
Blognovela Penetrália: Entrevista (Imaginária) de Gerald Thomas com Oswald Thomas
(O Vampiro Brasileiro liga a televisão e os mesmos personagens acima param para ver o programa de entrevistas de Oswald Thomas na Rede Esgoto).
Oswald: Hello, Gerald.
Gerald: Hello, Oswald. Já estou arrependido de ter aceitado essa entrevista.
Oswald: E aí, você parou com o teatro? Parou por que?
Gerald: O teatro não significa nada. Não quero nem ouvir falar. Estou para lançar um livro, um filme, estou sempre descobrindo talentos e escrevendo prefácio para escritores tais como Walter Greulach, Denny Yang...
Oswald (sobrepondo sua voz com a de Gerald): O teatro é importante, sim. Sabe, quando eu fiz meu Hamlet pútrido num navio...
Gerald: quer trocar de lugar comigo? Quer que eu te entreviste? Você tem de parar de imitar o Jô, copiar a Marília Gabriela e encontrar sua assinatura própria.
Oswald: No, no. Então poderia só responder yes ou no?
Gerald: No. Você é um autor de uma peça só, hypocrit! E plagiada. E plagiada de mim! Agora você continua plagiando minha aparência, me imitando aqui na TV!
Oswald: Oh, stupid! Como assim? Foi absolutamente original quando fiz A Tempestade na Alemanha nazista!
Gerald: Falta cultura a essa falta de cultura. Antes, eu fiz A Tempestade num aeroporto.
Oswald (tentando retomar o controle da entrevista): E suas polêmicas recentes? Você já viu o filme Lula, o Filho do Brasil?
Gerald: De jeito nenhum. Eu vomitaria nos primeiros quinze minutos! Vomitaria de xenofobia e stalinismo! Não aceito culto de personalidade, isso leva ao fascismo e eu sou uma pessoa que perdeu toda a família num campo de concentração.
Oswald: Nem aceita que cultuem sua obra e sua pessoa?
Gerald: Esse Gerald que eles cultuam está morto. E minha obra é intocável, cara!
Oswald (irritado): Você vota Dilma ou Serra? Você é um sabotador do Brasil?
Gerald: Não entendo nada da política brasileira. I´m still still. Dilma ou Serra, o Brasil vai continuar sendo o País da Merda de que falavam Estragon e Vladimir em Godot...
Oswald: Você já montou Beckett ou algum dos outros diretores do teatro do absurdo, Ionesco, Arrabal, Adamov?
Gerald: Esse Beckett absurdo é um absurdo. Nunca existiu. Como seu teatro, Oswald. Ionesco, Adamov, sim, são absurdos. Tão absurdos que nem me interessam. Enrabal? Quem é esse, um matemático?
Oswald: Defina em poucas palavras Woody Allen e Gabriel Vilela.
Gerald: Woody: tudo! Gabriel: nada!
Oswald: Você viu Som e Fúria, a série da qual eu participei?
Gerald: Lá em New York não tem Rede Esgoto. God Damm! Deus me livre!
Oswald (entre dentes): Mas você está aqui na Rede Esgoto agora. Olha, olha, me responde só uma pergunta...
(De repente,o Vampiro Brasileiro apaga a televisão, nervoso):
Vampiro Brasileiro: Não sei como ele continua se envolvendo com essa gente esquisita!