segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A Vida Suspensa: Contos de Fábio Camargo

Os contos de A Vida Suspensa, de Fábio Camargo, me faz lembrar a recente polêmica que travei com Cristiano Alves do blog Página Vermelha, autor que, de forma moralista e antidialética, quer combater em nome da moral "proletária-dilmista" todos os movimentos de direitos civis. Ao contrário, o livro de Fábio mistura engajamento político à esquerda (como nos contos Trabalhador Brasileiro, A Ilha e Companheira) e agrega a diversidade sexual como um elemento de autenticidade  a mais em sua escritura e temática (como no conto A Troca e No Mores Kisses), mas não um elemento, como quer Cristiano, de "pós-modernismo decadente". Assim sendo, o texto de Fábio tem passagens muito importantes, pois valorizam a luta das organizações revolucionárias dos anos 60 e 70 e que são perfeitamente verdadeiras do ponto de vista marxista, tais como:


--Mãe, o negócio é o seguinte: a repressão tem descido o cacete pra cima de todo mundo e nós estamos na luta armada para trazer ao Brasil a liberdade, a justiça que esses milicos não querem nos dar. O grupo que se reúne aqui vai cair na clandestinidade, todos teremos que fugir e desaparecer. Eu e o Roberto também, e por isso eu preciso de armas, para combater pela liberdade do Brasil e dos brasileiros (CAMARGO, 2014, p. 73)

Esse mesmo livro de contos que tem uma passagem libertária como essa, tem também passagens que Cristiano Alves, com certeza, repudiaria como "pós-modernas" e "porcas":

No meu delírio eu afagava seus cabelos (...). Era como se uma onda forte tomasse conta de mim como se eu me elevasse acima da cama na qual nós estávamos como se eu crescesse ainda mais quanto mais eu me intumescia lá dentro daquele buraco apertado e quente e macio que me recebia querendo me expulsar até que minhas mãos agarraram o pescoço dele e eu comecei a apertar mais fortemente e aperta ouvia seus gritos que naquele momento eram grunhidos sempre com mais força eu apertava como se tivesse garras (...) (CAMARGO, 2014, P. 55).


Assim sendo, em algumas passagens como essas acima, orgânicas e autênticas no andamento dos contos, mas escandalosas acaso citadas isoladamente, o livro de contos de Fábio me faz lembrar Jean Genet em Nossa Senhora das Flores, assim como Pasolini e a linguagem desabrida de André Sant´Anna em Sexo. A experiência material e prática com a qual os contos lidam, que é em grande parte a violência e a homossexualidade, sobressai mais do que o trabalho com a linguagem e, dada matéria tão candente, terminamos por não focar na escritura, ou seja, no "como" uma "coisa" é contada e sim naquilo  que está sendo contado, como é por demais dramático. O conto O Beijo esboça uma ética materialista sobre o amor: "Afinal amar é sofrer e o amor espiritual nunca foi nada além de uma ilusão criada pelos poetas (CAMARGO, 2014, p. 48).

O que me espanta é que, dado o assunto, a linguagem de repente se torna uma escritura branca, transparente, dando lugar para que possamos focalizar principalmente os objetos nos quais ele focaliza sua atenção. Embora o autor tenha escrito mestrado sobre as mulheres de Machado, não há aqui finuras de machadiano e nem sutilezas marotas. Pelo contrário, os gritos de sua escrita "homocultural" saem roucos e guturais.

A Vida Suspensa é sem dúvida um livro necessário, um objeto inteiriço que nos queima as mãos. Os contos se interrelacionam: O Beijo, o Garoto e No More Kisses são um crime passional visto de vários ângulos; Desvario, Desgosto e Na Saída do Cinema são também um ato violento e criminoso visto por diversos pontos de vista, marcando o forte vínculo de Vida Suspensa ao cinema. Diante de um livro novo, sempre nos perguntamos: por que escrever mais um? Diante de Vida Suspensa, no entanto, não há esse tipo de indagação. Esse livro é quase um ser vivo, escrito com sangue, pulsando. Como o próprio autor define em Desgosto: "Não havia mais separação; a ficção tomava de assalto a realidade, ou a ficção estava demais impregnada de realidade: " (CAMARGO, 2014, p. 33).

Apenas no último conto, Espaços, a escritura branca se desvanece e surge uma elucubração teórica camarguiana -- ele, então, se define de corpo inteiro, definindo seu leitor como um espelho quebrado e, muito bem, definindo sua escritura: "pois este me lê em partes assim como meu texto só o suporta pelos fragmentos" (CAMARGO, 2014, p. 88). Assim finaliza-se esse livro de contos que nos deixa sempre com a respiração suspensa e, na realidade, não finda quando terminamos a leitura, pois nos deixa com suas imagens acompanhando-nos, suspensas no ar, após a leitura. Isso é uma grande vitória para um autor nos dias que correm.





Colombia e a bancarrota do revisionismo armado

COLOMBIA Y LA BANCARROTA DEL REVISIONISMO ARMADO

(Nota de Luminoso Futuro: A lo largo de todo el proceso de gestación y desarrollo del proceso de la Revolución de Nueva Democracia en América Latina en el transcurso del siglo XX – una revolución democrático burguesa por su contenido económico y político y de nuevo tipo por el reclamo de la clase proletaria latinoamericana por su dirección única-, se han confrontado dos visiones y dos líneas. La visión y línea revolucionario proletaria, intransigentemente clasista y consecuentemente revolucionaria, basada ella en el Marxismo-Leninismo, hoy Maoísmo, y aquella del revolucionarismo pequeño burgués – en su esencia burguesa- basada el eclecticismo ideológico (combinación aberrante del liberalismo de izquierda y una acomodación aberrante de tesis del “marxismo-leninismo”, ya con el militarismo semianarquista (putchismo,

guerrillerismo aventurero y sobrevalorización del papel individuo en la acción). ¿La revolución la hacen las masas trabajadoras y su núcleo dirigente organizado o la hace el “guerrillero heroico” al margen de la clase de vanguardia y de su Partido Comunista? Eso es lo que ha estado al centro de la lucha ideológica y la lucha política y la lucha militar de clase, entre unos y otros, por la conducción de la revolución popular latinoamericana y e asegurar su marcha ininterrumpida al socialismo. El entronizamiento del revisionismo moderno, Kruschevista, en el Movimiento Comunista Internacional, la degeneración revisionista-electoralista de los viejos PC’s latinoamericanos –ya por mucho tiempo corroídos por el browderismo u oportunismo de derecha de tipo estadounidense-, ha dado vuelo y campo de iniciativa al oportunismo de “izquierda” y saboteado la justa línea revolucionaria de los auténticos comunistas revolucionarios. Mientras, por un lado, se han dedicado a combatir ferozmente a los comunistas marxistas-leninistas maoístas tachándolos de dogmáticos y “adoradores de la violencia porque sí”; por el otro, alentando y apadrinando el izquierdismo pequeño burgués, siempre y cuando éste propiciase la estrategia de expansión del revisionismo socialimperialista soviético y socavamiento de las posiciones de la potencia imperialista rival, USA en América Latina y el Caribe. Los comunistas revolucionarios, marxistas-leninistas-maoístas, por décadas han estado denunciando que el revisionismo de derecha, kruscheviano-browderista, ha estado íntimamente entrelazado con el oportunismo de “izquierda” o revisionismo armado, que han sido y son hermanos gemelos. Con una y la misma misión desviar a las masas de la revolución y conducirla por su línea estratégica y táctica de búsqueda de una concertación o acuerdo de cogobierno dentro del viejo aparato estatal burgués-terrateniente de los dominantes neocoloniales. En otras palabras, si antes motivaban su lucha armada contra el imperialismo yanqui lo ha hec

Sirvan estas palabras, como notas introductorias al importante Documento que le presentamos de seguido, obra del fraternal Partido Comunista de Ecuador. Usted puede estar en desacuerdo con partes o con todo el mismo, pero resulta obligatorio su estudio crítico para poder poner las cosas claras en su mente. Usted tiene que leerlo, estudiarlo y asimilarlo con mente crítica dado que el mismo hace parte de la violenta lucha ideológica que los marxistas-leninistas-maoístas y el proletariado latinoamericano llevan contra esa concepción general y estrategia antirrevolucionaria burguesa liberal-semianarquista).
ho para someter a los diversos países latinoamericanos, dónde han actuado, al socialimperialismo soviético, hoy, luego de la destrucción de la URSS de Lenin y Stalin (eso en 1956 y no en 1989 como pregonan), desesperando en encontrar de algún modo el ala protectora del imperialismo estadounidense.
COLOMBIA Y LA BANCARROTA DEL REVISIONISMO ARMADO
Grandes titulares en la prensa burguesa ha ocasionado la muerte del principal comandante de las FARC, Alfonso Cano, a manos de las FFAA colombianas. El imperialismo y las clases dominantes tratan de sacar provecho de esto para decir que supuestamente las masas rechazan en general todo tipo de “movimientos violentos”.
Por su parte el revisionismo no hace sino lamentar esa muerte pero seguir ciega y equivocadamente repitiendo y reproduciendo los mismos errores que lo han llevado al fracaso.
Este es un complejo acontecimiento del cual el proletariado debe extraer lecciones.


Colombia, un país de enormes desigualdades sociales
Colombia es un país oprimido por el imperialismo, principalmente norteamericano; país que tiene diversos grados de feudalidad subyacente; gobernado desde hace varias décadas atrás por una furiosa oligarquía de grandes burgueses y terratenientes, anti-comunistas, pro-imperialistas, tiránicos, paramilitares y narcotraficantes, actualmente encabezados por el eje Santos-Uribe.
En Colombia se ven los extremos más grandes: abundante riqueza de una minoría y profunda y extendida pobreza de millones de campesinos y obreros.
Esto lo planteamos a riesgo de redundar en cosas conocidas, pero necesarias pues son premisas para el debate.
Las FARC y la guerra en Colombia
Las FARC nacen a mediados de la década del 60 del siglo XX como una respuesta necesaria de las masas, sobre todo campesinas, frente a la cruenta represión orquestada por el Partido Conservador, expresión concentrada del gamonalismo.
La guerrilla pese que comenzó a formarse de la mano del Partido Liberal en los años 50 como autodefensa campesina, podía haber adoptado una línea revolucionaria clasista sobre la base de la fuerte influencia y auge de la Revolución China, de la lucha entre marxismo y revisionismo en Colombia y de la consecuencia que en Marquetalia mostraron en aquel entonces los guerrilleros.
Sin embargo, sus principales dirigentes como por ejemplo Jacobo Arenas y el mismo Manuel Marulanda, decidieron, equivocadamente, alinearse con el social-imperialismo soviético y el revisionismo cubano. Ese fue el comienzo de un lento camino que poco a poco los llevaría a desacumular ideológica, política y militarmente.
Inclusive en los años 80, transitaron por el camino del cretinismo parlamentario cuando junto a otras organizaciones socialdemócratas impulsaron el proyecto de la “Unión Patriótica”, años en los que perdieron a decenas de cuadros a manos de los paramilitares y el Ejército.
Cuando se da la caída del Muro de Berlín, a las FARC se les removió fuertemente el piso, trataron de buscar un “referente ideológico” en el bolivarianismo (corriente social-demócrata burguesa), al punto de plantear en sus documentos oficiales temas como: “Bolivarismo y Marxismo: un compromiso con lo imposible”.
Esto último fue el punto más complejo en su devenir revisionista, pues a partir de entonces han caído en la trampa de apoyar a gobiernos reformistas de la burguesía burocrática, los mismos que no han dudado en “apuñalarlos” por la espalda y a veces incluso de frente.
Con su secretariado de relaciones internacionales apoyaron a Lucio Gutiérrez en Ecuador, el mismo que no dudó en colaborar con la CIA para capturar a Simón Trinidad en la ciudad de Quito en el año 2004. Apoyaron al “bolivariano” Rafael Correa y sin embargo éste oligarca fue cómplice de la muerte de Raúl Reyes en Angostura en el 2008. Apoyaron al bolivariano Hugo Chávez, el mismo que no ha dudado en capturar guerrilleros de las FARC, como fue el caso de Julián Conrado, y entregarlos al régimen fascista de Santos para que los aniquilen en las cárceles colombianas.
Y en la misma Colombia, han apoyado a la “unificación” de socialdemócratas en el “Polo Democrático”.
Alfonso Cano muere al igual que Raúl Reyes, el Mono “Jojoy” y Manuel Marulanda: en campamentos guerrilleros con grandes metralletas, pero sin masas, sin nuevo poder en construcción, sin claridad de hacia dónde va la guerra en Colombia.
La paulatina y creciente derrota de las FARC, no es en modo alguno, la derrota de la viabilidad, necesidad y obligatoriedad de la lucha armada revolucionaria en Colombia y en todo el mundo; es simplemente la derrota del tercerismo pequeño-burgués, del foquismo guevarista, en definitiva, del revisionismo armado.
Las FARC, una expresión del revisionismo armado
Vale recalcar que un arma no dirime si una organización o persona es revolucionaria, sino sus objetivos estratégicos y planteamientos programáticos. Desde luego las FARC no son terroristas, sino una organización guerrillera revisionista.
El devenir constante de las FARC en una organización revisionista armada se expresa fundamentalmente en:
-no hablan de imperialismos (varios) de una manera científica sino de “imperio” (Exclusivamente EEUU). Es decir no son anti-imperialistas sino anti-yanquis.
-reniegan del marxismo revolucionario, acogiendo la corriente burguesa del bolivarianismo.
-su programa de gobierno busca una democracia burguesa de viejo tipo, muy similar al estilo europeo. (Ver la “Plataforma Bolivariana por la Nueva Colombia”).
-no aplican guerra revolucionaria agraria de masas, sino una guerra foquista.
-para ellos lo principal es la guerrilla y no el Partido Comunista.
-vienen plateando conversaciones de paz para dar una “salida política al conflicto”. Esto no es sino un eufemismo para encubrir con palabras altisonantes la entrega de las armas y desmovilización guerrillera a cambio de amnistía general y “reinserción social” con algunas reformas a la vieja sociedad para decir que “han conseguido algo”. Es decir buscan una “rendición decorosa”….
Es un deber de los comunistas y revolucionarios que persistimos en la línea roja del proletariado combatir las tesis del revisionismo armado ya que causan un enorme daño a la liberación del pueblo, tal y como lo comprueba el accionar del FSLN en Nicaragua en los 80, de la URNG y el FMLN en Guatemala y el Salvador en los 90, el FPMR en Chile, el MRTA en Perú, las mismas FARC en Colombia, etc.
La guerra en Colombia lamentablemente está inclinada hacia el triunfo momentáneo de las clases dominantes en tanto que las FARC se han aislado del pueblo, estratégicamente están derrotadas y sobretodo porque no representan los intereses del proletariado y el campesinado colombiano, sino de una facción de la pequeña-burguesía, revisionista y reformista.
Indudablemente Colombia necesita una guerra para acabar con las injusticias que allí se viven, pero esa tiene que ser una guerra revolucionaria de las masas, bajo alianza obrero-campesina, en la que los intelectuales democráticos y revolucionarios sean quienes transmitan la ideología marxista al pueblo y no quienes sustituyan a ese pueblo en el combate, todo esto no es sino la Guerra Popular aplicada a las condiciones de Colombia.
Pedir o soñar que en las actuales circunstancias las FARC cambien sus desviaciones revisionistas y asuman un programa revolucionario es muy difícil que se vuelva realidad, tendrán que ser otros, los que con una línea ideológica clara reconstruyan todo en términos del Partido Comunista, el Frente Único y el Ejército Popular.
El “farianismo” como tendencia revisionista en el Ecuador
Durante varias décadas, el revisionismo armado de las FARC ha servido de “inspiración” a las distintas facciones del revisionismo ecuatoriano, las mismas que en medio de su profundo eclecticismo han tratado de coger de aquí y de allá, de un proceso y de otro, armando así una especie de ideología de retazos. El farianismo ha sido promovido, grados más grados menos, por el viejo partido comunista, por todas las corrientes de los socialistas, incluidos los “amarillos”, por el MPD, Pachakutic, por el MIR, por los alfaristas y bolivarianos, por la Coordinadora de Solidaridad con Cuba…De esta manera han causado una enorme confusión entre las masas que en algunos casos piensan que si “lo que hacen las FARC es revolución entonces no queremos que eso se dé por acá”.
Ésta década es la de la desarticulación definitiva de uno de los últimos bastiones del revisionismo armado en el mundo, esa confusión que va dejando es necesario aclararla, levantando la nueva esperanza que significa para los oprimidos del mundo el desarrollo de la Guerra Popular en varios países.
La Guerra Popular, estrategia militar del proletariado revolucionario
A pesar de que el imperialismo trata de mostrarse fuerte e invencible, en realidad es un tigre de papel que va siendo carcomido y destruido por las luchas revolucionarias del proletariado y los pueblos del mundo, cuyas expresiones más elevadas y de vanguardia son las Guerras Populares.
En contrapartida a la creciente derrota de las FARC, en el mundo se va afirmando un tipo diferente de guerra revolucionaria, la misma que surge de las entrañas del pueblo, que aunque no tenga grandes y modernas metralletas va conquistando la simpatía y apoyo de las masas, en la que en vez de campamentos guerrilleros a la antigua busca establecer bases de apoyo con las mismas masas como Nuevo Poder en construcción, en la que se lucha porque el Partido Comunista mande al fusil y no a la inversa, en la que los combatientes no son militaristas ni una carga parasitaria sino que cumplen las tres tareas básicas de combatir, producir y movilizar a las masas, en la que se aplica la verdad universal de la ciencia del proletariado a la realidad concreta de cada país.
Esta guerra revolucionaria es en concreto la Guerra Popular que viene repotenciándose en la India, Filipinas, Perú y Turquía, y que en ésta década y la próxima, estallará en muchos países de los cinco continentes.
Que la sangre derramada por el pueblo colombiano durante largos años acompañada de una creciente derrota, sirva a muchos para reflexionar sobre la importancia de contar con una línea ideológica clara que le de rumbo a la guerra y permita aplastar al imperialismo y las clases dominantes.
ABAJO EL IMPERIALISMO Y EL GOBIERNO DE SANTOS
VIVA LA LUCHA DEL PUEBLO COLOMBIANO
NO AL FOQUISMO NI AL REVISIONISMO ARMADO
VIVA LA GUERRA POPULAR EN LA INDIA, FILIPINAS, PERÚ Y TURQUÍA
COLOMBIA NECESITA GUERRA POPULAR PARA ACABAR CON LA OPRESIÓN SOCIAL Y NACIONAL
COMITÉ DE RECONSTRUCCIÓN
PARTIDO COMUNISTA DEL ECUADOR

do blog luminoso futuro

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Maoismo: uma explicação do professor Mateusão (tirada do blog Grande Dazibao)


Tratamos aqui em explicar o porquê em defendermos de forma incansável, e ferrenha a imposição do marxismo-leninismo-maoísmo no movimento revolucionário mundial e principalmente entre o proletariado brasileiro.

Entendemos que o maoísmo é a terceira e superior etapa da filosofia revolucionária do proletariado, é terceira etapa, precedida obviamente por outras duas, desse modo, o marxismo de Marx e Engels é a primeira etapa desta grandiosa filosofia e conjunto de leis baseadas no desenrolar das civilizações, principalmente a sociedade capitalista contemporânea.

Bolcheviques marchando em Moscou.

A segunda etapa consiste no leninismo, desenvolvido por Vladmir Ilitch Ulianov “Lenin” à frente da fração revolucionária bolchevique. Uns dizem que o leninismo é uma “deformação” do marxismo, consideram um “revisionismo”. Esse problema não é atual, e se estende desde que Lenin iniciou o trabalho no partido bolchevique em despertar as massas para a construção de um novo poder na Rússia czarista. Os ataques contra a figura do nosso companheiro partiram de diversas correntes: czaristas, social-democratas, trotskistas, anarquistas, e liberais. 
O leninismo tornou-se marxismo-leninismo não apenas pelo pensamento leninista ter sido capaz de guiar a consolidação da “primeira ditadura do proletariado”, porém, o trabalho de Lenin serviu para fortalecer os princípios da filosofia marxista, quer dizer, Lênin preencheu algumas lacunas deixadas pelos marxistas do século XIX, que serviu para traçar uma linha muito clara entre os verdadeiros marxistas e os social-democratas que usurparam a IIª Internacional. Entre estes princípios, ou melhor, entre esses novos aportes podemos citar a contribuição do pensamento de Lenin para a compreensão do imperialismo que segundo o próprio Lenin era a “fase agonizante do capitalismo”, o trabalho dirigido por Lenin também serviu para mostrar e comprovar a necessidade e eficiência da organização do proletariado para tomar o poder, que só pode ser conquistado através da luta armada e não através do cretinismo parlamentar como pensavam e continuam a pensar os social-democratas e toda a ralé oportunista. O desmantelamento da linha oportunista de esquerda também foi outra contribuição, pois, segundo Lenin,  “o esquerdismo é a doença infantil no comunismo”.
Assumindo o a liderança da primeira ditadura do proletariado, a Rússia soviética em fase de reconstrução tornou-se o primeiro baluarte da revolução proletária mundial.
A organização da uma nova Internacional Comunista, a IIIª Internacional de 1919 serviu como base de apoio para a expansão do movimento proletário e revolucionário em todo o mundo, assim, nos próximos anos a Rússia e demais países que faziam parte do antigo império czarista uniram-se formando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Entre os anos de 1919 e 1922 estouraram revoluções na Hungria, Polônia, Alemanha e Mongólia, esta última bem sucedida, tornando-se a segunda república popular no mundo.
No ano de 1924 o grande camarada Lenin morreu, porém, seu pensamento continuou vivo e as metas estabelecidas por Lenin foram continuadas e até superadas sob a liderança de outros bolcheviques como Kalinin, Zhdanov e Stalin.
Nas décadas seguintes a URSS seria exemplo para revolucionários de todo o mundo, partidos e organizações revolucionárias seriam formadas em países opressores e oprimidos, revoluções estourariam na Bulgária, Indonésia, China, Brasil, Espanha, Lituânia, Letônia, Estônia, Indochina, Malásia, Filipinas, Birmânia, Grécia, Albânia, Itália, Bélgica, França, Iugoslávia, Coréia, Romênia, Paraguai... Tudo isto em um período que vai desde 1924 até 1959, sendo que a maioria dos levantes revolucionários ocorreu entre meados dos anos 30 até o final dos anos 40.
Entre os anos de 1917 a 1956, a União Soviética mostrou-se fortaleza do socialismo e da revolução proletária, esta fortaleza infelizmente acabou desmantelada devido a certos problemas ideológicos, gerando certa confusão entre os membros do Comitê Central após a morte de Kalinin, Zhdanov e Stalin. Essa confusão ideológica abriu a guarda para que elementos mal-intencionados pudessem tomar o poder e tentar desmantelar o movimento revolucionário desde cima até em baixo, influenciando partidos em todo o mundo. Ainda assim, outros partidos resistiram e puderam dar novos ares para o movimento revolucionário, após a ruptura partidária entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da União Soviética.
Com a realização dos XXº Congresso do PCUS em 1956 onde Kruschov apresenta um documento contendo mentiras a respeito da figura de Stalin, seguido da demissão da cúpula revolucionária do PCUS (entre eles Jukov, Kaganovich entre outros), e a reabilitação de antigos inimigos do socialismo que se encontravam dentro e fora do PCUS. 
Utilizando da influência e do prestígio que a URSS ainda dispunha, Kruschov e seu bando fizeram de tudo para influenciar outros partidos a assumirem uma linha revisionista baseada na difamação da figura de Stalin e seus defensores e nas teses revisionistas de “Estado e partido povo”,  “transição pacífica, coexistência pacífica e competição pacífica”. Esta tese ficou conhecida como “dois todos e três pacíficas”, uma estúpida tentativa de barrar o avanço da revolução proletária mundial.
É a partir dos primeiros anos da década de 1960 que a China surge como novo baluarte da revolução proletária mundial. Junto com o Partido do Trabalho da Albânia rompem com o pacifismo e submissão aos interesses da União Soviética que naquela altura havia se convertido em potência social-imperialista.
Até meados dos anos 60, o Partido Comunista da China sob o comando de Mao Tsé Tung moveu intenso debate com os comunistas soviéticos na tentativa de frear o avanço do revisionismo na União Soviética. Apesar de o avanço revisionista ter continuado, os debates onde o PCCh levantaram bem alto as bandeiras vermelhas da revolução deram coragem para que os comunistas revolucionários de todo o mundo rompessem com a linha oportunista e reorganizassem as forças revolucionárias, que de fato aconteceu nos anos seguintes, inclusive dentro dos países que haviam assumido o revisionismo como aconteceu na Polônia em 1964, onde o histórico dirigente Kazimieriz Mijal junto com outros dirigentes revolucionários remanescentes, organizaram o Partido Comunista da Polônia.
O lídero do Partido Comunista da Polônia com o presidente Mao e o camarada Kang Sheng, 1964.
A reação soviética foi imediata, acusando os comunistas chineses de “fraccionistas” e “hegemonistas”, quando na verdade os hegemonistas eram os próprios revisionistas soviéticos sob a batuta de Kruschov e Brezhenev.
Foi então a partir da década de 1960 que os comunistas de todo o mundo passaram a reconhecer Mao Tsé Tung como continuador do trabalho revolucionário desenvolvido por Marx e Engels em 1848.
A partir daquela época as teses de Mao Tsé Tung muito mais do que mostrar eficácia, mostraram seu caráter de validade universal, superando erros, lacuna e pormenores do marxismo-leninismo. Não fui uma tentativa de se contrapor ao trabalho de Marx à Stalin como falam os oportunistas, ao contrário, deu novos ares ao marxismo-leninismo, afiou a “espada da revolução”.
Porém, os camaradas menos entendidos no assunto devem estar se perguntando: que inovações são essas que o pensamento Mao Tsé Tung trouxe ao marxismo-leninismo e à revolução proletária mundial? Vários, como explicaremos a seguir.
Primeiramente, devemos compreender que o “pensamento Mao Tsé Tung” foi adotado pelo Partido Comunista da China em 1935, quando a linha esquerdista de Wang Ming foi derrotada. Esta linha pseudo-revolucionária foi defendida por Enver Hoxha quando Mao Tsé Tung morreu. O que Hoxha se esqueceu de dizer foi que Wang Ming, e seus cúmplices que se autodenominavam “bolcheviques” passaram o resto de seus dias na União Soviética de Brezhnev, soltando maldições ao socialismo chinês e à liderança de Mao Tsé Tung, Chen Bo Da, Lin Piao e Kang Sheng.
Naquela época, o pensamento de Mao Tsé Tung era a análise das contradições da sociedade chinesa e a forma de resolvê-las sob a luz do marxismo-leninismo, o que muita gente não sabe, ou melhor, o que o PCdoB, PCR, PCB e o PCML brasileiro não sabem é que a partir de então esse pensamento forjado no calor da revolução traria inovações ao marxismo-leninismo ao longo dos anos em que foi ideologia do Partido Comunista da China (1935-1976) até tornar-se a Terceira Espada do comunismo.
As concepções revolucionárias de Mao Tsé Tung foram inicialmente sintetizadas por Chen Bo Da no início da década de 50 em um livreto intitulado “Mao Tsé Tung na revolução chinesa”, depois as obras de Mao Tsé Tung foram compiladas em quatro volumes ao longo dos anos 50 e 60, chamados de “Obras Escolhidas” com o número respectivo de cada livro. Com base nestas obras, 1966 o camarada Lin Piao transcreveu trechos das obras para um livreto que ficou conhecido mundialmente como “Livro Vermelho”, onde de forma bem simples e clara mostrava as concepções revolucionárias formuladas por Mao Tsé Tung desde 1926 até 1965.
O comandante Lin Piao.
Tanto o camarada Lin Piao como o camarada Chen Bo Da foram difamados pelos revisionistas que tentavam dominar o partido durante a ofensiva da Revolução Cultural Proletária. Tendo estes revisionistas semeado confusão através de intrigas dentro do Partido Comunista, não tardou muito para que inclusive grandes dirigentes revolucionários acabassem iludidos pelas intrigas que visavam de toda a forma derrotar a ditadura do proletariado na China.
Exército Popular de Libertação em 1949.
Mao Tsé Tung foi um dos primeiros a defender a concepção revolucionária de que “o partido manda no fuzil e jamais deve ser o contrário”. Junto a esta concepção está a idea de que “o poder político surge a partir do cano de um fuzil”. Tomando estas duas concepções revolucionárias, elas dão mais força a duas concepções de Lenin:
- a de que o partido comunista é a organização máxima do proletariado
-que só os cretinos acreditam na tomada do poder pelo proletariado através das urnas
Entenda-se que as concepções de Mao não um plágio das concepções de Lenin, porém, são o desenvolvimento, fruto da aplicação do marxismo-leninismo. 
Compreendendo a função do exército do proletariado e a função de vanguarda do partido comunista, Mao Tsé Tung no calor da batalha também desenvolveu o modo como a tomada do poder deveria ser feita, como seria a guerra popular.
Assim  Mao Tsé Tung compreendeu a necessidade de uma guerra popular prolongada. Parece apenas uma simples questão de estratégia, porém, serviu para mostrar o caminho a ser seguido para a tomada do poder tendo o proletariado como classe vanguarda. Tornou-se totalmente claro que a revolução proletária não precisaria depender de algum golpe de estado, nem ser empreendida por tropas rebeladas do exército burguês. O povo junto ao Partido Comunista poderia organizar seu próprio braço armado. 
Como o próprio nome sugere, a idea de Mao era uma guerra popular de caráter prolongado, onde partia-se para ações mais simples, como a guerra de guerrilhas até chegar o momento de uma guerra regular de movimentos. Para a China dos anos 30 e a nos países dominados da época e da atualidade, a guerra popular consistia em ações a partir das zonas rurais até atingir primeiramente cidades pequenas, mais tarde as médias e por último as grandes cidades.
A sobrevivência do exército guerrilheiro popular depende do apoio das massas, ou seja, Mao também ensinou que “a guerra popular é uma guerra de massas”, ou seja, a vitória só poderia ser obtida contasse com o apoio de amplas massas. Para isso, Mao Tsé Tung também enfatizou sobre a questão de criar um exército culto, quer dizer, soldados e camaradas que tivessem cultura, que aprendessem a ler, escrever, que falassem de modo educado, que fossem respeitosos e que servissem as massas incondicionalmente. 
Muito mais que tratar educadamente o povo, deveriam ter um apoio forte, para isso foram criadas bases de apoio, quer dizer, zonas libertadas, administradas pelo proletariado junto ao partido comunista, criando assim um poder popular paralelo ao poder do governo opressor. 
Guerrilheiros do EGPL, Índia.
A concepção revolucionária da guerra popular prolongada logo mostrou a sua capacidade e sua universalidade em diversos países desde os anos 30 até a presente década do século XXI. Esta linha teve maior força durante a segunda guerra mundial, quando os partidos comunistas do Vietnã, Birmânia, Filipinas, Indonésia e da Malásia colocaram em prática esta concepção revolucionária, obtendo êxito especialmente na Malásia (onde além dos comunistas malaios terem expulsado os japoneses, também comprometeram seriamente o domínio britânico), a mesma coisa também ocorreu na Indonésia aonde chegaram a criar um governo de coalizão com os nacionalistas, e no Vietnã a região norte foi completamente libertada em 1954. A linha revolucionária da guerra popular prolongada continua a influenciar os revolucionários de todo o mundo, tomando os exemplos da guerra popular na Índia, Filipinas, Peru e Turquia.
Tropas do Exército Popular Anti-Japonês da Malásia.
Há certo engano quando dizem que a guerra popular prolongada inicia-se apenas em zonas rurais para poder chegar às cidades. O caráter principal é o tempo de duração da guerra, não importando exatamente (isso vai depender de cada país onde esta brilhante estratégia for aplicada) aonde deve começar. Temos dois grandes exemplos de guerras populares que iniciaram em zonas urbanas, citamos a ação das Brigadas Vermelhas na Itália, e a ação da Fração do Exército Vermelho na Alemanha Ocidental, ambos os grupos estavam sob a luz do maoísmo (pensamento Mao Tsé Tung na época).
Poster das Brigadas Vermelhas
Depende do partido comunista de cada país formular uma linha correta para desferir a guerra popular.
 As leis da contradição também foram outra grande contribuição dada por Mao Tsé Tung ao movimento revolucionário, especialmente com a publicação “sobre a contradição”, de 1937. 
Enfatizando sobre a necessidade da prática acompanhada com a teoria, Mao desenvolveu outra concepção: o método de prática->teoria->prática, ou seja, a partir da prática pode-se compreender os erros, e avanços, sintetizando-os, gerando uma teoria que deve ser posta em prática a fim de continuar o seu desenvolvimento.
Sobre a questão da contradição, devemos entender segundo Mao que um todo abriga em si dois contras, quer dizer, nesse momento de união existe uma contradição não-antagônica. Quando esses contras começam a lutar entre si, essa contradição se torna uma contradição antagônica e por isso se dividem, ao contrário da tese social-democrata que apenas a união deveria prevalecer. Essa é a regra que rege todo o universo, inclusive a dialética materialista, onde uma unidade abriga dois contras que quando desenvolvem o antagonismo, dividem-se, assim sucessivamente. 
Compreendendo  a unidade e luta de contrários, Mao também compreendeu a forma de resolvê-los, tendo cada tipo de contradição um meio apropriado para ser resolvido. 
Em uma contradição não-antagônica, como por exemplo, divergências de certas opiniões dentro do partido ou do movimento não podem ser resolvidas meramente com expulsão ou eliminação física dos divergentes, como sendo não antagônica, essa contradição deve ser resolvida com método brando, que é através do debate e da prática.
Agora, se um grupo divergente tenta sabotar o movimento revolucionário, a liderança e as bases, desrespeitando as normas de conduta, então, essa contradição passa a ser antagônica, não havendo mais condições de continuarem unidos, estes contras se separam.
A “luta entre duas linhas” também foi outra descoberta importante, já que esta representa uma contradição inicialmente não-antagônica que aparece no seio do partido e do movimento revolucionário. Essa contradição, ou melhor, essa luta entre linhas em seu caráter não-antagônico pode e deve ser resolvida através do debate e da prática. Quando assume um caráter antagônico, esse tipo de contradição só pode ser resolvido de forma radical: com a expulsão e devida punição aos quadros indisciplinados. A idea da luta entre duas linhas, reforça ideologicamente as forças revolucionárias e destrói a tese errônea da organização de caráter “monolítico”, já que, uma vez expulsos os dissidentes, outros surgirão até a organização acabar enfraquecida. Hoxha foi um dos maiores propagadores dessa idea errada, aconteceu que logo após a sua morte, o Partido do Trabalho da Albânia acabou desmantelado pelos próprios membros.
Na questão política a unidade e luta de contrários se estende até a chegada do comunismo, portanto contradições antagônicas e não-antagônicas continuarão a existir enquanto existir a luta de classes, que também é uma contradição.
A linha de massas foi outro aporte de grandiosa importância desenvolvido por Mao Tsé Tung à frente do Partido Comunista. A linha de massas se baseia no apoio total às grandes massas de trabalhadores, pois são as massas que podem realizar grandes feitos, são os donos do mundo. Baseando-se nas aspirações e anseios das grandes massas de trabalhadores, o partido comunista deve buscar compreender esses desejos, sintetizá-los e devolvê-los ao povo como forma de diretrizes. Resumindo em uma bela frase do próprio Mao Tsé Tung: COM A LINHA CORRETA TEMOS AS PESSOAS E OS FUZIS.
Com base na correta linha de massas, foi possível o desenvolvimento econômico e cultural da República Popular da China nos anos 50, como durante o Grande Salto à Diante e o Movimento das Cem Flores, que será explicado a seguir.
A necessidade do máximo desenvolvimento da economia socialista é fundamental e foi reiterado por Lenin. O presidente Mao e o Partido Comunista apoiados pela poderosa força das massas iniciou na segunda metade dos anos 50 uma poderosa linha de desenvolvimento do socialismo, investindo pesado na indústria e incentivando a criação de comunas populares, ou melhor, grandes fazendas coletivas e autônomas.
Entre os anos de 1956 a 1960, houve um grande salto na indústria e na agricultura, diferente das mentiras propagadas pelos inimigos do marxismo-leninismo-maoísmo. Para se ter uma idea, a partir de 1956 iniciou-se a produção de automóveis e motocicletas com base em protótipos desenvolvidos entre os anos de 1950 e 1953. Em 1958 a China além de iniciar a primeira transmissão de televisão também iniciou a produção dos próprios aparelhos. Maquinaria suíça foi comprada para a produção de relógios, além da produção agrícola ter batido recordes a cada ano. Nos anos seguintes também foram produzidos tratores, toneladas e mais toneladas de aço, máquinas de lavar roupas, geladeiras “Snow Flake”, turbinas de hidrelétrica, prensa hidráulica, e até computadores. Assim, o Partido Comunista sob a luz do pensamento Mao Tsé Tung foi capaz de transformar um país que até pouco tempo atrás era semifeudal em potência e baluarte da revolução proletária mundial até 1976.
Porém, a burguesia continuava infiltrada dentro do Partido Comunista, sendo respaldada pelos revisionistas soviéticos e seus capangas. Agindo com total cinismo, gente como Deng Xiaoping, Kao Kang, e Liu Shao Qi auxiliaram na sabotagem do Grande Salto à Diante, como por exemplo, na falsificação dos resultados obtidos durante as colheitas, provocando assim uma grave crise na distribuição de alimentos. A União Soviética pouco fez, enviou quantidade insuficiente de alimentos, obrigando a China a importar milho da Austrália e Nova Zelândia em 1960.
A sabotagem revisionista não parou por aí, tentaram corromper funcionários públicos, visando impor um modelo de administração burguesa, tanto nas fábricas, como nas fazendas e nas escolas, tudo isso respaldaria uma restauração capitalista que estava para ocorrer em meados dos anos 60.
Esta restauração capitalista a cada dia estava dia após dia corroendo as estruturas do socialismo e da Nova Democracia, visava aproximar-se de Kruschov e Brezhnev, transformando assim a ditadura do proletariado em uma ditadura da burguesia nacional, que consequentemente conduziria a uma restauração capitalista ainda na década de 60. Vários  quadros destacados do Partido Comunista (principalmente os que ocupavam postos dirigentes) estavam se corrompendo ou já haviam sido corrompidos pelo revisionismo de Liu Shao Qi, que na época era presidente da República Popular da China. 
Um pouco antes, mais exatamente durante os debates que se seguiram entre o Partido Comunista da China e o Partido Comunista da União Soviética no início dos anos 60, Mao Tsé Tung compreendeu os erros e os avanços do socialismo na União Soviética durante o período de Lênin e Stalin até a derrocada socialista iniciada por Nikita Kruschov e seus seguidores.
Assim, ele compreendeu que não bastaria destruir a burguesia apenas no domínio econômico, porque a burguesia tem a capacidade de se camuflar em outro sistema além de contar com um apoio internacional, que é o capital estrangeiro. Portanto, a burguesia fora do poder poderia subsistir como pensamento, costumes, ideas, portanto, as influências burguesias e feudais deveriam ser desmascaradas e aniquiladas.
No final de 1965, motins de estudantes e operários contra dirigentes burocratas começaram a ganhar força, mostrando mais uma vez a força e a sabedoria das massas, em reconhecer seus verdadeiros líderes e desmascarar os impostores. Esse ato revolucionário dos estudantes teve apoio dos revolucionários do Partido Comunista, incluindo o próprio presidente Mao, que no ano seguinte, lançaria a Grande Revolução Cultural Proletária.
Em 1966, foi publicada uma carta de 16 pontos onde Mao Tsé Tung e o Partido Comunista lançavam as diretrizes da Revolução Cultural, que adiaria a restauração capitalista em 10 anos, mostraria ao mundo todo a universalidade do “pensamento Mao Tsé Tung” e fortaleceria a China como baluarte da revolução proletária mundial.
Multidão de jovens, proletários e guardas vermelhos em 1966.
Assim, Mao Tsé Tung confiando na capacidade revolucionária da juventude e do proletariado dirigiu a ofensiva revolucionária contra as influências burguesas. Camponeses, operários, intelectuais, muita gente, especialmente os jovens aderiram às milícias populares, que ficariam conhecidos mundialmente como “Guardas Vermelhos”, defensores do pensamento revolucionário de Mao Tsé Tung.
Quando a delegação militar albanesa estava na China, Mao Tsé Tung perguntou aos camaradas albaneses se eles sabiam qual era o propósito da revolução cultural proletária. Eles responderam que o propósito da revolução cultural era desmascarar os corruptos. 
Porém, o grande timoneiro explicou que o propósito ia mais além, a Revolução Cultural serviria para destruir toda a influência burguesa, que se camuflava na ideologia, e nos costumes entre o povo.
Como o nome já sugere, a Revolução Cultural se tratava de uma REVOLUÇÃO, ou seja, ali se travava uma dura luta de classes, onde não tardou muito para que dirigentes burgueses também criassem seus próprios “guardas”, alguns inclusive anti-maoístas, que logo foram atirados no lixo da história.
Essa Grande Revolução Cultural Proletária atingiria de modo positivo todo o sistema socialista da China, começando desde baixo até os altos escalões. Vários dirigentes burgueses foram rechaçados pelo povo, e condenados pelos seus atos contra o povo e contra o socialismo, como Deng Xiaoping e Liu Shao Qi.
A história burguesa em coro com os revisionistas pós-76 tratam de dizer que a revolução cultural estagnou a economia da China, quando na verdade houve apenas uma leve queda entre 1966 e 1968, aumentando a partir de 1969 até 1979, quando a economia teve um retrocesso por causa da restauração capitalista.
É importante ressaltar que durante o período da revolução cultural a China lançou seu primeiro satélite artificial (1970), produziu a primeira TV em cores (1970), bomba de hidrogênio (1973), o arroz híbrido que aumentaria a produção em até 30% (1974). Ainda no ano de 1974, quase 100% (para ser mais exato, 98,5%) da produção total do país vinha do setor socializado, portanto, a República Popular da China avançava no socialismo.
Nessa época, vários partidos comunistas do mundo todo passaram a levantar bem alto a bandeira do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsé Tung, levando o proletariado a obter importantes vitórias sob essa linha revolucionária, como em Moçambique, Kampuchea Democrática e na Colômbia, onde o PCML -C estava construindo a República Popular da Colômbia, superando os pseudo revolucionários do M-19, ELN e FARC.
Apesar do socialismo chinês e a Revolução Cultural Proletária terem sido derrotados após a morte de Mao, esse tempo serviu para adquirir experiência na revolução cultural, serviu para aprender os métodos corretos, para aprender o que deve e o que não deve ser feito. 
Nos anos seguintes à morte do Presidente Mao, Enver Hoxha, que outrora havia sido um importante aliado da revolução proletária mundial passou a tecer críticas no mínimo estúpidas contra Mao Tsé Tung, e ao contrário de comandar uma onda da revolução proletária, os partido comunistas que aderiram ao marxismo livresco de Enver Hoxha passaram a capitular, como o próprio PCML da Colômbia, que em 1984 iniciaria o processo em depor as armas.
Os partidos comunistas que seguiram apoiando Deng Xiaoping teriam o mesmo fim, passariam a capitular ao longo da década de 80, como o Partido Comunista da Tailândia, Malásia e Myanmar.
Algumas organizações proletárias e revolucionárias continuaram com a guerra popular sob a luz do pensamento Mao Tsé Tung, como TKP-ML, o PC das Filipinas e o PCML da Índia, porém, o final dos anos 70 abriria uma nova era para a revolução proletária mundial, que ficaria muito mais claro na década seguinte.
Guerrilheiros peruanos do Ejercito Guerrillero Popular em 2011.

Guerrilheiros do Partido Comunista da Turquia (ML).
Em 1980 o Partido Comunista do Peru, sob o comando do presidente Gonzalo iniciou a guerra popular, a primeira guerra popular prolongada iniciada depois da morte do presidente Mao. Indo totalmente contra a ofensiva revisionista que os hoxhaístas lançavam, o PCP junto com outros partidos comunistas lutaram pela imposição do marxismo-leninismo-pensamento Mao Tsé Tung no movimento revolucionário. Dois anos depois, o PCP lançaria a consiga marxismo-leninismo-maoísmo, lutaria pela adoção do maoísmo como terceira e superior etapa do marxismo-leninismo principalmente quando  surgiu o Movimento Revolucionário Internacionalista, organização revolucionária e internacionalista que reúne vários partidos comunistas revolucionários desde 1984.
Prisioneiras de guerra homenageando o presidente Gonzalo e o verdadeiro PCP.
O depois do Partido Comunista da China, o Partido Comunista do Peru foi o partido que mais se destacou em desenvolver e divulgar a linha revolucionária do presidente Mao.
Os aportes do presidente Mao Tsé Tung não se encaixam mais ao termo “pensamento Mao Tsé Tung”, porque o pensamento é o resultado da análise e compreensão das condições de determinado país sob a luz do marxismo-leninismo. Atualmente o os aportes de Mao Tsé Tung são a nossa linha guia, que serve de base para criarmos um pensamento revolucionário.
Portanto, o marxismo-leninismo-maoísmo desde muito tempo vem mostrando a sua universalidade, as descobertas e desenvolvimentos do presidente Mao servem como linha guia para que partidos e organizações revolucionárias de todo mundo possam resolver suas contradições, seja a contradição interna, contradição externa, ou ambas.
Texto extraído do Blog Grande Dazibao

Um comentário:

Fonte: blog do professor Mateus

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Konder: "Relatório Kruschev é fofoca"

Essa postagem é apenas pontuando o falecimento do filósofo marxiano Leandro Konder. Numa entrevista vista no youtube, ele diz algo divertidíssimo, do meu ponto de vista: seu pai, Valério Konder, afirmou: "os sucessos econômicos da União Soviética serão mais importantes do que o Relatório Kruschev. O relatório Kruschev é fofoca."

Ora, ora, não é que Konder tinha razão? O Valério Konder, o pai, militante do partido comunista, não o filho filósofo revisionista.

Aliás, ele confunde revisionismo com desenvolvimento criativo da teoria e da prática. Revisionismo é ficar tirando tudo que é revolucionário, ficar retirando coisas da teoria e proibindo a prática. É fazer como Lukács que fala em "retorno a Marx".

Sobre a China, ele simplesmente diz que "tem medo"...É para ter medo mesmo. Não há sentido falar em marxismo sem falar em maoismo hoje em dia.


Racionalização da Produção e do Trabalho : Porque a Tendência de Trotsky Desembocaria Necessariamente Em Bonapartismo Foi Necessário Destroncá-la Inexoravelmente ANTONIO GRAMSCI


[Razionalizzazione della Produzione e del Lavoro.] La tendenza di Leone Davidovi era strettamente connessa a questa serie di problemi, ciò che non mi pare sia stato messo bene in luce. 

[Racionalização da Produção e do Trabalho.] A tendência de Leone Davidovi (i.e. Trotsky) estava estreitamente conectada com essa série de problemas, o que não me parece tenha sido bem colocado à luz.

Il suo contenuto essenziale, da questo punto di vista, consisteva nella « troppo » risoluta (quindi non razionalizzata) volontà di dare supremazia, nella vita nazionale, all’industria e ai metodi industriali, di accelerare, con mezzi coercitivi esteriori, la disciplina e l’ordine nella produzione, di adeguare i costumi alle necessità del lavoro.

O seu conteúdo essencial, partindo desse ponto de vista, consistia na vontade « demasiadamente » resoluta (portanto não racionalizada) de dar supremacia, na vida nacional, à indústria e aos métodos industriais, de acelerar, com meios coercitivos exteriores, a disciplina e a ordem na produção, de adequar os costumes às necessidades do trabalho.

Data l’impostazione generale di tutti i problemi connessi alla tendenza, questa doveva sboccare necessariamente in una forma di bonapartismo, quindi la necessità inesorabile di stroncarla.

Dada a colocação geral de todos os problemas conectados à tendência, esta devia desembocar necessariamente em uma forma de bonapartismo, daí a necessidade inexorável de destroncá-la.

Le sue preoccupazioni erano giuste, ma le soluzioni pratiche erano profundamente errate : in questo squilibrio tra teoria e pratica era insito il pericolo, che del resto si era già manifestato precedentemente, nel 1921.

As suas preocupações eram justas, mas suas soluções práticas eram profundamente erradas : nesse desequilíbrio entre  teoria e prática estava ínsito o perigo que, de resto, já se havia manifestado precedentemente, em 1921.

Il principio della coercizione, diretta e indiretta, nell’ordinamento della produzione e del lavoro è giusto (cfr. il discorso pronunziato contro Martov e riportato nel volume Terrorismo) ma la forma che esso aveva assunto era errata : il modello militare era diventato un pregiudizio funesto e gli eserciti del lavoro fallirono

O princípio da coerção, direta e indireta, no ordenamento da produção e do trabalho é justo (cf. o discurso pronunciado contra Martov e relatado no volume Terrorismo), porém a forma que esse princípio havia assumido era errada : o modelo militar havia-se tornado um preconceito funesto e os exércitos de trabalho faliram[2].  


 Para mais textos de Gramsci, acesse:<<http://www.scientific-socialism.de/GramsciStalinTrotskyCAP5.htm>>