Convido a todos os leitores daqui para lerem a minha postagem sobre o Haiti em meu outro blog:
www.revistacidadedosol.blogspot.com
Nela relatei minha conversa com um sargento da minha cidade, Bom Despacho, que viajou para o Haiti, o sargento Caetano.
Façamos um minuto de silêncio por nossos militares mortos no Haiti e por Zilda Arns, lutadora da solidariedade e irmã do grande Dom Evaristo Arns.
Tomara que a questão haitiana seja melhor discutida no Brasil, pois enquanto estamos ajudando (com razão) Zelaya em Honduras, não foram esclarecidas as razões de nosso apoio à deposição de Jean Bertrand Aristide. Até no último James Bond disseram que ele foi deposto por ter aumentado o salário mínimo, assunto que foi tangenciado, de passagem, até no último James Bond, o Quantum of Solace, que tem algumas imagens passadas em Porto Príncipe.
O descontentamento das maquiladoras com o aumento de salário dado por Zelaya teria sido, também, um dos motivos do golpe.
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Do blog Cena dois
4 de novembro de 2009
Samuel Beckett
Imagem interessante postada no blog
http://imagesvisions.blogspot.com/ de hoje.
A foto é de Vik Muniz.
“Abro a porta da cela e vou. Estou tão curvado que só vejo meus pés, se abro os olhos, e entre minhas pernas um punhado de poeira escura. Me digo que a terra está apagada, ainda que nunca a tenha visto acesa. (pausa) É assim mesmo (pausa) Quando eu cair, chorarei de felicidade”, disse Clov.
O trecho acima é do livro Fim de Partida, escrito pelo genial Samuel Beckett (1906-1989). Nascido na Irlanda, Samuel Beckett foi dos mais influentes escritores do século 20, com uma obra que inclui contos, poesia, romances como Malone Morre e peças como Esperando Godot. Recebeu o Nobel de literatura em 1969.
Os pais de Samuel Barclay Beckett eram protestantes. Ele estudou na escola real em Enniskillen (onde Oscar Wilde também havia freqüentado). Foi lá que começou a aprender o francês, uma das suas línguas preferidas.
Excelente atleta, Beckett foi jogador de tênis e boxeador. Embora gostasse de esportes, sua atenção estava voltada aos estudos acadêmicos. Aos 17 anos entrou para a faculdade, e se aprofundou nos textos literários.
Outro assunto que influenciou o escritor, nos seus tempos de estudante, foi o cinema de comédia de Buster Keaton e Charlie Chaplin. Depois que se formou, Beckett viajou a Paris onde se encontrou com James Joyce, que se tornaria a sua maior referência literária.
Além de ter sido um dos assistentes favoritos de Joyce, Beckett construiu uma sólida amizade com o autor de Ulisses. Inspirado pelo círculo literário, de uma Paris repleta de novidades culturais, Beckett tinha encontrado nele a sua falange, que orientaria toda a sua obra.
Forçado a voltar a Irlanda, para resolver problemas pessoais, Beckett retorna a Paris em 1932, e por lá fica um bom tempo escrevendo novelas, contos e poesias. Nessa época, o escritor desenvolve uma voz própria e saí das sombras de Joyce para dar o seu próprio salto.
Por um bom período o escritor chegou a residir em Londres, com a intenção de fazer dinheiro, mas foi em Paris que ele se estabeleceu. Quando a cidade foi invadida em 1941, Beckett e Suzanne (sua esposa) juntaram a resistência e foram obrigados a refugiar-se no sul da França.
Com o fim da guerra Beckett se estabelece com Suzanne em Paris. A partir daí foram centenas de trabalhos realizados. Em 1977 começou a ter problemas de saúde, prejudicando sua produção literária.
No dia 17 de julho de 1989, ele perde Suzanne. O baque foi grande. No mesmo ano, 22 de dezembro, Beckett morre, deixando uma obra de inigualável valor artístico.
O livro Fim de Partida (Cosac & Naify; 176 páginas, R$30,00) peça em um ato, tem quatro personagens. Eles “giram em falso” entre a vida e a morte, numa decadência cinzenta que se arrasta sem chegar ao fim.
O livro é elegante, com capa dura e sobrecapa. A tradução é de Fábio de Souza Andrade. O interessante do Fim de Partida é a habilidade do texto que, ao estabelecer um jogo que contempla um desfecho “fácil”, com vitoriosos ou derrotados, se apóia em repetições e diálogos fragmentados.
Comungo com o escritor Bernardo Carvalho quando diz que gosta de literatura, e não de escritores. Abro uma exceção apenas para a figura de Beckett. Todas as suas fotos me dão a impressão de que ele era cauteloso na legitimidade humana. Me parecia extremamente honesto e franco, sem as afetações que sujam as auras de muitos escritores por aí.
Postado por Luiz Penna às 08:15
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Samuel Beckett
Imagem interessante postada no blog
http://imagesvisions.blogspot.com/ de hoje.
A foto é de Vik Muniz.
“Abro a porta da cela e vou. Estou tão curvado que só vejo meus pés, se abro os olhos, e entre minhas pernas um punhado de poeira escura. Me digo que a terra está apagada, ainda que nunca a tenha visto acesa. (pausa) É assim mesmo (pausa) Quando eu cair, chorarei de felicidade”, disse Clov.
O trecho acima é do livro Fim de Partida, escrito pelo genial Samuel Beckett (1906-1989). Nascido na Irlanda, Samuel Beckett foi dos mais influentes escritores do século 20, com uma obra que inclui contos, poesia, romances como Malone Morre e peças como Esperando Godot. Recebeu o Nobel de literatura em 1969.
Os pais de Samuel Barclay Beckett eram protestantes. Ele estudou na escola real em Enniskillen (onde Oscar Wilde também havia freqüentado). Foi lá que começou a aprender o francês, uma das suas línguas preferidas.
Excelente atleta, Beckett foi jogador de tênis e boxeador. Embora gostasse de esportes, sua atenção estava voltada aos estudos acadêmicos. Aos 17 anos entrou para a faculdade, e se aprofundou nos textos literários.
Outro assunto que influenciou o escritor, nos seus tempos de estudante, foi o cinema de comédia de Buster Keaton e Charlie Chaplin. Depois que se formou, Beckett viajou a Paris onde se encontrou com James Joyce, que se tornaria a sua maior referência literária.
Além de ter sido um dos assistentes favoritos de Joyce, Beckett construiu uma sólida amizade com o autor de Ulisses. Inspirado pelo círculo literário, de uma Paris repleta de novidades culturais, Beckett tinha encontrado nele a sua falange, que orientaria toda a sua obra.
Forçado a voltar a Irlanda, para resolver problemas pessoais, Beckett retorna a Paris em 1932, e por lá fica um bom tempo escrevendo novelas, contos e poesias. Nessa época, o escritor desenvolve uma voz própria e saí das sombras de Joyce para dar o seu próprio salto.
Por um bom período o escritor chegou a residir em Londres, com a intenção de fazer dinheiro, mas foi em Paris que ele se estabeleceu. Quando a cidade foi invadida em 1941, Beckett e Suzanne (sua esposa) juntaram a resistência e foram obrigados a refugiar-se no sul da França.
Com o fim da guerra Beckett se estabelece com Suzanne em Paris. A partir daí foram centenas de trabalhos realizados. Em 1977 começou a ter problemas de saúde, prejudicando sua produção literária.
No dia 17 de julho de 1989, ele perde Suzanne. O baque foi grande. No mesmo ano, 22 de dezembro, Beckett morre, deixando uma obra de inigualável valor artístico.
O livro Fim de Partida (Cosac & Naify; 176 páginas, R$30,00) peça em um ato, tem quatro personagens. Eles “giram em falso” entre a vida e a morte, numa decadência cinzenta que se arrasta sem chegar ao fim.
O livro é elegante, com capa dura e sobrecapa. A tradução é de Fábio de Souza Andrade. O interessante do Fim de Partida é a habilidade do texto que, ao estabelecer um jogo que contempla um desfecho “fácil”, com vitoriosos ou derrotados, se apóia em repetições e diálogos fragmentados.
Comungo com o escritor Bernardo Carvalho quando diz que gosta de literatura, e não de escritores. Abro uma exceção apenas para a figura de Beckett. Todas as suas fotos me dão a impressão de que ele era cauteloso na legitimidade humana. Me parecia extremamente honesto e franco, sem as afetações que sujam as auras de muitos escritores por aí.
Postado por Luiz Penna às 08:15
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domingo, 1 de novembro de 2009
Do blog do Atila Roque
As nossas tristezas
Ontem conversando com uma grande amiga, especialista em segurança pública, entrei em contato com uma enorme tristeza. Uma tristeza que já tinha de certa forma sido expressa no comentário do meu amigo, irmão, escritor e poeta, Alexandre Brandão, o Xandão, no post abaixo. Ela passou os últimos dias vendo e revendo as fitas com as cenas que flagraram a chocante indiferença dos policias diante da vítima ainda agonizante, mais preocupados em predar os predadores que tinham acabado de ferir mortalmente o coordenador social do Afroreggae, Evandro João da Silva. O que ela viu e a deixou ainda mais chocada não foi apenas a frieza abjeta dos policiais diante de mais uma morte inútil. Assistindo ao registro visual dos muitos minutos, quase uma hora, em que Evandro fica ali estendido na calçada, ela se deu conta da indiferença coletiva, patológica, que nos adormece os sentidos diante da tragédia humana. As pessoas passam, olham e seguem, sem que ninguém se aproxime daquele ser humano no chão para verificar se ainda vive. Ninguém usa o celular para chamar imeditamente uma ambulância que, sabemos, chegou quase uma hora depois do acontecido. Ninguém derrama uma lágrima pela tragédia do Evandro, a tragédia de todos nós, no momento em que ela acontece. As circunstâncias que a cercam são um testemundo eloquente da nossa miséria existencial. Estamos nos tornando piores a cada dia se continuamos a acordar e dormir com essas tragédias como se fossem apenas um fato como outro qualquer, capaz de gerar, no máximo, mais uma tocante e necessária manifestação do Movimento Rio da Paz. Enquanto isso a polícia parece seguir o padrão de combater o terror com mais terror, levando vidas inocentes pelo caminho, a mãe de apenas 24 anos com o bebê no colo ou o menino de 15 anos que mal merece manchete nos jornais. A minha amiga, acostumada a dureza do seu ofício, contou que chorou muitas vezes diante daquelas imagens. Chorou por todos nós.
(Atila Roque, 28/10/2009)
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Ontem conversando com uma grande amiga, especialista em segurança pública, entrei em contato com uma enorme tristeza. Uma tristeza que já tinha de certa forma sido expressa no comentário do meu amigo, irmão, escritor e poeta, Alexandre Brandão, o Xandão, no post abaixo. Ela passou os últimos dias vendo e revendo as fitas com as cenas que flagraram a chocante indiferença dos policias diante da vítima ainda agonizante, mais preocupados em predar os predadores que tinham acabado de ferir mortalmente o coordenador social do Afroreggae, Evandro João da Silva. O que ela viu e a deixou ainda mais chocada não foi apenas a frieza abjeta dos policiais diante de mais uma morte inútil. Assistindo ao registro visual dos muitos minutos, quase uma hora, em que Evandro fica ali estendido na calçada, ela se deu conta da indiferença coletiva, patológica, que nos adormece os sentidos diante da tragédia humana. As pessoas passam, olham e seguem, sem que ninguém se aproxime daquele ser humano no chão para verificar se ainda vive. Ninguém usa o celular para chamar imeditamente uma ambulância que, sabemos, chegou quase uma hora depois do acontecido. Ninguém derrama uma lágrima pela tragédia do Evandro, a tragédia de todos nós, no momento em que ela acontece. As circunstâncias que a cercam são um testemundo eloquente da nossa miséria existencial. Estamos nos tornando piores a cada dia se continuamos a acordar e dormir com essas tragédias como se fossem apenas um fato como outro qualquer, capaz de gerar, no máximo, mais uma tocante e necessária manifestação do Movimento Rio da Paz. Enquanto isso a polícia parece seguir o padrão de combater o terror com mais terror, levando vidas inocentes pelo caminho, a mãe de apenas 24 anos com o bebê no colo ou o menino de 15 anos que mal merece manchete nos jornais. A minha amiga, acostumada a dureza do seu ofício, contou que chorou muitas vezes diante daquelas imagens. Chorou por todos nós.
(Atila Roque, 28/10/2009)
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