terça-feira, 23 de agosto de 2016

Cultura, a Grande Manipulada em Época de Eleições!

Pessoal, a cultura é uma das grandes manipuladas nesse tempo de campanha. Na última campanha foi prometido tudo para ela, mas nada saiu. Muito pelo contrário.
Após usar e abusar dizendo que ia fazer tudo pela cultura, Cabral disse a músico local que insistia em cobrar a promessa de um centro cultura no Clube Social que pegasse um esfregão e uma vassoura e fosse abrir o Cine Regina. E explicou que existem dois tipos de artistas, no seu douto entender: artistas comerciais, que recebem dinheiro e artistas não-comerciais, que trabalham de graça, espontaneamente. Logo, ele queria só artistas espontâneos trabalhando para ele. Pagar cachê para quê?
De início, entrou o Roberto Angelo com algumas ideias novas, representando os jovens que cobraram uma pista de skate em uma manifestação. Mas como era independente e cheio de ideias, depois de um mês, mais ou menos, foi mandado embora.
Igualmente o professor Tadeu entrou e depois de ter um texto corrigido várias vezes pelo prefeito, sentiu-se humilhado e saiu. Tadeu nem sequer chegou a ser Secretário de Cultura.
A seguir, a pasta da cultura FOI EXTINTA, embora tivesse apenas dois funcionários. Voltou depois de muita pressão e colocou a Sr. Tânia Nakamura.
Eu me lembro da Tânia postulando para mim que Mazzaroppi é povo, Mazzaropi é melhor do que o meu preferido cineasta brasileiro, o Glauber Rocha.
Daí ela fez uma mostra de um filme em preto e branco do Mazarroppi na Praça da Estação e ficou só ela lá assistindo, o povo "fartou", como diria o famoso Jeca Tatu. Depois disso não acompanhei mais (rs).
Depois disso não acompanhei mais. Alguém poderia nos ajudar a refletir como está a cultura e que tipo de projeto seria viável para nossa cidade?
Cadê os imortais da Academia Bom-Despachense de Letras? Será que vão botar fardão para apoiar Cabral como foi na campanha passada?

domingo, 21 de agosto de 2016

Sobre o arquivamento do meu processo por parte do Sr. Prefeito

Pessoal, como o processo que o prefeito de Bom Despacho, o Sr. Fernando Cabral ( apoiado pelo PT e mais um monte de partidos) movia contra mim foi arquivado, desbloqueei alguns de seus seguidores aqui para mostrar boa vontade.
No entanto, estou convicto que esse projeto --que aliás escondeu na convenção ter apoio do PT, que é presidido pelo irmão do prefeito --é de longe o mais autoritário. Desde o início, ambicionou votar um tal código de conduta do cidadão na Câmara Municipal, apresentando várias inconstitucionalidades. Em muitos casos, pretendia legislar sobre quantos cães o cidadão pode ter em casa, dentre outros absurdos que denotam, a meu ver, que o referido candidato não é um democrata e seu projeto busca controlar a vida individual dos cidadãos e cercear liberdades.
Infelizmente, temos o exemplo aí do autoritarismo crescente de Daniel Ortega, político próximo de Lula e que parece ter inspirado a aventura desastrosa (prestes a se encerrar como enorme fracasso) que foi o governo Dilma, uma vez que Ortega "ungiu" a esposa como sucessora.
Minha sugestão é que os cidadãos de Bom Despacho votem nulo, votem Haroldo QUEIROZ, qualquer um, menos Cabral. Seja quem for que sair desse processo farsesco e problemático, vamos continuar fiscalizando, fazendo críticas. E o que se mostra mais refratário a críticas é Cabral. Ele processou todo mundo que criticou: eu, Zé Ivo, Dimas Cardoso, Maurício Reis...
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Os Subterrâneos e Sachetta

Esse artigo trata do personagem trotsquista em Os Subterrâneos da Liberdade, polemizando com a leitura realizada pelo amigo Celso Lungaretti em O Náufrago da Utopia. O artigo pode ser lido aqui

sábado, 6 de agosto de 2016

Lukács, o fã de Soljenitsin

Lukács e o realismo antissocialista de Soljenitsin: nesse artigo, o filósofo Georg Lukács é analisado enquanto crítico de Soljenitsin: Lukács confundiou realismo socialista com antissocialista


Adriano Alves e Andreza Vale

Resumo


Esse artigo busca investigar um ensaio de Lukács sobre o dissidente russo Soljenitsin,motivado por comentários recentes a respeito de um possível paralelo entre Soljenitsin ea dissidente cubana Yoani Sánchez. Lukács considerou, ao analisar os romances deSoljenitsin, que esse escritor era um renovador do marxismo, ou ainda, um renovador que estava trazendo o realismo socialista de volta aos primórdios. O tempo nãoconfirmou essas expectativas de Lukács, traçadas em 65. Outra hipótese a respeito deSoljenitsin foi elaborada por Abraham Rothberg em seu livro Herdeiros de Stálin: oescritor russo seria um entusiasta da liberdade de expressão e tinha sido apoiado por Kruschev. Seria, então, um dissidente liberal, não um marxista ou realista socialista.Mesmo essa hipótese deve ser deixada em suspenso diante das atitudes de Soljenitsindepois da queda da URSS, quando ele se manifestou a favor de um regime que ligasse aigreja ortodoxa ao regime czarista, apresentada em texto de Mário Sousa e do norte-americano Eric Margollis. Assim, a hipótese com que finalizou-se essa pesquisa foi queSoljenitsin elaborava um realismo antissocialista, buscando principalmente através desua ficção apoiar o seu projeto político de extrema-direita, embora ele não assumissediretamente essas posições reacionárias em seus primeiros tempos de União Soviética.

Lukács e o realismo antissocialista de Soljenitsin

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Revista Cidade Sol está de Luto


O Blog está de Luto. 


O professor Marcelo, no entanto, deixou magnífica obra, que pode ser conferida em seu blog .


Céus e terras passarão, mas sua palavra não passará, professor...



FALECIMENTO DO PROFESSOR MARCELO MARQUES

“É agora a vós, que sois meus juízes, que quero dar conta das minhas razões, explicar-vos em que medida me parece natural que um homem, que toda a sua vida consagrou à filosofia, se sinta tranquilo a hora da morte e plenamente confiante de que Além, terminados os seus dias, logrará o melhor dos destinos. […] O comum das pessoas está, provavelmente, longe de presumir qual o verdadeiro alvo da filosofia, para aqueles que porventura o atingem, e ignoram que a isto se resume: um treino de morrer e de estar morto.” (PLATÃO, Fédon, 63e).
Com grande pesar e tristeza recebemos o comunicado do falecimento do professor Marcelo Marques na manhã dessa quarta feira (03/08). Por meio desta nota, o PET Filosofia expressa solidariedade e carinho aos familiares, aos professores do Departamento de Filosofia, aos amigos e aos seus alunos e orientandos. Além de ter deixado um imenso legado de contribuições acadêmicas, Marcelo se dedicou ativamente na difusão do ensino de Filosofia no Brasil, contribuiu na formação de centenas de alunos(as), perpetuou a memória de Sônia Viegas e deixou a lembrança de um professor exemplar.
O velório do Marcelo terá início hoje às 21h no espaço do crematório do Parque da Colina.
A cerimônia de despedida será amanhã, às 15h no mesmo local.
PET Filosofia – UFMG
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Em anexo, a nota do Grupo de Filosofia Antiga da UFMG:
“É com pesar que comunicamos o falecimento, nesta manhã de quarta-feira, do nosso colega e amigo, o professor Marcelo Pimenta Marques (1956~2016). Marcelo era professor titular do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFMG, onde desenvolveu atividades de ensino, pesquisa e administração, tendo formado muitas gerações de mestres e doutores, desde o ano de 1992, quando ingressou como professor na Universidade. Bacharel e Mestre em Filosofia pela UFMG, e Doutor pela Université Marc Bloch de Strasbourg (França), Marcelo é autor de livros como O Caminho poético de Parmênides (Sao Paulo: Loyola, 1990), Platão, pensador da diferença (Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2006), coautor de O Visível e o inteligível. Estudos sobre a percepção e o pensamento na Filosofia Grega Antiga (Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2012), organizador do volume Teorias da Imagem na Antiguidade (São Paulo: Paulus, 2012), além de ser o idealizador da coleção “Contraposições”, publicada pela editora Paulus.
Dele guardaremos a lembrança de um professor apaixonado pelo seu ofício, de um orientador que se dedicava com especial atenção à cada um de seus orientandos e tudo fazia para promovê-los, de um administrador que não media esforços para tornar exequível cada projeto e solucionar todo problema. Autor de numerosos artigos, traduções e livros, temos certeza que o seu legado continuará a nos inspirar em nossas jornadas pelas sendas da Filosofia.
Grupo Filosofia Antiga UFMG.”

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Marxianos, Marxistas, Marxólogos

Em debate com meu amigo Rafael Freitas, diferenciei esses três assim:
1) O marxista seria o marxista-leninista, o "ortodoxo". Seria o que acredita no projeto político de Marx, participa de algum partido ao estilo marxista-leninista, o marxista "gnoseológico". Um exemplo: Althusser, que foi do PCF até o fim da vida. Na atualidade, a vertente mais avançada do marxismo é o maoismo de Mao e de Abimael Guzman. Marxismo hoje é, pode-se dizer, marxismo-leninismo-maoismo-pensamento gonzalo.
2)O marxiano seria a vertente lukacsiana, "crítica", originalmente, de onde suponho ter surgido o termo. Em linhas gerais, é o chamado "revisionismo" e suas vertentes variadas. Os frankfurtianos seriam marxianos, ou seja, estudiosos de Marx, mas que não são "ortodoxos", ou seja, não participam de partidos, recusam Stálin, Mao, Hoxha, etc. A tônica do revisionismo, na esteira de Kruschev, é retirar tudo o que existe de revolucionário nessa linha de pensamento. O preço que ela paga para circular é cortar o projeto político marxista propriamente dito. Leia-se: falar mal de Stálin e, se possível, da URSS. Trotsky colaborou com muitos dos argumentos dessa vertente, embora, em geral, ela usa os argumentos de Trotsky sem mencioná-lo. Podemos considerar Trotsky parte dessa vertente.
 Em geral, formam patotinhas na universidade: na UFMG é em torno de Ester Vaismann, na UNICAMP é Ricardo Antunes e Berriel, na USP é Safatle e outros. Um exemplo seria o "centro de difusão do comunismo" da UFOP, na verdade um centro de difusão do revisionismo que buscou se impor ignorando que a universidade não poderia simplesmente difundir e disseminar um pensamento e sim, por lei, precisaria estudar. O revisionismo é uma vertente que, embora goste de ser dizer democrática, falar em socialismo com liberdade é muito autoritária. Considera-se "a" verdadeira versão do marxismo. Ela implica, no entanto, em "adoçar" e "amansar" Marx. Por isso os revisionistas não gostam de debates e do contraditório. Pode-se dizer que essa vertente é frágil, pois nasce da falsificação sistemática do marxismo-leninismo. Daí que, uma vez confrontados, fecham-se e partem para confronto com insultos, argumentos contra o falante, etc.
 Um outro bom exemplo de marxiano: José Paulo Netto, professor da UFRJ. Esse tipo vive propondo o "retorno a Marx". Os revisionistas trocam o culto da personalidade de Stálin pelo culto de Karl Marx, tanto que chegam a afirmar que "Engels foi o primeiro stalinista".
A vertente marxista presente nas universidades do mundo Ocidental seria uma versão revista do marxismo-leninismo. Até mais ou menos o período da morte de Stálin o pensamento oficial não permitia a entrada do marxismo nas universidades, uma vez que era um pensamento revolucionário. A partir de 1956, com a vertente revisionista ganhando poder na União Soviética, toda universidade do mundo ocidental produz sua versão do revisionismo.
3)O marxólogo. Seria o inimigo que expõe o pensamento de Marx de forma relativamente honesta. Fala sobre Marx e expõe seu pensamento, mas logo em seguida movimenta-se contra ele, por vezes de forma subterrânea. Hoje em dia escasseia ou está quase extinto. Exemplos: José Arthur Gianotti, da USP (FHC e seu grupo do Seminário de O Capital também são bom exemplo), Raymond Aron e, posso supor, o  padre Maritain.
Raymond Aron, supomos, seria um dos autores a fazer essa diferenciação. Isso é complexo, pois não há durkhemista, durkhemiano e durkheimólogo. Isso ocorre em função do projeto político propriamente dito.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Carta para Erik Haagensen:PCB X José Chasin

"Existe alguém que lê a asneirada que vc publica aqui, Espírito de Lúcio? acho que não, kkkk" 

Oi, Erik. Bom tê-lo aqui. Tem sim. Você não tem um blog "comunista"? Pois ao polemizar com você, uma pessoa do PCB, sabendo que me seria útil,  municiou-me com um blog dotado de um verdadeiro acepipe, um texto delicioso que diz muito de seu guru José Chasin. Lembra-se que, embora ele falasse tanto da ontologia do trabalho, ele sempre atrasava para as aulas ou faltava, fugindo do tripálio? Veja aqui e experimente esse doce deleite:


Sua abordagem das conjunturas políticas do país segue se desenvolvendo por meio da aplicação de suas teses básicas em momentos posteriores até que sofre uma inflexão radical, no ano de 1996, em um artigo sobre a campanha presidencial intitulado “Brasil: o poder do real” (CHASIN, 1996). De modo surpreendente, Chasin afirma a superioridade da visão de país e do tipo de política propostos pelo assim chamado “príncipe dos sociólogos” brasileiros. Fundamenta a sua opinião na tese de que as mudanças no capitalismo teriam superado os dilemas da via colonial e, portanto, que toda sua própria abordagem sobre as especificidades da economia e da política nacionais não mais ajudava a entender o Brasil contemporâneo. De um salto, o outrora incompletável capitalismo brasileiro completa-se e toda a chasiniana estratégia revolucionária, baseada na noção de revolução permanente, é abandonada, assim como passa a ser negado o protagonismo político das classes trabalhadoras. 


Olha aí em cima, tudo mundo sabe que José Chasin apoiou FHC! Tem cada quitute esse artigo. Veja o episódio em que Chasin quis criar uma linha de pesquisa sobre si mesmo e foi expulso da faculdade (hilário!):


No início dos anos 1970, Chasin despontava como um dos professores mais influentes da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, dividindo o espaço com outros jovens talentosos, como Gildo Marçal Brandão e Marcos Aurélio Nogueira. Obteve preeminência entre os estudantes criticando o marxismo vulgar, o stalinismo, a sociologia paulista, o maoismo e o irracionalismo da filosofia da nova esquerda europeia. Usou como bases de sua perspectiva os textos de Marx, G. Lukács e V. I. Lenin.  Tornou-se, assim, advogado de uma peculiar ortodoxia, centrada na afirmação dos fundamentos da filosofia ontológica proposta por Marx e no uso da lógica da particularidade no estudo do capitalismo nacional.

A postura de criticar todos os outros pontos de vista da esquerda de modo sistemático e radical, concomitante à busca de institucionalizar sua hegemonia por meio de uma proposta de pós-graduação centrada em suas convicções teóricas, uniu tacitamente seus adversários de esquerda e de direita, isolando-o politicamente, ao ponto de ser “legalmente” expulso da Escola de Sociologia e Política de São Paulo em 1976, sob a esdrúxula acusação de descumprir um decreto dos militares que proibia os professores de influenciarem o movimento estudantil.



Enfim, uma conclusão para você, Erik. O choro é livre:

Conclusão

Acreditamos ser possível afirmar que a tese chasiniana sobre uma concepção negativa de política em Marx não é sustentável. Há no pensador alemão uma concepção negativa de Estado, mas esta não se estenda para a política em geral, a qual é percebida como um complexo social positivo, inerente às dimensões universais do gênero humano. A política seria uma dimensão composta pela integração entre as formas superiores de autoconsciência humana, que são arte, a ciência e a filosofia, e a práxis coletiva, uma potencialização da liberdade humana por meio da síntese entre a mais alta consciência de si do próprio gênero e a ação mais coerente em direção ao desenvolvimento infinito do ser social.