Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 4 de março de 2009
Ditabranda, Impertinácia, Bosco furando o Olho da História do Olho
Enquanto a ditabranda dá polêmica, escrevi para ajudar o grande poeta Roberto Joaldo de Oliveira com a revista Impertinácia. Enviei um artigo com fragmentos inéditos do Oswald para ele. Espero que não demore e saia.
Revisitei também o blog do jornalista e escritor poderoso Wir Caetano, de quem resenhei o belo Morte Porca. Logo mais posto o endereço: vale uma visita.
A Folha quis atacar o Chávez chamando a nossa ditadura de 1964-85 de "ditabranda" em editorial. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder pediram retratação e foram tratados como trolls no espaço do leitor, chamados de cínicos que nunca ousaram romper com Cuba. Se estivessem num blog, tudo bem que tomassem. Mas escreveram para um jornal e foram tratados daquele jeito, com insultos?
Mas ditabranda é um termo que acho correto para tratar do Estado Novo getulista, onde comunistas como Portinari continuaram fazendo painéis em prédios públicos e outros como Gilberto Freyre recebiam eventualmente em trabalhos em jornal oficial (Correio da Manhã, me parece). Foi um período de exceção "brando", mas somente em comparação com o "Estado Novo da UDN" entre 1964-85.
Eu resolvi assinar o abaixo-assinado contra a Folha de S. Paulo, jornal que gosto, pelo seguinte: existem sindicatos, jornais e tevês críticas ao governo na Venezuela. Chávez não fechou a tal "Rádio Caracas Televisión", que Walter Navarro do Tempo chamou de "SBT da Venezuela". Chávez cassou sua concessão devido ao fato de que ela participou ativamente no golpe contra ele em 2002, coisa que TV nenhuma pode fazer, tendo em vista de que é concessão pública. Mas ela ainda funciona pela internet e a cabo. A estratégia da oposição, ao se negar a participar de eleições, é que tem sido a de caracterizar Chávez como ditador.
O que não suporto nessa história do Chávez é o seguinte: hegemonia de direita é democracia liberal ou democracia à brasileira (eufemismo usado no tempo da ditadura de 64). Hegemonia de esquerda, na mídia, só pode ser ditadura (o que não é o caso da Venezuela, que foi o único país da América Latina não teve ditaduras entre 1960 e 70, tinha uma democracia oligárquica, mas que não foi derrubada). Existem jornais venezuelanos de oposição na web, como o Tal Cual, que já visitei e achei menos editorializado que a Veja.
Marcelo Coelho, que eu admiro, reconheceu que o editorial foi um erro, mas ainda assim criticou a esquerda. Tudo bem. Só fiz um reparo à crítica dele: ele colocou Ruy Castro como colunista de esquerda na Folha, enquanto na direita estaria o Pondé, o Coutinho, etc. Posso fazer outro: quem criticou o editorial, segundo Marcelo Coelho, quer defender o MST, Fidel e Chávez. Hã?
Li também uma entrevista do Francisco Bosco a partir do blog do Caetano Vilela, autor de Banalogias, sobre A História do Olho e outros livros. Ele valorizou Campos de Carvalho (viva!) e comentou a releitura como fenômeno diacrônico, ou seja, fragmentado e fora do tempo. O leitor que relê um livro estaria retomando não uma história somente, mas também sua história subjetiva entre uma leitura e outra. Diacronismo é o cânone dos concretos: Arnaut Daniel, Li Tai Po, Sousândrade, Qorpo Santo, Mallarmé, etc. Sincrônico é o do Antônio Candido: História da Formação da Literatura Brasileira.
Bosco furou a História do Olho, julgou ridícula a narrativa do seminarista, supondo Bataille um bom ensaísta, mas mau romancista...
Revisitei também o blog do jornalista e escritor poderoso Wir Caetano, de quem resenhei o belo Morte Porca. Logo mais posto o endereço: vale uma visita.
A Folha quis atacar o Chávez chamando a nossa ditadura de 1964-85 de "ditabranda" em editorial. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder pediram retratação e foram tratados como trolls no espaço do leitor, chamados de cínicos que nunca ousaram romper com Cuba. Se estivessem num blog, tudo bem que tomassem. Mas escreveram para um jornal e foram tratados daquele jeito, com insultos?
Mas ditabranda é um termo que acho correto para tratar do Estado Novo getulista, onde comunistas como Portinari continuaram fazendo painéis em prédios públicos e outros como Gilberto Freyre recebiam eventualmente em trabalhos em jornal oficial (Correio da Manhã, me parece). Foi um período de exceção "brando", mas somente em comparação com o "Estado Novo da UDN" entre 1964-85.
Eu resolvi assinar o abaixo-assinado contra a Folha de S. Paulo, jornal que gosto, pelo seguinte: existem sindicatos, jornais e tevês críticas ao governo na Venezuela. Chávez não fechou a tal "Rádio Caracas Televisión", que Walter Navarro do Tempo chamou de "SBT da Venezuela". Chávez cassou sua concessão devido ao fato de que ela participou ativamente no golpe contra ele em 2002, coisa que TV nenhuma pode fazer, tendo em vista de que é concessão pública. Mas ela ainda funciona pela internet e a cabo. A estratégia da oposição, ao se negar a participar de eleições, é que tem sido a de caracterizar Chávez como ditador.
O que não suporto nessa história do Chávez é o seguinte: hegemonia de direita é democracia liberal ou democracia à brasileira (eufemismo usado no tempo da ditadura de 64). Hegemonia de esquerda, na mídia, só pode ser ditadura (o que não é o caso da Venezuela, que foi o único país da América Latina não teve ditaduras entre 1960 e 70, tinha uma democracia oligárquica, mas que não foi derrubada). Existem jornais venezuelanos de oposição na web, como o Tal Cual, que já visitei e achei menos editorializado que a Veja.
Marcelo Coelho, que eu admiro, reconheceu que o editorial foi um erro, mas ainda assim criticou a esquerda. Tudo bem. Só fiz um reparo à crítica dele: ele colocou Ruy Castro como colunista de esquerda na Folha, enquanto na direita estaria o Pondé, o Coutinho, etc. Posso fazer outro: quem criticou o editorial, segundo Marcelo Coelho, quer defender o MST, Fidel e Chávez. Hã?
Li também uma entrevista do Francisco Bosco a partir do blog do Caetano Vilela, autor de Banalogias, sobre A História do Olho e outros livros. Ele valorizou Campos de Carvalho (viva!) e comentou a releitura como fenômeno diacrônico, ou seja, fragmentado e fora do tempo. O leitor que relê um livro estaria retomando não uma história somente, mas também sua história subjetiva entre uma leitura e outra. Diacronismo é o cânone dos concretos: Arnaut Daniel, Li Tai Po, Sousândrade, Qorpo Santo, Mallarmé, etc. Sincrônico é o do Antônio Candido: História da Formação da Literatura Brasileira.
Bosco furou a História do Olho, julgou ridícula a narrativa do seminarista, supondo Bataille um bom ensaísta, mas mau romancista...
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O Bond de Ópera: Fragmento da Postagem
Taí uma parte da postagem do Caetano: o restante está em www.caetanovilela.blogspot.com
Pois "Quantum of Solace" para mim já é um clássico de ação, guardarei na memória essa cena de "Tosca" assim como guardo as do 'shakespeariano' Francis Ford Coppola que popularizou a cavalgada das Valquírias (III ato da ópera "A Valquíria" de Wagner), em "Apocalipse Now" num coreográfico ataque de helicópteros ou do mesmo Coppola na já clássica 'homenagem' ao russo Sergei Eisenstein na cena da escadaria de Odessa em "O Poderoso Chefão 3", em que num tiroteio entre mafiosos nas escadarias de um teatro após assistirem "Cavalleria Rusticanna" de Mascagni, morre Maria a filha de Michael Corleone (onde Al Paccino reage com seu 'operístico grito mudo').
Menos 'profundo' e bem divertido é a versão pop do 'maneirista' Luc Besson para "Lucia de Lammermoor" (ópera de Donizetti) em "O Quinto Elemento" em que a cantora é uma 'coisa com tentáculos azuis' que gorgeia a ária da loucura de Lucia numa versão 'techno-dance', enquanto a pancadaria corre solta (os puristas líricos se arrepiaram quando o filme foi lançado!), no excelente "O Talentoso Ripley" o personagem Ripley, interpretado por Matt Damon, sente uma atração (sexual também) doentia pelo amigo Dickie (Jude Law) que acaba matando. Na minha interpretação esse plano ficou em sua cabeça depois de uma ida dos 'amigos' à ópera para assistir "Eugene Onegin" do russo Tchaikovsky sobre dois amigos que se amam (no sentido 'amigo' mas também homoerótico, lembrando também que o compositor era um dos mais enrustidos entre os seus pares, apaixonado pelo sobrinho compôs a ópera como uma 'saída do armário'!) e acabam duelando até que um mata o outro.
Tenho dezenas de exemplos e lembranças que posso falar depois numa mesa de bar, mas sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, o novo filme do James Bond... hummm tem uma cena de ópera né?
Pois "Quantum of Solace" para mim já é um clássico de ação, guardarei na memória essa cena de "Tosca" assim como guardo as do 'shakespeariano' Francis Ford Coppola que popularizou a cavalgada das Valquírias (III ato da ópera "A Valquíria" de Wagner), em "Apocalipse Now" num coreográfico ataque de helicópteros ou do mesmo Coppola na já clássica 'homenagem' ao russo Sergei Eisenstein na cena da escadaria de Odessa em "O Poderoso Chefão 3", em que num tiroteio entre mafiosos nas escadarias de um teatro após assistirem "Cavalleria Rusticanna" de Mascagni, morre Maria a filha de Michael Corleone (onde Al Paccino reage com seu 'operístico grito mudo').
Menos 'profundo' e bem divertido é a versão pop do 'maneirista' Luc Besson para "Lucia de Lammermoor" (ópera de Donizetti) em "O Quinto Elemento" em que a cantora é uma 'coisa com tentáculos azuis' que gorgeia a ária da loucura de Lucia numa versão 'techno-dance', enquanto a pancadaria corre solta (os puristas líricos se arrepiaram quando o filme foi lançado!), no excelente "O Talentoso Ripley" o personagem Ripley, interpretado por Matt Damon, sente uma atração (sexual também) doentia pelo amigo Dickie (Jude Law) que acaba matando. Na minha interpretação esse plano ficou em sua cabeça depois de uma ida dos 'amigos' à ópera para assistir "Eugene Onegin" do russo Tchaikovsky sobre dois amigos que se amam (no sentido 'amigo' mas também homoerótico, lembrando também que o compositor era um dos mais enrustidos entre os seus pares, apaixonado pelo sobrinho compôs a ópera como uma 'saída do armário'!) e acabam duelando até que um mata o outro.
Tenho dezenas de exemplos e lembranças que posso falar depois numa mesa de bar, mas sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, o novo filme do James Bond... hummm tem uma cena de ópera né?
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Do Blog Vira-Lata Reloaded sobre a Pichação na Bienal
Estava esperando 'baixar a poeira' para escrever sobre o 'ataque' de um grupo de pixadores na inauguração da Bienal na semana passada, mas meu nível de irritação subiu quando soube de outro 'ataque' do mesmo grupo a uma série de graffitis espalhados pela cidade de São Paulo com o pretexto de que os grafiteiros foram 'vendidos para o sistema capitalista', ou seja: mercantilizaram a sua arte!
Gosh!!! Da Vinci, Goya, Michelangelo 'et caterva' devem estar dançando nos sarcófagos pensando que se vivo fossem teriam suas obras marcadas pelos hieroglifos da 'patrulha do pixo'.
A trégua chegou ao fim depois que um estudante (classe média e com bolsa de estudos!) de uma faculdade de arte foi expulso em junho deste ano ao apresentar como trabalho de conclusão de curso uma 'invasão bárbara' na própria faculdade, pixando e destruindo tudo o que via pela frente, já postei sobre isso aqui no "Viralata" e também sobre estes atos recentes o meu vizinho Vip Felipe já publicou o que pensa aqui.
Minha opinião não mudou em nada desde os primeiros 'ataques', e como são um bando de moleques (e algumas 'minas') mimados 'pseudo revolucionários' e ignorantes digo que o que eles fizeram não é de forma alguma ARTE!
O que vimos foi uma MANIFESTAÇÃO política, muito embora os próprios não saibam disso passando ao largo dos movimentos artísticos contemporâneos. Já aprendemos com os 'performers', que confundiam todos com a 'transitoriedade' de suas 'intervenções', que para se 'fazer' ARTE há que se ter a 'intenção de'. Não foi o caso, vimos um PROTESTO de um grupo de pixadores revoltados contra o sistema capitalista (zzzz) defendendo a 'arte bruta' nascida nos guetos e nas ruas e que hoje é comprada por playboys para decorar seus apartamentos (zzzzzzzz). Sinceramente, who cares?!
Se não fossem os 'playboys' comprando tudo o que vêem pela frente não teríamos Warhol e a Pop Art (Crítica e estética! Melhor nem falar das famílias de 'playboys' da Idade Média, os Medicis), muito menos poderíamos conhecer hoje o marginal, pixador e grafiteiro Basquiat, à quem essa molecada ignorante bem nascida deve muito e muito.
Mas é besteira falar sobre isso, eles "são burros e não sabem nada", como gritava meu xará Caetano Veloso para uma platéia que o vaiava num destes festivais nos anos 60 o xingando de "vendido para o sistema". Waalll, 40 anos depois e essa juventude não aprendeu nada!!!
Sobre o tal estudante que foi expulso da faculdade, e que iniciou esse movimento todo, escrevi em 13/06/08 "Cidadania x Arte", o post completo você lê aqui e abaixo destaco o trecho:
- "Se o objetivo era chamar a atenção do 'sistema corrompido' (ai, que preguiça!) que buscasse então formas mais civilizadas para tanto, ou melhor, trocasse de curso e fosse estudar ciências sociais, pois aposto o meu piercing como esse cara não leu o básico do básico sobre história, economia e sociologia. Sem contar que obviamente ele é um péssimo 'artista'"
Gosh!!! Da Vinci, Goya, Michelangelo 'et caterva' devem estar dançando nos sarcófagos pensando que se vivo fossem teriam suas obras marcadas pelos hieroglifos da 'patrulha do pixo'.
A trégua chegou ao fim depois que um estudante (classe média e com bolsa de estudos!) de uma faculdade de arte foi expulso em junho deste ano ao apresentar como trabalho de conclusão de curso uma 'invasão bárbara' na própria faculdade, pixando e destruindo tudo o que via pela frente, já postei sobre isso aqui no "Viralata" e também sobre estes atos recentes o meu vizinho Vip Felipe já publicou o que pensa aqui.
Minha opinião não mudou em nada desde os primeiros 'ataques', e como são um bando de moleques (e algumas 'minas') mimados 'pseudo revolucionários' e ignorantes digo que o que eles fizeram não é de forma alguma ARTE!
O que vimos foi uma MANIFESTAÇÃO política, muito embora os próprios não saibam disso passando ao largo dos movimentos artísticos contemporâneos. Já aprendemos com os 'performers', que confundiam todos com a 'transitoriedade' de suas 'intervenções', que para se 'fazer' ARTE há que se ter a 'intenção de'. Não foi o caso, vimos um PROTESTO de um grupo de pixadores revoltados contra o sistema capitalista (zzzz) defendendo a 'arte bruta' nascida nos guetos e nas ruas e que hoje é comprada por playboys para decorar seus apartamentos (zzzzzzzz). Sinceramente, who cares?!
Se não fossem os 'playboys' comprando tudo o que vêem pela frente não teríamos Warhol e a Pop Art (Crítica e estética! Melhor nem falar das famílias de 'playboys' da Idade Média, os Medicis), muito menos poderíamos conhecer hoje o marginal, pixador e grafiteiro Basquiat, à quem essa molecada ignorante bem nascida deve muito e muito.
Mas é besteira falar sobre isso, eles "são burros e não sabem nada", como gritava meu xará Caetano Veloso para uma platéia que o vaiava num destes festivais nos anos 60 o xingando de "vendido para o sistema". Waalll, 40 anos depois e essa juventude não aprendeu nada!!!
Sobre o tal estudante que foi expulso da faculdade, e que iniciou esse movimento todo, escrevi em 13/06/08 "Cidadania x Arte", o post completo você lê aqui e abaixo destaco o trecho:
- "Se o objetivo era chamar a atenção do 'sistema corrompido' (ai, que preguiça!) que buscasse então formas mais civilizadas para tanto, ou melhor, trocasse de curso e fosse estudar ciências sociais, pois aposto o meu piercing como esse cara não leu o básico do básico sobre história, economia e sociologia. Sem contar que obviamente ele é um péssimo 'artista'"
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