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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Capitu é Pop

Pessoal: adorei o sucesso da minissérie Capitu com Michel Melamed: Luiz Fernando Carvalho é um diretor muito interessante e que merece ser bem sucedido.

Melamed é um ator e teatrólogo que Gerald Thomas sempre apresenta como revelação da nova geração. E com razão. Gerald é profeta mais uma vez! Quem quiser saber mais sobre a adaptação deve ir ao endereço abaixo:


http://capitu.globo.com/

De agora em diante não vou postar nesse blog textos da imprensa independente. Ela algumas vezes simplesmente inverte o que se passa na mídia: Israel vira organização terrorista, Cuba não tem prisioneiros políticos, etc. Não. Minha posição é clara: Israel tem direito de existir, Cuba precisa melhorar em termos de democracia, abrindo-se a uma maior liberdade. Precisa deixar de ser ditadura do proletariado, ou de um grupo que representa o proletariado. Ou diz representá-lo.

Eu já vi Fidel falar lá no Mineirinho. E saí certo de que é uma velha esquerda oficial que deve ser combatida também. Não reconheço autoridade nenhuma nele para criticar nenhum blog.

sábado, 5 de julho de 2008

Abertura da Flip vira aula com leitura de Schwarz sobre Machado de Assis


LIGIA BRASLAUSKAS
Editora-geral da Folha Online

"A melhor forma de elogiar Schwarz é ler sua obra". Essa foi a frase usada por Hélio de Seixas Guimarães, professor de literatura da USP (Universidade de São Paulo) e autor de "Os Leitores de Machado de Assis", para apresentar o crítico literário Roberto Schwarz, uma das maiores sumidades em Machado de Assis (1839-1908), que fez a abertura oficial da 6ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), cujo homenageado deste ano é justamente o bruxo do Cosme Velho.

Schwarz leu texto inédito, de sua autoria, para sala lotada da Tenda dos Autores. Em suas palavras, traçou um perfil de Machado de Assis, baseado em "Dom Casmurro" (1899). A apresentação de Schwarz, didática e rica, elogiou os títulos de abertura da obra machadiana, dizendo ser "um melhor que o outro".

Para o crítico literário, o título do livro é um processo de várias etapas, como antipatia social, desfile por bairro pobre, desfile por bairro rico, homenagem a um amigo. Fez uma comparação interessante ao levantar a hipótese da troca da palavra livro por filho, explicando que isso dá à obra de Machado de Assis um outro clima, mais alto, mais quente. "Há livros (filhos) que não terão mais do que o nome de seus autores (os pais)".

Schwarz desenhou em palavras o trajeto dos temas de "Dom Casmurro", levando o público a imaginar começo, meio e fim de forma instrutiva. Comparou a loucura de que é capaz o homem em situação de ciúme, citando o feito de Otelo a Desdêmona --a tragédia "Otelo", de William Shakespeare (1564-1616)--, devido a um simples lencinho, e perguntou: "O que deveria fazer Bentinho a Capitu?", recomendando, com o questionamento, uma avaliação cuidadosa da atitude de personagem ciumento de machado.

A partir daí, Schwarz discorreu sobre a febre do ciúme, sobre classes sociais, o poder patriarcal e sugeriu três formas de leitura para o livro de Machado de Assis -uma romanesca, outra patriarcal e policial e, por fim, de efeito contra a corrente, cujo narrador é o próprio réu.

O crítico também esquadrinhou a obra sob o olhar de outros admiradores e estudiosos de Machado de Assis, delineando um perfil ricamente exposto sob diferentes formas de análises, observando o conteúdo patriarcal captado no ciúme e na truculência de Bentinho, e no conteúdo social, cumprido na doçura e beleza de Capitu. Para ele, é a postura patriarcal incrustada na sociedade exposta na obra machadiana.

Schwarz também falou sobre o início da carreira de Machado de Assis, dizendo que foi ela "muito ruim". "Os quatro primeiros livros foram muito fracos, a partir do quinto ele passa a ser genial."

Ele classificou como ousado e genial o procedimento literário de Machado de Assis de escrever na primeira pessoa do singular para escancarar o perfil "perfeito" da sociedade. "É como se imitássemos o lado ruim do outro como forma de mostrar a ele aquilo que não gostamos, simplesmente por não termos a coragem de apontar o dedo e dizer na cara dele aquilo que não nos agrada".

Questionado sobre a influência de José de Alencar na trajetória machadiana, Schwarz arrancou risos do público quando, de forma simples e direta, disse que Machado sempre reconheceu a importância da obra de Alencar, mas que a usou para mostrar ao próprio Alencar como é que se fazia a coisa direito. "Ele [Machado] mostra [em sua obra] como Alencar é bocó, e como ele [Machado]conta a história de forma boa", disse.

Quinta

Nesta quinta-feira, quem já estiver em Paraty poderá assistir a discussões em várias mesas que ocorrerem durante o dia. Os grandes destaques internacionais desta quinta são a psicanalista francesa Elisabeth Roudinesco, a portuguesa Inês Pedrosa e a inglesa Zöe Heller.

sábado, 29 de março de 2008

A Importância de Machado de Assis, Um Século Depois de Sua Morte

Um espectro ronda o Brasil: Machado de Assis. Uma de suas mágicas é que ele é plural e pode ser lido e relido por todos: conservadores, marxistas, feministas, afrodescendentes, multiculturalistas. Muitos o lêem e o reivindicam. Ele deu à literatura brasileira uma raiz forte e polêmica, plantou a árvore e hoje podemos colher seus frutos. As leituras que se faz dele são surpreendentes. Fizeram dele uma leitura afro: ele tratou, ainda que muito sutil e maroto, desse tema tão pesado. A dificuldade de superar a escravidão, a tendência em se livrar de seus condicionamentos foi observada em Brás Cubas. Muitos tendem a simplesmente querer inverter essa relação, voltando o chicote no couro de quem mandou dar: Machado viu essa reação com muita humanidade e compreensão, mas não sem humor e ironia.

Talvez ele risse do piparote que levou do cineasta Glauber Rocha, que disse, em suas Cartas Ao Mundo, que Machadinho não dava Cinema Novo e a Academia que ficasse com ele. O fato foi que Machado, que tanto se esforçou para dar substrato e consistência ao ambiente intelectual onde vivia, era então objeto de um grande debate, tendo tematizado, tendo lido Marx à sua própria revelia, sobre as chamadas idéias fora do lugar. No entanto, não só a Academia e o realismo pessimista querem antropofagizar Machado de Assis e, se Machado não deu samba de Noel Rosa, saiu-se bem penumbra: fizeram vários filmes inspirados nele. O próprio Glauber nunca quis filmar Machado, mas ao ouvir do cineasta norte-americano Elia Kazan elogios a Epitaph for a Small Winner (Memórias Póstumas de Brás Cubas, na edição inglesa) convidou-o a vir para o Brasil para fazerem, juntos, esse filme. Afinal, entre as memórias póstumas e as sentimentais, Machado talvez atribuísse isso tudo a um arroubo de instinto de nacionalidade, ele veria em Glauber um filho rebelde, merecedor de compreensão. O fato é que a Academia foi tão importante para Machado quanto a Embrafilme para Glauber, mas sua relação com a instituição foi bem menos tempestuosa que a do cineasta. Glauber era de uma outra estirpe, a do Alencar que virou ópera, dos Sertões euclidianos. A dança, a música de Machado é muito sutil, é música de câmara, bossa nova de apartamento carioca.

As releituras que se pode fazer de Machado são impressionantes e fantásticas.