quarta-feira, 29 de julho de 2015

Cristiano Alves se embana sobre Pol Pot

Cristiano Alves se embanana ao falar sobre Pol Pot e Cambodja, Veja o vídeo aqui.

Houve uma guerra entre Cambodja e Vietnã, sim, a partir de 1975. O motivo foi porque o Cambodja perdeu territórios no passado para o Vietnã e no sul do Vietnã ainda vivem pessoas de etnia Khmer. O objetivo, então, era recuperar esses territórios perdidos quando o país era ainda o império Khmer.

A partir dessa tentativa, o Vietnã passou agredir o Cambodja sistematicamente, com provocações na fronteira. Como o Cambodja era menos populoso e tinha menos armas, sofreu derrotas a partir da invasão vietnamita em 79. A solução foi proclamar a guerra popular e desocupar a capital.

Os guerrilheiros do Khmer continuaram fortes na região da fronteira da Tailândia e, durante muitos anos, a ONU ainda reconheceu o governo de Pol Pot como governo legítimo, pois não se pode reconhecer governos advindos de invasões estrangeiras, daí a suposta ajuda de Reagan e Thatcher.

A posição de Enver Hodja era possivelmente exagerada devido ao fato de que Hodja, por volta de 1975, rompeu radicalmente com o maoísmo. Enquanto Hodja ficou para trás, o maoísmo, que é o marxismo mais avançado que existe, segue em frente, inspirando movimentos vigorosos na Índia, Filipinas, Nepal, assim como até mesmo o governo da China ainda é maoísta da boca para fora.

Pol Pot e seu partido ambicionavam criar algo novo, sem seguir linha estrangeira alguma. No entanto, como boa parte da esquerda mundial nos anos 60, foram influenciados pela revolução cultural e pelo maoísmo.

O país não foi anti-marxista porque transferiu as pessoas para o campo. Isso não se resolve simplesmente recorrendo ao Manifesto Comunista, fazer isso é puro mecanicismo. E do mais grosseiro.

A ideia foi transferir as pessoas da cidade para o campo, pois as pessoas estavam todas na capital, vivendo de ajuda humanitária. E essa ajuda cessou a partir da revolução cambojana de 1975. Daí que o país transferiu as pessoas para o campo, buscando reconstruir as plantações de arroz. E há fontes que indicam que obteve sucesso.

O regime cubano aceitou a divisão internacional do trabalho proposta pelo social-imperialismo soviético, por isso não desenvolveu indústrias. Não foi nada ligado ao fato de serem jovens que não entendiam o papel da indústria.

A China interessou-se, sim, no governo de Pol Pot. O partido cambojano seguia a linha chinesa desde os anos 60, repudiando a linha vietnamita pró-soviética, que propunha que o Vietnã deveria hegemonizar a libertação do Cambodja, construindo uma federação indochinesa. Mesmo Deng Siaoping ainda chegou a atacar o Vietnã em 1979 em protesto contra a invasão do Cambodja.

Havia uma frondosa embaixada soviética na ditadura militar de Lon Nol no Cambodja, ditadura essa saída de um golpe de estado em 65, com apoio dos Estados Unidos. O golpe derrubou o governo do rei Sihanouk. Os monarquistas, por estranho que pareça, estiveram ligados ao movimento de Pol Pot. Os monarquistas eram representantes, podemos supor, da burguesia nacional.

Não consegui fontes primárias sobre isso, exceto alguns documentos em universidades americanas que pude acessar na wikipedia em inglês. Os documentos mostram a influência do maoísmo nas resoluções do partido cambojano. O programa deles era acabar com as doenças tropicais, a fome e o analfabetismo. 

O monumento existente no Cambodja foi construído pelo governo pró-vietnamita que durou de 1979 a 1991 no Cambodja. Ainda hoje há acusações de que o Vietnã influencia o governo cambojano e há tensões entre os cambojanos e os vietnamitas.

Até hoje o Khmer Vermelho é uma força no jogo político do país asiático, embora tenha virado em grande parte um partido associado ao poder e alguns de seus líderes estejam sendo alvo de um tribunal internacional, tais como Khieu Samphan.



Cuba está se integrando ao sistema capitalista mundial

Um artigo muito bom de José Gabriel Rondán explica o que se passa em Cuba:
"Como se dijo antes, después de la desintegración de la URSS, el Departamento de Estado norteamericano declaró que Cuba ya no era una prioridad para su sistema de seguridad. Sin embargo, nadie consideró necesario acabar con el ineficaz embargo. Reiteramos, Obama no ha hecho otra cosa que reconocer el fracaso de esa medida, no solo por su ineficacia sino también porque ha retrasado la incorporación de Cuba a su esfera de influencia. El fin del embargo será el principio del fin del seudo-socialismo cubano, si es que antes no lo precipitan otros factores, si las contradicciones de clase y la lucha de clases en Cuba no se agudizan hasta desencadenar una crisis política y social. Al igual que con la URSS y otros países del bloque soviético, el caso de Cuba no es el colapso del socialismo, sino el colapso del capitalismo restaurado, el colapso del capitalismo burocrático del revisionismo moderno."
Leia o artigo completo em:

terça-feira, 28 de julho de 2015

O Caminho da Índia: Notas Sobre os Naxalitas

Nessa postagem vou apenas alinhavar algumas observações sobre o movimento maoísta na Índia, observações em sua maioria lidas em inglês e não disponíveis em português.

O movimento surgiu por inspiração de Mao, nos anos 60. O filme Labirinto fala a respeito. Como os movimentos no Brasil, sofreu enormes reveses e perdas no decorrer dos anos 60 e 70. Um líder destacou-se: Kissen Ji. Ele inspirou o filme acima citado e, segundo os indianos, é comparável a Che Guevara. O termo "naxalita" refere-se a um combate e massacre acontecido em uma cidade, no período do início do movimento.

Reconstruiu-se, no entanto, em outras bases. Se antes chegava ao povo falando na rivalidade entre União Soviética e China, em política internacional, assuntos estratosféricos para pessoas de baixa instrução como camponeses ou pequenos proprietários do interior, a solução do movimento foi deslocar-se para assuntos locais.

Um exemplo: uma fábrica de Coca-Cola estava drenando toda a água dos pequenos camponeses e pequenos fazendeiros numa determinada região. Os camponeses e fazendeiros tentaram ir à justiça e chamar a polícia, mas sem sucesso algum. Sendo assim, entraram em contato com os maoístas, explodiram a fábrica e o problema foi solucionado.

Os maoístas não se prendem ao marxismo clássico. Buscam inventar sua própria teoria, tiram a teoria da prática, etc.

O sistema de polícia e justiça na Índia, como no Brasil, é caro e, como aqui, existe corrupção. Para tanto, os maoístas organizaram um sistema paralelo de justiça, bem mais rápido e gratuito, para mediar os problemas nos vilarejos e meios rurais controlados por eles.

As regiões onde os maoístas são fortes são  mais ou menos um terço do país: a região ao redor de Bengala, próxima a Bangladesh, assim como três províncias do sul e centro. Próximo a Bengala há o chamado Corredor Vermelho, região onde os maoístas são fortes e o estado quase não se faz mais presente. Na prática, o governo indiano controla Bangladesh e o movimento é muito fraco nesse país.

O movimento enraizou-se em povos nativos ou tribais, que perfazem minorias dentre o povo indiano, assim como entre os dalits (a casta mais baixa e sem direitos).

Igualmente, os maoístas se ligaram aos addivhasi, povos marginalizados e oprimidos pelo desenvolvimento econômico industrial predatório entre a passagem do governo Gandhi para Nehru.

Os addivhasi habitam a floresta de Dandakharina, a maior floresta da Índia, espalhada por três estados. O conflito começou quando madeireiras exploraram intensamente o sândalo, madeira nobre da região, culpando os povos nativos. A resistência nasceu a partir daí.

Habitualmente, os movimentos armados não matam policiais, apenas pedem que eles entreguem suas armas. Como os destacamentos em sua maioria são compostos de soldados que não querem morrer por sua classe política corrupta, raramente as tropas lutam. Igualmente, a Índia é um estado federal e há a questão de quem irá pagar os paramilitares que são enviados aos estados para combater os maoístas, se o estado ou a federação, assim como há questão da soberania de cada estado e suas leis. As tropas chegam desmotivadas, não querendo matar seus próprio povo.

Quando houve um ataque recente a uma caravana de políticos em campanha em Chattisgarh, região de floresta e da tribo addhivasi, vários políticos foram mortos, mas o povo da região vibrava, contente com a morte dos corruptos.

Os dialetos dos addivhasi nem estavam ainda registrados na forma escrita. Os maoístas encarregaram-se disso.

Ultimamente, com a Operação Caçada Verde (Green Hunt), na prática uma campanha de paramilitares para matar guerrilheiros, abriu-se a discussão em todo o país sobre se os naxalitas estão perdendo terreno e estão perdendo a guerra. No entanto, o movimento alega que não se trata de um jogo onde há uma tabela em que se contam pontos.

Outros países onde os movimentos são fortes são: Filipinas e Nepal. Há dois vilarejos na fronteira entre o Irã e o Paquistão controlados pela guerrilha maoísta. O partido comunista do Afeganistão é também, atualmente, maoísta.







segunda-feira, 27 de julho de 2015

Alejandro Padura: Um Escritor na Borderline

Alejandro Padura, escritor cubano, está com frequência visitando o Brasil e divulgando sua literatura policial, assim como seu romance histórico O Homem e Os Cachorros.


Logo quando ele passou a vir com mais frequência ao Brasil, tive acesso a um texto de Yoani Sánchez, escritora e dissidente profissional, a seu respeito: Stalinismo Vivo em Cuba. Já tratei brevemente desse texto aqui, uma vez que encontrei nele uma contradição bem ao estilo de Yoani: enquanto John Lee Anderson, num perfil para a revista Piauí, menciona que os livros de Padura estão em todo lugar na ilha, Yoani mentiu dizendo que saíram apenas uns cem exemplares. Dizer que Yoani é mentirosa  é pleonasmo. Além de que, afinal, não fez uma carreira literária ou jornalística na ilha como Padura. Ou seja: Yoani não é uma escritora cubana, é uma nulidade adotada e promovida por brasileiros tolos como Jaime Pinsky, Augusto Nunes e Eduardo Suplicy. 


Já foi notado o quanto a figura de Yoani é conveniente ao sistema em Cuba. O fato é que sua figura de dissidente pró-americana exaltada ofusca a crítica às privatizações no país, por exemplo, assim como a presença, lá, de empresas como a Odebrecht, envolvida em escândalos de corrupção ligados ao PT desde os anos 90. Além do que, segundo  a própria Dilma, a Odebrecht opera com capitais holandeses. Alguém que sabe o beabá do marxismo sabe que os capitais estrangeiros, ao serem exportados, vão para as regiões produtoras de matérias-primas, ou seja, das metrópoles para as colônias ou semi-colônias. Isso configura um processo colonial de exploração. Daí que fica bem mais complexo explicar porque o "socialismo" cubano aceita isso --a menos que seja um falso socialismo, um revisionismo onde de fato há avanços democráticos, mas pouca ou nenhuma construção socialista efetiva.

Aqui, Padura fez sucesso de Frank Sinatra, encontrando-se com Dilma e Lula e sido elogiado pelo escritor fascista (ele chega a usar pseudônimos como Guerreiro do Sigma, utilizando um sigma do integralismo brasileiro) Olavo de Carvalho. Ou seja, como escritor que trabalha sempre na fronteira, ora como dissidente político, ora com escritor que vive em Cuba e apenas critica de leve o regime, adquire ampla aceitação, tendo feito sucesso nos dois lados do espectro político.


Vendo suas entrevistas, verifiquei que Padura tem a pretensão, além de ficcionista, de que os fatos narrados em seu livro sobre Trotsky sejam verdade, afinal ele diz ter feito pesquisas em Moscou. No entanto, mesmo em uma simples entrevista para outra encontramos contradições. Ele diz que na juventude, apenas dispunha de dois livros sobre Trotsky: Trotsky Traidor e Trotsky Inimigo do Comunismo. Em outro momento, em outra entrevista, afirma que os livros de que dispunha em Cuba pulavam a morte de Trotsky, como se ele tivesse subido aos céus --e por isso, também, Padura teria escrito esse romance histórico que, esse sim, parece realmente colocar Trotsky --cada vez mais comprovadamente, em termos históricos, um traidor e um disseminador de uma doutrina que destrói o comunismo, conforme estou verificando em minha tradução do texto do professor Grover Furr, Evidências da Colaboração de Trotsky com os Nazis e Japoneses --no céu.


Igualmente, Padura aproveita a ligação entre Jacson Monard e Cuba (ele viveu um tempo lá, depois de cumprir sua pena no México) para fazer um ataque mais generalizado ao socialismo e ao comunismo em Cuba e na URSS.

No fluxo de resenhas favoráveis a Padura, lançadas quando o livro O Homem e os Cachorros saiu, uma delas dizia que não se sabia da morte de Trotsky na URSS em 1940, pois "quase nada saiu". Falso! A morte de Trotsky saiu no editorial do jornal Pravda. O editorial foi revisado pelo próprio Stálin. O documento está disponível na web, traduzido em língua portuguesa e chama-se a morte de um espião internacional. O documento tem anotações do próprio Stálin, realizadas durante sua redação. As anotações confirmam o que se pode ler também em outras fontes, como um telegrama de Trotsky para o Comitê Central em 36, coligido por Grover Furr: mesmo na esfera privada, Stálin acreditava que Trotsky era culpado.


Obviamente, poderemos navegar pelas 400 páginas de Padura sem nunca sonhar com informações ou documentos como esse. Para esse tipo de livro, ainda vale o que dizia o grande Oswald de Andrade: NÃO LI E NÃO GOSTEI.


Padura insiste na teoria de que Jacson Monard, para ele Ramon Mercader, teria sido treinado na URSS por um agente da família Eitingon, família da qual levantou uma história mirabolante. Mas e o Jacson Monard histórico, o que dizia em sua defesa? Vamos dar voz a ele, citado por Harpal Bar em Trotsquismo x Leninismo:


"Trotsky estava querendo mandar-me para a Rússia,com o objetivo de organizar um novo estado de coisas na URSS...Nossa missão era produzir a desmoralização no Exército Vermelho,cometendo diferentes atos de sabotagem em indústria de armamentos e outras fábricas (...). Em lugar de encontrar-me frente a frente com um chefe político que estava dirigindo e luta pela libertação da classe operária, vi-me diante de um homem que desejava nada mais do que satisfazer suas necessidades e desejo de vingança e de ódio e que não utilizava a luta dos operários para nada mais do que um meio de esconder sua própria ligação, insignificância e seus cálculos desprezíveis...em relação a sua casa,que ele me disse muito acertadamente ter sido convertida em um fortaleza. Eu me perguntei muitas vezes de onde tinha vindo o dinheiro para tal trabalho...Talvez o Cônsul de uma grande nação estrangeira que muitas vezes visitou-o nos possa responder essa pergunta...
Foi Trotsky que destruiu minha natureza,meu futuro e todas as minhas afeições. Ele converteu-me em um homem sem nome, em um instrumento de Trotsky - Trotsky esmagou-me em suas mãos como se eu fosse de papel." 

A fala de Jacson converge com o que foi escrito no Pravda: Trotsky foi assassinado por um de seus colaboradores. Saiba mais aqui. Padura chega a admitir a hipótese de que Trotsky foi assassinado numa operação dirigida pessoalmente por Stálin, assim como insinuou que o fato de Trotsky ser judeu foi um elemento motivador de seu assassinato. 


O que o professor Grover Furr levantou foi que Sudoplatov, ex-agente do comitê de segurança pública (NKVD), escreveu suas memórias ao tempo de Yeltsin e admitiu que existia uma operação anti-trotsquista no México. No entanto, mesmo escrevendo depois do fim da URSS, mesmo tendo ficado anos na prisão na URSS, ainda escreve, nos anos 90, certo de que Trotsky estava colaborando com os nazis --e daí a razão de seu assassinato.

Em resenha recente, Manoel Urbano Rodrigues, ligado ao PCB, verificou com espanto a audácia de Padura no romance ao colocar arrependimento na boca de Trotsky no que diz respeito à repressão contra a base de Kronstadt. Em Muito Barulho por Kronstadt, artigo de Trotsky, ele repudiou violentamente os que o cobravam pela repressão na base: chamou-os uma frente de delatores. Igualmente, chamou nesse artigo os marinheiros da base de algo como "coxinhas", ou seja, pequenos-burgueses mimados, escória, gente mais preocupada com o topete ou a calça boca-de-sino do que com qualquer coisa consequente em termos de política. Outro crítico, do jornal Sul 21, observou com espanto o sucesso do estilo prolixo e cafona de Padura. Sucesso obtido num romance de 400 páginas...

Os espantos não param por aí. Padura é muito mimado pela mídia por ser dissidente enrustido de regime de Fidel Castro e teve um vídeo de sua participação no Roda Viva viralizado por petistas em defesa de Cuba, apenas porque rebateu uma jornalista da revista Veja que comentou sobre a fome em Cuba e foi desmentida por Padura. No perfil para a revista Piauí, Padura vitimizava-se, dizendo-se isolado em Cuba. No entanto, verifiquei que ele tem twitter. Nesse twitter, ele chama a Interpresse, site de Cuba, de cachorros de Mercader, numa aparente crítica. Ao verificar o site, notei que há artigos ali falando bem...do próprio Padura!

Igualmente, Padura insiste em que Trotsky desapareceu das fotografias na URSS. Essa hipótese desse tipo de falsificação foi examinada por meu amigo Icaro Alves. Esse tipo de pressuposição vai de encontro ao que o próprio Padura fala: ele admite que em Cuba existia UMA DETERMINADA NARRATIVA sobre Trotsky. E uma narrativa que o apontava como traidor. Ele não foi apagado da história --foi apontado como inimigo.

Minha aposta é que o falastrão e carreirista Padura deixou de lado qualquer pesquisa histórica em prol de uma boa narrativa convincente e vendável. Para Padura, Trotsky e Mercader eram fanáticos, mas Stálin era um psicopata. Se Trotsky é fanático, Stálin psicopata, Padura é praticante da duplicidade política, é personalidade fronteiriça, Alejandro FATURA na borderline. Padura segue a cartilha dos vendilhões e escreve pensando no mercado, sim. É como diz ia George Orwell, material antistalinista é sempre muito vendável.




                                         Padura para Lula: "sou grato pelo que você fez pelo país"

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Zizek X Molly Klein: seria Zizek antissemita?

Slavoj Zizek, filósofo esloveno, está sendo acusado pela ativista Molly Klein, ligada ao Left Forum, nos Estados Unidos, de antissemita, dentre outras acusações.


Klein, Jacob Levich e outros intelectuais levantaram o passado de Zizek na ex-Iugoslávia. Nos anos 80, ele era parte de um grupo dissidente dentro do partido "comunista" da Eslovênia. O jornal Tribuna, periódico oficial do partido, publicou, em 1988, o polêmico texto Protocolos dos Sábios de Sião, famosa falsificação antissemita que inspirou Hitler e que permanecia, desde 1934, inédito na Iugoslávia. Não apareceu outra justificativa para a publicação do texto, comprovadamente não escrito por sábios de Sião, a não ser a de estimular o antissemitismo. Segundo Klein, Zizek e seu grupo defenderam-se dizendo que aqueles judeus que conspiravam mundialmente, na verdade, eram uma metáfora dos "comunistas" iugoslavos. O texto seria, então, uma crítica ao governo e não um verdadeiro ato antissemita.


Alguns episódios semelhantes, entre os quais um que Zizek conta, parecem ter consolidado o prestígio de Zizek como contestador do falso regime comunista da Iugoslávia, na verdade já em decomposição desde os anos 40. Um desses episódios Zizek mesmo conta, quando menciona que um grupo de estudantes fez um cartaz para um evento da juventude do partido, venceu a disputa e, a seguir, denunciou que tinha copiado o cartaz de um antigo cartaz nazista. Isso liga-se ao discurso que Zizek desenvolve até hoje: ele se diz "stalinista e fascista", assim como aproxima os jacobinos e Hitler para chocar, vendo também "comunismo" no Anel dos Nibelungos de Wagner. Para Zizek, o problema com Hitler seria que ele "não foi violento bastante". Para ele, violência seria "força para mudar as coisas". Gandhi, nessa conceituação, seria mais violento do que Hitler.


Segundo Klein, na verdade o projeto de Zizek não é comunista e sim anticomunista e pró-americano. Ele aparenta até mesmo ser "stalinista", mas é uma farsa, evidentemente. Sua intenção é produzir confusão na esquerda. Seu grupo atual, segundo ela, pretende tornar as posturas reacionárias algo subversivo e chique, o máximo da contestação. Tanto que ele assevera em vídeo recente que o máximo do totalitarismo é o politicamente correto, numa posição em que converge com besteiras ditas por um Luiz Felipe Pondé, que associa politicamente correto e fascismo.


Zizek --chamado ironicamente de Zizney segundo Molly Klein -continou sendo um dissidente influente e apoiou a banda Laibach quando ela passou a usar iconografia neonazista em suas apresentações. Igualmente, Laibach é o nome da cidade de Liubliana sob a invasão nazista. Zizek participou ativamente do movimento artístico Neue Skolovenski Kunst (nova arte eslovena, em alemão). Sua argumentação é que é preciso "sobreidentificar-se" ao sistema para combatê-lo, o caminho não seria o distanciamento crítico marxista. Segundo Klein, Levich e outros críticos, sua "superidentificação" seria com o nazismo, o reacionarismo, o racismo, a heteronormatividade, etc.


Laibach é uma banda que faz declarações de esquerda, mas um de seus videoclipes, dos anos 90, é bem claramente antistalinista.


Não há evidências de que Zizek tenha pessoalmente decidido a publicação do texto. No entanto, Klein observou que a fala de Zizek na eleição em que participou como candidato nos anos 90 traz uma fala muito semelhante ao texto dos Protocolos. Zizek, fazendo discurso anti-comunista no Partido Democrata Liberal, mencionava que "chega de ser objeto da fantasia dos outros, desses vampiros". E a seguir associa os vampiros aos partisans, ou seja, aos falsos comunistas iugoslavos. Originalmente, porém, essa retórica servia para atacar os judeus, no contexto dos Protocolos dos Sábios de Sião. Igualmente, Zizek defendia privatizar mais abertamente do que fazia o falso governo comunista da Iugoslávia.



Na revista Mladina, do partido Democrata Liberal, Zizek, nos anos 90, fez parte de um grupo que defendia supostamente os direitos humanos, mas na prática, advogou a secessão violenta da Iugoslávia. Essa secessão foi seguida de uma faxina étnica de muçulmanos, dentre outros casos de suicídio de pessoas de outras etnias. Zizek nunca mencionou isso. Lá, junto à sua esposa Renata Salecj, segundo Klein, o grupo elaborou uma argumentação para suscitar a invasão norte-americana em apoio da secessão iugoslava. Os eslovenos foram apresentados como os novos judeus e os nazistas seriam os sérvios. 

Recentemente, a acusação de antissemita foi rebatida por Zizek em artigo para o jornal The Guardian.


terça-feira, 23 de junho de 2015

Carta a Fábio Melo sobre a revolução democrática

Caro Fábio Melo:

Vendo o vídeo de vocês do Grupo Cipriano Barata sobre Eduardo Galeano, acho necessário, especialmente, pontuar essa questão do capitalismo burocrático.

Quando você levanta a problemática, Fábio, da necessidade de uma revolução democrática no Brasil, antes da revolução socialista, assumindo o caráter dessa revolução enquanto nacionalista, você coloca um problema da maior importância.

Essa revolução democrática é necessária, mas não acontecerá via processo eleitoral e, uma vez ocorrida, tenderá fortemente ao socialismo. Ela será motivada por um processo composto de greves, paralisações, ocupações de prédios públicos, invasões de terra, etc, um processo insurrecional. Muitos junhos vindo para completar junho de 2013.

O capitalismo brasileiro surgiu como modo de produção a dividir espaços com o feudalismo, posso supor, justamente no período que aconteceu o que você e Rafael Freitas chamam de "contrarrevolução" de 1888, ou seja, a abolição da escravidão. A análise que vocês fazem sofre de um certo anacronismo. A transformação que levou à abolição, naquela época, estava sim acontecendo um período de revolução das relações de produção, tanto que a monarquia, herança do feudalismo português, desmoronou logo em seguida, pois sua base social, os latifundiários do Vale do Ribeira no Rio de Janeiro, retiraram seu apoio e entraram em crise. O surgimento do capitalismo burocrático, impulsionado pela transformação do capitalismo inglês em imperialismo, motivou, mesmo aqui na periferia, o desabamento de algumas estruturas feudais e pré-feudais, ou seja, escravistas. 

Uma contrarrevolução propriamente seria o golpe de 64, na verdade direcionado contra os reformistas. Se uma reforma ameaça o capitalismo burocrático, ela é barrada. Esse capitalismo burocrático pode existir tanto na variedade neoliberal (como no Brasil) ou quanto na variedade que pratica estatizações e prega discurso nacionalista quando é conveniente (Venezuela de Chávez, Bolívia de Maduro). 

Os golpes de estado como os de 2002 na Venezuela e de 64 no Brasil surgem no reajeitamento entre os vários setores da burguesia. A partir de 64 foi tomado justamente o caminho do desenvolvimento econômico associado ao imperialismo. O varguismo foi varrido pela ditadura, pois trazia junto de si setores ligados a uma burguesia nacional e setores da burguesia burocrática que desejam um projeto mais ligado ao estado nacional, que ambicionam, se for necessário, interferir mais no estado, fazer estatizações, usar discurso nacionalista.

A ditadura militar reajustou a disputa entre PTB/PSD e UDN para MDB (burguesia burocrática) e Arena (burguesia exportadora). A divisão prosseguiu: depois foi o PMDB e o PDS que representaram esses setores, agora é o PT/PMDB e PSDB/DEMO.

Desde 1980 em diante, estamos vendo o desmoronar e a ruína do capitalismo burocrático. O imperialismo causa distúrbios em nível mundial, demanda tempo para reconstruir-se, depois volta a causar. O desmoronamento do capitalismo burocrático parece estar acelerado, indo de Mali até o Afeganistão, para não falar de Haiti, Paraguai, Honduras, Venezuela, Bolívia, Argentina, etc. Desmoronando o capitalismo burocrático, ele levará o resto do sistema junto.

Se no passado colonial o modo de produção brasileiro era externamente feudal e internamente escravista, a partir do final do século XIX passou a externamente capitalismo burocrático e internamente semicolonial e semifeudal.

A expansão do capitalismo burocrático, impulsionado pela transformação do capitalismo inglês em imperialismo teve, aqui e ali isoladamente, alguns elementos progressistas como o capitalismo costuma ter nos paísese e desenvolvidos, como demonstram o fim da escravidão e o surgimento da república. Não à toa aquele período presenciou nossa primeira ditadura militar. Ela surgiu com Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, um coágulo histórico surgido justamente para evitar a aceleração das reformas a ponto de por em perigo o sistema como um todo. O sistema voltou a ter estabilidade no início do século XX, quando o setor exportador da burguesia de São Paulo e Minas consolidou um sistema republicano oligárquico-latifundiário. Dentro dos países imperialistas, os países mais ricos tendem também a predar os mais fracos, como acontece entre Alemanha e Grécia.

O setor burocrático, desenvolvido primeiramente graças ao Barão de Mauá, demonstrou o caráter do capitalismo no Brasil: nascido das inversões financeiras do latifúndio, está umbilicalmente ligado a ele, tanto que o empresário do império é um nobre, ou seja, dono de terras. Sua busca é de ajudar o latifúndio a modernizar-se. O Brasil vê-se diante do dilema posto por Lênin para o latifúndio: ou ele segue o modelo americano e o vê desaparecer numa guerra civil ou continua no modelo alemão, dos junkers, onde o latifúndio é modernizado e prossegue infinitamente. O latifúndio, no entanto, historicamente está doente desde sempre. A maior contradição interna do Brasil é entre o latifúndio -- que em tese a burguesia deveria abolir para liberar forças produtivas e criar uma pequena burguesia rural que daria amplo suporte ao regime --e o caráter atrasado e impulsionado de fora do nosso capitalismo. A externa é entre a nação brasileira e o imperialismo.

Parece-me que Vargas, como o nosso social-democrata mais evoluído, ficou no meio do caminho e não pode fazer a revolução democrática a partir de 30, que foi o momento em que a burguesia burocrática efetivamente tomou o poder no estado, mais do que simplesmente tornar-se o modo de produção dominante. Ele recuou diante do dilema da social-democracia no país: para completar a revolução democrática é preciso fazer uma guerra civil, uma guerra popular e isso o social-democrata não quer. Por isso Vargas deixa os latifundiários continuarem apesar de 32, por isso ele fecha o regime em 37 e por isso os reformistas varguistas são expulsos do estado em 64. 

"O país vai bem, mas o povo vai mal" é a frase-chave daquilo que Florestan Fernandes chamou de capitalismo selvagem. Ele não se civiliza, não vai se reformar. Não seremos jamais uma Noruega ensolarada. Ou seremos subcapitalistas ou socialistas. Ser subcapitalista não quer dizer ser estagnado economicamente. Significa que sempre teremos contradições como as atuais, em que o contexto do Nordeste e Norte é "oriental" e de São Paulo e Rio Grande, "ocidental", assim como os horrores como fome, analfabetismo, etc. 

Não há lugar no sistema internacional para que o Brasil torne-se um país imperialista. Para cada país imperialista, outro recai no capitalismo burocrático. Precisaríamos, para tornarmo-nos um país imperialista, simplesmente de derrotar militarmente e subjugar economicamente Estados Unidos e Europa. O Brasil só se tornará completamente uma nação para si e deixará de ser uma empresa para os outros num processo socialista.

Numa revolução de nova democracia, serão desenvolvidos ao mesmo tempo o capitalismo nacional (pequenas e médias empresas), capiutalismo esse atualmente atrofiado pelo imperialismo e o socialismo (com estatização das multinacionais e o fim do latifúndio).

A especificidade mais dramática do Brasil é, creio eu, a reprodução interna do sistema capitalista de dominação entre as regiões brasileiras. Sendo assim, São Paulo tende a tensionar com o Nordeste, pois São Paulo explora o Nordeste de forma análoga àquela como os Estados Unidos explora o Brasil.

Essa discussão sobre o semifeudalismo levantada por Freitas, que tem por estofo Mariátegui, Sodré e a historiografia revisionista brasileira não tem razão de ser. O Brasil é semifeudal e isso não é eurocentrismo, como fez a crítica falsamente descolonizada da academia. Foi a colonização que exportou para nós as relações de produção europeias. E pior: exportou um modo de produção mais atrasado. Enquanto Portugal vivia o feudalismo, ele exportou para nós o escravismo.

Assim sendo, o profeta é Guzmán. Os próximos trinta anos serão de desmoronamento do sistema imperialista. Ele não cairá de maduro e nem sozinho. Precisamos sempre dar um empurrãozinho. Contamos com vocês! Abraços!





terça-feira, 9 de junho de 2015

Viva o marxismo-leninismo-maoismo

Introdução


Em 1984 foi fundado o Movimento Revolucionário Internacionalista, agrupando os núcleos de revolucionários maoistas de todo o mundo que estavam determinados a fazer avançar a luta por um mundo sem exploração e opressão, sem imperialismo, um mundo em que a própria divisão da sociedade em classes será superada - o mundo comunista do futuro. Desde a formação do nosso Movimento temos continuado a avançar e hoje, por ocasião do Centenário de Mao Tsétung, com um profundo sentido das nossas responsabilidades, declaramos ao proletariado internacional e às massas oprimidas do mundo inteiro que a ideologia que nos guia é o Marxismo-Leninismo-Maoismo.
O nosso Movimento foi fundado com base na Declaração do Movimento Revolucionário Internacionalista, adoptada pela II Conferência de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas em 1984. A Declaração defende a ideologia revolucionária do proletariado, e, com base nela, aborda, de uma forma correcta quanto ao essencial, as tarefas dos comunistas revolucionários, quer nos diferentes países quer à escala mundial, a história do movimento comunista internacional e várias outras questões vitais. Reafirmamos hoje que a Declaração é a base sólida do nosso Movimento sobre a qual estamos a clarificar e a compreender mais profundamente a nossa ideologia, bem como a edificar a mais sólida unidade do nosso Movimento.
Declaração salienta correctamente "o desenvolvimento qualitativo da ciência do Marxismo-Leninismo levado a cabo por Mao Tsétung" e afirma que ele a elevou a "um novo estádio". Contudo, a utilização da expressão "Marxismo-Leninismo-Pensamento Mao Tsétung" na nossa Declaração reflectia uma compreensão ainda incompleta deste novo estádio. Nos últimos nove anos, o nosso Movimento empenhou-se numa longa, rica e firme discussão e luta por uma mais completa compreensão do desenvolvimento do Marxismo por Mao Tsétung. Durante este mesmo período, os partidos e organizações do nosso Movimento, e o MRI como um todo, estiveram empenhados na luta revolucionária contra o imperialismo e a reacção. De máxima importância, tem sido a experiência de vanguarda da Guerra Popular dirigida pelo Partido Comunista do Peru, que logrou mobilizar milhões de elementos das massas, varrendo o Estado em muitas partes do país e estabelecendo nessas zonas o Poder dos operários e camponeses. Estes avanços, na teoria e na prática, permitiram-nos aprofundar ainda mais a nossa compreensão da ideologia do proletariado e, nessa base, dar um passo de grandes consequências, o reconhecimento do Marxismo-Leninismo-Maoismo como o novo, terceiro e superior estádio do Marxismo.
Novo, Terceiro e Superior Estádio do Marxismo
Mao Tsétung elaborou muitas teses sobre toda uma série de questões vitais para a Revolução. Mas o Maoismo não se resume à soma de todas as grandes contribuições de Mao. É o desenvolvimento global e multifacetado do Marxismo-Leninismo a um novo e superior estádio. O Marxismo-Leninismo-Maoismo é um todo integral; é a ideologia do proletariado sintetizada e desenvolvida a novos estádios, de Marxismo a Marxismo-Leninismo e a Marxismo-Leninismo-Maoismo, por Karl Marx, V.I. Lenine e Mao Tsétung, com base na experiência do proletariado e da humanidade na luta de classes e na luta pela produção e pela experimentação científica. É a arma invencível que permite ao proletariado compreender o mundo e transformá-lo através da Revolução. O Marxismo-Leninismo-Maoismo é uma ideologia aplicável universalmente, viva e científica, em constante evolução e sendo sempre enriquecida através da sua aplicação ao acto de fazer a Revolução, bem como através do avanço do conhecimento humano em geral. O Marxismo-Leninismo-Maoismo é o inimigo de todas as formas de revisionismo e de dogmatismo. É todo-poderoso porque é verdadeiro.
Karl Marx
Karl Marx foi quem primeiro desenvolveu o comunismo revolucionário há quase 150 anos. Com a colaboração do seu íntimo camarada-de-armas Friedrich Engels, desenvolveu um sistema filosófico global, o materialismo dialéctico, e descobriu as leis básicas que definem o curso da História da Humanidade.
Marx desenvolveu uma ciência da economia política que revelava a exploração do proletariado e a inerente anarquia e as contradições do modo de produção capitalista. Karl Marx desenvolveu a sua teoria revolucionária em ligação estreita e ao serviço da luta de classe do proletariado internacional. Formou a I Internacional e escreveu, com Engels, o Manifesto Comunista, com o seu apelo de grande repercussão, "Operários de todos os países, uni-vos!". Marx dedicou grande atenção à Comuna de Paris de 1871, a primeira grande tentativa do proletariado para tomar o Poder, e sintetizou as suas lições.
Armou o proletariado internacional com uma compreensão da sua missão histórica: tomar o Poder político através da Revolução e utilizar esse Poder - a ditadura do proletariado - para transformar as condições sociais, até que seja eliminada a própria base em que assenta a divisão da sociedade em diferentes classes.
Marx dirigiu a luta contra os oportunistas que no movimento proletário procuravam limitar a luta dos operários à melhoria das condições da escravidão assalariada sem pôr em causa a própria existência dessa escravidão.
Ao conjunto das posições, do ponto de vista e do método de Marx, veio a chamar-se Marxismo, o qual representa o primeiro grande marco no desenvolvimento da ideologia do proletariado.
V.I. Lenine
V.I. Lenine desenvolveu o Marxismo a um estádio completamente novo, no decurso da sua liderança do movimento revolucionário do proletariado na Rússia e da luta no movimento comunista internacional contra o revisionismo.
Entre muitas outras contribuições, Lenine analisou o desenvolvimento do capitalismo ao seu estádio superior e final, o imperialismo. Mostrou que o mundo estava dividido entre uma mão-cheia de potências imperialistas e uma grande maioria, os povos e nações oprimidas, e mostrou que as potências imperialistas seriam forçadas a entrar periodicamente em guerra para redividir o mundo entre si. Lenine descreveu a era em que vivemos como a era do imperialismo e da Revolução proletária. Lenine desenvolveu um partido político de tipo novo, o Partido Comunista, como a ferramenta indispensável do proletariado para dirigir as massas revolucionárias na tomada do Poder.
Mais importante ainda, Lenine elevou a teoria e a prática da Revolução proletária a um nível completamente novo, ao dirigir pela primeira vez o proletariado na tomada e na consolidação do seu Poder político, a sua ditadura revolucionária, com a vitória da Revolução de Outubro na antiga Rússia czarista, em 1917.
Lenine travou uma luta de vida e morte contra os revisionistas do seu tempo dentro da II Internacional, que tinham traído a Revolução proletária e que apelavam aos trabalhadores para defender os interesses dos seus amos imperialistas na I Guerra Mundial.
Os "canhões de Outubro" e a luta de Lenine contra o revisionismo expandiram ainda mais o movimento comunista por todo o mundo, unindo as lutas dos povos oprimidos à Revolução proletária mundial e dando origem à III Internacional (ou Internacional Comunista).
O desenvolvimento global e multifacetado do Marxismo por Lenine representa o segundo grande salto no desenvolvimento da ideologia do proletariado.
Após a morte de Lenine, José Estaline defendeu a ditadura do proletariado contra os inimigos internos, bem como dos invasores imperialistas durante a II Guerra Mundial, e fez avançar a causa da construção e da transformação socialistas na União Soviética. Estaline lutou para que o movimento comunista internacional reconhecesse o Marxismo-Leninismo como o segundo grande marco no desenvolvimento da ideologia do proletariado.
Mao Tsétung
Mao Tsétung elevou o Marxismo-Leninismo a um novo e superior estádio, no decurso das suas muitas décadas de liderança da Revolução Chinesa, da luta internacional contra o revisionismo moderno e, acima de tudo, na descoberta, na teoria e na prática, do método da continuação da Revolução sob a ditadura do proletariado para prevenir a restauração do capitalismo e continuar o avanço rumo ao comunismo. Mao Tsétung desenvolveu de forma significativa todas as três componentes do Marxismo - filosofia, economia política e socialismo científico.
Mao disse: "O Poder político está na ponta da espingarda". Mao Tsétung desenvolveu de uma forma global a ciência militar do proletariado, através da sua teoria e prática da Guerra Popular. Mao ensinou-nos que é o Povo, e não as armas, que são decisivas na guerra. Assinalou que cada classe tem as suas próprias formas específicas de fazer a guerra, com o seu carácter, objectivos e meios específicos. Observou que toda a lógica militar pode ser reduzida ao princípio "vocês combatem à vossa maneira, nós combatemos à nossa", e que o proletariado deve forjar uma estratégia e uma táctica militares que possam jogar com as suas vantagens particulares, incentivando e confiando na iniciativa e no entusiasmo das massas revolucionárias.
Mao demonstrou que a política de conquistar bases de apoio e de estabelecer o Poder político de uma forma sistemática era indispensável para incentivar as massas e desenvolver a força militar do Povo e a expansão por vagas do seu Poder político. Insistiu na necessidade de dirigir as massas na realização de mudanças revolucionárias nas bases de apoio e na necessidade de as desenvolver política, económica e culturalmente ao serviço do avanço da guerra revolucionária.
Mao ensinou-nos que o Partido deve controlar a espingarda e que nunca deveria ser permitido que a espingarda controle o Partido. O Partido deve ser erigido como um meio capaz de iniciar e dirigir a guerra revolucionária. Salientou que a tarefa central da Revolução é a tomada do Poder político através da violência revolucionária. A teoria da Guerra Popular de Mao Tsétung é universalmente aplicável em todos os países, embora deva ser aplicada às condições concretas de cada país e, em particular, ter em conta as vias revolucionárias nos dois principais tipos de países que existem no mundo de hoje - países imperialistas e países oprimidos.
Mao resolveu o problema de como fazer a Revolução num país dominado pelo imperialismo. O caminho básico por ele traçado para a Revolução na China representa um contributo inestimável para a teoria e a prática da Revolução e é o guia para conseguir a libertação nos países oprimidos pelo imperialismo. Isto significa Guerra Popular prolongada, rodear as cidades a partir do campo, com a luta armada como a principal forma de luta e o Exército dirigido pelo Partido como a principal forma de organização das massas, mobilizar o campesinato, principalmente os camponeses pobres, levando a cabo a Revolução Agrária; construir uma Frente Única sob a liderança do Partido Comunista para levar a cabo a Revolução da Democracia Nova contra o imperialismo, o feudalismo e o capitalismo burocrático, e estabelecer a ditadura conjunta das classes revolucionárias dirigidas pelo proletariado como o prelúdio necessário à Revolução Socialista que deve seguir-se imediatamente à vitória da primeira etapa da Revolução. Mao avançou a tese das "três armas mágicas" - o Partido, o Exército e a Frente Única -, instrumentos indispensáveis para fazer a Revolução em cada país, de acordo com as suas condições e a sua via revolucionária específicas.
Mao Tsétung desenvolveu de forma significativa a filosofia do proletariado, o materialismo dialéctico. Em particular, salientou que a lei da contradição, a unidade e luta dos contrários, é a lei fundamental que rege a Natureza e a sociedade. Assinalou que a unidade e identidade de todas as coisas é temporária e relativa, enquanto que a luta entre os contrários é constante e absoluta, e que isso dá origem a rupturas radicais e saltos revolucionários. Aplicou magistralmente esta concepção à análise da relação entre teoria e prática, salientando que a prática é simultaneamente a única fonte e o derradeiro critério da verdade, e dando ênfase ao salto da teoria para a prática revolucionárias. Ao fazê-lo, Mao desenvolveu ainda mais a teoria proletária do conhecimento. Encabeçou o movimento para levar a filosofia a milhões de elementos das massas, popularizando, por exemplo, que "um divide-se em dois" por oposição ao conceito revisionista "dois combinam-se em um".
Mao Tsétung alargou a compreensão do conceito de que "o Povo e só o Povo é a força-motriz da história mundial". Desenvolveu a compreensão da linha de massas: "recolher as ideias das massas (ideias dispersas e não sistematizadas) e concentrá-las (torná-las em ideias concentradas e sistematizadas através do estudo), voltar depois às massas e propagar e explicar essas ideias até que as massas as abracem como suas, perseverem nelas e as traduzam em acções, testando nessas acções a justeza dessas ideias". Mao salientou a profunda verdade de que a matéria pode ser transformada em consciência e a consciência em matéria, aumentando a compreensão do papel dinâmico consciente do Homem em cada um dos campos da actividade humana.
Mao Tsétung dirigiu a luta internacional contra o revisionismo moderno encabeçado pelos revisionistas khruchtchovistas. Defendeu a linha política e ideológica comunista contra os revisionistas modernos e apelou aos genuínos revolucionários proletários a romper com eles e a forjar Partidos baseados em princípios marxistas-leninistas-maoistas.
Mao Tsétung levou a cabo uma profunda análise das lições da restauração do capitalismo na URSS e das deficiências bem como dos êxitos da construção do socialismo nesse país. Embora Mao defendesse as grandes contribuições de Estaline, também sintetizou os erros de Estaline. Sintetizou a experiência da Revolução Socialista na China e das reiteradas lutas entre as duas linhas contra o quartel-general revisionista dentro do Partido Comunista da China. Mao aplicou magistralmente a dialéctica materialista à análise das contradições da sociedade socialista.
Mao ensinou-nos que o Partido deve tomar a posição de vanguarda - antes, durante e depois da tomada do Poder - na liderança do proletariado na luta histórica pelo comunismo. Aumentou a compreensão do modo de preservar o carácter revolucionário proletário do Partido através da luta ideológica activa contra as influências burguesas e pequeno-burguesas nas suas fileiras, da educação ideológica dos membros do Partido, da crítica e autocrítica e da luta entre as duas linhas contra as linhas oportunistas e revisionistas no Partido. Mao ensinou-nos que assim que o proletariado toma o Poder e que o Partido se torna na principal força dentro do Estado Socialista, a contradição entre o Partido e as massas converte-se na expressão concentrada das contradições que caracterizam a sociedade socialista como sociedade de transição entre o capitalismo e o comunismo.
Mao Tsétung desenvolveu o conhecimento do proletariado de economia política, do papel contraditório e dinâmico da própria produção e da inter-relação desta com a superestrutura política e ideológica da sociedade. Mao ensinou-nos que o sistema de propriedade é decisivo nas relações de produção mas que, no socialismo, deve-se prestar atenção a que a propriedade pública seja socialista tanto no conteúdo como na forma. Salientou a interacção entre o sistema socialista de propriedade e os outros dois aspectos das relações de produção, as relações entre as pessoas na produção e o sistema de distribuição. Mao desenvolveu a tese leninista de que a política é a expressão concentrada da economia, mostrando que numa sociedade socialista a justeza da linha política e ideológica determina se o proletariado é realmente dono dos meios de produção. Reciprocamente, assinalou que a ascensão do revisionismo significa a ascensão da burguesia, e que dado o carácter contraditório da base económica socialista seria fácil aos seguidores da via capitalista reerguer o sistema capitalista se chegassem ao Poder.
Criticou profundamente a teoria revisionista das forças produtivas e concluiu que a superestrutura, a consciência, pode transformar a base e, com o Poder político, desenvolver as forças produtivas. Tudo isto tomou expressão na frase de Mao, "Empenhar-se na Revolução, Promover a Produção".
Mao Tsétung iniciou e dirigiu a Grande Revolução Cultural Proletária, que representou um grande salto em frente na experiência do exercício da ditadura do proletariado. Centenas de milhões de pessoas ergueram-se para derrubar os seguidores da via capitalista que haviam surgido de dentro da sociedade socialista e que se concentravam sobretudo na própria direcção do Partido (tais como Liu Chaochi, Lin Piao e Teng Siaoping). Mao dirigiu o proletariado e as massas na oposição aos seguidores da via capitalista e na imposição dos interesses, pontos de vista e vontade da grande maioria do Povo em todas as esferas que, mesmo numa sociedade socialista, tinham continuado a ser coutada privada das classes exploradoras e do seu modo de pensar.
As grandes vitórias alcançadas pela Revolução Cultural impediram durante uma década a restauração capitalista na China e levaram a grandes transformações socialistas na base económica, assim como na educação, na literatura e arte, na investigação científica e noutras partes da superestrutura. Sob a direcção de Mao, as massas estudaram profundamente o terreno que engendra o capitalismo - como o direito burguês e as três grandes diferenças, entre cidade e campo, entre operários e camponeses, e entre trabalho intelectual e trabalho manual.
No decurso de intensa luta política e ideológica, milhões de operários e outros elementos das massas revolucionárias aprofundaram de maneira significativa a sua consciência de classe e domínio do Marxismo-Leninismo-Maoismo e reforçaram a sua capacidade de exercer o Poder político. A Revolução Cultural foi realizada como parte da luta internacional do proletariado e foi um campo de treino em internacionalismo proletário.
Mao compreendeu a relação dialéctica entre a indispensabilidade de uma liderança revolucionária e a necessidade de incentivar e confiar nas massas revolucionárias de baixo para cima para implementar a ditadura do proletariado. Deste modo, o fortalecimento da ditadura do proletariado foi também o mais extenso e profundo exercício em democracia proletária conseguido até hoje no mundo, revelando heróicos dirigentes revolucionários como Chiang Ching e Chang Chungchiao, que se mantiveram ao lado das massas e as dirigiram na batalha contra os revisionistas e que, ante a amarga derrota, continuaram a erguer alto a bandeira do Marxismo-Leninismo-Maoismo.
Lenine disse, "Só é marxista quem alarga o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura do proletariado". À luz das inestimáveis lições e avanços alcançados pela Grande Revolução Cultural Proletária dirigida por Mao Tsétung, esta linha divisória ficou ainda melhor definida. Agora, podemos afirmar que só é marxista quem alarga o reconhecimento da luta de classes ao reconhecimento da ditadura do proletariado e ao reconhecimento da existência objectiva de classes, de contradições antagónicas de classe, da burguesia no Partido e da continuação da luta de classes sob a ditadura do proletariado durante todo o período do socialismo, até ao comunismo. Como Mao tão poderosamente afirmou, "A falta de clareza nesta questão conduzirá ao revisionismo".
A restauração capitalista que se seguiu ao golpe de estado contra-revolucionário de 1976 dirigido por Hua Kuofeng e Teng Siaoping, de modo nenhum nega o Maoismo ou os históricos êxitos e as enormes lições da Grande Revolução Cultural Proletária; pelo contrário, esta derrota confirma as teses de Mao sobre a natureza da sociedade socialista e a necessidade de continuar a Revolução sob a ditadura do proletariado.
Claramente, a Grande Revolução Cultural Proletária representa uma epopeia histórica da Revolução, um vitorioso ponto alto para os comunistas e os revolucionários do mundo inteiro, um feito imperecível. Embora tenhamos todo um processo à nossa frente, essa Revolução deixou-nos grandes lições que estamos já a aplicar, como por exemplo o ponto de que a transformação ideológica é fundamental para que a nossa classe tome o Poder.
Marxismo-Leninismo-Maoismo:
O Terceiro Grande Marco

No decurso da Revolução Chinesa, Mao desenvolveu o Marxismo-Leninismo em muitos campos importantes. Mas foi no cadinho da Grande Revolução Cultural Proletária que a nossa ideologia deu um salto e o terceiro grande marco, o Marxismo-Leninismo-Maoismo, emergiu na sua plenitude. Do plano superior do Marxismo-Leninismo-Maoismo, os comunistas revolucionários puderam compreender ainda mais profundamente os ensinamentos dos grandes líderes precedentes e, de facto, mesmo as contribuições iniciais de Mao Tsétung assumiram um significado mais profundo. Hoje, sem Maoismo não pode haver Marxismo-Leninismo. De facto, negar o Maoismo é negar o próprio Marxismo-Leninismo.
Cada grande marco no desenvolvimento da ideologia revolucionária do proletariado enfrentou implacável resistência e só conseguiu ser reconhecido mediante intensa luta e mediante a sua aplicação à prática revolucionária. Hoje, o Movimento Revolucionário Internacionalista declara que o Marxismo-Leninismo-Maoismo deve ser o comandante supremo e o guia da Revolução Mundial.
Centenas de milhões de proletários e massas oprimidas do mundo são cada vez mais impelidas para a luta contra o sistema imperialista mundial e toda a reacção. No campo de batalha contra o inimigo, procuram a sua própria bandeira. Os comunistas revolucionários devem empunhar a nossa ideologia universal e difundi-la entre as massas para ainda mais incentivar a sua acção e organizar as suas forças, com o objectivo de tomar o Poder através da violência revolucionária. Para o conseguir, têm de ser formados Partidos marxistas-leninistas-maoistas, unidos no Movimento Revolucionário Internacionalista, naqueles lugares onde não existam, enquanto que os existentes devem ser reforçados de modo a preparar, iniciar e levar até à vitória a Guerra Popular para tomar o Poder para o proletariado e o povo oprimido. Devemos empunhar, defender e, sobretudo, aplicar o Marxismo-Leninismo-Maoismo.
Devemos acelerar a nossa luta pela formação de uma Internacional Comunista de tipo novo, baseada no Marxismo-Leninismo-Maoismo. A Revolução Proletária Mundial não pode avançar até à vitória sem forjar essa arma porque, como Mao nos ensinou, ou caminhamos todos para o comunismo, ou nenhum de nós lá chegará.
Mao Tsétung afirmou, "O Marxismo consiste em milhares de verdades, mas em última análise todas se reduzem a uma: é justo revoltar-se". O Movimento Revolucionário Internacionalista toma a revolta das massas como o seu ponto de partida, e apela ao proletariado e aos revolucionários de todo o mundo a empunharem o Marxismo-Leninismo-Maoismo. Esta ideologia libertadora e de combate deve ser levada ao proletariado e a todos os oprimidos porque só ela pode possibilitar que a revolta das massas remova milhares de anos de exploração de classe e dê à luz o mundo novo do comunismo.
Erguer Bem Alto a Grande Bandeira Vermelha
do Marxismo-Leninismo-Maoismo!
26 de Dezembro de 1993

Movimento Revolucionário Internacionlista

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