Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
sábado, 5 de junho de 2010
revista cidade sol apoia o lançamento da pré-candidatura de Fábio Bezerra
Na chapa própria para as eleições gerais de 2010 o PCB apresentará as pré-candidaturas do camarada Fábio Bezerra ao governo do estado de Minas Gerais, em uma chapa com o camarada Alex Lombello (ou o camarada Jô) como candidato a vice-governador, o camarada Rafael Pimenta ao Senado Federal, o camarada Almeida a deputado federal e a formação de uma ampla chapa para o legislativo estadual.
Fábio Bezerra - pré-candidato ao Governo de Minas (sentado. De pé, o secretário-geral do PCB, e pré-candidato à presidência da república, Ivan Pinheiro)
Professor de história da rede pública estadual, formado em filosofia pela UFMG, ex-dirigente estudantil e atual liderança sindical, Bezerra está presente na luta por profundas transformações sociais no Brasil desde os anos 80, e segue firme na defesa por um estado que tenha como prioridade a população trabalhadora, investindo e reestruturando os serviços públicos como saúde, educação, emprego, cultura, lazer.
Rafael Pimenta - Pré-candidato ao senado pelo PCB. Advogado trabalhista, Pimenta pertence a uma família de lutadores sociais. Ex-líderança estudantil nos anos 70, candidato a prefeito de Juiz de Fora na última eleição municipal, Rafael apresentará o programa comunista e a atual etapa da reconstrução revolucionária do Partido Comunista Brasileiro (PCB) aos trabalhadores mineiros.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
A Ousadia Necessária: Alunos da Unipac Protestam no Orkut
Lúcio Emílio do Espírito Santo Júnior[1]
O Orkut, muitas vezes associado aos blogs, vem desempenhando um importante papel de espaço para debate e discussão de questões de interesse público e coletivo. Um dos assuntos em pauta no Orkut é a educação.Vem de longa data o esforço desenvolvido pelas universidades particulares em na busca de uma educação superior de qualidade. Para quem vê a grande expansão da UNIPAC em nossa cidade, essa busca parece ter sido conquistada.
Os alunos da UNIPAC, em protestos no Orkut, esclarecem que ainda falta muito para se considerarem satisfeitos. Roberta Abadia Carvalho, aluna do primeiro período de Pedagogia, destacou em um manifesto publicado na comunidade DCE UNIPAC Campus Bom Despacho no Orkut que existiu uma grande insatisfação de alguns alunos com a suspensão das aulas durante os jogos da última Copa: “E, mais grave do que isso, é o que vem inserido por trás de tal resolução: a excessiva regressividade do sistema de ensino; a ineficiência crônica de seus administradores, que ao contrário do que conscientizam nas salas de aulas, através de seus educadores, deixam claras características e traços que inibem a promoção do aluno, promovem distorções impercebíveis no calendário escolar, além de aumentarem os já existentes entraves na relação aluno/universidade.” Roberta, que em outra postagem na comunidade avisa estar reunindo os alunos no intervalo das terças e quintas na biblioteca da UNIPAC, também escreveu que “na verdade, nota-se que existe na instituição uma preocupação exclusivamente arrecadadora; sem o intuito de contribuir na estruturação de um aluno crítico, reflexivo e consciente”. O artigo de Roberta se mostrou tão bem escrito que confirmei uma verdade da qual já desconfiava: os alunos precisam ser mais valorizados e motivados, pois fazem a diferença positiva dentro de uma escola.
Na mesma comunidade há alunos que, manifestando-se de forma anônima, quem sabe temendo perseguições dentro da instituição, questionam: “livros continuam faltando, o xerox continua o mesmo preço, o estacionamento é para quem chegar primeiro, o resto é lá fora ,a faculdade não tem um projeto para prefeitura para facilitar a manobra dos especiais na margem da BR262, quem sabe depois que morrer uma turma inteira isto mude, né...no mais tá tudo bom.”
Indignado, outro aluno apresentou, também sem revelar seu nome, queixas semelhantes: “Temos os salgados e os preços deles na cantina, a biblioteca que não tem livros, os laboratórios de informática que não tem pc, o prédio novo dentro do esgoto, banheiros sem sabão, água e papel, etc, etc e etc...Aff! Se eu continuar, vou ficar até amanhã.” Nas postagens, uma constante reclamação foram os preços praticados pela cantina. O mesmo aluno acima disse: “os preços são abusivos e a qualidade, variedade oferecida não é das melhores”. Warle, aluno do curso de Direito, também apresentou cobranças: “Acho que falta mais participação dos alunos nas decisões do curso , sobre quantidade de livros , e até sobre questões relacionadas à didática (...).”
Esperamos que a voz dos alunos possa ser ouvida, daqui em diante, sem medo de repressão por parte da instituição e que seja tomada como uma crítica construtiva e necessária. Comunidade DCE UNIPAC CAMPUS Bom Despacho: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3599724. Para visualizar a página de um blog ligado ao movimento estudantil mineiro: http://retomarpt.blogspot.com/
terça-feira, 1 de junho de 2010
Bom Despacho: café requentado aos 100 anos?
Nesse aniversário de 98 anos de Bom Despacho, vejo pela cidade outdoors do ex-vice-prefeito Vital desejando felizes 98 anos para a cidade. Como não me lembro dele desejar 97, nem 96, nem 95 anos em outdoors, imagino que ele está de olho é nos 100.
Em 2012, quando ocorrerá a eleição para prefeito. Outro dia estava num restaurante e o garçom comentou justamente esse assunto: Vital já é candidato a prefeito em 2012. O moço me disse ter ouvido essa notícia do próprio. Não é sempre que estou com estômago para discutir política! É como a frase do poeta Carlos Fuentes: "por que um poeta não pode ser presidente? Porque não pode engolir um sapo sem fazer caretas!"
Não dá para imaginar que tantos outdoors pela cidade são uma homenagem pessoal de amor à cidade. Quanto custa um outdoor? Fora que, na campanha convencional, não se pode colocar outdoor do candidato, pelo menos, não mais. Boa idéia. Creio que não foi só uma pessoa que bolou e sim um grupo.
Que pena, então é bem possível que a oposição vai sair dividida de novo. E não pensem que o atual prefeito é cachorro morto. Ele foi eleito pela maioria. Muitos devem favor a ele. O candidato dele terá chances, sim.
Não poderíamos ter outros candidatos? Não surgiram outras lideranças tais como Fernando Cabral, Tito?
CAFÉ REQUENTADO EM 2012, NÃO!
domingo, 30 de maio de 2010
Lista dos deputados que votaram contra os professores
Em outubro, diga não aos inimigos da educação em Minas:
http://ucdiariodaclasse.blogspot.com
sábado, 29 de maio de 2010
Easy Rider Brasil
Ainda vestido de Capitão América, Dennis Hooper voltou do sambódromo cansado. Naquele domingo, seu amigo Peter Fonda vinha visitá-lo, vindo da missa dominical. Os dois ex-hippies ainda mantinham a amizade, mesmo morando no Rio de Janeiro desde 1970. No ano anterior, os dois tinham sofrido um ataque dos rednecks após o Mardi Gras em New Orleans. Após uma longa recuperação, que durou um ano, os amigos resolveram ir assistir ao carnaval no Rio de Janeiro. Gostaram bastante, planejavam voltar. No entanto, souberam que o FBI os estava processando por tráfico de cocaína nos Estados Unidos. Foram ficando pelo Rio de Janeiro, para evitarem o processo e a prisão.
Agora, nos anos 2000, quando os dois estavam em torno dos sessenta anos, o Capitão América ainda permanecia bastante boêmio, enquanto Fonda convertera-se ao catolicismo que tanto o impressionara em New Orleans. Hopper vivia quase que sempre sozinho num apartamento em Copacabana, enquanto Fonda estava casado com uma esposa brasileira e praticante da renovação carismática. Fonda não praticava o catolicismo carismático, mas simpatizava com aqueles cultos que lembravam os ritos protestantes norte-americanos, dos quais, no entanto, nunca participara.
Ambos continuavam com a mesma paixão por motocicletas e bandas de rock, especialmente as da época, do final dos anos 60: Steppenwolf, the Byrds, Eletric Prunes, Jimi Hendrix, Bob Dylan, entre outras. Fonda sempre repetia a frase de Max Weber que dizia que “aquele que vê o mundo aos 50 anos da mesma forma que via aos 20, desperdiçou 30 anos de sua vida”. Hooper, sempre muito crítico, gostava de comparar ele e Fonda com a dupla Wood & Stock, de Angeli.
Fonda ainda lembrava-se muito daquele dia em que foram alvejados pelos caipiras do sul, os reacionários de lenço vermelho, god damn racistas que discriminavam gays, comunistas e cabeludos. Hooper preferia esquecer que sua motocicleta voara longe, aos pedaços, e ainda assim conseguira ajuda com um caminhoneiro, salvando a si mesmo e ao amigo.
Muito tempo depois de terem se recuperado, Fonda ainda fazia todo ano um ritual místico para homenagear as duas motocicletas: reunia as duas máquinas danificadas no réveillon de Copacabana, cantava e dançava a noite inteira, banhando de ervas e flores as duas. Fonda cultuava muito a Harley Davidson do amigo e a sua. Hooper, cético, nunca participou. Certa passagem de ano, Fonda cobriu as motos de cremes e ungüentos cheirosos e escondeu um punhado de cânfora no tanque de sua Harley. Era uma forma de agradecer especialmente à sua alquebrada motocicleta tudo o que tinham passado. Ele talvez temesse, internamente, que uma tivesse ciúme da outra.
Rebecca no Trem Fantasma
Conheci Rebecca na abertura duma exposição: ela era a estrela da festa, embora seus quadros não estivessem expostos. Talvez devesse ter mantido distância dela. Foi ela quem se insinuou, meiga, quase esvoaçante:
- Está gostando?
- Acho que está muito eclético.
- O curador é péssimo. Foi ligando para as pessoas, deixando os artistas trazerem o que quisessem...Para uma exposição que pretendia mostrar os artistas dos anos 80 e 90...Vocês mineiros têm dificuldades em fazer escolhas.
- Talvez precisemos de mais existencialismo aqui em BH.
- Ah, quem sabe.
Eu pretendia testar a moça e extrair dela maiores informações.
- Tem trabalhos seus aí?
Ela me olhou espantada. Com um tom mais arrogante, respondeu:
- Não...Vou expor um quadro meu na semana que vem...
Eu julgava que aquela moça tinha um sotaque que me parecia familiar.
- Você é de Belo Horizonte?
- Não, sou do triângulo.
- E não se considera mineira?
- Não, nós somos um outro estado.
- Verdade? Disse eu, irônico, carregando no “r”.
Ela pareceu impaciente, e mudou de assunto:
- Estou também trabalhando com vídeo.
- Gosta de cinema?
- Não, quero fazer videoarte.
- Como é seu nome?
- Rebecca Matos, artista plástica.
- Eu sou Arcanjo, jornalista e trabalho no jornal O Debate.
Isso não intimidou Rebecca. Ela foi logo ao assunto:
- Estou fazendo um vídeo.
- E daí?
Não sei porque topei, mas logo eu estava andando pela cidade afora no automóvel de Rebecca. Eu senti um certo fascínio por aquela mulher madura, vestida à européia, cabelos com corte chanel. O sotaque do interior mineiro, por outro lado, me irritava. O ar em torno de Rebecca era carregado, como se ela drenasse energia. Isso me incomodava e me dava vontade de falar, falar coisas.
- Sabe, Rebecca, não sou crítico porra nenhuma.
- Como assim?
- Sou jornalista, mas trabalho na seção policial.
- Nossa, nunca leio...
- E o que você lê.
- Ah, eu sou mística.
A minha fala, a respeito de suas leituras, era intencionalmente agressiva. Eu queria ferir com palavras: havia Lauro Trevisan e Richard Bach no porta-luvas do carro.
- Está aprendendo a usar o poder infinito da sua mente?
- Como?
Silenciei por longos momentos. Ela dirigia dispersa, eu temia um acidente.
-Basta negar seus problemas e eles sumirão.
Rebecca soltou a frase de repente. As palavras me pareceram pombos saindo da cartola.
- Isso é irracionalismo.
E foi a vez de Rebecca se calar. Estávamos chegando ao parque. Eu não quis revelar minha atividade no jornal O Debate. Aliás, O Debate era um tigre de papel, vivia decadente, dependendo de verbas da Assembléia Legislativa para se manter. E eu conseguira um trabalho: ligava para as casas das pessoas pegando os dados dos falecidos. Fazia a seção de óbitos. Era bem pior do que a seção policial.
- Eu costumava jogar cartas.
- Verdade?
Esta palavra, dita por ela sem sotaque e sem ironia, ganhava um sentido insuspeitado: Rebecca acreditava em mim.
- Só de brincadeira...Ganhei do meu tio um livro místico. Falava de celtas, druidas, essas coisas. E junto veio um baralho.
- Ah, Arcanjo, eu acho que acredito em tudo...Nossas almas, elas vieram de outros planetas. Existiu um planeta chamado Antares, e as almas dos habitantes vieram penar aqui, neste vale de lágrimas.
Devido a meu nome, Rebecca passou a achar que eu era religioso. Começamos a fazer as imagens de seu videoarte. Eu tinha sugerido um parque de diversões bem afastado, pobre e mambembe.
Começamos: eram ingênuas, naïf, exageradas, mas eram cenas que mostravam algo entre a cultura popular e a cultura de massa. Tinham algo de destroços de um mundo antigo, fósseis de uma pureza que calava fundo. A primeira tomada foi no trem-fantasma, um caixão se abria, exibindo um esqueleto que se levantava. Lá dentro, mesmo na penumbra, pude ver uma gata e sua ninhada de gatinhos. O estofo vermelho e convidativo a trouxera até ali. O cenário era um cemitério nevoento, com árvores esgalhadas ao redor. Outros esqueletos se erguiam, mortos-vivos, numa dança macabra em homenagem àquele que renascia. A gata miava pungente. Aquilo doía, sei lá por quê.
A seguir veio uma teia, contendo uma aranha negra enorme. O quadro pintado ao fundo insinuava que a aranha estava próxima a uma casa tranqüila, uma casa de campo. A aranha tremia na teia de plástico. Suas patas e o corpo tinham a aparência da aranha-caranguejeira, paradoxalmente, uma aranha não-venenosa. Seria essa aranha um símbolo da genitália feminina? Os criadores do trem-fantasma não deviam conhecer Freud - e deviam temer igualmente aranhas, comunistas e cobras.
Um macaco gigantesco, inspirado em King-Kong, era a imagem seguinte. Rebecca teve medo e eu tive de fazer a maior parte das tomadas. Os olhos do símio se tornavam vermelhos quando o trem estava ligado. Naquele filme antigo, o macaco era nitidamente masculino, e seqüestrava uma mulher bonita. Julguei que a criatura do trem-fantasma era um austrolopitecus fallicus. O olho do animal enchia a tela; a cena em que ele estava encaixado fazia com que pudéssemos vê-lo na semi-escuridão, com leves tons de vermelho a tingir-lhe a cabeçona que se erguia do chão. A imagem, vista de relance, emergia de algum lugar do cérebro e não de um brinquedo de parque infantil.
Decidimos terminar por ali as imagens. Eu e Rebecca nos despedimos, e eu lhe dei meu endereço e telefone.
- Em breve uma obra minha entrará em exposição no Palácio das Artes. Quero ter ver no coquetel, disse ela.
Esta última afirmação me passou desapercebida, e fora feita de maneira enérgica. Eu resmunguei qualquer coisa e deixei-a no ponto de ônibus. Ela me deu um beijo bem próximo da boca, segundos antes de chegar aquele bólido vermelho:
- A gente se vê.
Dias depois, recebi um pequeno desenho, emoldurado em papel bege. Tinha uma mensagem escrita a caneta no verso, com uma letrinha miúda e escorreita:
Anjo:
Penso que, se com minha arte eu puder trazer alegria à nós, filhos de Deus, este é meu dever. Amo este mundo, acho que este mundo é lindo e cheio das coisas de Nosso Senhor e às vezes estou alegre, às vezes triste. Estes momentos de solidão são parte da vida e não devemos reclamar. Estou esperando você, quero que vá ver a exposição que inauguro no próximo dia 13. Não se importa que eu o chame de “anjo”, somente? Tomara que não...
Beijos carinhosos da Rebecca
BH, inverno de 1997
Do outro lado, havia um desenho do viaduto da Lagoinha. Era um singelo desenho com tinta guache, mas anunciava mais do que um flerte com a pintura abstrata, arte que para mim não merece muito mais consideração do que quaisquer rabiscos infantis. No desenho o viaduto se desmilingüia numa névoa cinza e alaranjada. O viaduto em si se tornava, no quadro, uma espécie de rio gelatinoso cercado de palitos ameaçadores e sombrios. Afastei a ilustração com desprezo e tédio.
Dias depois, entrei no Palácio das Artes, disposto a ver a obra de Rebecca. Tropecei num carrinho de supermercado que estava sendo exposto. Continha grama e torrões de terra. “A verdadeira instalação é o mundo”, pensei, me lembrando dos catálogos da Bienal de São Paulo.
- Quero ver a face feminina de Deus.
Minha amiga Rebecca começou a me revelar com mais profundidade seus conhecimentos místicos. Eu ouvia tudo silencioso, complacente:
- Sempre quando estou pensando em algo prejudicial, coloco a unha do indicador no polegar e aperto até machucar, até que este pensamento passe.
- Fale mais sobre a deusa com a qual você quer se encontrar...
- Não é deusa. É Deus. As grandes religiões, o judaísmo, o islamismo e o cristianismo têm sacerdotes homens. Os homens impõem os dogmas.
Silenciei de novo. Eu ouvia tudo como quem ouve uma confissão. Rebecca usava uma camiseta onde se lia I love New York e tênis puídos.
- Olhe aquela obra ali. Chama-se O Círculo de Giz Caucasiano.
Olhei naquela parede, sem disfarçar minha preguiça e displicência. Vi ali um quadro onde um círculo fora traçado com pinceladas violentas, com tinta vermelho-hemoglobina, sobre um fundo branco. Em cima do círculo pintado, Rebecca havia pregado outro círculo, este de arame, e que ultrapassava os limites da tela. Aquele quadro me pareceu ilustrar uma ausência completa de regras e limites que devia fazer parte da personalidade de Rebecca. Desviei o olhar para outra obra, uns molhos de macarrão mofados que jaziam em cima de prateleiras. Observando meu desinteresse, Rebecca sentiu-se atingida:
- Há três tipos de amor, Eros, Philos e Ágape. Se vocês jovens puderem fugir da hipocrisia do amor que tinha a geração passada, poderão usufruir do Eros bom. O Eros é o amor carnal, o Philos é a amizade, e Ágape é o amor destruidor, devorador.
Dada a diferença de idade existente entre mim e Rebecca, senti que se dizia de uma outra geração. Ela já revelara que fora hippie e desbundara alegremente nos frenetic dancin’ days.
- Não quer me levar até lá em casa?
Finalmente, Rebecca fez a pergunta lancinante. Logo que subi ao apartamento, um novo convite sucedeu o primeiro:
- Não quer ficar para um vinho?
Após várias taças, nos deitamos no sofá para ouvir seus discos de canto gregoriano. O estado eufórico provocado pelo álcool me fez bolinar Rebecca, ela logo estava se abrindo toda. Insisti para que ela desligasse o som e apagasse a luz, mas Rebecca estava já obcecada com a comunicação não-verbal do sexo. Deitou-se e misturamos nossos doces quentes.
Na manhã seguinte me despedi de Rebecca e peguei um táxi até o centro da cidade. Ela tentou me segurar mais tempo, mas me sentia cansado, exausto, e a sensação, além de física, era espiritual. Quando o táxi passou diante do lugar onde estivemos no dia anterior, decidi descer, pois meu dinheiro não dava para finalizar a viagem. O passeio em frente ao Palácio das Artes se fez fantástico: senti que havia um mistério na Grande Galeria, um mistério que levantava agora o véu para que eu o pudesse contemplar. Num piscar de olhos eu estava diante do quadro que eu vira na noite anterior, o Círculo, e o chão me fugia aos pés. Aquele círculo vermelho era um útero aberto, sangrento, um berço esplêndido, o círculo de arame representava o corpo carnal e efêmero, e a imagem do útero resplandecia, o grande mistério ali repousava mas não se entregava a mim nem assim, escancarado, fingido, representado. Eu me vi na pele de um César que abria a barriga da mãe e encontrava, assombrado, uma lufada de vento quente ali trancada.
Fugi assustado, com as roupas empapando de suor, perambulei como um zumbi pelas ruas do centro da cidade, meu corpo funcionava no piloto automático. Somente depois de chegar ao meu apartamento me acalmei, e me dei conta de que vivera aqueles últimos instantes como as formigas da minha infância, as formigas saúvas das quais eu arrancava a cabeça, e restava delas o corpo tremendo, mexendo as patas sem sentido, andando para lugar algum, sem remédio.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A Reunião de Ontem na Câmara
Como vi e li que muita gente está interessada em saber o que rolou na Câmara Municipal ontem (24/05), resolvi deixar a preguiça de lado e narrar alguns fatos contundentes que aconteceram nakela casa.
* A reunião começou como sempre, com as leituras da ata passada, de cartas recebidas e de projetos que estavam em pauta prá votação.
* Aprovada a vinda da UAB prá Bom Despacho. Vereadores querem homenagens pro povo que ajudou a trazê-la. Curos de mestrado em Física (Como se BD já não tivesse doidos o suficiente).
* Câmara lotada até a tampa. Muita gente sentada no chão ou em degraus adjacentes, temperatura quente. Claque do prefeito, maioria revoltada, reclamações de parte a parte.
* Falando no q interessa, primeiro falou o sr. Acir Parreiras, num discurso limpo, sereno; quase que dava prá confundí-lo com um advogado; lendo em folha A4, o assessor rebateu as acusações do Chimpanzé, dizendo q ele é que devia dar explicações sobre materiais esportivos desviados, apresentou cheques (xerox) assinados (como sacados) por ele, atacou a câmara municipal por conta da reforma do teto, atacou um dos vereadores por "preparar o depoimento do chimpanzé" (apresentou uma foto do citado vereador cercando um Palio no meio da rua, o que seria no máximo, uma prova de crime de trânsito) apresentou sua versão sobre a venda da matéria ao EM por 30 mil reais e do "cêrco" que ele fêz ao símio no meio da rua. E o mais fantástico, ainda citou meu blog. Como se eu tivesse alguma aspiração política... vade retro... prometeu, ainda, testemunhas mil para as apurações da CPI da Câmara. afirmou q o Prefeito é um homem nervoso (Se ele visse Acir conversar com Chimpanzé ele iria ficar BRAVO com o assessor) Como era de se prever, negou tudo, acusou todo mundo, disse que ninguém tem provas e tentou dar uma de santo. O povo vaiou a gosto.
* Logo depois, o Vereador Fernando Cabral tomou a palavra. Disse que tudo q o assessor disse era mentira. (um dos pontos altos da bagaça, pq o povo vaiou o assessor com força), fez outras acusações sobre a prefeitura (tipo: Já que que o Chimpanzé era acusado de desvio, pq somente rebaixá-lo ao invés de exonerá-lo?), tirou o corpo dele e de seus companheiros da oposição (leia-se: fodam-se os da situação) sobre o esquema do teto da Câmara (já que não estavam lá no mandato anterior), e jurou nunca ter entrado na casa do chimpanzé. (Eu sinceramente, também nunca fui à casa de macaco algum...)
* Logo depois, o que era prá ser a nata, virou coalhada. Haroldo Queiroz nem se deu o trabalho de se levantar e dirigir-se a tribuna Tancredo Neves ( o que Tancredo fez por Bom Despacho prá virar tribuna? Ah... é avô do Aécio...) Pois bem... Nem lá ele foi. Sentadinho, depois de beber mais ou menos dois litros d'água, nosso prefeito disse que estava indignado com as acusações feitas contra ele. Achou uma covardia que as denúncias viessem à tona quando ele estava viajando e não podia se defender. Achou covardia também que incluíram sua familia (mulher e filha) no imbróglio. Afirmou que nomeou o secretário (Chimpanzé) contra sua vontade, foi só pq várias pessoas pediram. Disse q estava insatisfeito com o trabalho so secretário e por isso rebaixou-o. Que o Pan troglodythes pediu-lhe realmente dinheiro emprestado (crime de agiotagem), e que apenas estava cobrando o débito. E despejou a pérola da noite (na opinião deste humilde blogueiro), afirmou que "Se Deus quiser, será o deputado (não sei se federal, ou estadual, naõ prestei atenção) de Bom Despacho em 2014. (Desde já, aviso, se Deus realmente quiser isso, mudo de religião). Pediu muito educadamente, que o povo ficasse quieto, enquanto ele apresentava sua versão dos fatos (Pq nenhum candidato pede pro povo ficar quieto durante os comícios?), que as vaias não adiantavam, e que quem iria decidir era a câmara e o ministério público.
* Logo após o pronunciamento do prefeito, quando percebeu q a coisa ia esquentar, pq os vereadores de oposição iam iniciar suas perguntas (assas pertinentes), o presidente, com ar professoral, encerrou a reunião, alegando falta de condições para continuar os trabalhos.
Flashes:
*Haroldo tomou uns 2 litros d'agua.
*Acir ficou coretando o Vereador Fernando Cabral durante a sua réplica: ficava "macaqueando" os gestos do vereador e sussurava (por leitura labial): Prova! Prova!
*Haroldo foi muito mais manso que na entrevista à difusora. Não afirmou hora alguma que compra o que quer, faz o que quer ou presta conta da vida particular quando quer...
*Nunca vi a Câmara Municipal tão cheia em minha vida.
* O Vereador Marcelão fala prá dentro.
*Os vereadores Irú e Pedro Paulo, como sempre, nem abriram suas bocas. 4.000 por mês prá tomar café, é foda!