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sábado, 22 de outubro de 2011

Condenados à Traição

[Improviso a partir do texto Condenados à Tradição, de Iuma Simon, publicado na última revista Piauí].

Eucanaã
Não encontrará
Sua Canaã

No midiático oficialismo
Na institucionalização progressiva
No highbrow calculismo

A poesia que Eucanaã
Escreve
Revencia a tradição
& se apropria dela

Carlito e Eucanaã
Temperam suas Canaãs geracionais
Com seus próprios paradigmas
Ao molho retradicionalizador
De uma tal
Maria Simon


Maria diz sem pietá:
Carlito Azedo é
Doce rigor construtivo
vertigem sintática &
escancarado esteticismo;
Carlito Carlitos
usa um dispositivo
Para a dissolução referencial
Das luzes da ribalta.

Maria, Maria, é um dom
Ela diz com certa magia
Contundente cabralismo;
Carlito se alimenta do espetáculo
Do texto indeterminado
Movido pelo desejo
De ornamento e beleza.


Já Eucanaã é Ferrabrás:
Emoção e beleza
curam as cicatrizes da construção
Cabralismo com afeto
Delicadeza e diálogo:
Autores portugueses.

O ritmo do desejo corrige e humaniza
(sentimentaliza?)
A racionalidade construtiva