(Segundo andar de sobrado, pequena cidade do interior. Lúcio reúne alguns detritos que ganhou do cenário de Caminho das Índias: turbantes velhos, batas, incenso fedorento. Em meio aos cacarecos desse segundo andar sujo, surgem velhos fantasmas já aniquilados em outras blognovelas, pois a blognovelha penetrália já morreu e a blognovela revista cidade sol que deveria ser nova ainda não nasceu e surgem sintomas mórbidos por todos os lados).
Monólogos da Vagina: se um dia o nome que me foi dado for por alguém utilizado. Ninguém vai precisar do meu nome. Nem eu. Mas aqueles cujo nome representam algo além do nome, esses são símbolos, são avatares. O eu roubam, para esses, é algo além do nome, é simbólico, o trabalho, conteúdo. Quem pode roubar-me de mim? Não, ninguém pode. O pobre fica mais pobre, pois o que foi roubado nunca nomeará, pois esse nome e esse corpo não lhe pertencem. ISSO NÃO TE PERTENCE MAIS. Mais fica aquele que tem o nome, pois nada lhe real lhe será tirado – nem será dado. Ficou claro? Fui de mim...
Lúcio (espantado): Agora vou ficar só olhando essa conversa entre vocês fantasmas. Essa blognovela era para ter acabado quando o blog penetrália mudou para revista cidade sol. Mas não deu. Mas então o elenco, para mim, morreu. O Réquer ficou de diretor, mas ele é péssimo diretor, então tentamos conseguir o Giane M., mas não deu, ele cobra caro e está noutra.
A Cruz de Cruz e Sousa: Ah, Monólogos da Vagina, beijos loucos nas suas asas, nas suas vergonhas molhadinhas, eu te abençôo! Ah, que sonho ser dirigido por Giane M., de Não Trepe com Esses Caras, Mãe!
O Fantasma do Pai de Hamlet: O blindado M50 tem dados facilmente identificáveis, Hamlet. Poucas pessoas sabem de meu projeto, inclusive eu. Você vai poder passar por cima de seu tio e de sua mãe com uma potência do motor, velocidade de boca. Na boca de sua mãe, você explodirá um projétil, projétil na boca do canhão. Na boca de seu tio usurpador, a blindagem é choban ou sanduíche? Quais tipos de aço são usados no exército podre da Dinamarca? Há algo de Dinamarca nesse reino de podres! Nem tudo, como você vê, lhe pode ser revelado.
Fantasma de Oswald de Andrade: Sim, sim, a saclonagem é surrealista. Não sei porque a dúvida. A saclonagem deve pedir pedágio à plagicombinação, uma vez que isso é tudo culpa do canto do passarinho que canta tuíste.
Fantasma do Pai de Hamlet: Hamlet, qual a espessura da blindagem? Qual a freqüência do tiro de canhão de Fortimbrás? Qual mira Ofélia utiliza, laser, rádio-frequência ou telescó-pica? Qual a profundidade que Shakespeare pode atingir usando snorkel? Qual tipo de projétil utiliza o canhão BeckHETT, AT? Etc. E mais uma dezena de segredos.
O HEAUTONTIMOROUMENOS (um estranho fantasma entra em cena): Sou fantasma de mim sentado. Boa tarde! Lembram da polêmica do pé de alface? Não comerei da alface a verde pétala. Nem da cenoura as hóstias desbotadas. Deixarei as pastagens às manadas. E a quem maior aprouver fazer dieta.
A Cruz do Cruz & Sousa: Crux! Cruz crux clã! Não vou questionar a pesquisa, mas ali consta que um par de sandálias havaianas custam em média $21,00. Comprei semana passada por $12,90.
Monólogos da Vagina: a pessoa se utiliza do nome de Pessoa, Pessoa é um artista, admira o artista, odeia o artista, vomita o artista, vomita a própria cabeça. Sofre dupla personalidade, tripla, Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, etc. heterônimos. HEAUTONTIMOROUMENOS. A solução, Psicologia. A vantagem é jurídica, a solução, psicológica. O nome canta tuíste, é triste e é preciso pagar as contas. Sim, devolva o nome que seus pais te deram. O nome é o patrimônio maior do cidadão e não pode ser tomado por gente ESTÚPIDA, gente HI-PÓ-CRI-TA! Gente que mente. Gente desequilibrada psicologicamente. Gente é para brilhar. Gente é para dançar. Tuíste. Tou lúcida, não estou louca.
Fantasma do pai de Hamlet: Agora diz isso para o Hamlet. Eu dou minha palavra de Oficial e Cavalheiro que li o pedido de desculpas de Hamlet para o Fantasma de Oswald de Andrade. Oswald é mesmo o rei do plágio! Quando da formatura na AMAN, recebi além do Espadin de Oficial, o título de Oficial e Cavalheiro, e esse título nem a Cruz do Cruz & Sousa poderá me tirar.
Monólogos da Vagina: Gente ESTÚPIDA! Gente HIPÓCRITA! Loucos, loucos. Sua loucura, Lúcio, a sua loucura não é lúcida, Lúcifer. Querer se aproveitar da credibilidade do Fantasma de Oswald de Andrade, da Cruz de Cruz & Sousa e do Fantasma do Pai de Hamlet! Absurdo! Gente NOJENTA, desequilibrada, ansiando por dar VISIBILIDADE às suas existências MEDÍOCRES. A sua loucura, Lúcifer.
Lúcio: Você ´tá louca, Monólogos. Minha loucura é minha consciência, que está aqui na hora da decisão.
Fantasma do Pai de Hamlet: Você abriu seu blog, fechou, seu blog é sua cidadezinha do interior, bota interior nisso, é o interior de você, é o seu interior de você, bota MG, Oswald, Hamlet, é o rei do plágio. O rei do plágio tinha linque, depois não teve mais. Oswald teve uma fase em que era pura propaganda descara de cunho esquerdista. Ponta de Lança, ah, Ponta de Lança, achei.
Alf, o Eteimoso do Vanguarda Antropofágica: Cuidado, GENTE, que eu não danço tuíste. Tem gente ociosa dançando tuíste. Meu advogado no Brasil vai entrar na justuíste.
Cruz de Cruz & Sousa: Alf, tá plagicombinando teu nome, imagem e textos. Seu tuíste é seu blog, que é sua cidadezinha interior, seu castelo de Kafka, suas ruínas tristes onde Pedro ensinou Cristo a negar Wagnernietzsche por três vezes...seu pseudotuíste vai dançar. É gente cretina e criminosa. Mete na justiça esse vagabundo! Novamente!
Alf, o Eteimoso da Vanguarda Antropofágica: Sr. Lúcio.... mais...falar...qualificada...obra...obrar...obrar...acaba de sair...meu nome...retire...retire...divulgação...pediria...não...não...ADULTO...pare...par..e...meu nome...minha foto...retire, retire...achar, eu tenho como te achar. Teucu21 está te seguindo no tuíste.
Monólogos da Vagina: A Cruz de Cruz & Sousa não dança tuíste.
Fantasma do Pai de Hamlet: Não se dirijam a mim como rei da Dinamarca.
Fantasma de Oswald de Andrade: Não se dirija a mim como Oswald nem Glauber.
HEAUTONTIMOROUMENOS: Quem escreve nunca alcança, como disse o Antônio Siúves. Escreva cada vez mais. Meu advogado te adora, teu psiquiatra te ama, pois você é um nada ou não é ninguém? Deixe o seu nada crescer, aparecer.
Alf, o Eteimoso da Vanguarda Antropofágica: Pronto! O Fantasma de Oswald de Andrade pirou de vez e assumiu a identidade do Fantasma do Pai do Hamlet e dos Monólogos da Vagina e do HEAUTONTIMOROUMENOS e da Cruz do Cruz & Sousa e...a minha própria, do Eteimoso da Vanguarda Antropofágica!!! Que bobagem, Fantasma, saia dessa, já tinha notado no seu blog, que é a sua cidadezinha interior, seu castelo de Kafka, que você é obcecado pelos Monólogos da Vagina. Não dá para ser ninguém exceto você mesmo! Vamos fazer uma vaquinha para a terapia do Alf?
HEAUTONTIMOROUMENOS: Deus é fiel.
O Fantasma de Oswald de Andrade: Acho estranho, Hamlet não precisaria disso. É mais fácil discutir sobre um AUTOR morto, sobre um rumo na vida MORTO, a gente fala ALHO, o outro entende BUGALHO, outros entendem CEREJAS, doces como mel. Deuses e anjos se estranham nessa comédia DIVINA com os Monólogos da Vagina.
Monólogos da Vagina: Fantasma, qualquer um pode discutir sobre a MORTE. Mas usando sua própria foto. A morte tem FOTO? A morte tem nome, a morte do autor é viva ou morta? Se alguém usa um fantasma de um AUTOR morto e bota ele para dançar tuíste, as opiniões ali são do Fantasma dançando tuíste, não são? Não é curandeirismo, não é macumba, é Chico Xavier trabalhando numa parceria AUTORIZADA.
Fantasma de Oswald de Andrade: Os Monólogos têm razão, é a livre plagicombinação, mas usando tuíste não, não é educado dançar tuíste, nem é educado olhar a foto da MORTE. Ela não tem nome, não tem foto. Antes de usar a OBRA de um AUTOR MORTO deve-se pedir AUTORIZAÇÃO de um AUTOR no CENTRO ESPÍRITA, pois não podemos perturbar os MORTOS nem depois da MORTE DO AUTOR. Pelo tuíste, constava como extensão Oswald de Andrade. Não, não pode. Temos que fazer a nossa própria história, famosos ou duendes da morte. Um lixeiro, um fantasma é tão importante na ordem social quanto um artista conhecido. O que vale é ser bom na profissão que escolhemos.
Lúcio (recolhe-se a um canto, triste e solitário, imaginando uma maneira de acabar com a blognovela penetrália e afugentar os fantasmas): É, para dançar tuíste exige a gente ficar o dia inteiro conectado, leva tempo.
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Jornal Fique Sabendo X Novelas da Globo: Uma Luta Desigual?
Somente hoje achei o Jornal Fique Sabendo de 31 de janeiro a 13 de fevereiro desse ano. Ele tem um editorial imperdível, chamado "Cuidado: As Novelas Como Influências de Vida".
O editor Valmir Rogério está em luta contra a esfera midiática brasileira, que imbeciliza e emburrece o povo: primeiro repassou as novelas, depois o Big Brother Brasil. Há brizolistas que afirmam que a Globo secou o sangue de Getúlio Vargas e da Carta Testamento: será que Valmir é dessa opinião? E eu deixo uma questão aqui: como as novelas influenciam Bom Despacho? Dilermando Cardoso é identificado pela população como o assistente do coronel Odorico Paraguaçu, Dirceu Borboleta, daí seu sucesso no Jornal de Negócios? Bom Despacho é assim porque passou O Bem Amado na TV e fez com que nos tornássemos uma Sucupira mineira?
A dengue, as reeleições de prefeitos corruptos, as viroses, o descaso com a Saúde Pública, os assassinatos políticos e as ameaças, como tudo isso aparece nas novelas? Bom Despacho está madura para ser cenário de uma telenovela a ser escrita pelo professor Júnior de Souza? Ela iria passar onde, na TV Interativa?
Eu me lembro de Gilberto Vasconcellos, brizolista e folclorólogo, analisando como O Salvador da Pátria, novela com Lima Duarte, ajudou a derrotar Brizola em 1989. Dessa novela eu me lembro pouco, apenas que Sassá Mutema (mineiro do Norte de Minas) saía de sua cidade e tornava-se político no Rio de Janeiro, desistindo após sentir-se manipulado por outros políticos mais experientes. Já em Que Rei Sou Eu me parece que existiu, sim, uma referência negativa a Lula, uma vez que existiu o personagem de um barbudinho (Cássio Gabus Mendes) com cara de raivoso e que, se subisse ao trono, iria invadir um país vizinho (ou seja, fazer loucuras). Em luta com o barbudinho, estava o galã Jean Pierre (Edson Celulari), que poderia ser associado ao então jovem e impetuoso Collor.
O editorial de Valmir é uma peça bem a seu estilo, com vírgulas separando, matreiramente, os predicados, causando uma estranha sensação: "A novela no nosso país, passou a ser um membro da família nos últimos anos". Discute-se qual o valor de troca da telenovela, que é uma mercadoria muito original e que é um desafio aos economistas. A novela vende produtos, funcionando como uma vitrine viva através do merchandising. Mas, será que chega a materializar-se em membro da família?
O editorial de Valmir é uma peça bem a seu estilo, com vírgulas separando, matreiramente, os predicados, causando uma estranha sensação: "A novela no nosso país, passou a ser um membro da família nos últimos anos". Discute-se qual o valor de troca da telenovela, que é uma mercadoria muito original e que é um desafio aos economistas. A novela vende produtos, funcionando como uma vitrine viva através do merchandising. Mas, será que chega a materializar-se em membro da família?
Eu divirjo mesmo é do fecho de ouro de Valmir sobre as novelas: "porque a fantasia dos novelistas, são armas sem munição". Não, Valmir, as telenovelas são muito importantes no Brasil, pois fazem a cabeça de muita gente. Quem escreve novela, no Brasil de hoje, tem mais poder do que general cinco estrelas!
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