terça-feira, 1 de setembro de 2015

Linque para minha tese inédita no blog Cipriano Barata

Linque para minha tese inédita: Jornada do Herói

Agradeço ao Rafael Freitas, Fábio Melo e todos. Gosto muito do blog de vocês, dos debates, etc.

Abraços!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Luta total: Tô fora desse engodo

O PT e seus lacaios da Teologia da Mentira e os agentes das pastorais burguesas quebram desde o  nascedouro a "democracia de base". Tal feito é a estratégia gramscista de formatação de uma "casta dirigente" e de uma "massa de comandados". IGNORARAM completamente os trabalhadores, incluindo os não sindicalizados. E querem o quê agora? Estão arquitetando a extinção do SUS e a privatização de  portos, estradas, aeroportos, Banco do Brasil, CEF e Correio e outras empresas, sendo recentemente a BR DISTRIBUIDORA com a venda de cerca de 25% das açoes e, QUEREM O QUÊ MESMO? Se fortalecerem para continuarem a golpear o povo, e pior ainda, com o apoio dos movimentos sociais cabrestos, de Ongs picaretas e de lideranças de partidos paridos pelo petismo chacal... São tão mal intencionados que, assim como os milicos e os nazistas agiram, fabricam atentados, levianamente, assaltos e arrombamentos de  sedes e representações do partido, para assim justificarem o recrudescimento do sistema do qual perseguem alopradamente, ainda que levando de roldão os seus aliados de então.  Áh, e o jaguara da CUT ainda fala insanamente em armas nas mãos e entrincheirados, quando sabemos defensores da revolução passiva. Ai está o gramscismo. Desconstruindo todos os adversários. Estão desenterrando defuntos mas esqueceram do Stalin e de Mussolini. O gramscismo é siamês do fascismo. O gramscismo não tem nada a ver com marxismo leninismo, trotskismo ou socialismo, ideologias essas que tem na ação direta a sua ferramenta principal. O gramscismo é uma ideologia ainda em "tubos de ensaios". Sendo os países latino americanos os maiores e primeiros laboratórios desta farsa capitalista burguesa... Um exemplo? Métodos e referências de Paulo Freire colocando vergonhosamente a sétima economia do mundo com a humilhante e destruidora educação, na 81 posição mundial. Ficam idolatrando falsarios de métodos experimentais, de facetas revolucionárias, quando na verdade é apenas uma leitura plagiada dos escritos laboratoriais de Antônio Gramsci. Já estou vendo professores e educadores ventríloquos ou intelectualóides orgânicos me incinerando. Com a crise econômica e política em ebulição, indiscutivelmente à violência que já é gigante irá tornar-se uma tsunami ou, um grande genocídio. Se falarmos em retirada do direito de herança, estatização da propriedade privada incluindo o latifúndio e os meios de produção, rapidamente chamam nos de radicais. O gramscismo é porta fria de capitalista e burgueses com sonhos de comandantes de rebanhos de alienados ventríloquos... outras forças politicas se juntam nesta empreitada desumana  que  lhes colocam historicamente e de fato, em defensores de falácias. Ficam ai fazendo média e arrombando a vida dos trabalhadores, quando apoiam aqueles que lesam as categorias. Desde há muito que se fala: Uma vez petista sempre petista. Sairam do partido petrolão e ficam cheirando as cuecas do Lula. Linhas auxiliares petista, de consultores falcatruas do dinheiro do povo. Os petrolao dando golpe na nação. 

  
Derrotar o PT é abrir caminhos para a esquerda, inclusive ao marxismo revolucionário.  A frente de muitos sindicatos existe uma legião de carreiristas, funcionários públicos, professores universitários e outros, que utilizam as massas apenas para garantirem suas benesses. É um direito? Sim, claro que é, mas eu nunca vi manifestações exigindo salario minimo compatível com a dignidade do trabalhador. No Senado e na Câmara, as bancadas que vcs arrotam progressistas fecham fileiras com o governo petrolão que arrocha os trabalhadores. Querem o que mesmo neste dia 20? Manter a máfia fudendo os trabalhadores e dizendo que combatê-la é golpe? E, de boa mesmo, numa linguagem coloquial, que democracia vcs estão defendendo? A burguesa ou a proletária? Os custos ou as consequências de derrotar o PT, somente os proletarios e a história dirão, e nós temos que tentar, até porque o PT não nos representa,  só tem o nome. Somos cerca de 2 milhões de desempregados, num acréscimo de mais 8 milhões de brasileiros na rua da amargura, juntando-se com os outros milhões já existentes. É algo semelhante à toda  população da República do Uruguai, apenas nesta etapa da crise do governo corrupto do Partido dos Trabalhadores. 


  Collor e FHC não era golpe, mas gora qualquer mudança é golpe



Fonte: Luta Total

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Felipe Vasconcelos: comendo na lata de lixo da ideologia

Abaixo, meu debate com Felipe Vasconcellos, que eu saiba, militante do PCR. Felipe: você está comendo na lata de lixo de Marilena Chauí, Zizek e dos "petralhas". Para você, apoiar impiximã ou guerra popular é "opção aventureira" e tem "consequências para o futuro dos comunistas". Tese ousada!


Vou colocar em termos ainda mais ousados: se tiver impiximã de Dilma e não eleição de Lula, não vai ter pão com mortadela para os revisionistas do PCR, é isso? Deixe-me ver se entendi: para você, se tirarmos um grupo corrupto, ligado a setores empresariais da burguesia burocrática, se entrar um outro grupo, também corrupto, mas sem base sindical e que não travará as centrais sindicais e os trabalhadores no campo como hoje o PT trava, usando de carguinhos e trololós como esse seu, os "comunistas" no país não vão ter futuro? 


Será que você não quer dizer é que os revisionistas vão ter que malhar, perdendo sua tetinha no estado, seus carguinhos, suas ilusões eleitoreiras?  É preciso, então, manter um grupo corrupto no poder, corporativizando toda a economia?


Eu deveria dizer ao pessoal do MNN que eles fazem uma análise errada só porque partem de uma teoria errônea, o trotsquismo? Devo mentir, dizendo que não foram corajososos ao interferirem nas manifestações da classe média?


Se os participantes do dia 16 fazem discurso de ódio, eles têm razão: o PT, focando na classe média, propagou um radicalismo pequeno-burguês e focou na moralização; a classe média acreditou. Agora, quando se mostraram corruptos, não fazem autocrítica. Fingem-se de inocentes e saem acusando o outro setor empresarial com o mesmo moralismo anterior! Não expulsam os corruptos do próprio partido (afinal, seria preciso fazer uma verdadeira razzia. Não ficaria quase ninguém), a mídia, o judiciário, a ultra-esquerda...todos são culpados, menos o PT e seus novos aliados: Collor, Sarney, Kátia Abreu, Renan, etc.


O PT não pode dizer que não faz discurso de ódio, pois existe o discurso tolo de Marilena Chauí contra a classe média. Embora ela seja uma boa especialista em Spinoza, como analista social é detestável e justifica o nome de "marxilena Xuxaí" que lhe foi pespegado pelo poeta Bruno Tolentino. A partir de um pressuposição de que ela estaria em uma posição a favor da classe trabalhadora apenas por apoiar o partido dos trabalhadores, Marilena, que durante muito tempo escreveu na Folha e só parou de escrever porque suas críticas vazaram para a Folha através de um aluno, passa a acusar a classe média de inúmeras coisas, ignorando que: 1) o PT era originalmente formado por pequena burguesia radicalizada e a aristocracia da classe trabalhadora; 2) ela quer dizer que classe média =PSDB. 3) Lula já disse que seu sonho era ser classe média, Dilma disse querer um país de classe média. Eles já quiseram impiximã de Sarney, FHC, Collor e Itamar, em todo escândalo de corrupção, sempre visando dividendos eleitorais. Lula já falou no impiximã como "solução dos problemas nacionais", veja que demagogo ignorante! Lula e Dilma apenas colhem o que o PT plantou.

Bem possivelmente, Lula voltará em 2018 para mais uma rodada de neoliberalismo e arrocho. É o grande ás na mão dos ricos e poderosos, o líder popular que eles precisam para continuar o desmonte do estado. Devo ficar triste se tal figura asquerosa, suspeita de colaboração com a ditadura, com a Globo em 89, supostamente corrupta, certamente perniciosa --que se aproveita de sua origem de classe operária para atacar o marxismo-- for para atrás das grades e não consiga seu intento? E sobre Mao, sim, Mao foi além de Marx e Lênin, sim, é claro que diverge, pois algumas proposições de Lênin, por exemplo, estão superadas. Pannekoek respondeu muito bem às observações de Lênin em O Esquerdismo. Aquilo é muito válido para nós. Nesse nosso contexto, o melhor é votar nulo e boicotar eleições, não há mexer diretamente nisso, mas mesmo assim se pode influenciar indiretamente.

Aqui em minha cidade, por exemplo, eu fui o primeiro a propor o corte de salário para os vereadores. Meu artigo saiu no antigo Folha de Bom Despacho e chamava-se: quer ser vereador de graça? Um dos PACs de Dilma propõe a vereança gratuita em cidades de menos de 100 mil habitantes. Agora já apoiaram a iniciativa: o radialista Maurício Reis (embora jogando o corte para a metade), o professor Alexandre Cavalieri e, mais recentemente, o próprio vereador Zé Ivo.
Felipe Vasconcelos Carneiro disse...Me desculpe, Lúcio, mas que comparação precária que você fez, se assemelhando mesmo à algumas citações que o Mao fazia e não eram nada claras. Essa sua postagem só mostra que o maoísmo não passa de mais um revisionismo (talvez mais pernicioso por se dizer anti-revisionista, pró-Stalin (até a página 2) etc.), como é o trotskismo. Chega ao ponto de partidários do maoísmo e do trotskismo trabalharem em sinergia, por um objetivo aventureiro de apoiar o impeachment da Dilma, opção nesse momento mais que duvidosa em termos de consequências para o futuro dos comunistas no país.17 de agosto de 2015 09:23 Felipe Vasconcelos Carneiro disse...«¿Será casualidad que para denigrar a la Komintern y a Iósif Stalin hagan piña revisionistas soviéticos, chinos, yugoslavos, eurocomunistas, etc.? ¿Es igualmente casualidad que usen los mismos «argumentos» que la emplearían la socialdemocracia o Trotski? Para los marxista-leninistas de hoy en día, es un honor poder estudiar la experiencia de la Komintern con los medios que hoy disponemos. Para nosotros la Komintern de Lenin, Stalin, Dimitrov, y otros, y su historia debe de ser estudiada por todo marxista-leninista por su gran aportación al movimiento comunista internacional». (Equipo de Bitácora (M-L); Introducción a la obra de Shyqri Ballvora: «La importancia histórica de la Komintern en la denuncia y exposición de los revisionistas y su papel y lugar en la historia» de 1984, 4 de febrero de 2015)LEIA MAIS EM: http://bitacoramarxistaleninista.blogspot.com.br/2015/08/las-invenciones-del-thalmanniano.html17 de agosto de 2015 09:45 Revistacidadesol disse...Eu fui do PT e eles pediram impiximã de Sarney, Itamar, Collor e FHC. A cada novo escândalo de corrupção, pediam impiximã interessados em dividendos eleitoreiros. Agora apenas a classe média e alguns setores empresariais, manipulado por outro setor empresarial, pratica o que eles ensinaram.Igualmente, fizeram campanha pela moralização, mas praticaram a corrução largamente, dando ódio, pois os trabalhadores e a classe média sintam raiva, pois se sentiram traídos.
Não vi muita ligação com esse papo do Komintern e Stálin.Ninguém fez mais do que Mao pela memória de Stálin desde 56. Hoxhaísta nenhum começou nenhuma guerra popular --pelo contrário, serviram de base para a degeneraçaõ do pc do b e ainda hoje o pcr envolve-se em jogadas eleitoreiras.Não perca seu tempo, Felipe!Abs do Lúcio Jr.17 de agosto de 2015 10:06 Felipe Vasconcelos Carneiro disse...Claro que o PT está sendo vítima do moralismo burguês que pregou quando estava na oposição. Entretanto, pelo que eu saiba, o Fora Collor, o Fora FHC que o PT promovia não chegava a 1/10 em termos de movimentação do que está sendo o Fora Dilma atualmente."Ninguém fez mais do que Mao pela memória de Stálin desde 56."Essa frase é de rir pra não chorar, né Lúcio? É só dar uma lida um pouco mais atenta em algumas obras de Mao pra ver que ele divergia das posições de Lênin e Stálin em questões cruciais do marxismo-leninismo. É melhor você ler todo esse texto (que é grande) do link pra ver que Frentes Populares não são eleitoreiras e Guerras Populares podem ser aventureiras.


sábado, 15 de agosto de 2015

Uma resenha de Cuba

Uma resenha de Cuba: democracia ou ditadura? de Marta Harnecker.

A bolinha sorteada

Kafunga, um grande filósofo contemporâneo, contava que, em certa época, a Federação Mineira de Futebol havia encontrado a maneira perfeita de responder à acusação de que só escalava árbitros tendenciosos: três juízes eram pré-selecionados; um era escolhido por sorteio para apitar e os dois restantes iam para a bandeira. Toda imprensa podia ver um garoto enfiando a mão na sacolinha de pano e retirando a bolinha de madeira com o número do árbitro principal. O que ninguém via era o dirigente colocando a bolinha que seu filho iria sortear na geladeira.
O livro de Marta Harnecker pergunta: democracia ou ditadura? Eu acrescentaria ainda: socialismo ou capitalismo de estado?
Para responder estas perguntas é necessário conhecer a gênese da revolução cubana, ou melhor, como é que a bolinha do Partido Comunista Cubano foi parar na geladeira.
O mito da Revolução Cubana é muito conhecido: em 26 de julho de 53, Fidel e um punhado de companheiros tentou tomar de assalto o quartel de Moncada. Preso, foi para o exílio no México. Lá reuniu 80 homens que embarcaram no iate Granma. Foram emboscados e apenas 12 sobreviventes alcançaram a Sierra Maestra. Dois anos depois os guerrilheiros entravam em Havana.
O mito não persiste apenas no imaginário popular, ele inspirou uma geração de revolucionários por toda a América Latina. Regis Debray, um intelectual francês, deu forma teórica ao mito em seu livro “Revolução na revolução”. O próprio Che encontrou a morte na Bolívia tentando repetir a receita cubana.
Cuba era um país relativamente próspero sob Batista, apesar da grande desigualdade social e da existência de um governo corrupto e sanguinário. O grande partido de massas, de oposição, era o Partido Ortodoxo, de onde saíram os quadros que atacaram o quartel de Moncada. Seu símbolo era uma vassoura.
Os barbudos, como eram identificados os homens de Fidel, eram uns 300, ao final da luta. Do outro lado, havia o exército de Batista com 50.000 homens. Para entender como isto foi possível é preciso conhecer todas as forças envolvidas no processo.
Os estudantes tomaram parte ativa nesta luta, com suas federações. Os empregados no comércio e na indústria promoveram várias greves, inclusive a greve geral que impediu que o general indicado pelos americanos assumisse o lugar de Batista. Havia ainda o Diretório Revolucionário, que ajudou ativamente ao Che, na batalha decisiva de Las Villas e o Movimento 26 de Julho, muito amplo e abrigando várias tendências. Os camponeses tinham uma tradição de luta que vinha desde a guerra da independência. Fidel e seus homens foram acolhidos, logo depois do desembarque fracassado, por camponeses que já estavam organizados na luta contra Batista.
Pelo seu conteúdo, a revolução era essencialmente democrática burguesa. O Partido Comunista Cubano participava do governo Batista e condenou o levante armado. Apenas no final da luta, quando a balança já havia se inclinado para o lado dos rebeldes, é que eles apareceram na Sierra Maestra.
Segundo Marta Harnecker:
“Em 1959 existiam fundamentalmente três grupos revolucionários: o Movimento 26 de Julho, o Diretório Revolucionário e o Partido Socialista Popular (Partido Comunista) que agrupavam alguns milhares de militantes.”
O Partido Comunista era um grupo revolucionário que, não só não participava da revolução, como era contra ela!
“Esta longa luta começa sem que exista um partido revolucionário forte, mas contando com um líder indiscutível, Fidel Castro, que já antes do assalto ao quartel Moncada, juntamente com outros dirigentes do Movimento 26 de Julho, tinha feito sua a concepção marxista-leninista da história”. Harnecker, Marta.
Continua.

Socialismo e Democracia em Cuba

Socialismo e democracia em Cuba

Este é o primeiro de uma série de artigos que estou escrevendo para um grupo temático que estuda a Revolução Cubana.


Unidade!

Para deixar bem clara a minha posição, devo dizer que não concordo com a tese de que a democracia é um valor universal. Isso porque não se pode colocar em segundo plano o conteúdo material do governo. Além disso, as formas que pelas quais a democracia é exercida estão conformadas por uma série de circunstâncias. Eu diria, entretanto, que só pode haver socialismo com democracia.
Uma revolução só se faz com a quebra da legalidade anterior e a instauração de um governo provisório, que tratará de se institucionalizar. Em Cuba, o conteúdo da revolução era anti-imperialista e democrático-burguês. Havia o compromisso de todas as forças que se uniram contra Batista de adotar a Constituição de 1940 e colocar como presidente Urrutia, um juiz que se notabilizara por sua oposição ao ditador.
Ora, as eleições gerais e o voto universal, embora aparentemente democráticos, trazem embutidos uma série de distorções. Primeiramente o acesso à informação. A imprensa e os meios de comunicação eram controlados diretamente por Batista. O jornal Revolución, órgão oficial dos rebeldes, publicou a lista dos jornalistas que recebiam do ditador. Sem falar que os revolucionários só podiam atuar na clandestinidade, principalmente os combatentes das cidades. A grande notoriedade de Fidel se devia ao seu julgamento pelo assalto ao Quartel de Moncada e à sua atuação anterior, na juventude do Partido Ortodoxo. Neste sentido, os políticos tradicionais levavam uma grande vantagem.
Outro aspecto que deve ser levado em conta é a necessidade de se reestruturar toda a máquina do Estado. Esta máquina não é neutra, ela está montada para atender a determinados interesses de classe.  O novo poder necessitava de uma estrutura deliberativa ágil, que fosse ao mesmo tempo executivo e legislativo, para poder remontar a máquina estatal. Sem falar na criação de uma justiça revolucionária de exceção, para julgar os crimes políticos do regime de Batista.
O primeiro compromisso da Revolução era  com seu programa e o novo poder deveria acomodar dentro de si todas as forças que o apoiassem.
Não possuo elementos para dizer quais seriam as formas adequadas para contemplar estas exigências. A minha crítica se restringirá aos resultados alcançados com o poder revolucionário que se estendeu de 59 até meados da década de 70.
Primeiramente, houve o alijamento de uma série de forças que haviam participado do processo. Em relação a uma parte da burguesia cubana, este afastamento era inevitável.  Podemos caracterizar a relação entre os Estados Unidos e Cuba como neocolonialista. Com a ruptura destes laços, os interesses desta camada seriam prejudicados. A própria dinâmica de uma revolução, que traz em si um tensionamento constante, deveria deixar para trás alguns setores que não almejavam mais do que uma democracia formal, uma revolução política, mas não social.
Houve, desde o início, uma disputa entre os guerrilheiros da Sierra Maestra e os revolucionários clandestinos das cidades. Os barbudos acabaram por monopolizar o poder com o auxílio de uma terceira força, que só se havia definido pela Revolução ao final do processo, o PCC (Partido Comunista de Cuba). Fidel usou a estrutura verticalizada dos comunistas para ocupar a máquina estatal.
O discurso político da revolução cubana diz muito sobre a sua evolução. Nesta primeira etapa, em que há uma disputa de poder dentro das forças revolucionárias, a palavra de ordem que predomina é: Unidade!
Essa disputa não se deu apenas dentro do poder revolucionário. Estendeu-se também às organizações de massa, sindicatos e entidades estudantis. Nas primeiras eleições livres para a CTC (Confederação dos trabalhadores Cubanos), em 1959, os comunistas obtiveram menos de 10% dos votos. Fidel tentou a todo custo eleger uma direção em que eles tivessem uma participação maior, apelando em vão para a Unidade. Os trabalhadores, embora reconhecessem nele a liderança incontestável da revolução, elegeram uma direção que era puro Movimento 26 de Julho.
Este apelo se tornou se tornou uma constante. Cada vez que as forças revolucionárias se opunham à participação crescente dos comunistas, Fidel exigia que estas críticas cessassem, em nome da unidade.  O verdadeiro sentido desta Unidade era a aceitação incondicional da liderança carismática de Fidel e da participação cada vez maior dos comunistas.
As entidades sindicais e estudantis acabaram por serem esvaziadas. A grande liderança estudantil, Pedro Luís Boitel, exigia uma reforma universitária com autonomia e eleições livres. Em 60 foi preso e em 74 morreu na prisão, em conseqüência de uma greve de fome. Fidel colocou um comunista no Ministério do Trabalho e só muito mais tarde os sindicatos voltaram a ter uma participação importante, mas já totalmente subordinados ao governo.
Houve várias tentativas infrutíferas de fusão das forças revolucionárias, que acabaram com a criação do partido único, o PCC, cujo Comitê Central foi constituído em 65 e cujo primeiro congresso aconteceu em 75!
Quando finalmente o país ganhou uma constituição em 1976, esta, em seu preâmbulo, oficializou o mito de que a Revolução Cubana pode ser sintetizada através da luta dos guerrilheiros de Sierra Maestra, conduzidos por Fidel, sacramentando assim o resultado da disputa pelo poder. É uma das raras constituições socialistas do mundo que destaca a figura de um dirigente. Nem Lênin, nem Mao se arrogaram este privilégio. Já Kim Il-Song, da Coréia do Norte, se julgou  à altura desta honraria.
Ela também consagra o PCC como “a força dirigente superior da sociedade e do estado”. Até hoje a retórica de Fidel guarda resquícios de um humanismo, que, no seu início, tinha um viés anti-comunista. Para acomodar esta heterodoxia, declarou-se que o PCC é Martiniano e Marxista-leninista. 
continua.

Socialismo e Democracia em Cuba III

Socialismo e democracia em Cuba III

 Pátria o muerte!

No filme A chinesa, de Godard, há uma citação de Mao: “A revolução não é um banquete, não é uma obra, de arte. Ela não pode ser feita com elegância, tranqüilidade, delicadeza, amabilidade, cortesia, discrição e generosidade. A revolução é uma insurreição violenta na qual uma classe derruba a outra.”
Frases como esta costumam ser usadas para justificar os excessos cometidos em nome da revolução.  Mesmo assim, ela é verdadeira, se aplicada ao seu período inicial. É o que Marx chamava de solução plebéia. A guilhotina e o “paredón” são inevitáveis, até mesmo necessários.
Uma das peculiaridades da revolução cubana é que ela foi relativamente incruenta. Não houve uma guerra civil, não houve destruição de fábricas ou lavouras, as baixas em batalha foram poucas e praticamente toda a população apoiou os rebeldes. Quando o regime de Batista se desmantelou, o seu exército se rendia aos rebeldes mais rapidamente do que eles podiam avançar. Entretanto, houve uma repressão muito forte nas cidades, onde a resistência clandestina teve inúmeros mortos e a tortura e o assassinato eram práticas corriqueiras. Este quadro justifica o paredón, embora não explique porque o novo poder demorou quase 18 anos para dar uma nova Constituição ao país.
Fidel era a liderança incontestável da revolução, graças à visibilidade que havia adquirido com o assalto ao Quartel de Moncada e às transmissões da Rádio Rebelde. Cuba era um país relativamente próspero, com grandes desigualdades sociais e uma tradição de governantes corruptos.  No início, houve uma dualidade de poderes. Os revolucionários haviam assumido o compromisso de conservarem a Constituição de 1940 e de colocarem Urrutia, um juiz com mentalidade legalista,  à frente de um governo provisório que realizaria eleições gerais tão logo fosse possível.
O afastamento de Urrutia foi inevitável, já que o aprofundamento da revolução exigia uma série de medidas antiimperialistas e de combate às desigualdades sociais que não cabiam dentro da legalidade vigente. Inaugurou-se então o poder revolucionário.             
Os primeiros anos da revolução são anos de um voluntarismo e de um romantismo revolucionários exacerbados. Estes acabaram levando a revolução a uma radicalização desnecessária e a um estreitamento de sua base social.
Como mostramos em outro local, dentro do próprio campo das forças revolucionárias, havia uma luta pelo poder, que terminou com o predomínio dos “barbudos” e a entrega da máquina do estado ao PCC, em torno do qual se unificaram os rebeldes. Sindicatos e associações estudantis, que haviam jogado um grande peso na luta contra Batista, foram submetidos ao novo poder, que passou por cima destas instâncias.
Em 1961, logo após o episódio da Baía dos Porcos, Fidel declarou que o conteúdo da Revolução era socialista.  Segundo ele: “a revolução não tem tempo para eleições” e “não há governo mais democrático na América Latina que o governo revolucionário”.
Em relação a alguns segmentos sociais que haviam apoiado a revolução, houve um confronto desnecessário. Dos 3.000 médicos que havia em Cuba, apenas uns 1.000 permaneceram. O ensino privado e religioso foi abolido e a educação passou totalmente ao estado. No final da década de 60, as pequenas fábricas e prestadores de serviço foram nacionalizados.
O novo poder se lançou numa cruzada destinada a criação do homem novo cubano. Isto resultou numa política sectária em relação aos intelectuais, além da repressão sistemática aos homossexuais, hippies, crentes, prostitutas e toda uma série de elementos rotulados de parasitas, contra-revolucionários e anti-sociais.
A reforma agrária cubana merece um capítulo a parte. Com a existência da monocultura totalmente voltada para o mercado externo, predominava no campo o trabalho assalariado e temporário. Houve uma nacionalização das grandes propriedades, muitas das quais em mãos de americanos, com a formação de grandes cooperativas, onde os camponeses passaram a ser empregados do Estado. A pequena propriedade continuou existindo, embora toda a sua produção fosse destinada ao governo.
Logo no início dos anos sessenta, o aumento da renda e do consumo, além da ineficiência administrativa dos novos dirigentes, causaram a falta de alimentos e de vários produtos básicos, o que levou ao racionamento. Cuba optou pela adoção da libreta e a proibição do mercado livre dos gêneros racionados.
O próprio Fidel, em 1970, numa autocrítica, reconheceu que o fator subjetivo, a consciência de classe, estava muito atrasada em Cuba quando da derrubada de Batista. Isto não impediu que os revolucionários se lançassem a uma batalha completamente acima de suas forças. O novo poder tinha que ser, ao mesmo tempo, o executivo e o legislativo. A máquina de estado anterior era inútil para dirigir a nova economia. Os revolucionários precisavam administrar as fábricas nacionalizadas, mesmo sem a formação necessária.  Ao mesmo tempo, deviam enfrentar o inimigo externo, que promovia invasões e sabotagens. Internamente, num episódio pouco conhecido, teve que derrotar os rebelados da província de Escambray, que empreenderam uma guerra de guerrilhas de 60 a 66.
Franqui atribui o levante em Escambray a uma série de tropelias cometidas por Félix Torres, um membro do PCC que assumiu o governo da província. Ele prendeu e fuzilou arbitrariamente, tomou terras dos camponeses, ressuscitou o sistema de pagamento por trabalho, odiado pelos trabalhadores rurais, e, por fim, formou um harém de garotas camponesas.
Com tantos problemas, não é de se estranhar que a revolução não tivesse tempo para eleições. Isto não quer dizer que o poder não procurasse se legitimar de alguma maneira. Fidel é uma liderança carismática e, ao contrário de outros dirigentes socialistas, mantinha um contato permanente com as massas. As principais medidas do governo eram submetidas à aclamação, em grandes comícios na Praça da Revolução.
Paralelamente, havia duas instituições, as milícias e os Comitês de Defesa da Revolução, em que a população tinha voz ativa nas deliberações. Os CDR, criados em 1960 para enfrentar os inimigos internos e externos hoje abrangem 80% da população acima de 14 anos. Entretanto, a iniciativa não estava com as massas. Cabia a elas um papel passivo, de defesa das conquistas, cabendo ao governo propor os avanços a serem efetuados.
Na maioria da população, não havia uma reivindicação pela volta das eleições e de outras instituições representativas do antigo regime. A explicação está nos avanços sociais da revolução, que no primeiro momento realizou a palavra de ordem de Fidel: uma revolução dos pobres para os pobres. O poder revolucionário tinha legitimidade. Por outro lado, ainda era viva a lembrança dos vícios dos governos anteriores e de seus políticos tradicionais.
 Marta Harnecker traz este depoimento de um cubano sobre as primeiras eleições em Cuba, após a tomada do poder:

“Na época da República não era a vontade do povo que primava. Havia toda uma série de subterfúgios para fazer triunfar a vontade da minoria. Agora tudo se modificou radicalmente.
No passado, o cidadão via-se obrigado a votar por um homem que tinha convertido a função política numa profissão e que utilizava agências e aparelhos organizados por ele próprio para figurarem sempre nos boletins eleitorais.
E você sabe por que razão o voto era obrigatório? Porque sabiam que se não o faziam obrigatório ninguém votava. Não acha absurdo que quando uma pessoa tem um direito seja obrigada a exercê-lo?
E agora nas eleições do Poder Popular, sem propaganda, sem encher de pasquins os estabelecimentos, a porcentagem de votantes foi muito elevada, o que diz muito da consciência dos cidadãos.”
Antes da institucionalização do poder, com a adoção de uma Constituição e de eleições para a Assembléia Nacional, a adesão da população era mantida à base do apelo ideológico. Eram os tempos do “Patria o muerte!” A máquina estatal não estava azeitava e adotou-se uma planificação econômica arbitrária. Nas fábricas, o ganho material foi rejeitado como fator de incentivo à produção. Os dirigentes do PCC acumulavam as tarefas políticas com a administração. Os trabalhadores de vanguarda eram o modelo a ser seguido e sobre eles recaía a tarefa de conseguir as metas propostas. O descrédito com a adoção de metas irrealistas e a ineficiência dos gerentes, acabou por inibir a iniciativa dos trabalhadores e por aumentar o absenteísmo.
Marta Harnecker dá o exemplo de uma fábrica onde havia 640 trabalhadores, sendo 19 militantes e 140 trabalhadores de vanguarda. Estes recebiam como prêmio um diploma mensal (para os três mais destacados em cada oficina), além de planos de férias especiais, entradas para o teatro, além de prioridade para compraram os produtos racionados.
O apelo ideológico se traduzia em um vocabulário próprio. Quando um discurso pedindo o cumprimento de uma meta terminava com o slogan “Patria o muerte!”, isto significava que a tarefa era essencial à revolução e quem não a cumprisse seria considerado contra-revolucionário. Os contra-revolucionários eram “afetados” por todo tipo de influência nociva e o resultado da crítica e autocrítica públicas era a necessidade do criticado se “superar”.
A sovietização do cotidiano cubano foi muito além da importação dos udarniki (os trabalhadores de vanguarda). Foram criados os pioneiros, a juventude comunista, à maneira do komsomol, e a UNEAC, o equivalente cubano da União dos Escritores Soviéticos. Os CDR acabaram reproduzindo o modelo soviético de habitação coletiva, onde todos controlavam a vida de todos.   O fato de serem organizados por quarteirão facilitava este controle fino. Eu recomendo o romance Os filhos da Rua Arbat e o filme Morango e Chocolate, para ajudar a clarear o que seria este processo
Esta sovietização consolidou o caminho para um estado policial, nos moldes dos países socialistas. Uma pequena cronologia ajudará a traçar esta evolução:         
1959 – tomada do poder.
1961 – invasão da baía dos porcos e decretação do caráter socialistas da revolução. Fundação do Ministério do Interior, que abriga os órgãos de segurança do Estado.
1962 – crise dos mísseis. Fidel se ressente do papel de Krushev e Cuba se afasta ideologicamente dos soviéticos
1965 – É criado o CC do PCC.
1966 – É criada a OLAS, Organização Latino Americana de Solidariedade, que lança a palavra de ordem “criar um, dois, três Vietnãs”.
1967 – Morte do Che na Bolivia
1968 – Cuba apóia a Invasão da Tchecoeslováquia pelas tropas do pacto de Varsóvia.
1970 – Fracasso da safra de 10 milhões de toneladas de açúcar. Autocrítica de Fidel.
1971 – Prisão de Padilha e afastamento de vários intelectuais da revolução cubana.
1974 – Eleições experimentais em Matanzas
1975 – Primeiro Congresso do recriado PCC.
1976 – Aprovada a Constituição Cubana. Eleição da primeira Assembléia.
Para quem quiser conhecer em detalhes os mecanismos formais do  poder popular, recomendo este site:http://www.josemarti.com.br/man/Artigo_eleicoes_em_Cuba.pdf
O modelo cubano traz características interessantes: os candidatos não necessitam estar filiados ao PCC (não existe formalmente outro partido em Cuba). São indicados pelos próprios eleitores e podem ter o seu mandato revogado a qualquer momento. Em tese, seriam formas avançadas de democracia direta. Na prática, os candidatos não precisam nem morar na província pela qual serão eleitos e são indicados pelo PCC. As decisões de fato são tomadas por um pequeno círculo que as apresenta ao Bureau Político e depois ao CC do PCC para serem referendadas e adotadas pela Assembléia Nacional.
Resumindo: a Revolução Cubana despertou um enorme potencial revolucionário que foi malbaratado. Primeiro com a exclusão de organizações que haviam desempenhado um papel importante na revolução e com a criação artificial de um partido único, de cima para baixo. Depois com um processo voluntarista de radicalização, que tratou como inimigos importantes setores de classe e indivíduos. Mais tarde, com métodos de direção ineficientes e burocráticos, movidos a apelos ideológicos vazios. Quando finalmente se institucionalizou um poder popular, 18 anos após a queda de Batista, as massas já haviam perdido o seu ímpeto revolucionário.
As formas de democracia direta, que existem no modelo atual, não têm o menor conteúdo revolucionário. E, contraditoriamente, propostas mais avançadas de reforma do regime incluiriam a volta de antigas formas de democracia burguesa, como a liberdade partidária. Embora o regime esteja em plena marcha ré na economia, o apego de um pequeno círculo ao poder continua freando a reforma política. O que pode levar à perda definitiva da coesão social, já que a nova classe média que surge é muito permeável a influência das democracias ocidentais e as classes mais desfavorecidas correm o risco de perderem as conquistas sociais da revolução.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Análise do MNN sobre o momento atual


A classe trabalhadora precisa pensar com a mesma lógica, a lógica da luta de classes, e não se iludir com os falsários que falam, tanto e tanto, há anos, em seu nome, alimentando ilusões no parlamento burguês ou em reformas dentro da ordem do capital. A classe trabalhadora precisa exercer a sua política verdadeira, que é a resistência à extração cotidiana de mais-valia pelo capital. Mas para essa resistência e para essa política verdadeira, sem dúvida, é um fator muito positivo a saída do PT do poder. O PT, queira-se ou não, é o principal partido, para a burguesia, nessa verdadeira política, pois é o partido mais bem qualificado e preparado para manter a classe trabalhadora controlada e impotente diante do roubo cotidiano que o capital faz de sua vida. Se a burguesia tiver de afastar o PT do poder, é porque a situação chegou em um grau insustentável para sua dominação. O PT é o fiel da balança para a manutenção da ordem burguesa atual e, caso caia, será acelerada a queda de um bloqueio histórico à luta da classe trabalhadora, um bloqueio que há décadas impediu e impede a criação de uma alternativa revolucionária. Basta lembrar que há 35 anos a maioria da esquerda dita revolucionária entrou no PT em busca de um suposto atalho de construção, e saiu desse partido igual ou mais fraca do que entrou. O PT, com seu programa reformista e parlamentar, bloqueou por décadas e ainda bloqueia a esquerda e a classe trabalhadora. O afastamento do PT da presidência (mesmo que signifique sua manutenção na estrutura do governo) significa quebrar em grande medida o financiamento de sua base sindical e burocrática comprada, que se alimenta do Estado e age para paralisar a classe trabalhadora. Diminuir as verbas para as burocracias compradas é uma forma de enfraquecê-las materialmente. Enfraquecê-las tende a favorecer seu atropelo pelas lutas da classe trabalhadora que certamente virão.


Assim, se a saída de Dilma do governo não é ainda algo estratégico (no sentido da sua derrubada pelo poder autônomo e organizado da classe trabalhadora), é sem dúvida algo tático muito importante. A saída do PT do governo, ao favorecer a luta autônoma da classe trabalhadora, é hoje uma tática para acelerar o reagrupamento da esquerda revolucionária em torno de um novo projeto, ou melhor, em torno do velho projeto marxista da dualidade de poder.