quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A Carta Chinesa, uma luta atual: a batalha entre marxismo e revisionismo



                                                 Mao na visão de Andy Warhol


                      O livro A Carta Chinesa, formado por uma coletânea de textos, foi editado no Brasil pelo Núcleo de Estudos do Marxismo-Leninismo-Maoísmo. Editado pela Terra Gráfica (primeira edição, 2003) em Belo Horizonte, o livro é constituído por uma polêmica pública entre o Partido Comunista Chinês e o Partido Comunista da União Soviética. A divulgação desses textos não era interesse do PCB e sim do PC do B. O partido era ilegal e minoritário nos anos 60, quando essa polêmica aconteceu, produzindo, além de outros documentos ali reunidos, também a chamada Carta dos 25 Comentários e Nove Comentários Reunidos. Na fase seguinte, no tempo da ditadura, na difícil fase do pós-golpe de 64, que à ilegalidade se sucederam as torturas, prisões e assassinatos dos militantes, o partido teve pouco dinheiro para republicar esses textos. Igualmente, o atual PC do B não os reedita, por um simples motivo: rompeu com Mao Tsé Tung no final dos anos 70, aliando-se a Enver Hoxha. Igualmente, em 2003 parece ter tido pouca repercussão, mas pela sua forma de polêmica pública, o livro tem grande vivacidade e interesse. Há alguns deslizes, como o nome de Lukács errado no prólogo e o índice de textos que fica ao final e não no início. Fora que os conceitos expostos parecem demandar uma definição mais clara: “social-imperialismo” e “revisionismo” abrangem desde a URSS até os demais países do bloco soviético, incluindo Cuba, além de pensadores como Bernstein, Trotsky, Kautsky, Kruschev, Lukács, Gramsci e muitos outros. No entanto, é uma polêmica vibrante, intensa, muitíssimo atual: é a melhor explicação para a queda da URSS entre 1989-91, chegando até mesmo a ser profético em algumas passagens.
                     O texto, por outro lado, fornece uma hipótese muito melhor para a degeneração da União Soviética em ditadura da burguesia do que a hipótese aventada pelos trotsquistas, adotada pela maioria da academia e das organizações da esquerda, como o PSOL, PCO e PSTU.
                     O prólogo do livro foi turbinado, a meu ver, com as ideias do Pensamento Gonzalo (Abimael Guzmán), do Partido Comunista do Peru. A aplicação do pensamento de Gonzalo no Peru, segundo esse prólogo, a vigência universal do maoísmo e, embora sem vitória, considerou-o a terceira, nova e superior etapa da ideologia do proletariado: a sequência seria: Marx, Lenin, Mao e Gonzalo. A quarta espada seria Gonzalo.
                     De autoria do núcleo carioca do marxismo-leninismo-maoísmo, o prólogo é incisivo e tem observações muito boas: ele denuncia o trotsquismo da esquerda brasileira, assim como é duro em relação ao PC do B. A nota 3 do prólogo diz que: “hoje, o grupo de Amazonas critica severamente o finado socialismo albanês, assim como Stálin, enquanto coexiste pacificamente com o regime burocrático, semifeudal e semicolonial dominante no Brasil, sendo parte integrante da nova gerência de seu velho e podre estado.” Segundo esse prólogo, no Informe Político 6, quando das Resoluções do 8º Congresso do PC do B, A Direção de Stálin, pode-se ler: “nunca fomos stalinistas”. Igualmente, o prólogo considera revisionistas modernos: Kautsky, Browder, Trotsky, Tito, Kruschev, Hoxha e Teng Siao Ping. Os revisionistas contemporâneos seriam os falsos maoístas chineses da China atual, antirevisionistas de boca e capitulacionistas de fato.
                     Por outro lado, o prólogo exagera quando considera o período Brezhnev algo semelhante à “ordem fascista hitleriana” (p. 29). Quando ele fala do filho de Teng Siao Ping, ele também refere-se a ele como representante da “burguesia de Estado, capatazes do capital”. O termo burguesia de estado pareceu-me vago.
                     As divergências se iniciaram com o XX Congresso do PCUS. O partido chinês, ao criticar o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética e seus resultados, não aceitou em especial um ponto: a ideia da transição pacífica do capitalismo ao socialismo. Pelo simples motivo de que existe o exército burguês como espinha dorsal de sua sociedade e que não permite que essa transição aconteça, além do próprio aparelho estatal. E, a partir dessa divergência, outras se sucederam, com o partido chinês acusando o partido soviético de estar reintroduzindo o capitalismo e decapitando o movimento comunista internacional. Para tanto, Kruschev e os revisionistas atacaram tanto o partido soviético quanto os demais, utilizando o conceito de “luta contra o culto da personalidade”. Como é bastante difícil para os trabalhadores formar líderes temperados na luta, acusá-los de culto da personalidade  foi uma forma de provocar divisões entre líderes e as massas. Provocou também o renascimento do trotsquismo, ao considerar os anti-leninistas dos anos 30 inocentes. O livro A Carta Chinesa registra os trotsquistas fazendo até pedido de reabilitação de Trotsky ao partido soviético após o XX Congresso.
              Igualmente, Kruschev mantinha-se perigosamente isolado das massas, sem ter coragem de divulgar abertamente o seu “Relatório Kruschev”. Ao partir para a injúria, chamando Stálin de “tolo”, “bandido” e “assassino”, mostrou que tinha carência de ideias e que era muito fraco, pois o xingamento em política mostra apenas a fraqueza, a frouxidão e a carência de ideias e de argumentos por parte do debatedor.
                     Assim, pode-se definir que o revisionismo age da seguinte forma: revê a teoria e a história, “cortando” Stálin, mas de fato, seu alvo é Marx e Lênin, dos quais apresenta interpretações convenientes para a burguesia e a sociedade capitalista. A partir do abandono do leninismo, a restauração do capitalismo trouxe o pan-eslavismo, o chauvinismo de grande nação, assim como a destruição cada vez maior dos resíduos do poder soviético, tarefa completada entre 1985-91 por Gorbachev.
                     O partido comunista chinês muito bem pontuou que não há, como pretendia Kruschev (e que depois Gorbachev entusiasticamente continuou) a coexistência pacífica com o imperialismo. Igualmente, transformar a ditadura do proletariado em “estado de todo o povo” era transformar o estado proletário em estado burguês, pois todo estado burguês sempre fala em “cidade de todos”, assim como fala, atualmente, o PT, em “Brasil de todos”.
                     A parte mais atual do livro A Carta Chinesa é quando ele critica a Iugoslávia de Tito, que praticamente fornece, enquanto ponta de lança do revisionismo, teorias que são ainda extremamente bem sucedidas no Brasil e hegemônicas atualmente entre a esquerda, fazendo furor nas universidades, movimentos, partidos e organizações: a “autogestão”, “auto-administração operária” são ideias que foram utilizadas com enorme sucesso para fazer a restauração pacífica do capitalismo em países socialistas, eficazes na substituição da economia coletiva por pequenas empresas “autogeridas”. Os tais conselhos não passavam de uma farsa: a camarilha de Tito controlava os conselhos ao nomear seus diretores. Tito também apoiou intensamente a implantação desse caminho na Hungria em 56. Não por acaso, no Brasil e no mundo a mídia divulga intensamente Mészaros e Zizek, respectivamente, um húngaro e um esloveno que sistematizam o revisionismo. Os revisionistas iugoslavos criticam o partido, transformando-o numa Liga. Igualmente, Zizek combate a ideia leninista de que a ideologia do proletariado tem que ser importada do partido, do contrário o proletariado desenvolve apenas ideias social-democratas. Para ele, isso causa a ditadura do partido sobre o proletariado. O foco dos revisionistas é na economia, deixando de lado o partido e projeto político concreto, caindo num economicismo. Isso é bastante visível em Mészaros. O partido comunista chinês teoriza que a política é a economia sintetizada. Apenas por esse capítulo desvendando a farsa da Iugoslávia “socialista” e suas teorias até hoje muito disseminadas, senão hegemônicas, o livro já vale ser adquirido.


                                                      Mao em imagem do blog de Quibia Gaytán

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Professor Furr escreve carta para Yoani Sanchez

Dear Ms Sanchez: Someone on Facebook forwarded this Huffington Post review of yours to me.http://www.huffingtonpost.com/.../join-silence-kill... I don't know much about Cuba or Fidel Castro. But I know a lot about Stalin and the Soviet Union during his time. I have not read Padura's book. So I'm responding not to the book but to what you write in your review. You write: "No one can remain calm after reading of the horrors of a Soviet Union we were made to venerate as children. The intrigues, purges, assassinations, forced exiles, even though read in the third person, would rob anyone of their sleep. And if, on top of this, we watched our parents believe that the Kremlin was the guidebook for the world proletariat, and knew that the president of our country, until recently, kept a photo of Stalin in his own office, then the insomnia becomes more persistent. Of all the books published on this Island, I dare say that none have been as devastating to the pillars of the system as this one. I have spent many years, and the last 9 years pretty much full-time, researching the Stalin period and the "horrors" and "crimes" that are widely accepted as historical facts. What I have found is this: They are all, without exception, false. I have made a special point of researching fact-claims about "crimes" of Stalin, and of the USSR during his time. Not a one of them is backed up by evidence. This tidal wave of lies did not begin with Leon Trotsky. But Trotsky added a lot of his own falsehoods, and his writings became well-known. Nikita Khrushchev and his supporters began the great avalanche of lies about the USSR. These stopped when Khrushchev was ousted in October 1964, but Mikhail Gorbachev picked them up again and added yet more falsehoods about the Stalin years. I have given a lot of talks about the Stalin years in the USSR. In all of them, at some point, I say (paraphrasing Weird Al Yankovich): "Everything you think you know about the history of the Soviet Union during Stalin's time -- is wrong." Trotsky himself was involved in underground terrorist groups inside the USSR in the 1930s. His people were allied with those who murdered Sergei Kirov, head of the Communist Party in Leningrad, in 1934. There's a lot of evidence that Trotsky was indeed conspiring with Germany and Japan against the Soviet Union. If you are going to evaluate whether Trotsky should have been assassinated or not, you need to take these matters into account. * * * * * Finally: you should not take history from a novel. Novelists can write whatever they want to write. I assume that Mr Padura has done this. Do not take it as fact. You can read all of my research (much of it done with my Moscow colleague Vladimir Bobrov) on my Home Page:http://www.tinyurl.com/grover-furr-research You can't read my books there. But they are easily obtainable, should you be interested. Bottom line: I began yeas ago, quite ready to find that Stalin was the monster that Khrushchev, then Gorbachev, and now all the anticommunists and Trotskyist said, and still say, that he was. My research has shown: This is all false. None of it is true. I have yet to find one single "crime" by Stalin Yes! That's how bad it is. I think you should know this. Sincerely, Grover Furr Montclair State University Montclair NJ 07043

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Estudantes da UFRRJ protestam contra Ghiraldelli: eu apoio!


Cognominado por mim, nesse Revista Cidade Sol, de "Ron Jeremy da Filosofia Brasileira", Paulo Ghiraldelli Júnior foi objeto de protesto de estudantes contra comentários racistas e homofóbicos supostamente feitos por ele. Ghiraldelli já foi objeto de uma postagem de Luís Nassif, O caso do filósofo Paulo Ghiraldelli, tratando justamente do comportamento agressivo do filósofo, que infelizmente, deturpa a imagem da categoria, pois, embora tenha muitos livros publicados, adota, através da internet principalmente, atitudes estranhas e autoritárias, não praticando o que prega Paulo Freire, de quem diz ter sido aluno. No youtube, o vídeo estava postado em várias contas, uma delas, a de Lívia Miguel, continha um texto esclarecedor:

No dia 18 de novembro de 2013, enquanto ocorreu a abertura da I Semana Acadêmica de Filosofia, grupos organizados e estudantes da UFRRJ, escracharam o Professor Paulo Ghiraldelli. A intervenção foi decisiva, incidimos contra o discurso opressor, homofóbico, racista, machista e misógino do professor, que se naturaliza e se reproduz cotidianamente tanto em suas aulas como em sua produção acadêmica. A reação negativa ao ato por parte de alguns estudantes é a expressão disso, mesmo o ato sendo legítimo, uma vez que os recursos institucionais tem se mostrado insuficientes.
Processos administrativos contra o professor se acumulam nas gavetas silenciosas da administração superior. Aceitar esse silencio é acertar a morte, a morte de um projeto de uma universidade crítica e popular. Por isso, nos manifestamos, gritamos, batemos latas e acusamos as atitudes do professor. Exigimos da administração superior, uma atitude justa ao discurso de ódio alimentado pelo referido professor. O corporativismo que sustenta ele imune aos processos tem que cair, nós o acusamos!
Por fim, a "grande mentira", como foi revelada; é o professor, vulgo filósofo, Paulo Ghiraldelli.

Dou todo meu apoio aos alunos! Como se pode ver pelo vídeo, Ghiraldelli reagiu gritando: "é mentira, é mentira". No entanto, infelizmente, ele tem adotado, na internet, um comportamento de troll, ou seja, um comentarista agressivo e que maltrata verbalmente as pessoas. Há algum tempo, episódio parecido aconteceu no departamento de Sociologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também envolvendo comentários machistas de um professor chamado Francisco Coelho dos Santos.

 Segundo a matéria em O Globo, Ghiraldellli a seguir deu queixa na polícia. Circula, pela web, também uma petição (provavelmente lançada por ele) para criminalizar o protesto, tido por ele como atentado à liberdade de expressão. Em seu blog, chamou os manifestantes de "nazistóides" e "energúmenos".


domingo, 10 de novembro de 2013

Pondé, o uso do cachimbo faz a boca torta

Leio com perplexidade o artigo "Eu Acuso", de Luiz Filipe Pondé na Folha de São Paulo. Ele alega estar ocorrendo doutrinação ideológica em nossas universidades, inclusive no ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio. 

Será que isso existe mesmo? Afinal, uma denúncia recente, em junho, mostrou a infiltração dos integralistas nas manifestações, batendo e agredindo militantes como os do PSTU. Um dos participantes, responsável pela parte da agitação, era Marcelo Coaradassi Eiras, professor universitário, se não me engano, da UFRJ.


Será que alguém como Pondé, acostumado a fantasiar a realidade para combater o PT, acredita mesmo nisso? Só por estar num jornal, julga ser "não-partidário", neutro. Como ele mesmo é judeu (ele usa Shylock, personagem de Shakespeare, com símbolo dessa minoria), sua grande suposição é a seguinte: não é importante se alguém é ou não fascista, desde que não tome partido contra os judeus e combata a esquerda, em especial o PT.


Observando a prova do ENEM, nota-se a ausência da blogosfera petista e a presença ostensiva da grande mídia. A questão 05 é tirada da Rádio Uol. Uol, comunismo on line! A questão 07 é tirada da Folha. Opa, Folha? É onde Pondé trabalha. Ora, claro, lá dentro mesmo há "bolcheviques travecos" como o cartunista Laerte, contra os quais Pondé bravamente ergue sua clava. Observando outras questões, há outros perigosos ninhos de comunista: Abril Cultural, por exemplo, antro de conspiração do judeu-bolchevique Victor Civita. Há outros judeu-bolcheviques. O entusiasta do gayzismo e do marxismo cultural Carlos Lessa pondera, na questão 20 (seria um código para não colocar 24?): "apoiar uma empresa produtiva que gere emprego é muito mais barato e gera muito mais do que apoiar a reforma agrária". Mas é claro, por trás dessa frase, que até Pondé assinaria, com certeza há um dos grandes agentes da conspiração gramsciana internacional.

Enfim, professor Pondé, continue nessa luta! Os malditos comunas tremerão! Só não pense que está sozinho. Há muita gente "integral" lutando junto a você, mesmo dentro das universidades. Veja a foto abaixo:



                                          Anauê, Pondé! O professor Marcelo te saúda!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Paródia de Zizek: a dança pervertida


O comediante Klemen Slakonja publicou uma paródia genial do filósofo Slajov Zizek no youtube no dia 18 de outubro passado.

A música e o clipe encenam tanto uma piada que Zizek disse, intitulada "Cortar o Saco" quanto outras de suas análises, como quando compara vegetarianos a macacos e analisa o Kung Fu Panda.  O comediante esloveno também imita seu sotaque e seus tiques nervosos. A piada que gerou a música é a seguinte: Zizek conta que, durante as invasões mongóis, um guerreiro mongol encontrou um casal camponês e disse: "irei estuprar sua mulher e você irá segurar meu saco para que ele não suje". Depois desse monstruoso estupro, o camponês ria e a mulher perguntou: "como você pode rir, fui estuprada monstruosamente". E o camponês disse: "Mas ele ficou com as bolas sujas".

Zizek diz que os dissidentes no Leste Europeu contavam essa piada para mostrar o que deveriam fazer: não somente ficar "enchendo o saco" dos governantes, mas sim cortar seu saco fora. Assim, "Cut the Balls" é o nome dessa hilária paródia, que eu não me canso de ver.

A letra está disponível num blog sobre filosofia na Costa Rica:




The Perverted Dance (Cut The Balls)
(K.Slakonja/K.Slakonja/M.Bezjak)


What's up with this music?!

I am a philosopher, I like to provoke,
we live in perverted times,
so let me tell you a perverted joke!

A famous, dirty, horrible joke,
taking place in 15th century Russia.
A farmer and his wife walk along a dusty country road.
A Mongol warrior on a horse stops and says
"I'm gonna rape your wife and you should hold my testicles,
while I rape your wife, so that they will not get dusty."
When he raped his wife, the Mongol warrior went away,
the farmer started to laugh and jump with joy, his wife said
"Hey, how can you be happy?! I was just brutally raped!
And he says: "But I got him. His balls are full of dust."

Well, in reality we only dirty with dust the balls of those in power.
And now comes the dirty conclusion - the point is to cut them off!

Now let me warn you - this isn't Macarena, not Chicken dance,
not Aserejé, not Gangnam style and so on and so on.

We stand no chance, there's no time for romance,
it's time to dance The Perverted Dance!

Cut the balls,
we need to cut the balls,
we need to cut the balls,
the balls of those in power!
We need to cut the balls
and our faces won't be sour!
Just cut the balls,
make them become Niagara falls.

Cut the balls,
we need to cut the balls,
we need to cut the balls,
the balls of those in power!
We need to cut the balls,
we can train with cauliflower!
Just cut the balls,
make them become Niagara falls.

Oh, my god, why am i doing this?! Singing, dancing?!
I feel like that disgusting guy from Canada, Justin Bieber...

So, the problem with capitalism is that it's in the crisis from its very beginning.
From somewhere, I would say, late 18th century, there are prophets who claim capitalism is nearing its end.
It's like that stupid bird Fenix, the more you, you know, it returns.
I got hungry, let's grab something to eat!
What?! No meat?! Only for vegeterians ?!
Degenerates, degenaretes, they'll all soon turn into monkeys.

I dont say let's do nothing,
I say sometimes doing nothing is the most violent thing to do.
So cut the balls, just cut the balls!
And racism is also a problem,
so be like Kung Fu Panda - be white, black, asian
and cut the balls, just cut the balls!
They call me The Borat of Philosophy,
The Marx Brother and The Elvis of cultural theory.
Cut the crap and cut the balls, just cut the balls!

Hey, I am Slavoj Žižek!
No, I am Slavoj Žižek!
No, I am Slavoj Žižek,
Fuck that, whatever, let's all be Slavoj Žižek!

Grab and pull the imaginary balls from the sky,
cut through the air and say bye, bye, bye.
Let's join together, let's fall in trance,
let's dance The Perverted Dance!

Cut the balls,
we need to cut the balls,
we need to cut the balls,
the balls of those in power!
We need to cut the balls.
and then take the bloody shower!
Just cut the balls,
make them become Niagara falls!

Cut the balls,
we need to cut the balls,
we need to cut the balls,
the balls of those in power!
We need to cut the balls,
let them face the final hour!
just cut the balls,
make them become Niagara falls!

Cut the balls,
we need to cut the balls,
we need to cut the balls,
the balls of those in power!
We need to cut the balls,
we need to cut the balls!
Just cut the balls,
make them become Niagara falls!

This stupid repetative mechanic music!
Stop it!

Thank you, thank you very much!

The problem is maybe not the big act "Cut the balls",
but you make small changes and all of a sudden, balls are no longer there.
Those in power look down and say "Oh, where are my balls?"
and suddenly their voices get higher and so on and so on.
I stand by my joke. The structure of the joke is that this so called progressive intelectual,
in order to score his small narcicistic point, oh, I dusted the balls,
totally ignores the suffering there and that's the whole point of the joke.
So cut the balls, we need to cut the balls!

Music: Klemen Slakonja
Lyrics: Klemen Slakonja
Arrangement: Martin Bezjak
Music production: Martin Bezjak



Screenwriter: Klemen Slakonja
Director: Nikolaj Vodošek
Editing: Mitja Mitruševski
Video production: Mediaspot
Makeup artist: Luka Luka Simšič
Costume designer: Mateja Benedetti

Starring: Klemen Slakonja as Slavoj Žižek, Tara Zupančič as farmer's wife, Goran Hrvaćanin as farmer, Mario Ćulibrk as the Mongol warrior on a horse, Kung Fu Panda, dancers, sea lion, monkeys



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Tinhorão é mutilado por Caetano e Gil




O título dessa notinha é apenas uma ironia a respeito de como uma adaptação pode alterar o sentido de um texto ou frase.  A questão 106 do Caderno Rosa do ENEM fez uma curiosa adaptação de José Ramos Tinhorão, tanto que merece nota. Ela distorceu o pensamento do crítico a favor de Caetano e Gil. Observe o texto da questão:


Mesmo tendo a trajetória do movimento interrompida com a prisão de dois de seus líderes, o tropicalismo não deixou de cumprir seu papel de vanguarda na música popular brasileira. A partir da década de 70 do século passado, em lugar do produto musical de exportação de nível internacional prometido pelos baianos com a "retomada da linha evolutiva", instituiu-se nos meios de comunicação e na indústria do lazer uma nova era musical (J. R. Tinhorão. Pequena História da Música Popular da modinha ao tropicalismo. São Paulo: Art, 1986 (adaptado).


A seguir, veja como o gume do crítico foi amansado em favor de Caetano e Gil, evidente no texto original:



(...) o tropicalismo (...) não deixou de cumprir seu papel de vanguarda do governo de 1964 na área da música popular: rompidas as resistências da parte politicamente consciente da classe média universitária, que tentava a defesa de uma música de matrizes brasileiras, as guitarras do som universal puderam completar sua ocupação do mercado brasileiro. E assim, a partir da década de 70, em lugar do produto musical de exportação prometido pelos baianos com a ‘retomada da linha evolutiva’, instalou-se nos meios de comunicação e da indústria do lazer, definitivamente, a era do rock. O qual, aliás, muito tropicalisticamente, o espírito satisfeito dos colonizados passaria a chamar, a partir da década de 1980, de rock brasileiro (Tinhorão, 1986: 267).

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Lobão: um percurso patafísico de nosso tempo

O Manifesto do Nada na Terra do Nunca é o percurso patafísico de Lobão. Só com o conhecimento das verdades absurdas e ridículas pode-se explicar algo tão "psicodélico" e "esquizofrênico". Só a patafísica pode explicar um texto daqueles. Ele escreveu um ensaio cheio de pretensões acadêmicas. Lobão cita fontes, mas deixa subentendido que leu e acompanha as polêmicas da direita: o artigo de Walter Navarro em O Tempo, debochando do genocídio dos Guarani-Kaiowá (o que Lobão também faz); os ataques do "filósofo" Pondé ao cartunista Laerte, a quem chamou indiretamente, de "frouxo" e "traveco bolchevique". E, finalmente, a metafísica fascista de Olavo de Carvalho em seu Imbecil Coletivo.
 Em sua transmutação da esquerda festiva para o anarcocapitalismo, Lobão parece ter feito uma recuperação da fina flor do pensamento de direita, que ele mistura a delírios paranoicos a respeito de comunistas. Velhos tempos em que quem o perseguia eram as canções de Herbert Vianna!
 Assim, "o carola estatizado" de Olavo de Carvalho encontra um equivalente em seu "Imbecil Coletivo". Sobrenadam também, nessa geléia geral com cocaína, Nelson Rodrigues e Paulo Francis elevados a sacerdotes de ideologia. Outro elemento presente é a reescrita da história de um ponto de vista de extrema-direita fascista, ao estilo de Leandro Narloch.  Por fim, ele resolve criticar Oswald de Andrade, cobrando dele lógica, racionalidade, eficiência e ética do trabalho, como um bom colunista de Veja faria. Lobão acusa Oswald de Andrade ao mesmo tempo de nacionalismo ressentido e copiador de tudo que é estrangeiro. Preso por uso de drogas, ele cobra racionalidade da prosa brilhante de Oswald (que profetizou a contracultura) e pensa que isso é original, mas não cobra esse mesmo racionalismo de sua interpretação da história. Quando é que Fidel Castro condecorou John Lennon, como escreve Lobão? Oswald de Andrade provavelmente riria muito de um roqueiro que defende a mãe dos Gracos, Cornélia, mas que vive contando que a mulher o enganou, entrando à sua revelia na Lei Roaunet!
 As análises de Lobão submetem toda a história da humanidade a seu ego mimado. Para entender o próprio percurso de forma não-patafísica seriam necessários conceitos como indústria cultural e o capitalismo, conceitos que faltam totalmente a esse niilista que chafurda na decadência ideológica da burguesia e no irracionalismo. O objetivo de toda essa fúria lupina é apenas tentar reassumir um protagonismo na indústria cultural que, devido ao corpo que não serve mais de modelo de roupas, é impossível de ser resgatado.
 O grande tema que subjaz a seus livros é outro, não dito: a decadência deselegante e o apodrecimento ideológico de um popstar pretensamente intelectual do terceiro mundo. Lobão virou o nosso Bob Roberts, o roqueiro retrógrado do filme de Tim Robbins. 




                                                                                           Bob Roberts, o cantor de folk-rock reacionário