Com licença poética
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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terça-feira, 9 de março de 2010
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Tributo aos Vivos
Um blog de poesia e fotografia muito bom que descobri:
wilsonnanini.blogspot.com
Um poema de lá:
Tributo aos vivos
Poema Para Adélia Prado
Estrelas!
no pomar celeste da boca conso-
lidá-las
foto-
grafar o avesso
da treva do ventre do ferro do trem de ferro
convertido em sentimento
o hieróglifos
numa brancura fecunda
de constelar escuros,
de transgredir o tempo
mas recito insonte-
mente: besouros são
sementes
de rinocerontes;
o lunático com um guarda-chuva,
a virgem com uma cabaça,
a beata com um calvário
atravessam a nado meu poema
num olor inato interno que mescla
bois borboletas
Deus: todos os
artefatos álacres
de escavar cosméticos
entre distúrbios
que concretos ou telúricos
noitinvadem-me às vezes.
Postado por Wilson Torres Nanini às 02:44 1
wilsonnanini.blogspot.com
Um poema de lá:
Tributo aos vivos
Poema Para Adélia Prado
Estrelas!
no pomar celeste da boca conso-
lidá-las
foto-
grafar o avesso
da treva do ventre do ferro do trem de ferro
convertido em sentimento
o hieróglifos
numa brancura fecunda
de constelar escuros,
de transgredir o tempo
mas recito insonte-
mente: besouros são
sementes
de rinocerontes;
o lunático com um guarda-chuva,
a virgem com uma cabaça,
a beata com um calvário
atravessam a nado meu poema
num olor inato interno que mescla
bois borboletas
Deus: todos os
artefatos álacres
de escavar cosméticos
entre distúrbios
que concretos ou telúricos
noitinvadem-me às vezes.
Postado por Wilson Torres Nanini às 02:44 1
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