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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Blognovela Penetrália

Capítulo 1: O Cisma Sarapatético

BH, ano 2008. Os Sarapatetas encontram-se para atualização do calendário oswaldiano, decidindo se o marco continuará a ser a devoração do Bispo Sardinha.

Abro os trabalhos recitando Vinícius de Moraes:

Lúcio: Não comerei da alface a verde pétala

Nem da cenoura as hóstias desbotadas

Deixarei as pastagens às manadas

E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas

Talvez pouco elegantes para um poeta

Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta

Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois

Nem como os coelhos, roedor; nasci

Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati

E eu morrerei feliz, do coração

De ter vivido sem comer em vão.

Andrei Golemsky (caprichando no sotaque russo): A morte é uma festinsky! Só não me telefonem.

Rodrigo Rock Blue (sempre cantando tudo em ritmo de rock): Yeah, em breve os hippies de Istambul me acompanharão. Why, bicho, não te telefonar?

Andrei: Uai, why, não gosto de retornar ligações perigosas. Liasons dangereuses, sacumé?

Andréa Beluga: Andrei, és assombrado pelo fantasma do Magno Pai de Hamlet.

Andrei: Sangue de Jesus tem poder, belugette!

Andréa Beluga (mau humorada): beluguette não, é meio bicha.

Lúcio (vou citar mais um poeta, Juraci Siqueira): Papai Noel comunista...

Êta, mentira indecente!

O velho é capitalista

fodendo a vida da gente!

A noite logo retorna,

e o Sol, cansado, desmaia

e o mar passa a língua morna

na vulva branca da praia...

Santo André (o duplo de André): almas perdidas, quero salvá-las, sou soldado de Deus, vocacionado jesuíta!

Érico(vestido como nero, encara com hostilidade do duplo de André): Nós estamos aqui para quê, sua horda? Não somos ateus?

Rodrigo Rock Blue: o nome da minha banda é HORTA, HORTA, Érico.

Marcos Xavier (entra vestido e com barba como Tiradentes): estamos aqui para resolver o cisma do Sarapatel dos Estetas, a questão do bispo Sardinha....

Andrei: em nome de um materialismo anárquico, uni-vos!

Santo André: em nome de um misticismo maluco, de um Cristo que vi sair andando da parede quando criança, separai-vos!

Andréa Beluga: assim não dá. SALVEM AS BALEIAS! (sai de cena).

Larisse (quando ela entra em cena, Andrei e seu duplo se retiram): Deus, afasta de mim os versos sacânicos, afasta de mim esse cálice!

Marcos Xavier: é preciso afastar os fantasmas Sergei, Elisângela, Johnny, Magno. Viemos aqui para oficializar o cisma?

Érico (monologa baixinho, enquanto ninguém o escuta, acendendo um cigarro): cisma é comigo mesmo. Sou ateu, graças a Deus. Vim para criar uma igreja atéia entre os sarapatetas.

Rodrigo Rock Blue (histérico, imitando Caetano em 68): Vocês são a juventude que quer tomar o poder? Vão sempre enterrar HOJE o velhote inimigo que morreu ONTEM!

Marcos Xavier (com voz paciente de bom católico): bom, para celebrar a abertura desse congresso tratando do cisma sarapatético. O primeiro passo é a partilha do espólio sarapatético.

Lúcio: NÃAAAAO! Beleléu.

Andrei Golemsky: Os hippies de Istambul detonaram todos os caretas!

Santo André, o duplo de Andrei: Eu não queria fazer amor

Lúcio: I am the world, I am the children, I am Bruce Springsteen...

Érico: Isso aí! “Eu também sei ser careta. De perto ninguém é normal”, racional.

Larisse: O real de perto é quase imaginário, é irracional...

Marcos Xavier: U-te-rê-rê, U-te-rê-rê! OOOga BOOOga-tenho dito!

Larisse: E eu queria fazer amor.

Santo André, o duplo de Andrei: Mais um, mais um...Por que parou? Parou por que?

Rodrigo Rock Blue: Eu queria te matar! Vaza-te, rato de éter!!!

Lúcio: Devassos, pervertidos, chafurdem na pornéia desvairada, crapulitos & crapuletes!

Andréa Beluga: Carpe Diem, seus putos! Agricolei, agricolae, agricolis, agricolam...

Érico: Nós somos os novos bárbaros-temos que ser-ou isso ou os bobos da corte.

Santo André, o duplo de Andrei: Anjo Azul, Greta Garbo, leave me alone, cambada!

Andrei Golemsky (cantando narcisicamente a si mesmo): Não deixo! Você é a geléia que eu gosto mais de comer. Humm!!!

Rodrigo Rock blue: Eu vou te matar, ROMANOV!!!

Larisse: As renobraças vão te POSSUIR!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Lúcio: Je me gustaria de retalhé le professeur. Yo yrya pendureux ekle dan le cabeza per baix, pour las orejas -- me gustaria mucho! Osgarmo!Vira! Virou! Ah!

Érico: Ah! A vida é como uma prova de colégio: não importa se você cola ou não, desde que a resposta esperada esteja no papel.

Santo André, O duplo de Andrei: OH Zeus. Chuva de ouro, eu só quero, só penso em namorar.

Andrei Golemsky (apaixonado por seu duplo): Namoro não pede Zeus ou Deus, só os seus e os meus, ou melhor, o meu e a sua:

Rodrigo Rock Blue: a morte expõe a bílis gangrênica no seu rabo.

Lúcio: A perversão tomou conta do meu e da tua, seus comunistas, seus trotsquistas, vocês deviam parar de recitar os Poemas para Rezar de Michel Quiost e não deviam deixar os Poemas para Rezar de Michel Quiost fazerem este estrago todo nos humanóides que habitam este planetinha defecante e fazer algo para que os Poemas nunca mais fossem rezados e quem sabe eles fossem desintegrados numa câmara ardente, seria uma ploscalafobéticarexospiração em meio aos vietcongs, maoístas e ativistas exaltados do Partido Armado Universitário (PAU), sigam o Sendero Luminoso e leiam as Teses filosóficas de Enver Hoxha, seus agentes de Tirana, vocês já passaram o verão no litoral albanês?

Érico: Não é anotação da aula, mas parece. Que zona!

Lúcio: Isso a gente não aprende na escola.

Andréa Beluga: Issi o gene não apreende na école.;

Santo André, o duplo de Andrei: EU TÔ DENTRO DE VOCÊ, CARA.

Andrei Golesmky: Fala, minha cruz!

Santo André, o duplo de Andrei: Cruz é o caralho!

Marcos Xavier (fala com a voz do Papa Bento XVI, em off): Acabo com isso ao som de descargas celestiais e do berro de um Deus que criou este mundo e não conferiu se tinha papel higiênico.

(Continua...)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Blognovela Penetrália, Capítulo 5

Blognovela Penetrália, capítulo 5: O PONTO G, DE GERALD

(Lúcio recolhe todos os bonecos e recolhe-os dentro de sacos pretos de plástico, com destino ao lixo. Recolhe também os restos da Talk-box de Marcos Xavier. Ele está com um rosto sério, concentrado. Ele recolhe do lixo folhas soltas, com anotações de falas de um amigo como a que fechou o capítulo acima).

Francinny Chequer: Oi, eu queria dar um conto de Poe para o Corvo, você tem? Aliás, quem dirige essa blognovela, Gerald Thomas?

Lúcio (deixando os sacos plásticos a um canto e voltando-se para ela): Não, não tem diretor não. É um processo sem sujeito. Ela seria bem melhor se fosse dirigida pelo Gerald! Mas aqui cada um chega e se dirige. O blog é self-service. Aliás, soube que o grupo teatral dele abandonou-o em Trinidad e Tobago. Depois disso, ele despediu-se à la Humprey Bogart em Casablanca e nunca mais o vi. Ouvi dizer que São Paulo o está consumindo.

(De dentro de lixo, o boneco do Érico continua falando): Sampa de privada, bad trip...fumaça, poluição saindo da cuca do Lobo Prosa Sem Prozac...Seres humanos transformados em bonecos grotescos, estufados, quase informes, maquiados exageradamente, como que na antecipação de um solene funeral...Até mesmo seus olhos haviam sido substituídos por olhos de vidro, como se as vítimas fossem ursos pardos empalhados em um museu de história natural... O apelido medonho do assassino taxidermista invisível, “Assassino do Cofrinho de Porco”, surgiu com a vítima seguinte, um mês depois do segundo crime, quando o padrão das atrocidades se cristalizara; uma piada perversa que, de certa forma...Até te exclur do meu Orkut, Lúcio...

Lúcio (apertando o saco de lixo, voltando a sapatear): agora chega! Temos visita em casa!

Francinny: O que aconteceu?

Lúcio (sapateando, nervoso): Nada, nada, é só lixo, lixo. Velhos bonecos.

(O boneco de Érico): Gostaria de ensaiar, nessa pequena preleção, uma resposta às críticas que mentes obtusas e preconceituosas têm endereçado espalhafatosamente à minha pessoa. Notem bem: esses falastrões microcéfalos têm atacado antes a mim do que a minha obra, o que, de fato, comprova sua total incompetência argumentativa. Criticam-me por eu ser um cão. De fato, eu o sou...

Lúcio (dando uma vassourada no saco de lixo): Então, se é, pare de latir para a moça aqui!

(Francinny, no entanto, foi procurar um livro de Poe. Enquanto isso, entram em cena os personagens da propaganda do governo federal, mais Laerte Braga, Rio Maynart, Sandra, Guzik e Contrera, todos se limpando da lama que entrou no escritório):

Mário (personagem que tem uma abelha no ouvido): Me arruma um cigarro, porra!

João Paulo (chorando ao ouvir o celular): Estou irado com o governo do PT. Arrependi-me de ter votado em Lula, deveria ter votado no PSTU e não dado carta branca para o Lula fazer a política herdada de FHC. Rompi totalmente, rompi com tudo. Lula para mim é um ex-operário, atual burguês com mentalidade de novo rico mesmo, emergente. Não é à toa que Vera Loyola deu o colar de sua cachorra para o fome zero. Sua ascensão não quer dizer que o sistema de castas implodiu. Não. O sistema de classes continua, mas Lula o ignora, imerso em sua incompetência histórica e intelectual. Lula ignora que existem as perdas internacionais, está cego para o imperialismo no momento em que ele se faz mais claro. O que se pode esperar de alguém que autografa cartazes de protesto contra si mesmo e frangos de borracha? É o Mr. Magoo da esquerda. Quem dera essa falsa esquerda pelega ficasse cinqüenta anos fora do poder e em seu lugar nascesse uma esquerda trabalhista, nacionalista, intelectualizada, literária, varguista! (Chuif!) A invasão do Iraque foi um lance colonialista estilo século XIX. O motor foi o desejo do capital financeiro de se expandir, tendo como molas principais as empresas petrolíferas interessadas no butim. Com Saddam, nacionalista panarabista e nasserista, defensor da causa palestina, autoritário e guerreiro que fosse, as riquezas do Iraque permaneciam no país. Agora serão exportadas via remessa de lucro das multinacionais. Mas não tem grilo. Teremos mais quatro anos de paz e amor, dando vivas ao presidente da Volkswagen, não é bicho? Só que se depender de mim, vou lutar, protestar, criticar. Não vou deixar barato. E não me furto nem de criticar o PSTU, que lançou como candidato o repetitivo Zé Maria, um candidato com o perfil do Lula antigamente, no começo dos anos 80. Sabiam que Lênin detestava sindicalismo? O PT, já disse antes, é leninista sem Lênin. Eles fazem centralismo democrático, impedindo que militantes discordem da linha do comitê central, mas já não têm nada da capacidade teórica e prática do Lênin. O PT ficou com os defeitos do leninismo e sem as qualidades (chuif!). E outra. Zé Dirceu é um autoritário, equivocado desde sempre. No movimento estudantil de onde ele saiu acusavam Prestes e o PC de terem sido dos culpados pelo golpe de 64, atacavam Jango e rejeitavam a Frente Ampla, única possibilidade real de restaurar o poder civil no pós-64. Eles foram radicais e bem mais porraloucas que a Heloísa Helena, que é uma figura que só tenta manter uma coerência mínima para não se perder na geléia geral. Além do mais, Dirceu já está escolado nisso de ter duas caras, e isso seu auto-exílio já mostrou. Ele é uma das figuras de proa de um governo que também veio para acabar com a Era Vargas (chuif, chuif!).

Laerte Braga: Vargas, Vargas não. Ele foi o pai dos pobres e a mãe dos ricos. Concordo com quase tudo o que você disse, tá certo? Mas aqui em Juiz de Fora o PSOL está próximo do PTB. Existe um golpe em marcha contra Lula. Você precisa ser menos radical, olhar a correlação de forças. Precisamos criar as condições para fazer essas reivindicações.

O HEAUTONTIMOROUMENOS (um estranho fantasma que entra em cena, aparentemente saído dos bonecos dos sapatetas): Sou fantasma de mim sentado

No semblante sangüíneo que mostro,

Assusta-me passos postos

Ecoando horas de si.

Sinto-me assombrado de calma

De ser tantos e nenhum agora,

Empresto às almas que imploram

Longas asas de moscas mortas.

Decomponho a música posta

Em ossos que ao fim da festa

Sentirei talhados profundos, elefantes.

Mau Fonseca: Cá vim, em crises alérrgicas e renites e o diabo. Fui ler outros capitulos…Imaginei essa blognovela num palco, em dado momento juro que imaginei que Gerald faria uma releitura de Da Vinci - em a Ultima ceia - e colocaria todo elenco como os Apostolos e Gerald como o Cristo - judeu - sem pátria (essa renite me afoga) nao consigo dormir com a cabeça cheia

Fantasma de Oswald de Andrade: vomite a própria cabeça! pense em raul! coma-a e vomite-a! seja realmente antropofágico! coma a si mesmo! e vomite-se!