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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Brevíssimas Olímpicas

BREVÍSSIMAS OLÍMPICAS


Notas do nosso correspondente enviado a Pequim


Meu leal e benevolente leitor, posso até vê-lo daqui, do outro lado do mundo, à frente da sua TV adquirida em suaves parcelas nas Casas Bahia, acompanhando os certames de Pequim e detonando sua porção de pipoca de microondas com a voracidade de um leão a destroçar o alce. Adivinho também que o amigo deva estar no momento com ambas as mãos ocupadas, uma pilotando o controle remoto e outra segurando o copão de coca ou cerveja, o que me faz supor que se encontre com a cara enfiada nos piruás que ficaram lá no fundinho da tigela, tal qual ruminante no cocho.


Pois não seja eu a perturbar o seu televisivo espírito olímpico com minhas dispensáveis notas, tão sem encanto e interesse. Contudo, aí vão algumas delas, que sou forçado a parir por estar sendo (mal) pago para isso.


No cálculo em altura, deu a lógica: dona Oberici Guedes da Costa, angolana naturalizada portuguesa, que o Guiness Book of Records aponta como o ser humano do sexo feminino com maior quantidade de sardas por centímetro de pele, ficou com a medalha de ouro em conta de dividir com três casas decimais depois da vírgula – a sua especialidade, juntamente com a recitação de cor e salteada dos números primos até 859.663.002.984.351.935. Tal feito deixou boquiaberta toda a platéia do Ninho de Pássaro, naquela altura do campeonato já totalmente salpicado por cacas de pombas de variadas nacionalidades.


Grande expectativa marcava a final dos bocejos de praia, masculino e feminino. O público que lotava as arquibancadas ia ao delírio frente ao hipopotâmico esgarçar de mandíbulas dos moços e moças de Gana, que em espetaculares jogadas ensaiadas deixava os adversários desconcertados. Causou consternação geral o momento em que os medalhistas de prata deixaram a quadra de bocejos aos soluços, enxugando as lágrimas com a bandeira de seu país (que a bem da verdade não me lembro exatamente qual era).


Seria este repórter um relapso se deixasse de registrar a zebra por excelência destes jogos, no revezamento 4 x 400 sem barreiras. Como é do conhecimento de todos, essa prova consiste na participação de 400 atletas a percorrerem uma distância de 4 metros cada um, passando o bastão para o próximo, que corre seus 4 metros e assim sucessivamente. Os fundistas do Cazaquistão, favoritos pelo exímio preparo físico, foram vencidos pela equipe da Guiné Bissau, que no entanto teve que devolver as medalhas duas horas depois por dopping. Resultado: a China sagrou-se vencedora, sendo esta a única láurea conquistada pelo país anfitrião.


Last but not least, o nada sincronizado foi a modalidade de maior audiência do evento, calculada na fase eliminatória em 6,5 bilhões de pessoas ao redor do globo. Tivemos uma final arrebatadora, onde, em impecável sincronismo, 87 atletas nada faziam durante as cinco horas e trinta e cinco minutos de duração da prova. Um acontecimento que ficará gravado para sempre nos anais da história e que honrou sobejamente o ideal olímpico do Barão de Coubertin. Agora, é aguardar Londres 2012, onde juntos estaremos mais uma vez – se a sua paciência suportar e se de novo cometerem a imprudência de me enviar para a cobertura.


© Direitos Reservados


segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O Ouro é Nosso em Jornalismo e Natação!!!

“O Ouro já é Nosso!” (editorial do jornal Fique Sabendo, Bom Despacho, MG, 16 a 31 de agosto)

São 277 atletas brasileiros nessas olimpíadas de Pequim, onde tem inúmeros competidores de alto nível. Um deles pode ser citado sem comparações é o americano Maycon Phelphes, um verdadeiro fenômeno da natação mundial. De qualquer forma, esses desportistas estão tentando levar o nome do Brasil ao ponto mais alto do pódio.

Apesar de ter ganhado poucas medalhas, ainda se pode valorizar esses atletas, pois é notória a falta de apoio ao esporte especializado no país. O esporte, na maioria das vezes, é deixado de lado pelo governo brasileiro. A prova disso são os resultados obtidos nos últimos jogos olímpicos.

Não se pode comparar, mas os EUA dão show no que diz respeito à conquista de medalhas. Considerada uma potência em diversas modalidades, os americanos valorizam de verdade seus atletas e com isso os favorecem de várias formas no esporte. Nos Estados Unidos, por exemplo, as Universidades dão Bolsa de Estudos a jovens desportistas, o que lhes garante um futuro promissor.

O basquete universitário nos Estados Unidos revelam todos anos, atletas de alto nível. Quem dera se isso acontecesse no Brasil, onde a maioria das universidades sugam o dinheiro de seus alunos de forma tão ríspida e sem pena do tal ser pobre. Na verdade, o Brasil está a milhões de distância de se tornar uma referência no esporte, porque esse conceito, ainda não apresenta projetos de fazer dessa nação um ´espelho´ para outros competidores.

Existe a expectativa do Brasil nessas olimpíadas faturar um maior número de conquista de medalhas. Porém, até o momento, não se viu o esperado. Mas é para tanto, porque o país continua sendo ´o país do futebol´ e tem que aprender muito sobre as outras modalidades. Talvez chegou a hora disso acontecer, porque nossos atletas merecem, não só a nossa torcida, mas quem sabe, o nosso respeito.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos de Guerra: Geórgia X Rússia

8/08/2008 - 20h37

Conflito latente avançou após independência de Kosovo, dizem analistas

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MARIANA CAMPOS
da Folha Online
CAROLINA MONTENEGRO
colaboração para a Folha Online

O conflito entre a Geórgia e a Ossétia do Sul podia ter ocorrido a qualquer momento, porque a tensão entre as partes era latente desde o final dos anos 90. Essa é a análise do professor Alexander Zhebit, livre-docente em história de Relações Internacionais e Política Externa pela Academia Diplomática do Ministério das Relações Exteriores da Rússia; e de Angelo Segrillo, historiador da USP (Universidade de São Paulo), UFF (Universidade Federal Fluminense) e Instituto Pushkin de Moscou.

Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência. Nesta sexta-feira, a Geórgia realizou uma ofensiva contra a Ossétia do Sul, e a Rússia reagiu.

Arte/Folha Online

Para Zhebit, a tensão entre a Geórgia e a Ossétia do Sul era muito grande desde a chegada ao poder, em 2004, do presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, aliado dos EUA. Ele diz que a escalada ganhou força após a independência de Kosovo, em fevereiro. Para o professor, o uso da força demonstrado hoje por parte da Geórgia foi "simplesmente ultrajante".

"Assuntos separatistas têm de ser tratados com bastante cuidado e com bastante respeito, porque podem provocar derramamento de sangue", disse.

"Os russos não reconheceram Kosovo independente da Sérvia, sua aliada, e ameaçam que, se isso acontecesse, eles também poderiam reconhecer a independência da Ossétia do Sul. Se Kosovo pode, por que não a Ossétia e a Abkhásia também?", explica Segrillo. Segundo o analista, antes de a independência kosovar, a Rússia tinha mantido uma postura neutra em relação à Ossétia do Sul e também não tinha reconhecido a independência.

Embora, na prática, a Ossétia do Sul opere de forma quase autônoma desde os anos 1990, a meta do território é se tornar independente ou se reintegrar à Ossétia do Norte, que integra a Rússia atualmente. "Os russos aceitariam os dois territórios, como parte da Rússia, mas a Geórgia não", acrescentou.

Independência

Segundo Zhebit, a população da Ossétia do Sul é uma minoria que vive também na Ossétia do Norte. "É o mesmo povo que vive dividido em duas partes pela fronteira russo-georgiana", afirmou. Hoje, cerca de 80% dos ossetianos do sul possuem passaportes russos.

"Em 1992, eles declararam a independência e, desde então, são uma república separatista que sofreu bastante porque os georgianos nunca concordaram com a declaração e sempre tentavam resgatar esse território", afirmou.

Para Zhebit, a tensão existente também entre Geórgia e Rússia não é atual. Ele diz que os georgianos, com relação à Rússia, não praticam a "política da boa vizinhança, falando de maneira bastante suave".

"O presidente Mikhail Saakashvili logo declarou suas intenções de entrar na Otan e permitiu a presença dos conselheiros militares dos EUA em seu território. Então, a orientação dele está clara. Posso dizer que isso irrita o governo russo porque a região é bastante explosiva: a Tchetchênia se encontra lá e o conflito tchetcheno ainda está vivo na memória dos russos."

Ele classifica a rivalidade como puro nacionalismo. "E o nacionalismo georgiano, graças à política do Mikhail, é predominante. Eles estão tentando estabelecer controle sobre as regiões separatistas. A questão não é se eles têm direito, mas que eles têm de fazer isso usando os meios legais, recorrendo ao direito internacional, à negociação e não ao uso da força."

EUA

Desde que assumiu o poder, o presidente georgiano promete retomar o controle da Ossétia do Sul, mas sua decisão de atacar a região agora está ligado aos laços da Geórgia com os Estados Unidos --que mantém tropas no país para treinamento de militares que lutam no Iraque--, segundo Segrillo. "Saakashvili se sente mais forte para atacar a Ossétia do Sul porque tem simpatia ocidental."

Em abril passado, na última cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico-Norte), em Bucareste, os EUA defenderam a entrada das ex-repúblicas soviéticas Geórgia e da Ucrânia na aliança, mas a Rússia se opôs ferozmente.

No final, os EUA conseguiram apoio para escudo antimísseis em países do Leste Europeu, mas ficaram sem um cronograma para a adesão. O saldo de meias-vitórias para Rússia e EUA põe em risco o futuro da Otan e ameaça o ressurgimento da Guerra Fria.

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