(Cenário: uma lan-house para turistas em Cuba. Os turistas brasileiros do barco Vampiro de Curitiba ocuparam-na totalmente, para perplexidade de cubanos e outros turistas).
Denny Yang: pessoal, o meu blog não acabou.
Henrique Hemídio: eu vim no barco também. Olha, Lúcio, o quê você acha da Filosofia Clínica?
Lúcio: Filosofia cínica? Adoro! Tem o Sloterdjik com a Crítica da Razão Cínica...
Hemídio: Não, é Clínica.
Lúcio: aquela do meu xará, Lúcio Packter? Ah, dizem que ele é um Gugu Liberato filósofo. Mas do jeito que o nível tá baixo, vou fazer três anos de psicanálise e clinicar.
Crítico de Arte: vocês gostam do Freddy?
Hemídio: que Freddy, o Krueger?
Crítico de Arte: não, o Freddy Nietty, o filósofo.
Lúcio: quanta intimidade! Gosto de Schopp Hause também.
Fantasma de Francis: vem cá, Lucianta! São dois metros e trinta, é pouco, mas é tudo para você!
Luciana: não, Francis, no meu Paco Rabane, não!
Lúcio: pessoal, vamos para a aula de Filologia com a Yoani. Cadê o John Hemingway? Foi comido pelos tubarões?
Gerald: estava justamente falando sobre isso agora...Ele está em Salzburgo vendo a Ópera H.
Denny: essa blognovela demora ainda? É longa?
Lúcio: essa blognovela, Denny, é toda de improviso...
Walter Greulach: Vou contar como conheci um tal Gerald: o sol ameaçava cair, mas a tarde, impávida, se esforçava muito pouco em evitar. Três ou quatro turistas, de barriga para cima, aproveitavam os últimos raios de luz em uma praia da Flórida. Eu me encontrava em minha rotina de arrumar os quartos na praia de National. Tirava toalhas e cobertores sujos e os colocava num saco preto, ao mesmo tempo em que repassava mentalmente os rótulos que tive durante meus quarenta e poucos infrutíferos anos: filho em Mendoza, estudante em Córdoba, locutor em Entre Ríos, cozinheiro em Aruba, agora morando em Miami e atendente na praia. Nada muito recompensador para quem aos dezessete anos se imaginava o sucessor de Borges ou pelo menos um pouco de Cortázar...
Lúcio: eu fui ver a novela e conferir a atuação do chimpanzé em Poucas e Boas. Gostei! Excelente ator!
Crítico de arte: os quadros dele eram um jogo dramático entre a forma e a essência...
Jô Soares: a dança da tartaruga, meu amor. Eu sou o ladrão de Bagdá, lá na Bahia comi vatapá.
Lúcio: as novelas combatem o abstracionismo. Mas para mim, o código realista não é "o" código. Mas o que eu queria mesmo era estar naquele barraco lá em Genebra, aquela palestra animada do "Jade". Ahmadine-Jade. Um Jade desmancha-rodinha e que não sabe dançar a dança do ventre.
Jô: eu tô doidão, eu tô doidão, eu tô doidão, de batida de limão!
Crítico de arte: seu papagaio de piratas do Caribe!
Lúcio: eu sou papagaio e Gerald Thomas é o pirata?
Crítico de arte: Nem me fale em Gerald, ele já citou Ahmadine-Jade em Porto Alegre e eu não fiquei nada alegre.
Contrera: e eu, sou o "Alex"? Sou o "mordomo chileno" e o Gerald é Jô?
Lúcio: eu adoraria ver aquela palestra. Jade, falar no Jade é dar polêmica.
Gerald: eu fui falar nele em Porto Alegre, me arrependi.
Lúcio: é, mas quem eram aqueles caras vestidos de palhaço com umas cores de arco-íris na cabeça, dando chilique na platéia? Eram gays protestando contra a posição anti-gay do Jade?
Crítico de Arte: eu achei linda aquela loira saindo...queria tomar um café com ela.
Aqueles europeus saindo altivos, tanta gente bonita...
Lúcio: foi animado demais! E aquele pessoal gritando das galerias! E berrando "change" para o Jade na saída! Te pego na saída, velho grito de guerra! E o Jade tinha que lembrar que existe racismo contra muçulmanos em Israel e racismo na Suíça? A Paula que o diga. Fez aquele "body-art" só para ganhar uns trocados...
Crítico de arte: É, o Jade não dança a dança do ventre, mas quer ver Cuba, Coréia do Norte e Irã lançar foguete. Quer ver Cuba lançar e balançar os USA. Ele é do mal mesmo, ele negou o holocausto, ele quer destruir Israel, ele. Enfim, enfim, o Jade é pop, o Jade é pop, cantem com a melodia daquela canção dos Engenheiros do Havaí.
Lúcio: que coisa mais cafona! Você comeu siri bosta? Vá ter um filho com o Lugo-gostoso. E-z-i-r, no nosso Hamlet, você seria a mãe de Ham-let e nos deixaria p-i-r-a-d-o-s.
James: minhaliteraturaagora.blogspot.com. Vocês viram Vik Muniz no JÔ ontem? Levei vinte e dois anos para fazer sucesso do dia para a noite! ÓTIMA FRASE! VIVA VIK!
Alberto Guzik: Lúcio, vc fez um post chamado Francis, Kantor, o escambau e você? Aff. Não achei poderoso, não. Achei...vou inventar um conceito. Alô, alô, Mirisola, Bin Laden dos frustrados! lembrando, pessoal, o Monóloga da Velha Apresentadora continua em cartaz em...
Lúcio: Falando sobre Tiradentes, adoro a cena final de Os Inconfidentes, do Quincas: Tiradentes ia ser enforcado, daí começam palmas e é uma encenação em 1972, com imagens de documentário mostrando que a ditadura militar também celebrava o militar Tiradentes...
Mirisola: A minha fanfarronice nada tem a ver com o texto que o Guzik está falando... já faz mais de dois meses que a Velha entrou em cartaz e até agora a peça não foi criticada num veículo de massa. Por quê? As pessoas tem que saber o que está acontecendo. Cadê o público? Por que eu só ouço falar no filme da Lília Cabral e no tornozelo fraturado do Rogério Ceni?
Lúcio: oi, oi, Guzik, merchan não rola, mas quem tá aí com vc...Caetano Vilela! Vc não deveria estar em Salzburgo? Manaus? Na selva amazônica?
Caetano Vilela: na guerra e no rock, estou com GT!
Alziro Patafísico: e eu tô sentindo um desespero, eu tô cada vez mais sarapatético e patafísico...ah, a ciência das verdades absurdas e ridículas, cada vez mais atual e tão renegada!
João Paulo do Estado de Minas: Os blogs são os olhos de um furacão de inconsequência e burrice eleito por Andrew Keen em O CULTO DO AMADOR. Quem lê um bom jornal está numa praça pública de pessoas decentes que querem vencer pela razão, não consolar pela concordância. Quem vai aos mesmos blogs se sente confortado em ver que há gente com quem sempre concorda.
Lúcio: JP, concorrente a gente trata com estriquinina, né? Deve ser esse o primeiro blog que você vê...E eu quero pedir desculpas publicamente para a Mariana Berger, que me pagou na Revista Discutindo Filosofia e eu nem vi...obrigado, Mariana! Beijos infinitos!
(Continua...)
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Saco do Estado de Minas, Propagandas, Nietzsche, Breuer, Sex Chocolate Factory, etc.
Eu gostaria de montar uma peça inspirada na Chocolate Factory, livro infantil tornado sucesso graças a dois filmes. Seria Chocolate Factory para adultos. Seria perfeita para esse nosso tempo de crise: os empregados falariam sobre a possibilidade de serem mandados embora, por exemplo. O público seria seduzido com o queijo Minas e o doce de leite exsudando de falos e vaginas, podendo também interagir e chupar pirulitos e chupetas eróticas, enquanto o subtexto seria essa nossa nova depressão sinistra. Um misto de Abu Ghraib e Beto Carrero World, Guantánamo & Disney.
E uma cena seria especialmente interessante: os participantes brasileiros poderiam marcar seus próprios corpos com chocolate quente, com símbolos a escolher. Um cara vestido de conde Drácula ficaria servindo mapas da Suíça em forma de chocolate. Os brasileiros comeriam ao som de Taí, eu fiz tudo para você gostar de mim, vestidos de corvos ou de ovelhas negras. Tudo seria filmado e televisionado para a Suíça, para que eles possam viver sua purgação, sua encenação, seu novo affaire Dreyfus.
Há muito gostaria de comentar duas propagandas: uma é do Estado de Minas. Um cara vestido de saco comenta: eu até que tinha conteúdo, mas eu era um saco (e ele aparece com saco de papel na cabeça). Depois ele assina Estado de Minas e passa a ter contato com as novidades dos times mineiros e outras mineiridades. Mas ele continua a ser um saco! Estado de Minas, dê no saco! Diplomas não servem para nada: escrevi na Cult, caderno Pensar do Estado de Minas, Revista Discutindo Filosofia, etc. Tudo de graça. Muito obrigado a todos pela oportunidade: obrigado João Paulo, Dayse Bregantini, Mariana Berger, isso não é uma crítica, é só uma reflexão: gostaria de viver, também, de brisa.
A outra propaganda é de cerveja. Nela, o cara fantasia se as mulheres fossem diferentes...e daí elas passam a se comportar como...homens. Ah, se as mulheres fossem homens, é a mensagem que ficou no final da propaganda. É como um texto que fiz a partir do Miramar do Oswald. Num diálogo, o poeta parnasiano Fíleas comenta a respeito da personagem Rolah: "-Ah, se todos os homens e mulheres do mundo possuíssem Rolah!"
Estou lendo Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom. Ele imagina o encontro entre Joseph Breuer e Friedrich Nietzsche, romanceando o encontro (que na realidade não ocorreu no final do século XIX) entre a filosofia nietzschiana e a psicanálise. Num dado momento, Nietzsche fala para Breuer, invertendo os termos e virando o terapeuta, algo como: vocês judeus reprimem sua raiva, pois para os judeus, reprimir a raiva é questão de sobrevivência. Breuer, por sua vez, nota que o tom de Nietzsche era belicoso e estridente e pergunta para quê gritar, se sua personalidade mesmo era suave e cavalheiresca, em contraste.
E uma cena seria especialmente interessante: os participantes brasileiros poderiam marcar seus próprios corpos com chocolate quente, com símbolos a escolher. Um cara vestido de conde Drácula ficaria servindo mapas da Suíça em forma de chocolate. Os brasileiros comeriam ao som de Taí, eu fiz tudo para você gostar de mim, vestidos de corvos ou de ovelhas negras. Tudo seria filmado e televisionado para a Suíça, para que eles possam viver sua purgação, sua encenação, seu novo affaire Dreyfus.
Há muito gostaria de comentar duas propagandas: uma é do Estado de Minas. Um cara vestido de saco comenta: eu até que tinha conteúdo, mas eu era um saco (e ele aparece com saco de papel na cabeça). Depois ele assina Estado de Minas e passa a ter contato com as novidades dos times mineiros e outras mineiridades. Mas ele continua a ser um saco! Estado de Minas, dê no saco! Diplomas não servem para nada: escrevi na Cult, caderno Pensar do Estado de Minas, Revista Discutindo Filosofia, etc. Tudo de graça. Muito obrigado a todos pela oportunidade: obrigado João Paulo, Dayse Bregantini, Mariana Berger, isso não é uma crítica, é só uma reflexão: gostaria de viver, também, de brisa.
A outra propaganda é de cerveja. Nela, o cara fantasia se as mulheres fossem diferentes...e daí elas passam a se comportar como...homens. Ah, se as mulheres fossem homens, é a mensagem que ficou no final da propaganda. É como um texto que fiz a partir do Miramar do Oswald. Num diálogo, o poeta parnasiano Fíleas comenta a respeito da personagem Rolah: "-Ah, se todos os homens e mulheres do mundo possuíssem Rolah!"
Estou lendo Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom. Ele imagina o encontro entre Joseph Breuer e Friedrich Nietzsche, romanceando o encontro (que na realidade não ocorreu no final do século XIX) entre a filosofia nietzschiana e a psicanálise. Num dado momento, Nietzsche fala para Breuer, invertendo os termos e virando o terapeuta, algo como: vocês judeus reprimem sua raiva, pois para os judeus, reprimir a raiva é questão de sobrevivência. Breuer, por sua vez, nota que o tom de Nietzsche era belicoso e estridente e pergunta para quê gritar, se sua personalidade mesmo era suave e cavalheiresca, em contraste.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
SVP=FDP, Battisti, Mitre, Casoy, Jean Wyllys, Fórum Social, Venus de Willemdorf, Kate Moss
A novela Battisti continua. Leio no blog do Caetano que existe um tal Bragaglia em Ilhabela que cometeu crimes de extrema-direita e poderá ser extraditado. Uma tal Cristina, a mesma que protagonizou um barraco com o Gerald lá no blog dele, está lá no Caetano e comentou essa do direitista de Ilha Bela. Será amigo dela?
Crimes de extrema-direita costumam ter certa simpatia de partes do aparelho do estado. Um exemplo é o da Paula, advogada brasileira atacada por suíços de extrema-direita. A Europa está ficando cheia de neofascistas violentos, essa é a face mais perversa da globalização por lá. A polícia diz que os acontecimentos não estão muito claros e a mídia reproduz isso. Um jornal suíço, protegendo o SVP, União Democrata Cristã ou coisa que o valha: na verdade, um bando de xenófobos. SVP=FDP. Eles são os verdadeiros abutres que devoram a Suíça e a Europa. E ela, como na versão maluca dos suíços para ficarem bem com o poder, tiver se auto-flagelado? E se isso virar moda e Reinaldo Azevedo aparecer com um "PT" tatuado em pleno auto-flagelo católico no bumbum? Bem fashion, não? Eu tinha simpatia pelo Direto da Redação, mas hoje, como um cara que escreve na Suíça lá, um tal Rui Martins, bancou essa versão do poder e mandaram como título do newsletter, acho que Gerald deve estar certo a respeito deles e "alguém do DR deve ter problemas".
Badan Falhares é um estado de espírito, hein? Baixou nos suíços! E ninguém vai ser condenado pela morte do mineiro Jean Charles. Scotland Yard sucks! Schweitzer SVP, du bist schrecklich!
O Terceiro Mundo precisa explodir essa hegemonia do norte. Mas nós continuaremos indo para lá, pois eles estiveram aqui como colonizadores.
Sinceramente, como Netantahu, com o russo ou com, como a mídia pronuncia, "Zíper Livre", o futuro de Israel me parece sombrio. O país apostou tudo no apoio americano. Se o apoio americano se tornar anti-econômico, não duvido que os USA abandonarão Israel à própria sorte. Daí ouviremos falar da "Faixa de Haifa" ou coisas que tais. Mas por enquanto, embora a Igreja Católica esteja santificando padres franquistas que tombaram às dezenas, ainda pelo menos obriga o padre antissemita a pedir desculpas.
E o caso Battisti ainda dá o que falar. Casoy, para reforçar suas verdades, chamou lá no SBT o Fernando Mitre e um professor universitário cujo nome esqueci. Ficaram com uma conversa que não enfrentou os fatos a respeito do caso e ficou repetindo o caso dos boxeadores cubanos (Caetano já voltou atrás e retirou essa comparação, no que foi muito sensato; talvez Tarso Genro tenha lhe telefonado). Casoy tinha algo de escultura, de estátua, de pedra, de retorno ao chão. Ele parece uma estátua de si mesmo, uma talking head de mármore. Mitre era mais humano, mais eros do que tanathoscasoy, mas mesmo assim com uma barbicha histriônica acentuava sorrindo "verdades" levianas televisivas. Tinha para tudo o aval do profe, que sempre repetia que o Proletários Armados pelo Comunismo era um grupo criminoso comum, que Battisti precisa ir para Itália senão estamos falando mal da DEMOCRACIA italiana, que está sendo conspurcada em sua pureza burlescômica. Hard Times in Bello Paese, como escreveu John Hemingway, acentuando que Burlesconi é tão xenófobo com os ciganos da Itália quando outros partidários modernos da expulsão dos imigrantes.
A coisa foi muito diferente na Record, quando um jovem entrevistador confrontou um jovem representante do governo italiano e um defensor dos Direitos Humanos. Falou-se em Mitterrand (que perdoou Battisti), no fato de que o grupo de Battisti era político, incontestavelmente, dentre outros argumentos, deixando o defensor de Bushesconi em maus lençóis. Os argumentos dos caras se desfazem num diálogo sério.
Fico feliz pelo Fórum Social no Pará e fico satisfeito em ver que em Davos assumiram que o papel do estado é importante. Já a Revista Veja se sentiu pessoalmente desacatada. Davos virou marxista?
Jean Wyllys atacou Patrícia Kogut por uma nota que dizia que ele se negou a dar entrevista no Globo Repórter. O único que me interessava na história toda era ele, um professor universitário intelectual que vivia citando Caetano Veloso. Caets, que eu saiba, nunca citou o nome dele. O blog dele era simpático e ele até me respondeu um e-mail que mandei a respeito do programa e de um texto meu sobre Oswald e a tropicália. Mas o blog do Jean, aí por 2006, era como o myspace da Nina Hagen: comandado por outros, oxe, pois Jean tinha mais o que fazer...
Wyllys fez uma grande jogada política assumindo ser gay na TV e ganhou a disputa. A partir da aprovação do público à sua pessoa, ele ficou imune no programa e conspirar contra ele virou ataque politicamente incorreto ao público e a uma minoria. E, diga-se de passagem, eu acho o politicamente incorreto importante e é algo que deve ser pensado. Em geral, é positivo. Eu simpatizo com Jean, mas no caso da Kogut, ele quis se defender, na verdade, da Globo. Foi ela que disse que ele se negou a dar entrevista para o Globo Repórter, numa postura vingativa. Ele simplesmente estava de férias. Mas as organizações querem não só o corpo dos bróderes, querem suas almas. Jean se negou, pois foi curtir o paraíso baiano e baiano não tem a ética protestante do trabalho, graças a Deus e aos orixás.
Outro dia vi uma entrevista de Kate Moss, a "cocaine Kate" dos tablóides ingleses. Um artista fez dela uma escultura dobrada com seu peso: cinquenta quilos. Kate é o modelo da mulher moderna, magra por cobrança do padrão. O meu padrão é a Vênus de Willemdorf.
Crimes de extrema-direita costumam ter certa simpatia de partes do aparelho do estado. Um exemplo é o da Paula, advogada brasileira atacada por suíços de extrema-direita. A Europa está ficando cheia de neofascistas violentos, essa é a face mais perversa da globalização por lá. A polícia diz que os acontecimentos não estão muito claros e a mídia reproduz isso. Um jornal suíço, protegendo o SVP, União Democrata Cristã ou coisa que o valha: na verdade, um bando de xenófobos. SVP=FDP. Eles são os verdadeiros abutres que devoram a Suíça e a Europa. E ela, como na versão maluca dos suíços para ficarem bem com o poder, tiver se auto-flagelado? E se isso virar moda e Reinaldo Azevedo aparecer com um "PT" tatuado em pleno auto-flagelo católico no bumbum? Bem fashion, não? Eu tinha simpatia pelo Direto da Redação, mas hoje, como um cara que escreve na Suíça lá, um tal Rui Martins, bancou essa versão do poder e mandaram como título do newsletter, acho que Gerald deve estar certo a respeito deles e "alguém do DR deve ter problemas".
Badan Falhares é um estado de espírito, hein? Baixou nos suíços! E ninguém vai ser condenado pela morte do mineiro Jean Charles. Scotland Yard sucks! Schweitzer SVP, du bist schrecklich!
O Terceiro Mundo precisa explodir essa hegemonia do norte. Mas nós continuaremos indo para lá, pois eles estiveram aqui como colonizadores.
Sinceramente, como Netantahu, com o russo ou com, como a mídia pronuncia, "Zíper Livre", o futuro de Israel me parece sombrio. O país apostou tudo no apoio americano. Se o apoio americano se tornar anti-econômico, não duvido que os USA abandonarão Israel à própria sorte. Daí ouviremos falar da "Faixa de Haifa" ou coisas que tais. Mas por enquanto, embora a Igreja Católica esteja santificando padres franquistas que tombaram às dezenas, ainda pelo menos obriga o padre antissemita a pedir desculpas.
E o caso Battisti ainda dá o que falar. Casoy, para reforçar suas verdades, chamou lá no SBT o Fernando Mitre e um professor universitário cujo nome esqueci. Ficaram com uma conversa que não enfrentou os fatos a respeito do caso e ficou repetindo o caso dos boxeadores cubanos (Caetano já voltou atrás e retirou essa comparação, no que foi muito sensato; talvez Tarso Genro tenha lhe telefonado). Casoy tinha algo de escultura, de estátua, de pedra, de retorno ao chão. Ele parece uma estátua de si mesmo, uma talking head de mármore. Mitre era mais humano, mais eros do que tanathoscasoy, mas mesmo assim com uma barbicha histriônica acentuava sorrindo "verdades" levianas televisivas. Tinha para tudo o aval do profe, que sempre repetia que o Proletários Armados pelo Comunismo era um grupo criminoso comum, que Battisti precisa ir para Itália senão estamos falando mal da DEMOCRACIA italiana, que está sendo conspurcada em sua pureza burlescômica. Hard Times in Bello Paese, como escreveu John Hemingway, acentuando que Burlesconi é tão xenófobo com os ciganos da Itália quando outros partidários modernos da expulsão dos imigrantes.
A coisa foi muito diferente na Record, quando um jovem entrevistador confrontou um jovem representante do governo italiano e um defensor dos Direitos Humanos. Falou-se em Mitterrand (que perdoou Battisti), no fato de que o grupo de Battisti era político, incontestavelmente, dentre outros argumentos, deixando o defensor de Bushesconi em maus lençóis. Os argumentos dos caras se desfazem num diálogo sério.
Fico feliz pelo Fórum Social no Pará e fico satisfeito em ver que em Davos assumiram que o papel do estado é importante. Já a Revista Veja se sentiu pessoalmente desacatada. Davos virou marxista?
Jean Wyllys atacou Patrícia Kogut por uma nota que dizia que ele se negou a dar entrevista no Globo Repórter. O único que me interessava na história toda era ele, um professor universitário intelectual que vivia citando Caetano Veloso. Caets, que eu saiba, nunca citou o nome dele. O blog dele era simpático e ele até me respondeu um e-mail que mandei a respeito do programa e de um texto meu sobre Oswald e a tropicália. Mas o blog do Jean, aí por 2006, era como o myspace da Nina Hagen: comandado por outros, oxe, pois Jean tinha mais o que fazer...
Wyllys fez uma grande jogada política assumindo ser gay na TV e ganhou a disputa. A partir da aprovação do público à sua pessoa, ele ficou imune no programa e conspirar contra ele virou ataque politicamente incorreto ao público e a uma minoria. E, diga-se de passagem, eu acho o politicamente incorreto importante e é algo que deve ser pensado. Em geral, é positivo. Eu simpatizo com Jean, mas no caso da Kogut, ele quis se defender, na verdade, da Globo. Foi ela que disse que ele se negou a dar entrevista para o Globo Repórter, numa postura vingativa. Ele simplesmente estava de férias. Mas as organizações querem não só o corpo dos bróderes, querem suas almas. Jean se negou, pois foi curtir o paraíso baiano e baiano não tem a ética protestante do trabalho, graças a Deus e aos orixás.
Outro dia vi uma entrevista de Kate Moss, a "cocaine Kate" dos tablóides ingleses. Um artista fez dela uma escultura dobrada com seu peso: cinquenta quilos. Kate é o modelo da mulher moderna, magra por cobrança do padrão. O meu padrão é a Vênus de Willemdorf.
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