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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Repercussão no blog selva brasilis

Les Mots et Les Choses: Azevedo Contra Professor Andrei

Reinaldo Azevedo detona um professor da UnB chamado Andrei por supostamente "desconstruir Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo". O professor Andrei replicou dizendo, entre outras coisas, que: "Minha relação com a UnB é totalmente VOLUNTÁRIA. Não recebo patavina por isso. Ofereço a disciplina porque sou alumnus da UnB e sempre fui – como digo repetidamente em aula – CONTRA a gratuidade do ensino superior no Brasil. Ensino na UnB para repagar minha dívida com meu país. (...) Esse blog é um espaço informal – e, acima de tudo, aberto – de ensino. Quem quiser participar, pode. A menos que os alunos da disciplina decidam pelo contrário, manterei todos os comentários QUE NÃO FOREM ofensivos a eles. Quem quiser me ofender, que fique à vontade. Mas serei bem menos diplomático com quem ofender a eles".

Brilhante e corajosa iniciativa Andrei. Quantos professores teriam a coragem de colocar seus cursos online e aceitar críticas? Poucos.

O SB gostaria de sugerir um adendo ao programa do curso. Seria interessante remeter os alunos na aula sobre Foucault `a crítica de José Guilherme Merquior em seu livro, Foucault (1987) [uma resenha aqui]. Merquior, um grande pensador brasileiro, é, como esperado, solenemente ignorado na selva.

Reinaldo Azevedo X Professor Andrei: Cont.

Alunos da UnB: vinguem-se da escória com livros!
Lembram-se daquela história de ontem, a do professor que resolveu desconstruir Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo? Pois é... Dei um cartaz tremendo para o bruto. Isso sempre acontece. Basta eu falar aqui de qualquer imbecil, e ele é logo catapultado para a fama. O debate pegou fogo na tal pagineta do mestre. Alguns alunos saíram numa defesa ensandecida do seu Sócrates. Cicuta nele, hehe...Uma boa parcela dos defensores do apedeutinha diz que eu sou autoritário e reacionário, ou coisa parecida, ao apontar os erros do seu texto. O nome da disciplina é “Escrita e Sociedade na América Latina”. Huuummm... Se o português não lhe cai bem, então que tente o guarany... Sou ortodoxo: acho que um professor de escrita deve zelar pela escrita, assim como um cirurgião deve saber, como direi?, corte e costura...

A Universidade de Brasília, aliás, é um caso sério. A universidade fez eleição direta para escolher o seu reitor. Venceu o professor José Geraldo de Souza Júnior, a principal expressão daquela maravilha já tantas vezes abordada aqui: “O Direito Achado na Rua”. Trata-se de uma corrente do, vá lá, pensamento jurídico brasileiro que acredita, sem peias, que o legítimo (sempre as causas ditas “populares”) se sobrepõe ao legal — que estaria a serviço, então, das causas impopulares — vocês sabem: coisa da tal Dona Zelite.

Vá lá... Sou tentando a pôr um pouco de pimenta nessa história e observar que algo que começou com Darcy Ribeiro não poderia dar em coisa muito boa. Mas seria injusto com tanta gente competente, esforçada, trabalhadora, que está na UnB e não endossa a vigarice populista que tomou conta da universidade faz tempo. Há lá bons acadêmicos e alunos que não se deixam cavalgar pela estupidez politicamente correta. Deve ser uma trabalheira danada. São verdadeiros heróis num ambiente completamente conspurcado pela militância a mais estreita, a mais boçal.

Espero que, no país dos petralhas, continuem a resistir aos que tentam criar a universidade dos petralhas. Proponho aos verdadeiros estudantes da UnB: resistam a esses caras; vinguem-se deles. A melhor vingança, acreditem, é estudar, é ler. Um livro, para essa gente, funciona como a kriptonita para o Super-Homem.