Releio um artigo de José Antonio Pinheiro Machado sobre sua estadia na Itália de 1979 onde ocorreram os crimes pelos quais Battisti agora é perseguido. O contexto agora é obscuro e a tendência é de até mesmo intelectuais e jornalistas respeitáveis tais como Afonso Romano de Sant´Anna fazem discursos iguais aos de integralistas de extrema-direita a respeito desse assunto, reclamando toscamente de "irracionalismo ideológico"... Portanto, nesse momento grave é preciso algum esclarecimento.
Nos anos 70 italianos, com o PC italiano relativamente burocratizado, acomodado e participando da legalidade política, e, quem sabe, fazendo como o PC brasileiro de um Ferreira Gullar fazia nos anos 70, segundo as cartas ao mundo de Glauber Rocha: um partido arcaico que ficava negociando os dissídios da classe trabalhadora. Pasolini, por exemplo, prosseguiu naquele antro de “jogadores de bocha” insistindo para que os jovens o renovassem, daí o sentido do poema O PCI aos jovens!
O eixo do artigo de Pinheiro Machado “ a nova barbárie que invadiu a Itália” é a identificação da extrema-esquerda à extrema direita. Os atos da extrema-esquerda eram parte de uma “estratégia de tensão” que acabavam por favorecer a direita. Ele não entra em detalhes, mas a extrema-direita italiana também cometeu atos de terrorismo na Itália dos anos 70. Os principais grupos que estavam em luta armada eram as Brigadas Vermelhas e a Autonomia Operária. Os brigadistas seqüestraram o primeiro-ministro da democracia cristã Aldo Moro em 1978 e o assassinaram, o que funcionou a favor da direita. A estratégia, segundo Pinheiro Machado, seria levar o poderoso PCI de volta para os trilhos revolucionários através do fortalecimento da direita no poder. O lema dos brigadistas era “transformar a farsa eleitoral em luta de classe”, frase escrita pelos brigadistas ao destruírem com bombas a sede da DC em Roma. Num momento mais compreensivo onde deixa de simplesmente fazer invectivas contra os “novos bárbaros” e “terroristas”, Pinheiro Machado escreveu:
Os partidos de esquerda repetem sempre que há anos vem exigindo, sem resultado, a reforma e o reaparelhamento da polícia para proteção do estado democrático, e que a DC, desde o pós-guerra, tem tido o monopólio absoluto do Poder (inclusive na época em que compôs o governo de centro-esquerda, com os socialistas em situação subalterna), controlando a polícia e os serviços secretos. São mais de trinta anos de desgoverno DC, que se refletem também na polícia, opinava antes das eleições um senador comunista.
Pinheiro Machado não tratou do minúsculo grupo Proletários Armados pelo Comunismo, de Cesare Battisti, mas registrou a origem comum dos grupos mais importantes:
A Autonomia Operaria é a evolução da antiga organização, Potere Operário, surgida das lutas estudantis de 68 na Itália. Desta, teriam saído dois troncos distintos: a Autonomia e as Brigadas Vermelhas (...). O líder dos autômonos é o professor Antonio (Toni) Negri, da Universidade de Padova, autor de vários livros onde teoriza a violência das massas. Ele foi preso em abril e continuava até julho organizando a formalização do processo, por suspeita não só de ter teorizado, como também dirigido pessoalmente a operação de seqüestro e assassinato do deputado Aldo Moro.
Pinheiro Machado citou acima outro caso duvidoso, o de Antonio Negri, que é grande teórico e crítico social e também teve de seguir para o exílio numa época posterior a essa citada aí em cima (1979). Pessoalmente, penso que a luta armada em tempos de democracia liberal é algo fadado ao fracasso, mas o contexto em que a DC monopolizava o poder e a situação dos jovens levou a essa situação. Deve se levar em conta o contexto, portanto hoje a gente fica pensando como gente tão inteligente entrou numa fria daquelas. O artigo do Pinheiro que citei acima, na já finada revista Oitenta, foi especialmente moderado e identificado com as vítimas da DC, mas devemos levar em conta que em 79 o Brasil acabava de sair de experiência semelhante e igualmente traumática.
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
Brasil é isso: uma chuva de mentiras
No blog do Caetano, o obra em progresso, estamos discutindo Linguística. Caetano julgou que eu e o Luedy somos militantes político-linguísticos de esquerda. O último grupo político do qual estive participante era o DCE da UFMG nos anos de 1995 e 96, há muito tempo, portanto. Eu me formei em Filosofia em 1995 e desde então não participei mais de nenhum grupo.
Ontem deixei a TV na Rede Vida num programa chamado Brasil é isso. Eu já tinha visto lá um tal de Hélio Póvoa, que escreveu um livro chamado O Eixo do Mal Latino-Americano. Eu li também um artigo dele atacando Gerald Thomas quando da polêmica com o Azevedo a respeito de Fidel. O tal Póvoa nem sabia do que estava falando direito.
E ontem a conversa entre o Aristóteles Drummond e o João Ricardo Moreno foi uma campanha de mentiras, uma festa de inverdades. Ricardo começou falando que a ABF existe há vinte anos e luta contra o totalitarismo. Tá, então deveria falar em Hannah Arendt...que Arendt que nada. Aristóteles falou: até o marxismo, os filósofos sempre foram democratas...o quê? Se Sócrates e Platão eram aristocratas que criticavam duramente a democracia, para não falar em outros críticos da democracia, tais como Nietzsche. Imaginei que o papo fosse ser em torno de pensadores católicos conservadores tais como Otávio de Faria, Jackson de Figueiredo, Gustavo Corção. Pensei que o papo fosse ser conservador, mas honesto. Mas que nada! Era pura propaganda. E o que dizer do próprio Aristóteles, que era ligado a Alexandre O Grande, que no final da vida introduziu na Europa o direito divino dos reis?
Em primeiro, contra Chávez. Ele foi associado ao comunismo russo, está com o projeto de tirar as crianças aos três anos para serem criadas pelo estado, daí o fato de uma amiga de Aristóteles estar em Miami contando isso. A coisa evoluiu, mudei de canal e voltei, eles já estavam no Hezbollah. Daí o tal Ricardo dizia que o povo palestino se diz um povo superior, ai que saudades daquele Líbano francês, daquela Beirute parisiense (o que não impediu que milícias cristãs cometeram o massacre de Sabra e Chatila contra os palestinos e com a cumplicidade de Israel), o Hezbollah está organizado na América Latina, em breve teremos crianças-bomba e índios-bomba. Até o Demétrio Magnolli, supostamente um articulista de centro, decepcionava esses dois senhores de extrema direita, o que me deixou pasmo devido ao fato da Rede Vida ser uma televisão católica. Não deveria ter uma visão tão parcial. Mas há mais, há mais.
Magnolli foi vítima de protestos da comunidade judaica, disse Moreno. Ao que Aristóteles redarguiu, sabiamente, que não se poderia comparar a Fatah com o marechal Pétain na França, pois o marechal tinha criado uma zona ali muito benéfica e que protegeu os franceses...heeein? E Aristóteles mostrou saber que a Igreja Católica apoiou Pétain, pois o defendeu, dizendo que ele era "tido" como colaboracionista, como se houvesse alguma dúvida e se ele não tivesse até adiantado as atitudes dos nazistas naquele território em que ele mandava. Do centro passou-se a discutir o anti-semitismo da esquerda, que teria começado com A Questão Judaica do judeu Marx (!). Mas se nessa polêmica Marx justamente escreveu que os judeus não poderiam deixar de ser judeus e sim lutar por direitos...Não há possibilidade de boa fé numa conversa assim, é tudo com base na mentira e na inversão.
Eles só engasgaram no momento em que Moreno quis atacar o governo e Aristóteles cortou, com medo. Na televisão, os vampiros têm medo...Casoy também gaguejou ontem ao comentar a carta de Battisti onde ele denunciou ter sido julgado à revelia. Casoy, fazendo biquinho, inventou um novo direito, pois que eu saiba julgamento à revelia ser altamente democrático é novidade. Mas, como eu dizia, o Brasil é isso, né? Só não dá para se conformar.
Ontem deixei a TV na Rede Vida num programa chamado Brasil é isso. Eu já tinha visto lá um tal de Hélio Póvoa, que escreveu um livro chamado O Eixo do Mal Latino-Americano. Eu li também um artigo dele atacando Gerald Thomas quando da polêmica com o Azevedo a respeito de Fidel. O tal Póvoa nem sabia do que estava falando direito.
E ontem a conversa entre o Aristóteles Drummond e o João Ricardo Moreno foi uma campanha de mentiras, uma festa de inverdades. Ricardo começou falando que a ABF existe há vinte anos e luta contra o totalitarismo. Tá, então deveria falar em Hannah Arendt...que Arendt que nada. Aristóteles falou: até o marxismo, os filósofos sempre foram democratas...o quê? Se Sócrates e Platão eram aristocratas que criticavam duramente a democracia, para não falar em outros críticos da democracia, tais como Nietzsche. Imaginei que o papo fosse ser em torno de pensadores católicos conservadores tais como Otávio de Faria, Jackson de Figueiredo, Gustavo Corção. Pensei que o papo fosse ser conservador, mas honesto. Mas que nada! Era pura propaganda. E o que dizer do próprio Aristóteles, que era ligado a Alexandre O Grande, que no final da vida introduziu na Europa o direito divino dos reis?
Em primeiro, contra Chávez. Ele foi associado ao comunismo russo, está com o projeto de tirar as crianças aos três anos para serem criadas pelo estado, daí o fato de uma amiga de Aristóteles estar em Miami contando isso. A coisa evoluiu, mudei de canal e voltei, eles já estavam no Hezbollah. Daí o tal Ricardo dizia que o povo palestino se diz um povo superior, ai que saudades daquele Líbano francês, daquela Beirute parisiense (o que não impediu que milícias cristãs cometeram o massacre de Sabra e Chatila contra os palestinos e com a cumplicidade de Israel), o Hezbollah está organizado na América Latina, em breve teremos crianças-bomba e índios-bomba. Até o Demétrio Magnolli, supostamente um articulista de centro, decepcionava esses dois senhores de extrema direita, o que me deixou pasmo devido ao fato da Rede Vida ser uma televisão católica. Não deveria ter uma visão tão parcial. Mas há mais, há mais.
Magnolli foi vítima de protestos da comunidade judaica, disse Moreno. Ao que Aristóteles redarguiu, sabiamente, que não se poderia comparar a Fatah com o marechal Pétain na França, pois o marechal tinha criado uma zona ali muito benéfica e que protegeu os franceses...heeein? E Aristóteles mostrou saber que a Igreja Católica apoiou Pétain, pois o defendeu, dizendo que ele era "tido" como colaboracionista, como se houvesse alguma dúvida e se ele não tivesse até adiantado as atitudes dos nazistas naquele território em que ele mandava. Do centro passou-se a discutir o anti-semitismo da esquerda, que teria começado com A Questão Judaica do judeu Marx (!). Mas se nessa polêmica Marx justamente escreveu que os judeus não poderiam deixar de ser judeus e sim lutar por direitos...Não há possibilidade de boa fé numa conversa assim, é tudo com base na mentira e na inversão.
Eles só engasgaram no momento em que Moreno quis atacar o governo e Aristóteles cortou, com medo. Na televisão, os vampiros têm medo...Casoy também gaguejou ontem ao comentar a carta de Battisti onde ele denunciou ter sido julgado à revelia. Casoy, fazendo biquinho, inventou um novo direito, pois que eu saiba julgamento à revelia ser altamente democrático é novidade. Mas, como eu dizia, o Brasil é isso, né? Só não dá para se conformar.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Do Lenny Bruce
Frase do Lenny Bruce num filme ontem:
"Jim Morrison? Um palhaço bêbado querendo ser poeta. Prefiro os Stooges, Lou Reed e Iggy Pop, David Bowie. São palhaços bêbados e daí podem realmente ser poéticos..."
Vi Aventuras de Molière. Gostei. Foi como se Molière fosse Tartufo, numa idéia mais ou menos como a de Shakespeare apaixonado, mas um pouco mais sofisticada. Em Shakespeare em Love, ele duelava com o duque de Essex. Ora, estudiosos avaliam que ele escreveu sonetos tão carinhosos para esse duque que talvez fosse por ele que ele estivesse...in love. É cômico pensar nisso vendo esse filminho pipoca que o Tom Stoppard roteirizou para garantir o caviar nosso de cada dia...
Estou lendo Alô, Chics, de Glorinha Kalil. Danuza Leão é melhor escritora. Glorinha é mais jovem, empresária, nova geração. Talvez o zeitgeist esteja ali. Ou não.
"Jim Morrison? Um palhaço bêbado querendo ser poeta. Prefiro os Stooges, Lou Reed e Iggy Pop, David Bowie. São palhaços bêbados e daí podem realmente ser poéticos..."
Vi Aventuras de Molière. Gostei. Foi como se Molière fosse Tartufo, numa idéia mais ou menos como a de Shakespeare apaixonado, mas um pouco mais sofisticada. Em Shakespeare em Love, ele duelava com o duque de Essex. Ora, estudiosos avaliam que ele escreveu sonetos tão carinhosos para esse duque que talvez fosse por ele que ele estivesse...in love. É cômico pensar nisso vendo esse filminho pipoca que o Tom Stoppard roteirizou para garantir o caviar nosso de cada dia...
Estou lendo Alô, Chics, de Glorinha Kalil. Danuza Leão é melhor escritora. Glorinha é mais jovem, empresária, nova geração. Talvez o zeitgeist esteja ali. Ou não.
Battisti, o homem isca
Impressionante como um ex-guerrilheiro, escritor de romances policiais, polarizou toda uma sociedade e toda a imprensa. Trata-se da personalização da política: Berlusconi e a Itália neofacista de consumo e mafiosa querem sua isca. Afinal, o que pode um militante pobre e derrotado contra o governo de um país com tropas no Iraque e Afeganistão?
Eu apoiaria a extradição de Battisti se fosse para uma democracia não-viciada (os canais de TV são de Berlusconi) para um julgamento com direito à defesa e que levasse em conta o tempo passado e as agressões e prisão sofridas no Brasil.
Já o texto do nickname Vamp no blog do Gerald merece algumas considerações: 1) como Vamp se aproxima do estilo de Thomas (que é muito bom por sinal), fazendo pastiche, o texto, pela web, será atribuído ao GT. Cabe ao Vamp ser um moderador um pouco mais moderado do blog. Sinceramente, acho tosco alguém se liberar para atacar Deus e o mundo atrás de um nickname no blog de um artista famoso por sua genialidade, mas que aposta arriscando muito em política. Não é aconselhavel radicalizar no conservadorismo agora, justamente quando o estado de bem-estar social e as políticas de esquerda entrarão em pauta no mundo inteiro.
A aproximação do caso Dilma é pura provocação e acusações como "asssassina", "assaltante" podem render processos. Lembre da lição do Paulo Francis, Vamp! Não coloque o grande artista que é o Gerald numa fria.
E 2) para quê tentar repor, ao estilo Pacheco, a versão da direita sobre a ditadura militar? A reprodução da foto de Dilma é provocação pura e inócua. O efeito será o contrário do que ele espera, dando argumentos para a esquerda e para quem acha que Gerald Thomas é "chato de galochas" e "artista de direita". Por que? Por que?
Eu apoiaria a extradição de Battisti se fosse para uma democracia não-viciada (os canais de TV são de Berlusconi) para um julgamento com direito à defesa e que levasse em conta o tempo passado e as agressões e prisão sofridas no Brasil.
Já o texto do nickname Vamp no blog do Gerald merece algumas considerações: 1) como Vamp se aproxima do estilo de Thomas (que é muito bom por sinal), fazendo pastiche, o texto, pela web, será atribuído ao GT. Cabe ao Vamp ser um moderador um pouco mais moderado do blog. Sinceramente, acho tosco alguém se liberar para atacar Deus e o mundo atrás de um nickname no blog de um artista famoso por sua genialidade, mas que aposta arriscando muito em política. Não é aconselhavel radicalizar no conservadorismo agora, justamente quando o estado de bem-estar social e as políticas de esquerda entrarão em pauta no mundo inteiro.
A aproximação do caso Dilma é pura provocação e acusações como "asssassina", "assaltante" podem render processos. Lembre da lição do Paulo Francis, Vamp! Não coloque o grande artista que é o Gerald numa fria.
E 2) para quê tentar repor, ao estilo Pacheco, a versão da direita sobre a ditadura militar? A reprodução da foto de Dilma é provocação pura e inócua. O efeito será o contrário do que ele espera, dando argumentos para a esquerda e para quem acha que Gerald Thomas é "chato de galochas" e "artista de direita". Por que? Por que?
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Encontrei Mariana na Web, Reinaldo Azevedo X Marcelo Coelho: ÚLTIMO ROUND?
Eu encontrei, como uma concha no mar, a Mariana na web:
http://portfoliodamari.blogspot.com/
E gostei. Ela tb tava no blog do Emídio perguntando: "e aí, agora o blog do GT vai acabar?" kkkkkkk
No mais, Gerais. O último "round" da briga Reinaldo Azevedo X Marcelo Coelho acabou numa postagem "irada" do Azevedo, com letras maiúsculas e tal, protestando contra o Coelho.
Coelho destacou a tendência ao destempero e a imoderação das críticas a ele mesmo, pintado como petralha, subversivo, Montaigne da Grampolândia, Milosevich, etc. Não é muita gente, ele pergunta? No último post, Azevedo mostra como Coelho é subversivo e "fofucho" ao comentar um desenho animado. No desenho um dinossauro roxo dizia: "policiais são maravilhosos". Na verdade, Azevedo, como ideólogo, opera por inversão: o catolicismo é uma religião acossada, a direita é estigmatizada e os poetas não a cantam mais (chuif!),o aborto vem aí com Obama, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho são dois exemplares de espécies em extinção (ornitorrincos? Brontossauros?)O Brasil está afastado de Deus, nas mãos dos irmãos Petralhas e por aí vai, numa lógica de histórias em quadrinhos. É divertido? Até certo ponto.
Gianotti lia Heidegger para passar raiva; petista lê Azevedo para passar raiva. No entanto, boa parte dos comentários dos post dele são anônimos. Quem será o nick do Azevedo no blog do GT, será o "Garganta"? Esse sim, tinha me falado que era um cristão conservador. Aliás, adorei quando GT me homenageou no Kepler, the dog, foi uma honra. E foi um pouco surreal ser citado em meio a pilhas de nicknames e pseudônimos. O diálogo no blog, como dissse Mau, é te-a-tral.
O blog do GT deu origem até a um apêndice, o blog anti-gt do Jorge Schweitzer (www.taxiemmovimento.com.br). Taxista, quando dá para ser fofoqueiro, é fogo. Azevedo atacou o que ele chama de subjornalismo e usou a imagem: o subjornalismo é um fiacre, é um táxi, vc paga e vai onde quiser. No entanto, André Sant´Annna me disse (a carta está no www.emiliojunior.zip.net) que na Veja existe quem serve de "cavalo" de seu editor e citou como exemplo Jerônimo Teixeira/Mário Sabino na literatura.
Diferente do que Azevedo pensa, Marcelo Coelho não é tãaaao de esquerda assim: veja-se, no blog dele, o comentário a Tropa de Elite, chamado de "fascista" pela esquerda. Esse foi o recado que o Marcelo quis passar, mas o Azevedo não pegou.
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E gostei. Ela tb tava no blog do Emídio perguntando: "e aí, agora o blog do GT vai acabar?" kkkkkkk
No mais, Gerais. O último "round" da briga Reinaldo Azevedo X Marcelo Coelho acabou numa postagem "irada" do Azevedo, com letras maiúsculas e tal, protestando contra o Coelho.
Coelho destacou a tendência ao destempero e a imoderação das críticas a ele mesmo, pintado como petralha, subversivo, Montaigne da Grampolândia, Milosevich, etc. Não é muita gente, ele pergunta? No último post, Azevedo mostra como Coelho é subversivo e "fofucho" ao comentar um desenho animado. No desenho um dinossauro roxo dizia: "policiais são maravilhosos". Na verdade, Azevedo, como ideólogo, opera por inversão: o catolicismo é uma religião acossada, a direita é estigmatizada e os poetas não a cantam mais (chuif!),o aborto vem aí com Obama, Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho são dois exemplares de espécies em extinção (ornitorrincos? Brontossauros?)O Brasil está afastado de Deus, nas mãos dos irmãos Petralhas e por aí vai, numa lógica de histórias em quadrinhos. É divertido? Até certo ponto.
Gianotti lia Heidegger para passar raiva; petista lê Azevedo para passar raiva. No entanto, boa parte dos comentários dos post dele são anônimos. Quem será o nick do Azevedo no blog do GT, será o "Garganta"? Esse sim, tinha me falado que era um cristão conservador. Aliás, adorei quando GT me homenageou no Kepler, the dog, foi uma honra. E foi um pouco surreal ser citado em meio a pilhas de nicknames e pseudônimos. O diálogo no blog, como dissse Mau, é te-a-tral.
O blog do GT deu origem até a um apêndice, o blog anti-gt do Jorge Schweitzer (www.taxiemmovimento.com.br). Taxista, quando dá para ser fofoqueiro, é fogo. Azevedo atacou o que ele chama de subjornalismo e usou a imagem: o subjornalismo é um fiacre, é um táxi, vc paga e vai onde quiser. No entanto, André Sant´Annna me disse (a carta está no www.emiliojunior.zip.net) que na Veja existe quem serve de "cavalo" de seu editor e citou como exemplo Jerônimo Teixeira/Mário Sabino na literatura.
Diferente do que Azevedo pensa, Marcelo Coelho não é tãaaao de esquerda assim: veja-se, no blog dele, o comentário a Tropa de Elite, chamado de "fascista" pela esquerda. Esse foi o recado que o Marcelo quis passar, mas o Azevedo não pegou.
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Reinaldo Azevedo
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Caetano escreveu sobre linguística; análise de Possenti
Ele, Caetano, falou de lingüística
Sírio Possenti
De Campinas
Há algumas semanas, em seu blog, Caetano Veloso falou de lingüística. O título do texto do dia era "lingüistas" (o tom parecia com os associados usualmente a expressões negativas, como quem diz "mulheres" ou "petistas" para ressaltar características que um homem ou um tucano acham típicas, e que lhes soam negativas).
É difícil discutir todos os aspectos do texto. E sei que destacar algumas passagens de certa forma descaracteriza o pronunciamento. Mas vou fazer isso, apesar dos riscos, porque há aspectos claramente destacáveis (pelo menos do ponto de vista de um lingüista; de um tipo de lingüista, pelo menos).
Primeiro, registre-se que as opiniões de Caetano têm algum lustro: leu certos textos e freqüentou certos meios (os concretistas, que liam Jakobson, que citava e era citado etc.). E, obviamente, ele não é bobo. Nem totalmente preconceituoso... Mas esse tipo lustro nem sempre favorece.
Vamos, pois, aos comentários de algumas passagens do post dele.
Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele... todos falavam de Jakobson, que falava dele.
Aquelas aulas? Pois é. Aulas sobre Saussure têm sido pequenos desastres. Em geral, ele passou para a história (em cursos de letras e de comunicação) como o cara da dupla face do signo, o significante e o significado. Mas, de fato, isso não é próprio do Saussure. Nem a arbitrariedade dessa relação. Saussure é o pensador do sistema, dos valores, da diferença (ler sobre as entidades lingüísticas, por favor). E foi assim que ele passou para a história da lingüística.
O que disse sobre o significante ser a imagem acústica é certamente relevante, porque põe o fonema, por exemplo, num espaço psicológico específico (se tivesse sido compreendido nesse particular, não leríamos os Sacconi da vida dizendo que fonemas são os sons da língua, nem haveria ditados fonêmicos em escolas de medicina ou de fonoaudiologia). É mais ou menos como achar que a relatividade é o relativismo. Pessoalmente, prefiro os "erros" da tradição às achegas parciais a propostas novas. Um bom Newton é melhor que um Planck mal digerido.
Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais.
"Práxis dos falantes", obviamente, não é Saussure. O tempo é, para ele, a categoria fundamental para explicar a mudança. Vago? Acho que sim, mas esse é Saussure. Práxis é marxismo ("sério" ou de boteco, pouco importa). Importante: se essa tese de Saussure chamou tanto a atenção de Caetano, aposto que foi porque tinha sido levado a pensar, ou porque talvez estivesse pensando, que as línguas são mais ou menos imutáveis (o que, de fato, de vez em quando, volta com força no post dele, não à toa, eu achei. Gostou da idéia, mas não "conseguiu" incorporar).
Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: "oiseaux".
A afirmação acima fecha seus comentários sobre o que Saussure teria dito sobre a escrita. Ficou a anedota, como freqüentemente ocorre. E o exagero (a única língua ocidental: ou o professor "acrescentou", ou foi no bar; sempre um bom lugar, aliás). As poucas páginas de Saussure sobre a escrita são extremamente lúcidas e seriam revolucionárias ainda hoje (se fossem lidas). Continua válida inclusive sua reclamação de que os lingüistas "não têm vez em capítulo" - quando as questões de escrita são discutidas - e por isso, ele acha, "a forma escrita tem, quase sempre, superioridade" (Curso, pg. 36). "Oiseau" (singular, no Curso) é um excelente exemplo, claro (como a pronúncia é wazô, nenhum dos sons é representado na escrita), mas é do tipo que fica na memória por seu caráter anedótico, não pelo efeito que deveria produzir como exemplo crucial das teses de Saussure sobre o tema.
Caetano conta que, quando veio a Campinas para um show, ganhou um livro de uma professora sobre diferenças entre português do Brasil e de Portugal. Comentários postados garantem que se trata de um livro de Charlotte Galves. Se for, quase todos os comentários de Caetano estão errados. Ele deve ter esquecido também de algum outro livro que leu. Mas, mesmo que tenha lido outro, duvido (mas essa é uma aposta) que alguém tenha escrito o que ele diz que recorda - sobre tu/você etc. Ah, acrescenta que o livro "era escrito num português excelente". O que ele esperava?
Depois ele discute uma entrevista de Marcos Bagno à revista Caros amigos. O que escreve sobre isso exigiria longas considerações, porque tanto há mal-entendidos, se, de fato, o que Saussure teria dito o impressionou, quanto discordâncias ideológicas a serem discutidas em detalhe.
Na semana seguinte, comentando mensagens de leitores, acrescentou, por exemplo, que "as pessoas que dizem 'grobo' são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder". Menos poder, sim. Vocabulário menor é coisa que se pode discutir. Já que citou Lévi-Strauss, ouso sugerir que leia O pensamento selvagem. Talvez mude de opinião. Pensando bem, acho que não mudaria, porque a questão é fortemente atravessada por ideologia, que argumentos "objetivos" dificilmente afetam.
Mais: diz, por exemplo, a propósito de conjugações como "tu vai":
... a resposta racional é que se conjugo o verbo sempre na terceira perco o direito de prescindir do pronome sujeito (é verdade: se a conjugação se "simplifica", isso afeta a sintaxe; o inglês funciona assim: algum problema? Mas por que essa é uma resposta racional?); ouço com prazer os "tu é" dos cariocas e os "tu vai" dos gaúchos, mas sei que há um empobrecimento de possibilidades do uso da língua (empobrecimento? É difícil de demonstrar: perde-se aqui, ganha-se lá, como se verifica se não houvesse possibilidades como as mencionadas, que são enriquecedoras, porque novas, diferentes das outras); de todo modo, não há porque não ensinar às pessoas como funcionam as conjugações, tendo em vista o pronome pessoal escolhido (mas as conjugações funcionam assim, exatamente como funcionam; ou ele quer dizer "como funcionavam", com "vós" e tudo? Nada contra, se fossem assim, mas por que não as de hoje?).
Aliás, amei ler no texto "medieval" de Maira "aa" em lugar de "à". Isso porque há anos digo que seria legal se escrevêssemos "aa", como feminino de "ao": ficaria bonito e não teríamos esse rolo da crase (que adoro mas vejo que é um sofrimento para muitos).
Sei que é uma bobagem, que pode parecer picuinha, mas duvido que Caetano cometa em música um erro tão banal quanto dizer que aa é o feminino de ao. Ou que, em espanhol, al é o masculino de a la. Puxa! O Pasquale lhe diria o que é isso!
Depois de discutir - a meu ver com alguns equívocos, a partir da entrevista de Bagno à Caros amigos - questões de norma culta versus variedades menos valorizadas, e de comentar criticamente a tradução de um título de Proust (no que concordo com ele), dispara:
O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as "elites"? Tudo.
Bem, se ele entendeu que "defender" variedades lingüísticas populares, mesmo que sejam aceitas como "corretas", por serem empregadas em textos "cultos", determinadas construções ainda condenadas (como vende-se flores etc.) equivale a defender que não se leiam textos "clássicos" ou que se critiquem formas em franco desuso, então, de fato ele não entendeu nada (ou não pode entender). E não se trata de deficiência mental, que disso ninguém pode acusar Caetano. Trata-se mesmo de ideologia. Da qual, aliás, não é difícil descobrir traços em outros domínios sobre os quais Caetano opina como cidadão e também como artista ou homem-show.
Também acho que ele podia ter se poupado de gravar "Ou você me ama, ou não está madura", mas e daí? Dizendo isso, acho que estou elogiando Caetano. Mas concedo que não entendo nada de música, nem do circuito empresarial.
Sírio Possenti
De Campinas
Há algumas semanas, em seu blog, Caetano Veloso falou de lingüística. O título do texto do dia era "lingüistas" (o tom parecia com os associados usualmente a expressões negativas, como quem diz "mulheres" ou "petistas" para ressaltar características que um homem ou um tucano acham típicas, e que lhes soam negativas).
É difícil discutir todos os aspectos do texto. E sei que destacar algumas passagens de certa forma descaracteriza o pronunciamento. Mas vou fazer isso, apesar dos riscos, porque há aspectos claramente destacáveis (pelo menos do ponto de vista de um lingüista; de um tipo de lingüista, pelo menos).
Primeiro, registre-se que as opiniões de Caetano têm algum lustro: leu certos textos e freqüentou certos meios (os concretistas, que liam Jakobson, que citava e era citado etc.). E, obviamente, ele não é bobo. Nem totalmente preconceituoso... Mas esse tipo lustro nem sempre favorece.
Vamos, pois, aos comentários de algumas passagens do post dele.
Quanto à lingüística propriamente dita, li Saussure (aquelas aulas) no início dos anos 70. Li somente porque os poetas concretos falavam dele... todos falavam de Jakobson, que falava dele.
Aquelas aulas? Pois é. Aulas sobre Saussure têm sido pequenos desastres. Em geral, ele passou para a história (em cursos de letras e de comunicação) como o cara da dupla face do signo, o significante e o significado. Mas, de fato, isso não é próprio do Saussure. Nem a arbitrariedade dessa relação. Saussure é o pensador do sistema, dos valores, da diferença (ler sobre as entidades lingüísticas, por favor). E foi assim que ele passou para a história da lingüística.
O que disse sobre o significante ser a imagem acústica é certamente relevante, porque põe o fonema, por exemplo, num espaço psicológico específico (se tivesse sido compreendido nesse particular, não leríamos os Sacconi da vida dizendo que fonemas são os sons da língua, nem haveria ditados fonêmicos em escolas de medicina ou de fonoaudiologia). É mais ou menos como achar que a relatividade é o relativismo. Pessoalmente, prefiro os "erros" da tradição às achegas parciais a propostas novas. Um bom Newton é melhor que um Planck mal digerido.
Fiquei maravilhado com a afirmação de que a língua é viva e mutante na práxis dos falantes: a língua é falada, a escrita seria apenas uma notação convencionada a posteriori, como as pautas musicais.
"Práxis dos falantes", obviamente, não é Saussure. O tempo é, para ele, a categoria fundamental para explicar a mudança. Vago? Acho que sim, mas esse é Saussure. Práxis é marxismo ("sério" ou de boteco, pouco importa). Importante: se essa tese de Saussure chamou tanto a atenção de Caetano, aposto que foi porque tinha sido levado a pensar, ou porque talvez estivesse pensando, que as línguas são mais ou menos imutáveis (o que, de fato, de vez em quando, volta com força no post dele, não à toa, eu achei. Gostou da idéia, mas não "conseguiu" incorporar).
Nunca vou esquecer sua observação de que o francês é a única língua ocidental que tem uma palavra cuja grafia não guarda nem um só dos valores fonéticos originais das letras que a compõem: "oiseaux".
A afirmação acima fecha seus comentários sobre o que Saussure teria dito sobre a escrita. Ficou a anedota, como freqüentemente ocorre. E o exagero (a única língua ocidental: ou o professor "acrescentou", ou foi no bar; sempre um bom lugar, aliás). As poucas páginas de Saussure sobre a escrita são extremamente lúcidas e seriam revolucionárias ainda hoje (se fossem lidas). Continua válida inclusive sua reclamação de que os lingüistas "não têm vez em capítulo" - quando as questões de escrita são discutidas - e por isso, ele acha, "a forma escrita tem, quase sempre, superioridade" (Curso, pg. 36). "Oiseau" (singular, no Curso) é um excelente exemplo, claro (como a pronúncia é wazô, nenhum dos sons é representado na escrita), mas é do tipo que fica na memória por seu caráter anedótico, não pelo efeito que deveria produzir como exemplo crucial das teses de Saussure sobre o tema.
Caetano conta que, quando veio a Campinas para um show, ganhou um livro de uma professora sobre diferenças entre português do Brasil e de Portugal. Comentários postados garantem que se trata de um livro de Charlotte Galves. Se for, quase todos os comentários de Caetano estão errados. Ele deve ter esquecido também de algum outro livro que leu. Mas, mesmo que tenha lido outro, duvido (mas essa é uma aposta) que alguém tenha escrito o que ele diz que recorda - sobre tu/você etc. Ah, acrescenta que o livro "era escrito num português excelente". O que ele esperava?
Depois ele discute uma entrevista de Marcos Bagno à revista Caros amigos. O que escreve sobre isso exigiria longas considerações, porque tanto há mal-entendidos, se, de fato, o que Saussure teria dito o impressionou, quanto discordâncias ideológicas a serem discutidas em detalhe.
Na semana seguinte, comentando mensagens de leitores, acrescentou, por exemplo, que "as pessoas que dizem 'grobo' são as mesmas que têm vocabulário menor, menos acesso aos conhecimentos, menos poder". Menos poder, sim. Vocabulário menor é coisa que se pode discutir. Já que citou Lévi-Strauss, ouso sugerir que leia O pensamento selvagem. Talvez mude de opinião. Pensando bem, acho que não mudaria, porque a questão é fortemente atravessada por ideologia, que argumentos "objetivos" dificilmente afetam.
Mais: diz, por exemplo, a propósito de conjugações como "tu vai":
... a resposta racional é que se conjugo o verbo sempre na terceira perco o direito de prescindir do pronome sujeito (é verdade: se a conjugação se "simplifica", isso afeta a sintaxe; o inglês funciona assim: algum problema? Mas por que essa é uma resposta racional?); ouço com prazer os "tu é" dos cariocas e os "tu vai" dos gaúchos, mas sei que há um empobrecimento de possibilidades do uso da língua (empobrecimento? É difícil de demonstrar: perde-se aqui, ganha-se lá, como se verifica se não houvesse possibilidades como as mencionadas, que são enriquecedoras, porque novas, diferentes das outras); de todo modo, não há porque não ensinar às pessoas como funcionam as conjugações, tendo em vista o pronome pessoal escolhido (mas as conjugações funcionam assim, exatamente como funcionam; ou ele quer dizer "como funcionavam", com "vós" e tudo? Nada contra, se fossem assim, mas por que não as de hoje?).
Aliás, amei ler no texto "medieval" de Maira "aa" em lugar de "à". Isso porque há anos digo que seria legal se escrevêssemos "aa", como feminino de "ao": ficaria bonito e não teríamos esse rolo da crase (que adoro mas vejo que é um sofrimento para muitos).
Sei que é uma bobagem, que pode parecer picuinha, mas duvido que Caetano cometa em música um erro tão banal quanto dizer que aa é o feminino de ao. Ou que, em espanhol, al é o masculino de a la. Puxa! O Pasquale lhe diria o que é isso!
Depois de discutir - a meu ver com alguns equívocos, a partir da entrevista de Bagno à Caros amigos - questões de norma culta versus variedades menos valorizadas, e de comentar criticamente a tradução de um título de Proust (no que concordo com ele), dispara:
O que isso tem a ver com os lingüistas, a língua falada, a norma culta, a norma oculta, a demagogia e a mania de pensar que o melhor modo de resolver o problema das favelas é destruir o sistema de esgoto de que desfrutam as "elites"? Tudo.
Bem, se ele entendeu que "defender" variedades lingüísticas populares, mesmo que sejam aceitas como "corretas", por serem empregadas em textos "cultos", determinadas construções ainda condenadas (como vende-se flores etc.) equivale a defender que não se leiam textos "clássicos" ou que se critiquem formas em franco desuso, então, de fato ele não entendeu nada (ou não pode entender). E não se trata de deficiência mental, que disso ninguém pode acusar Caetano. Trata-se mesmo de ideologia. Da qual, aliás, não é difícil descobrir traços em outros domínios sobre os quais Caetano opina como cidadão e também como artista ou homem-show.
Também acho que ele podia ter se poupado de gravar "Ou você me ama, ou não está madura", mas e daí? Dizendo isso, acho que estou elogiando Caetano. Mas concedo que não entendo nada de música, nem do circuito empresarial.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
O Homem Elefante, Caetas, etc
Uma dica de blog:
http://ohomemelefante.blogspot.com/
Gostei muito desse blog do Henrique. Recomendo.
Hoje vi uma polêmica do Reinaldo Azevedo com o Marcelo Coelho. Ou melhor, o Reinaldo querendo briga com o mineiro Coelho.
Quem nao brigar com o Reinaldo, nao o conheceu. Se até mesmo o brigao Mirisola achouo com cara de abutre da web! E, se Marcelo estiver mesmo pedindo a cabeça de Joao pedro Coutinho e Pondé, acho até que tem razão. Os dois sao fraquinhos, fraquinhos. Coutinho entrou numa de Bush, velha europa, antiga europa, aquele papo chato e furado. Marcelo gozou um pouquinho a cara dos bushitas Reinaldo, Pondé, Coitinho, etc. No fundo foi isso. Com Obama, os neocons e neolibs falcoes passam a ficar mais na deles, ou deveriam. Os juros caíram hoje. Evoé.
Acho que vou mandar currículo para o Marcelo Coelho. As cabezas de Pondé e Coutinho, unglauber...Será que GT fechará o blog desta vez? Não FECHE, GERALD, NAO FECHE!
Escreva para quem te ama e azar para os trolls! blog é para o artista interagir com o seu público. Ninguém gosta muito de polêmica em blog, exceto os sacanas e chatos e malucos da web. E quanto mais vc polemiza, Gerald, mais eles chegam esculhambando! Essa de Israel e do Brasil, então...Ainda bem que tudo foi amenizado com a carta para a Mileny.
Viva Obama! Reinaldo Azevedo nao quer o fim de Guantánamo, pois diz que os terroristas são do mundo. E não poder ir ao mundo, logo devem ficar em Cuba, Guantánamo. Mas os terroristas têm pátria, sim. O motorista de Bin Laden está lá, por exemplo, mais por ser o motorista do homem do que por qualquer outra coisa.
Enquanto isso, no blog de Caetano Veloso, continua a briga com os linguistas. Caetano chama quem diverge dele de demagogo e me associou a Giba, o adorniano Gilberto Vasconcellos. Ele continua colocando os gramáticos como coitadinhos e vítimas e o Luedy é o único interlocutor que ele respeita e responde. Ao mandar uma carta para a Folha apoiando os críticos dele e citando Bagno, a coisa começou. A carta tá nesse blog. Ele chamou Bagno de um crítico de nome italiano que me agrediu.Realmente ele levou uma lavada do Bagno e agora dialoga com o Possenti, arriscando-se a levar outra. Vejamos as cenas dos próximos capítulos dessa novela. Entendo porque acham Caetano chato. Ele tem mania de professor de gramática que fica corrigindo a fala toda a hora, obcecado com seu poder. Ele tá certo de criticar o Alexei e abrir uma polemica, mas poderia fazer isso menos vagamente. A imprensa carioca dar atenção à poesia é uma boa. O texto aí em cima, Moreira, não é meu, é de um tal de Leandro Jardim.
Eu estou mais para concretista do que romântico à la Alexei.
Por falar em novela, ela nos faz pensar em nosso sistema de castas, né? O Caminho das Indias...Nietzsche numa onda errada apoiou esse sistema, conforme li em Safranski. O mito é interessante e bonito, mas aplicado para explicar a ordem social fica danoso.
http://ohomemelefante.blogspot.com/
Gostei muito desse blog do Henrique. Recomendo.
Hoje vi uma polêmica do Reinaldo Azevedo com o Marcelo Coelho. Ou melhor, o Reinaldo querendo briga com o mineiro Coelho.
Quem nao brigar com o Reinaldo, nao o conheceu. Se até mesmo o brigao Mirisola achouo com cara de abutre da web! E, se Marcelo estiver mesmo pedindo a cabeça de Joao pedro Coutinho e Pondé, acho até que tem razão. Os dois sao fraquinhos, fraquinhos. Coutinho entrou numa de Bush, velha europa, antiga europa, aquele papo chato e furado. Marcelo gozou um pouquinho a cara dos bushitas Reinaldo, Pondé, Coitinho, etc. No fundo foi isso. Com Obama, os neocons e neolibs falcoes passam a ficar mais na deles, ou deveriam. Os juros caíram hoje. Evoé.
Acho que vou mandar currículo para o Marcelo Coelho. As cabezas de Pondé e Coutinho, unglauber...Será que GT fechará o blog desta vez? Não FECHE, GERALD, NAO FECHE!
Escreva para quem te ama e azar para os trolls! blog é para o artista interagir com o seu público. Ninguém gosta muito de polêmica em blog, exceto os sacanas e chatos e malucos da web. E quanto mais vc polemiza, Gerald, mais eles chegam esculhambando! Essa de Israel e do Brasil, então...Ainda bem que tudo foi amenizado com a carta para a Mileny.
Viva Obama! Reinaldo Azevedo nao quer o fim de Guantánamo, pois diz que os terroristas são do mundo. E não poder ir ao mundo, logo devem ficar em Cuba, Guantánamo. Mas os terroristas têm pátria, sim. O motorista de Bin Laden está lá, por exemplo, mais por ser o motorista do homem do que por qualquer outra coisa.
Enquanto isso, no blog de Caetano Veloso, continua a briga com os linguistas. Caetano chama quem diverge dele de demagogo e me associou a Giba, o adorniano Gilberto Vasconcellos. Ele continua colocando os gramáticos como coitadinhos e vítimas e o Luedy é o único interlocutor que ele respeita e responde. Ao mandar uma carta para a Folha apoiando os críticos dele e citando Bagno, a coisa começou. A carta tá nesse blog. Ele chamou Bagno de um crítico de nome italiano que me agrediu.Realmente ele levou uma lavada do Bagno e agora dialoga com o Possenti, arriscando-se a levar outra. Vejamos as cenas dos próximos capítulos dessa novela. Entendo porque acham Caetano chato. Ele tem mania de professor de gramática que fica corrigindo a fala toda a hora, obcecado com seu poder. Ele tá certo de criticar o Alexei e abrir uma polemica, mas poderia fazer isso menos vagamente. A imprensa carioca dar atenção à poesia é uma boa. O texto aí em cima, Moreira, não é meu, é de um tal de Leandro Jardim.
Eu estou mais para concretista do que romântico à la Alexei.
Por falar em novela, ela nos faz pensar em nosso sistema de castas, né? O Caminho das Indias...Nietzsche numa onda errada apoiou esse sistema, conforme li em Safranski. O mito é interessante e bonito, mas aplicado para explicar a ordem social fica danoso.
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