quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Carta Aberta ao Companheiro Lênin (e Makaveli)


Uma carta de Gorter respondendo ao texto O Esquerdismo de Lênin e que também serve de resposta às considerações de Jones Makaveli em seu blog:



Herman Gorter**

(...) Ainda falta defender a Esquerda contra você em relação à questão do parlamentarismo. [1] A linha de esquerda. também em relação a esta questão. Baseia-se nas mesmas razões gerais e teóricas levantadas quanto à questão sindical: isolamento do proletariado, enorme poderio do inimigo, necessidade de a massa se educar à altura de sua tarefa, de, antes de tudo, só acreditar nela mesma, etc. Não preciso expor novamente todas estas razoes.
Mas neste ponto, e em relação à questão sindical, ainda existem razões suplementares.
Para começar: os operários e. em geral, as massas trabalhadoras da Europa Ocidental estão totalmente sob a dependência ideológica da cultura burguesa, das concepções burguesas e, em conseqüência, do sistema representativo e do parlamentarismo burguês, da democracia burguesa, num nível muito mais alto que os operários da Europa Oriental.
Entre nós a ideologia burguesa tomou conta de toda a vida social e, em conseqüência. também da vida política, peneirando profundamente na cabeça e no coração dos operários. E neste quadro que foram educados, cresceram, e isto já há muitos séculos. Eles estão saturados pelas concepções burguesas.
O companheiro Pannekoek descreve muito apropriadamente a situação na revista Comunismo, publicada em Viena
“A experiência alemã nos coloca frente ao grande problema da revolução na Europa Ocidental. Nestes países o modo de produção burguês e a sua cultura secular altamente desenvolvida marcaram profundamente a maneira de sentir e de pensar das massas populares. Por isso o seu caráter íntimo e espiritual é completamente diferente do que existe nos países orientais que nunca conheceram a dominação burguesa. E é nisto que reside, antes de tudo, a diferença do processo revolucionário a leste e a oeste da Europa. Na Inglaterra, França, Holanda, Escandinávia, Itália. Alemanha, uma forte burguesia florescia desde a Idade Média, na base de uma produção pequeno-burguesa e capitalista primitiva. E, quando se derrubou o feudalismo, desenvolveu-se igualmente no campo uma classe forte e independente de camponeses, que se tornou senhora de sua própria pequena economia. Nesta base desenvolveu-se a vida espiritual burguesa numa sólida cultura nacional. Isto ocorreu principalmente nos Estados litorâneos como a Inglaterra e a França, que tomaram a dianteira do desenvolvimento capitalista. Sujeitando o conjunto da economia à sua direção, vinculando mesmo as fazendas mais longínquas à esfera de sua economia mundial, o capitalismo, durante o século XIX, elevou o nível da cultura nacional, refinou-a, e através de seus meios espirituais de propaganda — a imprensa, a escola e a igreja — forjou com base neste modelo o cérebro popular, tanto no que se refere às massas proletarizadas atraídas para a cidade como em relação às que ficaram no campo.
“Tais considerações são válidas não somente para os países de origem do capitalismo mas também. embora sob formas um pouco diferentes, para a Austrália e a América, onde os europeus fundaram novos Estados, da mesma forma que para os países da Europa Central, como a Alemanha, a Áustria e a Itália, onde o novo desenvolvimento capitalista pôde se enxertar na antiga economia retardatária e na cultura pequeno-burguesa, O capitalismo, quando penetrou nos países da Europa do Leste, encontrou um material e tradições inteiramente diferentes. Na Rússia, na Polônia. na Hungria e nos países a leste do Elba não se encontra mais uma burguesia forte para dominar tradicionalmente a vida espiritual. A situação agrária, caracterizada pela grande propriedade fundiária, pelo feudalismo patriarca e pelo comunismo de aldeia, dava o tom à ideologia.”
Frente ao problema ideológico, o companheiro Pannekoek tocou a nota certa nesta citação. Muito melhor do que nós, ele demonstrou ao nível ideológico a diferença entre a Europa Ocidental e a Oriental, revelando, deste ponto de vista, a chave de uma tática revolucionária para a Europa Ocidental.
Se se estabelece a ligação disso com a causa material da força inimiga, ou seja, com o capital financeiro, então o conjunto da tática torna-se claro.
No entanto, pode-se dizer mais a respeito do problema ideológico. A liberdade burguesa, a força do parlamento, foram conquistas das gerações anteriores, dos antepassados, em sua luta libertadora na Europa Ocidental; conquista utilizada pelos proprietários, mas realizada pelo povo. A lembrança destas lutas é ainda uma tradição profundamente enraizada no sangue do povo. De fato, uma revolução é a lembrança mais profunda de um povo. O raciocínio de que ser representado no parlamento representa uma vitória atua inconscientemente como uma força imensa e tranqüila. Isto é sobretudo válido para os velhos países de burguesia, onde houve longas e constantes lutas pela liberdade: na Inglaterra, na Holanda e na França. E também, mas numa medida menos, na Alemanha, na Bélgica e nos países escandinavos. Um habitante da Europa Oriental não pode provavelmente imaginar a força que pode assumir esta influência.
Além disso, os operários lutaram aqui, freqüentemente durante muitos anos, pelo sufrágio universal, e o conquistaram na luta, direta ou indiretamente. A vitória produziu resultados na época. São generalizados o pensamento e o sentimento de que ter representantes no parlamento burguês, atribuindo-lhes a defesa de seus próprios interesses, constitui uma vitória e um progresso. Não se deve também subestimar a força desta ideologia.
E, finalmente, a classe operária da Europa Ocidental caiu no reformismo sob a direção dos parlamentares que a conduziram à guerra, à aliança com o capitalismo. A influência do reformismo também é gigantesca. Por todas estas razões o operário tornou-se escravo do parlamento, deixando-o agir sem controles. O próprio operário não atua mais. [2]
Sobrevém a revolução. Agora ele próprio deve fazer tudo. O operário deve lutar sozinho. comando apenas com sua classe, contra o tremendo inimigo, deve travar a luta mais terrível de todos os tempos. Nenhuma tática de dirigente pode ajudá-lo. Todas as classes formam uma muralha abrupta diante dele, nenhuma está com ele. Ao contrário, se ele se abandona aos seus dirigentes ou a outras classes no parlamento, um grande perigo o ameaça — o de voltar a cair em sua antiga fraqueza, deixando os dirigentes agirem por conta própria, o de se perder no sonho de que outros podem fazer a revolução por ele, o de ir a reboque das ilusões, o de continuar dominado pela ideologia burguesa.
Esta atitude das massas em relação aos dirigentes é também muito bem descrita pelo companheiro Pannekoek:
“O parlamentarismo é a forma típica da luta mediada por dirigentes, em que as massas desempenham um papel secundário. Sua prática consiste no fato de que deputados, personalidades particulares, travam a luta essencial. Eles devem, em conseqüência. despertar nas massas a ilusão de que outros podem travar a luta por elas. Antigamente, acreditava-se que os dirigentes poderiam obter reformas importantes para os operários através da via parlamentar, prevalecendo mesmo a ilusão de que os parlamentares poderiam realizar a revolução socialista através de medidas legislativas. Hoje, na medida em que o parlamentarismo tem um ar mais modesto, avança-se o argumento de que os deputados podem lazer uma grande propaganda pelo comunismo no parlamento. Mas sempre a importância decisiva é atribuída aos dirigentes. Naturalmente, encontram-se nesta situação os profissionais que dirigem a política – se necessário sob o disfarce democrático das discussões e resoluções de congressos. A história da social-democracia é, deste ponto de vista, uma lição de tentativas inúteis no sentido de que os próprios membros do partido determinem a linha política. Sempre que o proletariado luta pela via parlamentar isto é inevitável, e a situação permanecerá a mesma enquanto as massas não criarem órgãos para a sua própria ação, ou seja, enquanto a revolução estiver ainda por vir. Mas logo que as próprias massas entram em cena, para decidir e agir, os defeitos do parlamentarismo pesam na balança.
“O problema da tática consiste em encontrar os meios de extirpar a mentalidade tradicional burguesa que domina a sociedade e enfraquece as forças da massa dos proletários. Tudo o que fortalece novamente a concepção tradicional é nocivo. O aspecto mais firme, mais persistente desta mentalidade é exatamente sua dependência em relação aos dirigentes, aos quais os operários entregam a solução de todas as questões gerais, a direção de seus interesses de classe. O parlamentarismo tende inevitavelmente a paralisar a atividade das massas necessária à revolução. Podem-se proferir belos discursos para despertar a ação revolucionária! A atividade revolucionária não se alimenta de tais frases, mas apenas da dura e difícil necessidade, quando não há outra saída.
“A revolução exige ainda algo mais que o combate das massas, capaz de derrubar um sistema governamental sabemos que isto não pode ser provocado, mas deverá originar-se na necessidade profunda das massas. A revolução exige que o proletariado assuma as grandes questões dareconstrução social, as decisões mais difíceis, a revolução exige que o proletariado assuma integralmente o movimento criador. E isto é impossível se, de início, a vanguarda, e depois as massas, sempre e cada vez mais amplas, não tomarem as coisas em suas mãos, não se considerarem como responsáveis, não se dedicarem a tentar, a fazer a propaganda, a lutar, a procurar, a pensar, a pesar, a ousar e a executar até o fim. Mas tudo isto é difícil e penoso. Enquanto a classe operária for levada a acreditar na possibilidade de um caminho mais fácil onde outros atuem em seu lugar conduzam a agitação de uma tribuna elevada, tomem decisões, dêem o sinal para a ação, façam leis – ela vacilará e ficará passiva sob o peso da velha mentalidade e das velhas debilidades.”
Os operários da Europa Ocidental devem – é preciso repetir isto mil vezes e, se for necessário, cem mil, um milhão de vezes (e quem não compreendeu isto e não aprendeu esta lição dos acontecimentos desde novembro de 1918 é um cego, mesmo se tratando de você, companheiro), os operários do Ocidente devem agir, antes de tudo, por sua própria conta, não somente no terreno sindical, mas também no terreno político. Porque eles estão sós e nenhuma astúcia tática dos dirigentes poderia ajuda-los. A maior força de impulsão deve surgir deles mesmos. Aqui, pela primeira vez, num nível mais alto que na Rússia, a emancipação da classe operária será obra dos próprios operários. É por isto que os companheiros da “esquerda” têm razão quando dizem aos companheiros alemães: não participem das eleições, boicotem o parlamento. Politicamente é preciso que vocês próprios façam tudo. Vocês não serão vitoriosos enquanto não tiverem consciência desta verdade e não agirem em conseqüência. Vocês apenas vencerão se agirem assim durante dois, cinco, dez anos esforçando-se homem por homem, grupo por grupo, em cada cidade, em cada província, enfim, em todo o país, como Partido, como União, como Conselhos de Fábrica, como Massa. como Classe. Através do exemplo e da luta sempre renovados, através das derrotas, a grande maioria de vocês acabará formando um bloco e poderá, depois de ter passado por esta escola, constituir uma massa grande e homogênea.
Mas os companheiros, os esquerdistas do KAPD, teriam cometido um grave erro se houvessem defendido esta linha apenas em palavras, pela propaganda. Na questão política, a luta e o exemplo têm ainda mais importância que na questão sindical.
Os companheiros do KAPD tinham pleno direito e obedeciam a uma necessidade histórica quando se separaram rapidamente do Spartacusbund, “rachando” com ele, ou melhor, com a sua central — quando esta não quis mais desenvolver esta propaganda. De fato, o proletariado alemão e os operários da Europa Ocidental precisavam, antes de tudo, de um exemplo. Era necessário, no quadro de um povo de escravos políticos, no mundo de oprimidos da Europa Ocidental, surgir um grupo exemplar de combatentes livres, sem dirigentes, ou seja, sem dirigentes à moda antiga. Sem deputados no parlamento.
E isto, sempre, não porque fosse belo ou bom, ou porque dessa forma fosse heróico ou maravilhoso, mas porque o povo trabalhador alemão e ocidental está só nesta terrível luta, não podendo esperar nenhum apoio das outras classes ou da inteligência dos dirigentes. Uma única coisa pode defendê-lo, a vontade e a decisão das massas, homem por homem, mulher por mulher, em bloco.
A esta tática, baseada em razões tão profundas, opõe-se a participação no parlamento, que só pode ser nociva à linha correta; e o prejuízo é infinitamente maior que à pequena vantagem da propaganda. (proporcionada pela tribuna parlamentar). É por isso que a esquerda recusa o parlamentarismo.
Você afirma que o companheiro Liebknecht [3] poderia, se estivesse vivo, fazer um trabalho maravilhoso no Reichstag. [4] É o que nós negamos. Ele não poderia manobrar politicamente num lugar onde todos os partidos da grande e da pequena burguesia fazem frente contra nós. E ele assim não ganharia melhor as massas do que fora do parlamento. Ao contrário, grande parte da massa ficaria satisfeita com seus discursos, e sua presença no parlamento seria portanto nociva. [5]
Sem dúvida um tal trabalho da “esquerda’ durará anos e as pessoas que desejam, por uma razão qualquer, êxitos imediatos, importantes cifras de adesões e de votos, grandes partidos e uma poderosa Internacional (em aparência), deverão esperar ainda muito tempo. Mas estarão satisfeitos com esta tática os que entendem que a vitória da revolução na Alemanha e na Europa Ocidental só será realidade se a maioria, se massa dos operários, começar a ter confiança em si mesma.
Companheiro, você conhece o individualismo burguês da Inglaterra, sua liberdade burguesa, sua democracia parlamentar, da forma como se desenvolveram durante seis ou sete séculos? Da forma como realmente são: infinitamente diferentes da situação na Rússia? Você sabe como estas idéias estão profundamente enraizadas em cada indivíduo, inclusive nos proletários, na Inglaterra e nas colônias? Você conhece esta estrutura unificada num imenso conjunto? Sua importância geral, na vida social e pessoal? Acho que nenhum russo, nenhum europeu do Leste, conhece esta situação. Se vocês a conhecessem, vocês admirariam os operários ingleses que ousam se levantar radicalmente contra este imenso edifício, contra a maior construção política do capitalismo em todo o mundo.
Para chegar a esta atitude, no caso de ela ser plenamente consciente, não é sem dúvida necessário um sentido revolucionário mais apurado que o possuído pelos que romperam em primeiro lugar com o czarismo? A ruptura com o conjunto da democracia inglesa já significa o embrião da revolução inglesa. Porque esta ação se realiza com a mais firme decisão, como corresponde a uma Inglaterra alicerçada num passado histórico gigantesco e de poderosas tradições. Porque o proletariado inglês representa a maior força (é o mais forte do mundo, proporcionalmente). Reparem que ele se levanta de repente frente à burguesia mais forte do mundo, que ele se levanta com todas as forças e repudia rapidamente toda a democracia inglesa, embora em seu país a revolução ainda não esteja à vista.
A sua vanguarda, a esquerda, já fez tudo isto, assim como a vanguarda sabe que a classe operária está isolada, não podendo esperar apoio de nenhuma outra classe na Inglaterra, que o próprio proletariado, antes de tudo, deve lutar e vencer com sua vanguarda e não por intermédio de seus dirigentes. [6]
O proletariado inglês mostra, pelo exemplo de sua vanguarda, como quer lutar: sozinho contra todas as classes da Inglaterra e de suas colônias.
E, mais uma vez, age como a vanguarda alemã: dando o exemplo. Criando um partido comunista que repudia o parlamento, gritando para toda a classe operária da Inglaterra: rompam com o parlamento, símbolo da força capitalista. Formem o seu próprio partido e suas próprias organizações por fábrica. Contem somente com vocês mesmos.
Este orgulho e esta dignidade nascidos no seio do maior capitalismo deveriam afinal vir á tona na Inglaterra. Elogo que a ação começou, já se torna homogênea.
Companheiro, foi um dia histórico, quando, no mês de junho, durante uma assembléia, fundou-se o primeiropartido comunista, rompendo com toda a construção e a organização do Estado em vigor há sete séculos. Eu desejaria que Marx e Engels estivessem presentes. Penso que eles teriam sentido um imenso prazer se pudessem ver aqueles operários ingleses repudiar o Estado inglês, protótipo de todos os Estados burgueses do mundo, centro e fortaleza do capital mundial já há séculos, dominando em terço da humanidade, se eles pudessem vê-los repudiar este Estado e seu parlamento.
É tanto mais razoável adotar esta tática na Inglaterra quanto sabemos que o capitalismo inglês está decidido a apoiar o capitalismo em todos os demais países, e certamente não vacilará em chamar tropas de todas as partes do mundo contra qualquer proletariado estrangeiro e particularmente contra o seu. A luta do proletariado inglês é portanto uma luta contra o capitalismo mundial. Mais uma razão para que o comunismo inglês dê o exemplo mais elevado e mais claro, para que ele apóie de forma exemplar a causa do proletariado com sua luta e seu exemplo.[7]
Deveria haver, assim, e sempre, um grupo que assumisse todas as conseqüências de sua posição na lutaOsgrupos deste tipo são o sal da humanidade. (...)



* Transcrito de: Herman GORTER. Carta aberta ao companheiro Lenin. (Resposta do autor a Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo, de Lenin). In: TRAGTENBERG, Maurício. (Org.) Marxismo Heterodoxo. São Paulo, Brasiliense, 1981, pp. 45-54. (Tradução de Daniel Aarão Reis Filho)
** Herman Gorter (1864/1927): militante revolucionário, poeta de renome e teórico marxista na Holanda. Fez parte do grupo articulado em torno do jornal De Tribune e foi fundador do Partido Social-Democrático de Esquerda em 1909. Internacionalista e pacifista durante a guerra de 1914-18, ligou-se a esquerda que promoveu a Conferência de Zimmerwald, influenciando com seus textos os espartaquistas alemães reunidos em torno de Liebknecht e Rosa Luxemburgo. Aderiu ao Partido Comunista Holandês e participou do Bureau de Amsterdan em 1920. Adversário da ação parlamentar e da participação dos comunistas nos sindicatos reformistas, polemizou duramente com os bolcheviques na célebre Carta Aberta a Lenin em que refutava as teses expostas por este no Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo. Em 1921 deixou o PC holandês e fundou o Partido Comunista Operário. Seus escritos influenciaram a liderança do PC alemão. Após 1922 retirou-se da vida política. [Apresentação de Maurício Tragtenberg. In idem, p. 10]
[1] No começo pensei que se tratava de uma questão secundária. A atitude oportunista do Spartacusband quando do golpe do Kapp e a que você adota no seu texto, em relação à questão, me persuadiram de que se tratava de uma importante questão. [Nota de H. GORTER]
[2] Esta grande influência, o conjunto desta ideologia da Europa Ocidental, dos Estados Unidos e das colônias inglesas, não é compreendida na Europa do Leste, na Turquia e nos Bálcãs (para não falar da Ásia). [Nota de H. GORTER]
[3] Referência a Karl Liebknecht, deputado social-democrata no Reichstag, que votara contra os créditos de guerra (1914-18) solicitados pelo governo contrariando a maioria do Partido, que votara a favor dos mesmos. Foi assassinado com Rosa Luxemburgo, por ocasião da repressão à revolução socialista alemã em 1919 dirigida pela ala direita da social-democracia alemã em conluio com o Exército e a burguesia, Noske e Scheidermann. [N. do Org.]
[4] Parlamento Alemão. [N. do Org.]
[5] Oexemplo do companheiro Liebknecht prova exatamente a correção de nossa tática. Antes da revolução, quando o imperialismo estava no apogeu de sua força e as leis de exceção do tempo da guerra asfixiavam qualquer movimento, ele pôde exercer uma grande influência com suas denúncias no parlamento. Mas durante a revolução a influência desapareceu. Logo que os operários tomarem seus destinos nas próprias mãos, devemos abandonar o parlamentarismo. [Nota de H. GORTER]
[6] É claro que a Inglaterra não tem camponeses pobres que poderiam apoiar o capital. Por outro lado, entretanto, ela conta com uma classe média muito maior e ainda mais ligada ao capitalismo. [Nota de H. GORTER]
[7] O perigo do oportunismo existe com mais força na Inglaterra do que nos demais países. Assim, parece que também nossa companheira Sylvia Pankhurst (embora não tenha aprofundado suficientemente suas concepções pelo estudo, nem por isso deixou de ser uma boa precursora do movimento de esquerda, por temperamento, instinto e experiência) teria mudado de opinião. Ela abandona a luta antiparlamentar, ou seja, um ponto essencial da luta contra o oportunismo, pela vantagem imediata da unidade. Toma assim o caminho já percorrido por milhares de dirigentes do movimento operário inglês: entrega-se ao oportunismo e, em última análise, à burguesia. Isto não tem nada de extraordinário, mas o fato de que foi você, companheiro Lenin, que a levou a reboque e a convenceu, àquela que era a única dirigente conseqüente e ousada da Inglaterra, isto foi um duro golpe para a Revolução Russa e mundial. [Nota de H. GORTER]

Um comentário:

Felipe Vasconcelos Carneiro disse...

Li e acho que esse texto do Gorter analisa a questão da revolução de uma forma muito superestrutural. No capitalismo, seja o regime político uma democracia ou uma ditadura, as sucessivas crises levam a impasses na continuação do sistema. O questão é os comunistas saberem aproveitar esses momentos para se aproximarem do momento revolucionário.