segunda-feira, 2 de março de 2015

Progressismo na Música: Brado Comunista sobre Marighella

Progressismo na música: duas (semi)homenagens a Marighlella


Marighella: entre a difamação e a glória deturpada


Quando a hegemania cultural é da reação, como hoje em dia, é comum a esquerda ficar alegre, muitas vezes de maneira totalmente acrítica, com qualquer furo nesse acachapante cenário. Fica alegre e reivindica para si, sem nenhuma ponderação qualquer heróico esforço de se contrapor ao status vigente. Muitos riscos moram por aí.

Nessa virada de ano vivenciamos na mídia e na vida cultural do país um retorno do rosto mais odiado da ditadura: o de Marighella. Não é por menos, final de 2011 representou o centenário do internacionalmente conhecido comunista brasileiro. Foi lançado um filme Isa Grinspum Ferraz [1], sobrinha do revolucionário, narrado pelo grande ator Lázaro Ramos; um livro Marighella - O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães [2]; uma música/clipe dos Racionais MC's, Mil faces de um homem leal, presente no filme de Isa [3] e que marca o retorno à ativa do maior grupo de rap da história do país; e uma música, mais recente, do dúbio artista Caetano Veloso, Um comunista, que integra seu mais recente álbum "Abraçaço" [4]. Além de outras atividades culturais e políticas de menor impacto na "opinião pública".

Quem foi Marighella, a quem interssa sua "fama"?

A mobilização popular no período de "redemocratização" do país obrigou constar na história oficial a heróica batalha de lutadores que pegaram em armas para defender seu país. Dentre eles Marighella. Mesmo que esse processo ainda não tenha, nem de longe se completado, só ver a fachada da Comissão de Verdade e Justiça tutelada pelo governo federal [5], ou tenha sido menor e menos expressivo, se comparado a outros países da America Latina que sofreram com as ditaduras fantoches do capital estrangeiro, o fato é que conseguiu-se minar, pelo menos para o povo, a legitimidade do terrorismo de estado daquela época.

O monopólio midiático, as forças armadas e diversos outros setores e aparelhos de Estado e das classes dominantes, obviamente, tentam constantemente difamar essa memória, apagar a verdade ou "relativizá-la" desse período histórico de intensa luta de classes em nosso país e no mundo. Um exemplo é o discurso liberal "anti-totalitarismo" que tenta igualar, de maneira ridícula, a violência dos "terroristas de esquerda" com o terror estatal-militar. Esquecem de ver, por exemplo, a maneira como era tratados os prisioneiros de guerra dos dois lados para ver o quão "igual" foi! 

Essa ameaça de difamação é constante, e tem ganhado, infelizmente, força nos últimos anos, junto com a reorganização do setor conservador.

Isso mostra que a luta pela memória é uma disputa contínua, uma das facetas da luta de classes. Por isso é importante defender nossos lutadores de toda e qualquer falácia ou ataque. Independente do viés ideológico e da luta política devemos lembrar que nossos mortos são nossos mortos.

Porém o inimigo também pode fazer seu serviço de maneira indireta, não explicitamente. Essa é a forma mais perigosa de ataque e que mais arrasta incautos.

Marighella, de fato, foi o "inimigo nº 1 da ditadura". Um militante revolucionário extraordinário, experiente, que estava disposto, como mostrou na prática, de dar sua vida pela causa do povo brasileiro e da revolução. Mas será que sua fama, mostrado como paradigma de luta contra a ditadura, de alguma forma indireta, favorece o inimigo?

Como se sabe, Marighella e sua organização ALN, foram fortemente influenciadas pelo foquismo, retirando de maneira errônea lição da experiência cubana e sua importação mecânica. Sua saída do imobilismo do velho PC foi em direção a uma linha política extremamente militarismo, de menosprezo da teoria, da política e das massas. A ALN era uma organização de ação, visava a guerrilha urbana como soma de forças para uma guerrilha rural. As armas controlava a política, e não a política as armas. Um erro fatal.

A falência dessa linha para o proletariado e as classes trabalhadoras ficou clara em nosso país. A repressão cirúrgica do regime extirpou durante anos do país organizações revolucionárias. Eliminou-se os quadros revolucionários, eliminou-se tudo. Isso podemos incluir até mesmo uma experiência que tentou escapar do foquismo, a guerrilha do araguaia, como ficou conhecida, liderada pela reconstrução do PC no nosso país.

"Se for para fortalecer uma linha política revolucionária, que seja a errada, mais confusão e esforços inúteis serão espalhados", "pensa" o inimigo (ou pelo menos, é a lógica de seu ataque ideológico). Por isso, de certa forma, a imagem personalista de Marighella e de sua linha política incorreta são um deserviço ao verdadeiro balanço que os revolucionários devem fazer de sua luta histórica e nacional. Isso, fique claro, de forma alguma retira a importância de Marighella, sua luta, sua organização. Como dito, estão do nosso lado, e devemos defendê-la. Porém, também não podemos dispensar a auto-crítica e cair na armadilha ingênua da reação fantasiada. Junto com nossa defesa, devemos levantar nossa crítica e outras organizações "apagadas" (intencionalmente) da fama, que aplicaram políticas mais justas, e tentaram superar o foquismo, o imobilismo de direita e o sindicalismo trotskista. De toda a derrota sofrida na ditadura o que mais devemos aprender é: sem partido e sem teoria revolucioária, a classe, mesmo com quadros armados naquele momento, está desarmada e não conseguirá realizar sua tarefa histórica.

Duas (semi)homenagens a Marighella: um desvio lumpen, um desvio pequeno burguês, ou duas faces da mesma moeda

Se vimos que nem toda reivindicação faz um serviço à nossa memória e à causa, que essa pode servir sim a um deserviço, vamos a dois exemplos práticos, sobre a imagem de Marighella: a música/clipe dos Racionais e a música de Caetano.

Como dito no início do texto, a esquerda cai nos cavalos de tróia do inimigo muitas vezes, pois acata acriticamente o que lhe vem aparentemente como progressista. E realmente caiu nesse caso. Apresentaremos uma breve análise crítica para evidenciar essa afirmação.

Música/Clipe da música dos Racionais:

Letra de Mil faces de um homem leal

A postos para o seu general, Mil faces de um homem leal (2x)/  Protetor das multidões/ Encarnações de célebres malandros/ De cérebros brilhantes/ Reuniram-se no cé/u O destino de um fiel, se é o céu o que Deus quer/ Tô somado, é o que é, assim foi escrito/ Mártir, Mito ou Maldito sonhador/Bandido da minha cor/ Um novo messias/ Se o povo domina ou não/ Se poucos sabiam ler/ E eu morrer em vão/ Leso e louco sem saber/ Coisas do Brasil, super-herói, mulato/ Defensor dos fracosassaltante nato(!)/ Ouçam, é foto e é fato a planos cruéis/ Tramam 30 fariseus contra Moisés, morô/ Reaja ao revés, seja alvo de inveja Irmão,/ esquina de velas pra cima de um rebelde/ Que ousou lutar, honrou a raça/ Honrou a causa que adotou,/ Aplauso é pra poucos/ Revolução no Brasil tem um nome/ Vejam o homem/ Sei que esse era um homem também/ A imagem e o gesto/ Lutar por amor/ Indigesto como o sequestro do embaixador / O resto é flor, se tem festa eu vou/ Eu peço, leia os meus versos, e o protesto é show/ Presta atenção que o sucesso em excesso é cão/ Que se habilita a lutar, fome grita horrível/ A todo ouvido sensível que evita escutar/ Acredita lutar, quanto custa ligar? /Cidade chama vida que esvai/ Clama por socorro, quem ouvirá? /Crianças, velhos e cachorros sem temor /Clara meu eterno amor, sara minhas dores /Pra não dizer que eu não falei das flores / Da Bahia de São Salvador Brasil /Capoeira mata um mata mil, porque /Me fez hábil como um cão /Sábio como um monge/ Antirreflexo de longe/ Homem complexo sim /Confesso que queria /Ver Davi matar Golias /Nos trevos e cancelas /Becos e vielas /Guetos e favelas/ Quero ver você trocar de igual/ Subir os degraus, precipício /Ê vida difícil, ô povo feliz / Quem samba fica, /Quem não samba, camba /Chegou, salve geral da mansão dos bamba /Não se faz revolução sem um fuga na mão /Sem justiça não há paz, é escravidão/ Revolução no Brasil tem um nome/ A postos para o seu general/ Mil faces de um homem leal (2x)  Marighella / Essa noite em São Paulo um anjo vai morrer /Por mim, por você, por ter coragem em dizer.*

*Em negrito queremos destacar certas aproximações do ideário lumpen. Já o sublinhado quer demonstrar os desvios personalistas.

Percebemos que a música, de sagazes melodia e letra, é uma homenagem a um homem corajoso que ousou lutar contra as injustiças do país e o regime que as sustentava. Tenta mostrar que esse homem brotou da cultura brasileira, era também um homem comum, dividia uma vida em comum. Sua defesa é a defesa de nossa honra.

As imagens que usa diversas vezes são oriundas de um certo misticismo/teologismo (vide as comparações com figuras bíblicas) e também da vida marginalizada do país (chega chamar Marighella de "malandro", assautante nato!). O clipe também faz referências sobretudo ao segundo aspecto. Há cenas que os membros do grupo estão em vielas escuras de favelas, portando armas, em supostas "ações revolucionárias". Eis um duplo desvio ideológico: o personalismo, que desliga Marughella das massas, de sua organização, de seu período histórico, para virar um homem que "faz história" com as próprias mãos, um super-homem; outro, a estetização da pobreza, claramente pequeno-burguês, de identificar na pobreza, na miséria, a força contra o sistema. Para o velho Marx, os Racionais ainda acreditam que são os lázaros do proletariado que são a tropa de choque da revolução, e não elementos de forte propensão reacionária.

Muita confusão para uma criativa homenagem. Mas o deserviço está feito: aqueles conservadores que comparam as expropriações de grupos revolucionários a meros assaltos, a luta política com o crime (e o contrário da mesma moeda, aqueles que acham que o crime é uma "resistência política"), agradecem; aqueles que tentam mostrar que a revolução é um golpe dado por intelectuais e grandes homens que enganam uma população ignorante, também.


Música de Cateano Veloso (e banda Cê):

Letra de Um comunista

Um mulato baiano,/ Muito alto e mulato/ Filho de um italiano/ E de uma preta hauçá/  Foi aprendendo a ler /Olhando mundo à volta /E prestando atenção /No que não estava a vista /Assim nasce um comunista / Um mulato baiano /Que morreu em São Paulo/ Baleado por homens do poder militar/ Nas feições que ganhou em solo americano /A dita guerra fria /Roma, França e Bahia / Os comunistas guardavam sonhos/ Os comunistas! Os comunistas! / O mulato baiano, mini e manual /Do guerrilheiro urbano que foi preso por Vargas /Depois por Magalhães /Por fim, pelos milicos /Sempre foi perseguido nas minúcias das pistas/ Como são os comunistas? / Não que os seus inimigos / Estivessem lutando / Contra as nações terror / Que o comunismo urdia / Mas por vãos interesses/ De poder e dinheiro / Quase sempre por menos/ Quase nunca por mais/  Os comunistas guardavam sonhos / Os comunistas! Os comunistas! / O baiano morreu / Eu estava no exílio / E mandei um recado: "eu que tinha morrido" / E que ele estava vivo, / Mas ninguém entendia / Vida sem utopia Não entendo que exista/ Assim fala um comunista  /Porém, a raça humana /Segue trágica, sempre /Indecodificável /Tédio, horror, maravilha / Ó, mulato baiano /Samba o reverencia /Muito embora não creia/ Em violência e guerrilha /Tédio, horror e maravilha / Calçadões encardidos /Multidões apodrecem /Há um abismo entre homens /E homens, o horror / Quem e como fará /Com que a terra se acenda? /E desate seus nós /Discutindo-se Clara /Iemanjá, Maria, Iara Iansã, /Catijaçara / O mulato baiano já não obedecia /As ordens de interesse que vinham de Moscou / Era luta romântica/ Era luz e era treva /Vento de maravilha, de tédio e de horror / Os comunistas guardavam sonhos /Os comunistas! os comunistas!

*Sublinhado frases "anti-comunistas", negrito apoio tácito e confuso "à causa".

Caetano é um artista dos mais perdidos ideologicamente da história contemporânea do país. Por vezes vem com uma crítica social, um certo anti-conservadorismo. Outras vezes, um anti-comunismo atroz. Essa música só refoça.

A música não vem com a estética feroz dos Racionais. É quase um rock minimalista, um tanto melancólico, nostálgico. Mas a letra também tende a prestar uma homenagem, contar a história, quase literal (e mais completa e contextualizada que na música dos Racionais), das ações de um grande homem. Só que fixa bem esse homem e seus sonhos no passado. Caetano abraça, ceticamente, a "democracia" como verdadeiramente fim da história. Defende Marighella, mas muito mais para se diferenciar dos conservadores, parar gerar polêmica pela polêmica, coisa que sempre gosta de fazer.

No fim da "guerra fria", Caetano lançou uma música com um viés ideológico bem semalhante. "Os outros romanticos" [6] , de 1989, é uma música destinada aos comunistas, que ele chama de românticos, como no caso de Marighella, homens com motivações subjetivas e utópicas que se chocam com a negra natureza humana, imutável, e o mundo muito mais complexo que seus pobres esquemas. O mundo não foi feito para ser mudado, e qualquer afirmação contrária é uma violência, um retorno ao obscurantismo totalitário: eis a tese de fundo. No final da música faz uma referência hegeliana, comparando o marxismo a uma profecia, uma escatologia. Aqui a letra completa:

Eram os outros românticos, no escuro /Cultuavam outra idade média, situada no futuro /Não no passado /Sendo incapazes de acompanhar /A baba Babel de economias/ As mil teorias da economia/ Recitadas na televisão/ Tais irredutíveis ateus /Simularam uma religião /E o espírito era o sexo de Pixote, então/ Na voz de algum cantor de rock alemão /Com o ódio aos que mataram Pixote a mão/ Nutriam a rebeldia e a revolução/  E os trinta milhões de meninos abandonados do Brasil /Com seus peitos crescendo, seus paus crescendo/ E os primeiros mênstruos /Compunham as visões dos seus vitrais/ E seus apocalipses mais totais /E suas utopias radicais / Anjos sobre Berlim "O mundo desde o fim"/ E no entanto era um SIM /E foi e era e é e será sim.

Mais uma vez, muita confusão. A versão quase lumpen "radicalista" se assemelha com a versão pequeno burguesa desiludida. Duas faces da mesma moeda, dois desvios com origem em comum e final semelhantes.

Críticas exageradas?

De fato é difícil imaginar, em meio a uma correnteza tão forte do hegemônico, uma nova forma de cultura, que não guiadas pelas imagens de ações individuais, mistificadas ou não. Ainda é um caminho longo a ser percorrido, impossível sem mudança das bases sociais. De fato, as homenagens encerram um certo progressismo, é inegável. Um progressismo possível, dentro dessa realidade concreta. Porém, não sem contradições a serem superadas, como tentamos demonstrar aqui.

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[1] http://itaucinemas.com.br/filme/marighella
[2] http://www.youtube.com/watch?v=AOwddBi7u-o
[3] http://www.youtube.com/watch?v=G-OFK14m6s0
[4] http://www.youtube.com/watch?v=otiZAYPP200
[5]http://www.faccamp.br/letramento/2012/1sem/oficina4/consuelo_dieguez_conciliaCAo_de_novo_piaui64.pdf / ou http://www.anovademocracia.com.br/no-96/4259-comissao-da-meia-verdade-se-arrasta-
[6] http://www.youtube.com/watch?v=EVgP4398kdY

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Um clipe de um livro interessante: Barbante Grosso

Vejam a atriz Fernanda de Jesus fazendo uma apresentação do livro do Espiridião Duarte nesse linque: um livro que vê com olhos realista a educação hoje em dia e a realidade da favela.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Élida Lima lê Maura Lopes Cançado

Encontrei dois maravilhosos vídeos de Élida Lima lendo fragmentos de Maura Lopes Cançado, grande escritora que viveu há anos aqui nessa cidade.

O fantasma de Maura Lopes Cançado ainda nos assombra...Ele aqui habita?

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Filosofia do Xadrez


1. Lasker, enxadrista campeão e filósofo


            O alemão de origem judaica Emanuel Lasker (1868-1945) ficou bem mais conhecido por ter mantido o título de campeão do mundo durante quinze do que por sua obra filosófica. Ou melhor dizer, enxadrística-filosófica. Ele tornou-se famoso, também, por ter sido um amigo muito próximo de Alberto Einstein.
Lasker escreveu vários livros ligados à Filosofia, tal como A Filosofia do Inatingível e um volume intitulado simplesmente Luta, o qual será tratado nesse breve artigo que tem como objetivo sugerir a leitura e tradução das obras filosóficas de Lasker no Brasil. As situações apresentadas por Lasker têm, muitas vezes, como referência o tabuleiro de xadrez.

            2. O livro Luta e seus conceitos filosóficos

            No livro Luta, Lasker afirmou-se como um filósofo e criou seus próprios conceitos: o termo “maquia” (“luta”), de onde deriva o “maqueida”, um ente abstrato e ideal que, supõe-se, conheceria todos os caminhos estratégicos de maneira absolutamente perfeita. Lasker chega mesmo a inventar um ser ideal chamado “Maqueo” que, como juiz infinitamente sábio e justo, aplicaria as leis de “maqueida” a qualquer luta que se submetesse a seu juízo.
Aos diferentes elementos combativos, Lasker chamou “stratos”, utilizando amplamente o plural “stratoi” para designar os diferentes elementos combativos em qualquer maquia. Os stratoi utilizam como instrumentos seus respectivos “jonts” (“efeitos de uma luta”). Esses últimos poderiam ser tanto fuzis, peças de xadrez ou arpejos musicais de um compositor. Outro conceito que Lasker introduz é o de “armoostia”, que equivale a mobilidade, elasticidade, capacidade e leveza para o deslocamento de um exército ou de qualquer outro conjunto “máquico”.
No livro Luta, onde Lasker desenvolveu os conceitos acima, buscou responder às questões: o que é a luta? O que é a vitória? Obedecem a leis que a razão pode conhecer e formular? Quais são suas leis?

Lasker faz, então, uma “maquiologia”. Ele estuda as lutas, denominando-as “eventos máquicos”. O estrategista perfeito (“maqueida”) faria uma ação eumáquica (também estrategicamente perfeita), enquanto todas as demais atitudes imperfeitas seriam “amáquicas”.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O Beco sem saída do Bolivarianismo (blog Grande Dazibao)


O beco sem saída do Bolivarianismo


Bolívar é essencialmente um mito. Um desses mitos fundadores de identidades nacionais. Para muitas nações sul-americanas, ele é tido como o “libertador”. Marx, em suas diatribes iconoclastas (advindas do instinto de que nenhum herói é alçado acima das massas como agente histórico sem uma enorme carga de mistificação) , já havia desmascarado a farsa. Em seu ensaio sobre Simón Bolívar, o mouro retrata o comandante liberal como um sujeito covarde, ambíguo e ambicioso que tentou capitalizar os esforços guerreiros de outros para erguer sua glória pessoal.
Não parece realmente nada surpreendente que outro caudilho oportunista de nome Hugo Chávez tenha ressuscitado Bolívar no discurso político da América do Sul. Hugo Chávez e o movimento continental bolivariano permanece em nosso espectro político como uma farsa que esconde outros interesses, mais funestos e inescrupulosos.
Chávez surgiu no cenário político venezuelano na esteira do chamado “Movimiento Bolivariano Revolucionario -200”. O MBR-200 surgiu na década de 1980 entre oficiais do exército, visando dar continuidade a tradição militar putchista que tanto se repetiu gerando tragédias singulares na política da Venezuela ao longo do século XX. O MBR-200 era essencialmente marcada por um forte apelo nacionalista e pela defesa de uma série de bandeiras liberais. A política bolivariana não visava atacar o Estado Burguês, não visava destruí-lo. Pelo contrário. Guardava imensa fé nos princípios liberais da constituição venezuelana , que eles acreditavam, estavam sendo esquecidos pelos políticos no poder. Nunca, em momento algum, o bolivarianismo abandonou sua visão negativa acerca do comunismo. Chávez foi ( e é) defensor de uma terceira via, a meia distância do capitalismo liberal e do comunismo. Na Venezuela, devido a forte dependência em relação ao petróleo, esta terceira via se concretizaria pela concentração do poder nas mãos do executivo em vistas de implantar reformas . O grande herói de Chávez, além do velho farsante da libertação colonial, era o general peruano Velasco Alvarado, a quem ele chegou a conhecer e a lançar torrentes de elogios e aprovação. Alvarado havia imposto ao Peru, uma política tipicamente bonapartista. Assim, como Alvarado, Chávez acreditava ( e ainda acredita) na primazia política do Exército na direção de uma política progressista essencialmente reformista, e fundamentalmente anti-comunista. A política bonapartista dos caudilhos latino-americanos sempre tiveram um mesmo objetivo: evitar o “flagelo” do comunismo.
Chávez reiterou esta ideologia diversas vezes: a defesa de uma negociação entre classes antagônicas, forçada por um governo militar , levado a frente por uma figura carismática e centrada no nacionalismo e reformismo. Isto é o bolivarianismo, a que, a partir de 2005 passou a se auto-denominar “Socialismo do século XXI” (qualquer semelhança com o fascismo europeunão é mera coincidência).


Hugo Chávez e seu mais fiel sócio
Sem dúvidas, o bolivarianismo venceu na Venezuela a reboque da insatisfação popular gerada contra as políticas neo-liberais fracassadas que se implantaram na Venezuela no início no final dos anos 80 e início dos anos 90. Após o fracassado putsch e a respectiva prisão, Chávez se volta para a velha política eleitoreira, até que consegue sua eleição ao Comitê Executivo da burguesia em 1998.
O desastre do neo-liberalismo em uma região com tamanha tensão entre as classes como a América do Sul , com tão altos níveis de desigualdades sociais, com tão ampla tradição autoritária e populista e com um imenso vazio na política revolucionária provocado por décadas de matanças de revolucionários comunistas, levou a este interessante fenômeno de ressurgimento de políticas nacionalistas e demagógicas . Exemplos disto se repetiram na Bolívia com a ascensão de Evo Morales, no Equador com Rafael Correa, na Argentina dos Kirchner e no Brasil e seu famigerado PT.
Porém, este novo populismo tem limites claros. Está , por assim dizer, cavando sua própria cova. O bolivarianismo encontra-se em um beco sem saída. Na Venezuela, após alimentar novos setores burgueses privilegiados que lucram criminosamente com o Petróleo, o governo bolivariano vem demonstrando sua impotência em solucionar as contradições do sistema em seus próprios termos. Cada vez mais, se aproxima de posições mais conservadoras , criminalizando os movimentos populares autônomos, controlando os sindicatos. O reformismo em uma instância, é uma ilusão alimentada por aqueles que pensam que podem simplesmente frear a luta revolucionária dos povos. Este mesmo fenômeno, plenamente compreensível dentro da dialética materialista, pode ser observado igualmente na Bolívia e no Equador. A esquerda que se prende ao espetáculo fajuto do bolivarianismo se prende a um mito político montado em um ambiente político em que os revolucionários são intencionalmente isolados das massas, para que assim a inércia seja dominante e um projeto de poder criminoso se estabeleça.
Não há qualquer forma de socialismo na Venezuela. O poder não é dos proletários, mas sim de Chávez e das forças armadas, e fundado nos lucros petrolíferos. A esquerda permanece alijada do poder ou submetida aos bolivarianos. O bonapartismo pseudo-socialista tem contribuído para reduzir a luta de classes a uma retórica vazia baseada em mitos que enganam incautos em várias partes do mundo.
A luta revolucionária comunista necessariamente deverá surgir das ruínas deste “Socialismo do século XXI”. E este processo inevitável de deterioração da farsa já está em andamento. O século XXI será comunista.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Chávez: fascista ou social-democrata?


Resposta ao blog Odio de Clase: Hugo Chávez, fascista ou social-democrata?


Saudações vermelhas ao blog ODC.

Já faz algum tempo que o blog Odio de Clase tem tomado posturas corretas acerca dos desvios sofridos entre os comunistas de todo o mundo. Suas publicações, críticas e comunicados conjuntos com os comunistas de todo o mundo nos entusiasma. Entre as fileiras da nossa organização sempre sugerimos aos camaradas que prestassem atenção aos comunicados publicados pelos camaradas do ODC e de outras organizações solidárias para conosco. Inclusive gostaríamos de ressaltar que o trabalho realizado pelos camaradas da Espanha, dos blogs ODC e Dazibao Rojo (ainda que haja desentendimentos entre ODC e DR) nos inspirou em tomar a iniciativa de criar o blog Grande Dazibao, e utilizá-lo como ferramenta para difundir a toda-poderosa luz do Marxismo-Leninismo-Maoísmo no Brasil e poder dar início ao processo de reorganização político-militar dos comunistas no Brasil, rompendo um silêncio de quase 40 anos.

Ainda que não tenhamos deixado muito claro em postagens anteriores, sempre concordamos com a postura combativa tomada pelo blog ODC, porém um dos últimos artigos publicados a respeito de Hugo Chávez não está de acordo com a nossa opinião. Desde que surgiu em fins de 2011, o blog Grande Dazibao tem movido uma luta contra as ilusões difundidas pelos oportunistas de esquerda, de direita e toda a ralé revisionista. As ilusões com bolivarianismo, castrismo e eleitoralismo fizeram a cabeça de muita gente no Brasil, justamente porque durante muitos anos o Brasil careceu de uma organização comunista coerente, dotada de uma filosofia coerente, que buscasse entregar o poder às massas, e não que tentasse apenas humanizar o capitalismo e com isso criar uma máscara socialista. Para o imperialismo e seus lacaios mais vale um conciliador no poder do que um levante revolucionário, como havia na Venezuela dos anos 70.

Por isso mesmo rechaçamos os desvios foquistas tão difundidos pelos partidários do revisionismo cubano, rechaçamos a conciliação social-fascista ou corporativista difundida pelos trotskistas, bolivarianos e social-radicais, que no final das contas são farinha do mesmo saco (o saco dessa farinha é o Foro de São Paulo).

Pemita-nos que digamos por que pensamos o contrário do que foi publicado no ODC.

Será que o Partido Comunista do Equador agiu errado ao dizer que Hugo Chávez e seus amigos bolivarianos, “socialistas do século XXI” são fascistas? Ou são cordeirinhos social-democratas que só querem melhorar a vida do povo dentro dos limites da democracia burguesa? Há um ditado no Brasil que diz: “de boas intenções o inferno está cheio”.

Se Hugo Chávez, como um ícone do reformismo e do pacifismo não era fascista, isto significa de forma indireta, que seu compadres, Evo Morales e Rafael Correa também não são, mesmo que estejam a reprimir a ação dos comunistas junto aos governos fascistas do Peru e do Brasil.

Quais as contribuições de Hugo Chávez senão as de tentar frear o movimento revolucionário, trazendo à luz as teses revisionistas do pacifismo, tão difundidas pelos revisionistas soviéticos a partir de 1956?

A luta contra a concepção errônea de que o socialismo pode ser alcançado de maneira pacífica se estende desde os tempos do camarada Stalin. Camaradas, no começo da década de 70, quando Salvador Allende foi eleito presidente, os comunistas brasileiros, que na época estavam organizados em torno do PCdoB, três anos antes do golpe militar, já diziam que o governo de Allende ou acabaria limitado ou seria derrubado por um golpe de estado, isso foi publicado em um artigo do jornal A Classe Operária em 1970, três anos antes do golpe perpetrado em 11 de setembro de 1973.

A difusão de teses sobre o abandono da luta armada, do abandono dos princípios marxistas, leninistas, maoístas, e da tomada de poder através da eleição (revolução cidadã) são uma espada na mão dos reacionários, que buscam de todo o modo frear o avanço da luta revolucionária, principalmente no Terceiro Mundo, como vocês mesmos sempre buscaram enfatizar. Portanto, a difusão de concepções pacifistas, e entreguistas é combustível para que o imperialismo possa continuar a utilizar fantoches que se pintam de vermelho, azul ou amarelo. Isto não é coisa de organização progressista.

Claro que dizer isso não seria o suficiente para mostrar aos camaradas que (segundo Stalin) “o fascismo e a social-democracia são irmãos gêmeos”.

A afirmação feita pelo camarada Stalin no final dos anos 20 é correta, e podemos ver que a social-democracia e o fascismo se assemelham quando defendem o corporativismo, antiimperialismo de fachada, a conciliação entre classes, o nacionalismo burguês (não confunda com patriotismo revolucionário), a demagogia, a difamação e/ou perseguição aos comunistas. Mesmo assim se isso não é o suficiente para convencer os camaradas do ODC, apresentamos alguns vídeos onde Chávez visa desmoralizar aos comunistas, mesmo tendo apoio dos revisionistas do PCV, e outro vídeo onde repete a ladainha de Kropotkin, quando diz que Josef Stalin era “burocrata”.


O seguinte vídeo, apesar da péssima qualidade de som, no final aparece bem claro a voz de Chávez dizendo: “Vamonos con Trotski”. Camaradas, como vocês mesmos sabem, Trotski não era apenas um ratinho oportunista dentro do PCUS, senão um agente fascista. Sabe-se que ao longo dos anos 30, Trotski com o apoio de Bukharin, Kamenev, Zinoviev e outros cães arrependidos tentaram destruir a construção socialista na URSS, tudo isso com apoio dos fascistas da Alemanha, Espanha, Itália e do Japão, como ficou comprovado. Trotski e seu bando não passavam de agentes do fascismo, então, dizer “vamonos con Trotski”, pelo menos a partir do ponto de vista do blog Grande Dazibao, é o mesmo que dizer “Vamonos con Hitler, Mussolini, Hirohito y Franco”.


Chávez, como ele mesmo afirmava, não era um comunista, pois dizia que o marxismo-leninismo era um “dogma” (talvez porque tanto o PCV como o Partido Bandera Roja tenham castrado o marxismo-leninismo de sua capacidade revolucionária). Chávez como ele mesmo afirmava, era um social-democrata, mesmo assim, recebia elogios de revolucionários arrependidos como Daniel Ortega e Fidel Castro.


Os comunistas do Equador erraram ao dizer que Chávez era um fascista. O termo adequado neste caso seria “social-fascista”.

Recebam nossos calorosos cumprimentos, desde o Brasil até a Espanha.

Progressismo ou Social-Fascismo (do blog Grande Dazibao)

Progressismo ou social-fascismo?



Introdução

Certamente muitos camaradas, principalmente os que recém aderem ao marxismo, vêem os governo do Equador, Bolívia e Venezuela com bons olhos, pensam que são governos marxista-leninistas, mas nem tudo que reluz é ouro, já dizia um velho ditado.
Exatamente como Stalin ensinou em 1928, que, para conter as massas em fúria ou um governo fascista ou um governo social-democrata subiam o poder [1], e que entre o fascismo e a social-democracia a essência é a mesma, por exemplo, o corporativismo, a repressão aos trabalhadores [2], o anticomunismo e o nacionalismo...
Não eram por acaso, os mencheviques grandes opositores do leninismo na URSS? Por acaso não foram os social-democratas os primeiros a atacarem Stalin nos anos 30?
No livro “O manifesto do Partido Comunista” Marx e Engels ensinam que os capitalistas fazem concessões poder manter o domínio do poder e acalmar os ânimos da classe proletária.
Camaradas, pensem bem, o que vale mais à pena para a burguesia? Implantar um governo que ganhe o repúdio das massas, ou um governo que concilie as classes, com uma falsa retórica progressista consiga iludir a esquerda (principalmente a esquerda revisionista e oportunista) com o objetivo de minar as comunistas de forma doce e pacífica?
Então, o que mais à pena para a burguesia? Perder tudo ou continuar no poder, mesmo que para isso tenha que fazer algumas concessões?

Vamos listar aqui alguns tipos de sistema que se autodenominavam, ou que foram denominados de progressistas, apesar de terem acontecido em diferentes países, eles mantêm a mesma essência: nacionalismo, conciliação de classes, anticomunismo, repressão aos trabalhadores... Eis alguns modelos:

Nazi-fascismo
                                       
Atualmente a social-democracia criou apatia por Hitler e Mussolini, mas, na época em que o nazismo consolidou-se na Alemanha, a social-democracia recusou as propostas do Partido Comunista da Alemanha em formar uma aliança anti-fascista, pois os social-democratas inicialmente se identificavam com os nazistas: o nacionalismo, a conciliação entre as classes, controlar o quanto a burguesia deve ganhar ao mesmo tempo em que ela deve continuar existindo, pois Hitler acreditava que a burguesia e o proletariado eram as duas classes produtoras, e o ódio aos comunistas que a social-democracia tanto fazia coro.
O criminoso incêndio do Reichstag em 1933 é uma prova do que os nazistas estavam dispostos a fazer para acabar com os comunistas, nesse episódio, o camarada búlgaro Giorgi Dmitrov foi preso e acusado de participar do incêndio, foi à julgamento, estava sem advogado e durante o julgamento ele passou de acusado à acusador dos nazistas, e acabou sendo absolvido. Ou também o trágico fim que teve a nossa camarada Olga Benário, quando foi entregue pelo governo fascista de Vargas aos nazistas, e acabou morrendo em alguma câmara de gás em 1943.



Getulismo

Por aqui tivemos o getulismo (1930-1945), oriundo do modelo fascista de Portugal, governo ditatorial de Getúlio Vargas que apesar de ter inserido o Brasil na revolução Industrial e ter criado algumas leis trabalhistas sem dar prejuízo aos patrões ainda mantinha os comunistas e demais opositores do regime bem quietinhos em alguma masmorra ou nas mãos de algum torturador da polícia, enquanto que os “galinhas verdes” (Integralistas) se esbaldavam.

Peronismo

Durante a segunda guerra, ou mais exatamente, em 1943, um golpe militar na Argentina colocou no poder o coronel Juan Domingo Perón, que seguia uma orientação política semelhante ao fascismo.
Nos anos 50 seu governo era conhecido por ser “progressista demais”, acreditavam os peronistas, que o resultado final daquele regime culminaria em uma espécie de socialismo (lembrando que o socialismo em si não significa marxismo, pois, Marx listou os vários tipos de socialismo, como o socialismo dos religiosos, da burguesia, etc).
O governo de Perón além de ser um governo extremamente corrupto, e dissimulado, era um governo perseguidor de comunistas.

Progressimo no México (Partido Republicano Institucional)

Outro exemplo de regime intitulado progressista era o do Partido Republicano Institucional no México. Era um governo que no início havia implantado a reforma agrária e o desenvolvimento da indústria, tudo organizado segundo um modelo capitalista.
Influenciados pelos protestos de maio de 1968 ocorridos na França, estudantes mexicanos saem às ruas em julho para comemorar o aniversário da revolução cubana, o governo mandou suas tropas de choque para combater os estudantes, segundo a imprensa da época, 50 pessoas foram mortas, e 900 detidos, mas nos livros de história do Brasil fala-se em mais de 1000 feridos e 400 mortos. O PRI só foi destituído em 1994.

Baathismo

O tal “progressismo” não é novidade. Em países da África e Oriente Médio ergueram-se muitos governos desse tipo, principalmente entre os anos 60 e 70, tais exemplos são os de uma ideologia conhecida como baathismo, originada do Partido Baath da Síria, o mesmo partido de Bashar Al Assad e de seu falecido pai.
Exemplos de líderes baathistas são o que não falta, temos Saddam Hussein, Hosni Mubarak, Ben Ali, Bashar Al-Assad, Muammar Kadaffi, Gamal Abdel Nasser... Alguns deles você já deve ter ouvido falar, os mesmos que estão tendo as suas ditaduras reformistas sendo contestadas pela rebelião popular que se levanta no oriente médio.

Bolivarianismo

Eis o trio parada dura do neo-fascismo sul-americano.
Os bolivarianistas se intitulam socialistas, e até comunistas, dizem que Simon Bolívar foi o libertador da América Latina. Mas, a verdade é que ele atuava à serviço dos interesses do império britânico, e era um péssimo comandante, na primeira derrota que suas tropas sofriam, ele abandonava seus homens e pegava o primeiro navio para o exílio.
Dizem que o bolivarianismo é marxista... Mas, Bolívar é de um tempo em que o capitalismo ainda era uma força progressista e revolucionária, quando não havia proletariado na América Latina. Ou seja, temos que abandonar as idéias antiquadas dos tempos de Bolívar e George Washington, e levantar as idéias modernas e verdadeiramente progressistas, como Marxismo-leninismo-maoísmo!
E na América do Sul atualmente? Evo Morales, Hugo Chavez, e Rafael Correa, certamente muita gente da esquerda discorda quando se critica a gestão desse “trio parada dura” do neofascismo.
Pois bem, vamos falar um pouco do que vem acontecendo nesses países.

Bolívia: atualmente a Bolívia, assim como o Paraguai, é um país onde você pode comprar metralhadoras, fuzis automáticos, maconha, cocaína, óxi, ainda que de forma ilegal, mas em quantidades generosas. O armamento que chega aqui, geralmente metralhadoras ZB-26 dos anos 30 e fuzis automáticos Ruger apreendidos no Brasil, estão com o timbre do exército boliviano, ou seja, no tráfico de armas ou drogas, sempre existe a vista grossa de autoridades, no caso das autoridades bolivianas estão a serviço do “progressismo” para com o Comando Vermelho e o PCC.

Outro sinal de que o governo boliviano não é progressista, é o fato do país não conseguir manter seus habitantes, que acabam indo para outros países, quem vai pra capital de São Paulo percebe esse fato, pois há muitos imigrantes bolivianos.

O socialismo de Evo Morales: entregar refugiados políticos ao regime genocida peruano.

Evo Morales declarou que quer se aproximar do marxismo-leninismo, mas, falar é uma coisa e fazer é outra, por isso mesmo, o governo boliviano fez questão de prender e entregar ao regime genocida do Peru, exilados políticos peruanos que estavam participando do Centro de Estudos Populares na Bolívia. Esse aí é o “socialismo” de Evo Morales.

Venezuela: Um país muito elogiado pelos oportunistas, pois Hugo Chavez (um verdadeiro revolucionário de boca) fala que está levando a Venezuela rumo ao socialismo, realizando estatizações, mas deixando a grande burguesia continuar existindo.
Alguns ditos “marxistas-leninistas” fazem odes à Chavez, mas, o próprio declarou na televisão a seguinte frase: “o marxismo-leninismo é um dogma ultrapassado”, ao mesmo tempo em que fazia uma embromação sobre uma conversa que teve com Fidel Castro.
Durante a campanha eleitoral venezuelana de 1998, Chávez também disse em rede nacional que não era socialista, que o projeto que ele tinha em mente era de criar um “humanismo”, essa história de “criar um sistema humanista” já é um chavão bem antigo divulgado por alguns reformistas do tipo de Chavez ou Allende.
Além do fato das companhias estrangeiras continuarem levando embora o petróleo venezuelano tem também as dissidências com as FARC, isso mesmo, bolivarianos vs bolivarianos, várias vezes o estado burguês venezuelano fez questão de entregar guerrilheiros das FARC ao estado fascista da Colômbia.

Equador: Esse aqui é o que mais tem assunto para comentar, pois, há várias postagens publicadas no blog do Partido Comunista do Equador – Sol Rojo, que segue a correta orientação marxista-leninista-maoísta. Eis alguns trechos de algumas postagens:

“O sustentado discurso revolucionário da burguesia burocrática atrai elementos da esquerda para estabelecer seus blocos de composição social, mas, também busca neutralizar o discurso e intenção revolucionária coerentes, de classe, de tomada de poder em troca de reformas, desenvolve e divulga por todos os meios a possibilidade de uma revolução pacífica onde o fator luta de classes é simplificado à uma mínima expressão: contradição entre muito ricos e muito pobres”.[3]

E um pouco mais à frente:

“Desde logo o projeto Alianza País trata de gerar a idéia de que entre a grande burguesia há elementos positivos, honestos”.

O governo equatoriano questiona o caráter legal das corridas de touro, mas não questiona a base material que sustenta um costume de caráter feudal.
Apesar da reforma agrária, ainda existem os grandes latifundiários. A distribuição de terras fez com que surgissem muitos minifúndios com grande capacidade de gerarem migrantes, desempregados, sub-empregados, etc...
 Outros trechos falam do apoio que o Estado dá às forças de repressão (forças armadas e polícia):

O verdadeiro Correa
“Resulta ridículo escutar a grande burguesia falando sobre a insegurança, a delinqüência e o desate da violência que vive o país na atualidade. Mas não é menos ridículo escutar o regime, também componente dessa grande burguesia desde a perspectiva burocrática de suas pretensões de seguir armando mais e melhor a polícia, incrementando o número de efetivos e dispor das Forças Armadas para que colaborem na luta anti-delinquencial.
Precisamente nestes dias o governo firmará um convênio com o regime chileno para que seja a polícia desse país (carabineros), quem ajude a reestruturar e potenciar com novas unidades a polícia nacional. Aprofunda-se no aspecto repressivo, e como se fosse pouco é uma das polícias mais repressivas, torturadoras e assassinas do continente que vai reestruturar o aparato repressivo no país’’.
Como se não bastasse, mais prisões estão sendo construídas no Equador para abrigar mais e mais e pobres equatorianos, que acabam fazendo parte do lumpesinato. Logo, a polícia é sempre eficiente quando se trata dos pobres.
O governo equatoriano que havia se comprometido em não se meter no conflito colombiano, tem construído mais bases militares como em Lita, ao todo, 19 novas bases militares que prestam serviço ao imperialismo americano com a prisão de integrantes das FARC.
Ainda sobre a luta entre o exército equatoriano e as FARC:
“Em 2010, segundo um informe do Comando Conjunto das Forças Armadas. Foram descobertas 126 bases clandestinas das FARC, especialmente nas províncias de Sucumbíos e Esmeraldas, 61 bases a menos que em 2009. Foram realizadas 12 operações militares, 207 ações táticas, 5687 patrulhamentos, e foram utilizados sete mil soldados em um mês aproximadamente”.
Eis a ala esquerda da direita.

Conclusão

Certamente alguns camaradas vão discordar e talvez até contra argumentar, até aí ok, não se pode agradar a todos, principalmente a pequena e média burguesia. Certamente dirão que são intrigas, que é um meio da direita fazer com que a esquerda se fragmente, mas essas afirmações estão erradas, pois para criar esse texto, não foi usada a intriga, ou fontes vindas da mídia burguesa, mas sim em fatos históricos, em escritos marxistas, e nos artigos publicados pelos camaradas e irmãos do Partido Comunista do Equador-Sol Rojo.
A direita muitas vezes não usa de meios brutos para minar os comunistas, mas meios “macios” como modo de calar os comunistas, frear o a aspiração de poder da classe proletária, falsos elogios, falsas alianças, e até elementos infiltrados.
O presidente Mao estava certo quando dizia que não bastava apenas uma revolução proletária para eliminar a burguesia, mas, eliminar a burguesia infiltrada no partido.
Novamente a pergunta: O que vale mais a pena para a burguesia? Gastar milhões de dólares numa guerra contra o partido comunista, ou colocar no poder um governo “conciliador”, com uma falsa pitada esquerdista, mas que mantém vivo a essência do velho estado capitalista burocrático?

NOTAS:

[1]: Durante o VIº Congresso do Comintern, ocorrido em 1928, Stalin fez algumas afirmações como:“a social-democracia é objetivamente a ala moderada do fascismo”. Em outro texto afirmou: “O fascismo e a social-democrata são, não inimigos, mas gêmeos”.
Nas resoluções do VI Congresso podemos ler: “Segundo as exigências da conjuntura política a burguesia utiliza tanto métodos fascistas como as alianças com a social-democracia, no entanto não é estranho que esta, em particular em momentos críticos para o capitalismo, assuma feições fascistas. No transcurso de sua evolução a social-democracia revela tendências fascistas”.

[2]: Em 1929, em plena época da crise imperialista, a Alemanha passava por um período de recessão. Em Berlim, no dia primeiro de maio daquele ano, durante uma manifestação de trabalhadores sob o comando do Partido Comunista da Alemanha o governo social-democrata do chanceler Hermann Muller além de dizer que “o vermelho é igual marrom”, o chanceler social-democrata botou a polícia para reprimir os manifestantes, esse episódio ficou conhecido como “Maio Sangrento de Berlim”.

[3]: veja mais artigos do PCE-SR em: pukainti.blogspot.com


ELEIÇÃO NÃO! REVOLUÇÃO SIM!

ABAIXO AO OPORTUNISMO, VIVA O MAOÍSMO!