você optou existe, por exemplo, quem tenha optado por Serra em 2010, no segundo turno, assim como quem usa o termo "ideologia" para dar nome à esquerda. Sinceramente, creio que a esquerda socialista têm mais o que se preocupar do que simplesmente se preocupar com as eleições no atual sistema político-eleitoral. Eu jamais aceitaria uma boquinha em um governo aqui, ao contrário do que você insinuou. Prefiro ficar na planície para analisar o poder. Não me julgue com parâmetros oportunistas e carreiristas. Eu fundaria uma revista e um jornal, não me candidataria a nada.
2--Quanto ao "stalinismo" no PCB, partido chamado por você de extremista. O PCB tem militantes que defendem o marxista-leninista que foi Stálin. Esse é um debate da esquerda socialista onde os dois lados (Trotsky e Stálin) têm bons argumentos. Eu opto pelos argumentos a favor de Stálin.Quanto ao PCB ser extremista, depende do extremo onde você estiver. Se você estiver na extrema-direita, sim, o PCB é extremista (de esquerda).
3--Quanto à classe trabalhadora estar desaparecendo: essa é uma argumentação que tem sido repetida por aí, por FHC, Hobsbawn, etc. Mas veja o artigo de Paulo Passarinho sobre os dados da SAE no jornal Correio Cidadania: o governo federal tem considerado classe média todo mundo que ganha R$ 246 ao mês. Não existe, então, ascensão da classe média. Temos agregado um parte dos trabalhadores ao mercado consumidor. Assim, eles passam a ter carro na garagem, TV de plasma, mas moram num moquifo e são vítimas de chacinas.
4--Quanto às ONGs e o tal terceiro setor terem tornado o Marx ultrapassado. ONgs são reformistas, não vão superar o capitalismo. A discussão de Marx não é essa.
Espero com esses pontos ter contribuído para a retomada de nosso diálogo, interrompido por seu bloqueio no feicebuque.
Abs do Lúcio Jr.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
universo de gerald thomas: peça ruim
Muito engraçado esse vídeo que faz propaganda da Peça Ruim, peça da Companhia do Bife Seco, de Curitiba, Paraná. Impagável e hilário o diretor (a) imitando os gestos de Gerald Thomas ao dar entrevista. Muito interessante o tom de comédia e os personagens tirados do universo do diretor: o cisne de Terra em Trânsito, a figura cuja cabeça é cortada em The Flash and the Crash Days, as pessoas dependuradas como na blognvela Kepler the Dog, a gozação com a mania de citar autores (no vídeo cita-se Faulker). Que vontade de estar em Curitiba para assistir.
Parabéns à Bife Seco pelo achado...na dramaturgia de Gerald Thomas, o único grande personagem é ele mesmo, o diretor histriônico e midiático. Não tenho como ver, mas pelo visto dele ser uma comédia muito interessante pela brincadeira com o teatro (ela é uma peça dentro de uma peça):
http://www.gazetadopovo.com.br/videos/o-universo-de-gerald-thomas-na-peca-ruim/
Parabéns à Bife Seco pelo achado...na dramaturgia de Gerald Thomas, o único grande personagem é ele mesmo, o diretor histriônico e midiático. Não tenho como ver, mas pelo visto dele ser uma comédia muito interessante pela brincadeira com o teatro (ela é uma peça dentro de uma peça):
http://www.gazetadopovo.com.br/videos/o-universo-de-gerald-thomas-na-peca-ruim/
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