[Improviso a partir do texto Condenados à Tradição, de Iuma Simon, publicado na última revista Piauí].
Eucanaã
Não encontrará
Sua Canaã
No midiático oficialismo
Na institucionalização progressiva
No highbrow calculismo
A poesia que Eucanaã
Escreve
Revencia a tradição
& se apropria dela
Carlito e Eucanaã
Temperam suas Canaãs geracionais
Com seus próprios paradigmas
Ao molho retradicionalizador
De uma tal
Maria Simon
Maria diz sem pietá:
Carlito Azedo é
Doce rigor construtivo
vertigem sintática &
escancarado esteticismo;
Carlito Carlitos
usa um dispositivo
Para a dissolução referencial
Das luzes da ribalta.
Maria, Maria, é um dom
Ela diz com certa magia
Contundente cabralismo;
Carlito se alimenta do espetáculo
Do texto indeterminado
Movido pelo desejo
De ornamento e beleza.
Já Eucanaã é Ferrabrás:
Emoção e beleza
curam as cicatrizes da construção
Cabralismo com afeto
Delicadeza e diálogo:
Autores portugueses.
O ritmo do desejo corrige e humaniza
(sentimentaliza?)
A racionalidade construtiva