O Som e Fúria acabou ontem.
Ontem, Oswald Thomas fez uma montagem fantástica de Romeu e Julieta, colocando-os num palco que era um tabuleiro de xadrez e onde eles eram vestidos como peões. Outros estavam vestidos de cavalos e torres. Os atores reclamavam que mal conseguiam se mover com a complexa roupa que usavam. Oswald ficava atormentado, desejando mais cinza, menos luz. Eis que de repente ele mudou de ideia, gritando: "I´m feeling!"
Logo em seguida teve uma sequência ótima: ele introduziu uma dinâmica, diz ele, do teatro Oficina onde todos os atores se lambuzavam com tinta no escuro. Essa dinâmica, disse ele, era para repor toda a sensualidade da peça, que inicialmente ele tinha tirado. As imagens de mãos e corpos coloridos no escuros, além de gritos, foram acompanhadas de uma música dos Mutantes. Foi uma das melhores sequências da minissérie.
A montagem de Romeu e Julieta que Oswald Thomas fez me pareceu ter uma "quarta parede" entre os personagens e o palco, composta de cortinas. Ela não me pareceu tão ousada quanto a montagem "tabuleiro de xadrez" onde eles eram meros peões do "Jogo da Vida" e que tinha me feito rir bastante.
No núcleo Felipe Camargo da novela, digo, da minissérie, Dante ficou com Ellen, espantou o fantasma de Oliveira, vingou-se de Henrique/Macbeth desnudando-o de surpresa no palco, etc.
Oswald Thomas, que já era um personagem caricato do diretor de vanguarda à la Peter Brook no original, foi turbinado pelo Meirelles com alguns traços paródicos de Gerald Thomas, mas mesmo assim foi o melhor personagem da minissérie a meu ver.
Um observatório da imprensa para a cidade de Bom Despacho e os arquivos do blog Penetrália
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sábado, 25 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Macbeth de Polanski: a famosa citação
Quando vi essa passagem, revi várias vezes, lembrando que o que Macbeth diz é exatamente o que eu sinto diante da morte da minha avó:
"A vida é uma sombra ambulante..."
Oswald Thomas: "Romeu e Julieta são apenas personagens!"
Ontem, Romeu e Julieta, atores que na vida real estão trepando loucamente, apelaram com o diretor Oswald Thomas, que insiste, nos ensaios, em colocá-los recitando os textos sem emoção alguma.
A história dos dois atores foi se misturando com a de Romeu e Julieta, tal como se os dois fossem Felipe Camargo e Vera Fischer apaixonando-se num amor incestuoso ao viverem Édipo e Jocasta, amor da Globo ao dinheiro e ao apoio do Estado. É interessante saber que Caetano Veloso também partilha desse amor e que a Veja sofre desse amor rejeitado.
Dante (Felipe) é tão bom em resolver problemas dessa ordem que até heterossexualizou o jovem Romeu, que desabrochara ao interpretar Julieta: "ah, meu sonho era interpretar Julieta..." Ainda bem que não rolou um cross-dressing. Romeu chegou até a perder a virgindade heterossexual com Julieta.
"Romeu e Julieta são apenas personagens!" Gritou ele com a atriz.
"Não! Eles são jovens apaixonados!"
Pior é que, embora o olhar da minissérie seja totalmente contra o Oswald Thomas, acho que nisso ele está certo. Ninguém deve viver exatamente aquilo que está vivendo numa representação no palco. Afinal, arte é representação, construção, fingimento. Hamlet algum resistiria ao realismo da Globo. Se eu fosse adaptar Hamlet para a Globo ia tirar um sarro com o realismo da novela, ia colocar ele como um esquizofrênico ouvindo a voz do fantasma de Leonel Brizola, chamando-o de traidor e homossexual e atormentando-o com o aviso de que o usurpador Roberto Marinho matou Getúlio Vargas.
Dante quer Macbeth nu e isso será um momento-chave para o final da peça, que é hoje. O ator parece que entrará em parafuso com essa orientação de Dante, pois ele e esse ator são inimigos mortais. Parece-me que Zé Celso fez um Ham-let (nos anos 90) onde o fantasma do pai de Hamlet aparecia nu.
Soube que Bárbara Heliodora reprovou as traduções de Shakespeare usadas na série, assim como mostrou não gostar dessa comparação dela com o Bárbaro nem com a do Oswald/Gerald Thomas.
Em Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, acontece algo assim: a atriz, até então talentosa, representa uma Julieta monstruosa, desastrosa, horripilante. A cena do balcão mostra-se tão ruim que Dorian Gray sente nojo dela, uma moça bonita que ele está seduzindo. Ao final da peça, a atriz, até então relutante, diz-se loucamente apaixonada por Dorian e por isso fez o papel tão mal. Horrorizado, Dorian rejeita-a por sua horrenda interpretação e deixa-a só, desesperada.
Essa passagem ilustra a relação arte/vida para Oscar Wilde: não se representa paixão se você está tomado por ela. A arte é artifício, faz-se a partir da falta, do falso. Eu concordo, pelo menos em relação aos conceitos realistas retrôs da Globo (e, por extensão, da O2 e de Fernando Meirelles).
A Globo está mais para Shakespeare in Love, roteiro caça-níqueis do Tom Stoppard para garantir o caviar nosso de cada dia, onde Shakespeare vivia Romeu e Julieta e duelava com o Conde de Essex. Já o Shakespeare histórico dedicou sentidos poemas ao Conde (que era seu mecenas), poemas que levaram muitos críticos, entre os quais Oscar Wilde, a suspeitarem que os dois eram amantes.
A história dos dois atores foi se misturando com a de Romeu e Julieta, tal como se os dois fossem Felipe Camargo e Vera Fischer apaixonando-se num amor incestuoso ao viverem Édipo e Jocasta, amor da Globo ao dinheiro e ao apoio do Estado. É interessante saber que Caetano Veloso também partilha desse amor e que a Veja sofre desse amor rejeitado.
Dante (Felipe) é tão bom em resolver problemas dessa ordem que até heterossexualizou o jovem Romeu, que desabrochara ao interpretar Julieta: "ah, meu sonho era interpretar Julieta..." Ainda bem que não rolou um cross-dressing. Romeu chegou até a perder a virgindade heterossexual com Julieta.
"Romeu e Julieta são apenas personagens!" Gritou ele com a atriz.
"Não! Eles são jovens apaixonados!"
Pior é que, embora o olhar da minissérie seja totalmente contra o Oswald Thomas, acho que nisso ele está certo. Ninguém deve viver exatamente aquilo que está vivendo numa representação no palco. Afinal, arte é representação, construção, fingimento. Hamlet algum resistiria ao realismo da Globo. Se eu fosse adaptar Hamlet para a Globo ia tirar um sarro com o realismo da novela, ia colocar ele como um esquizofrênico ouvindo a voz do fantasma de Leonel Brizola, chamando-o de traidor e homossexual e atormentando-o com o aviso de que o usurpador Roberto Marinho matou Getúlio Vargas.
Dante quer Macbeth nu e isso será um momento-chave para o final da peça, que é hoje. O ator parece que entrará em parafuso com essa orientação de Dante, pois ele e esse ator são inimigos mortais. Parece-me que Zé Celso fez um Ham-let (nos anos 90) onde o fantasma do pai de Hamlet aparecia nu.
Soube que Bárbara Heliodora reprovou as traduções de Shakespeare usadas na série, assim como mostrou não gostar dessa comparação dela com o Bárbaro nem com a do Oswald/Gerald Thomas.
Em Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, acontece algo assim: a atriz, até então talentosa, representa uma Julieta monstruosa, desastrosa, horripilante. A cena do balcão mostra-se tão ruim que Dorian Gray sente nojo dela, uma moça bonita que ele está seduzindo. Ao final da peça, a atriz, até então relutante, diz-se loucamente apaixonada por Dorian e por isso fez o papel tão mal. Horrorizado, Dorian rejeita-a por sua horrenda interpretação e deixa-a só, desesperada.
Essa passagem ilustra a relação arte/vida para Oscar Wilde: não se representa paixão se você está tomado por ela. A arte é artifício, faz-se a partir da falta, do falso. Eu concordo, pelo menos em relação aos conceitos realistas retrôs da Globo (e, por extensão, da O2 e de Fernando Meirelles).
A Globo está mais para Shakespeare in Love, roteiro caça-níqueis do Tom Stoppard para garantir o caviar nosso de cada dia, onde Shakespeare vivia Romeu e Julieta e duelava com o Conde de Essex. Já o Shakespeare histórico dedicou sentidos poemas ao Conde (que era seu mecenas), poemas que levaram muitos críticos, entre os quais Oscar Wilde, a suspeitarem que os dois eram amantes.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Oswald Thomas está em cartaz de novo: Romeu e Julieta
Oswald Thomas voltou a dirigir uma peça da Companhia do Estado ontem, na minissérie Som e Fúria.
Ontem pude, pela primeira vez desde que a minissérie começou, observar a referência a alguns estilemas de José Celso Martinez Corrêa. Quando Oswald Thomas voltou, Dante exigiu a ele um Romeu e Julieta sem cavalos cagando nem "carne apodrecida atirada na platéia". Ora, as peças de José Celso ficaram famosas por levarem ao palco pedaços de carne como elemento utilizado para compor a dramaticidade da cena. É famoso o artigo de Nelson Rodrigues gozando a encenação de Roda Viva, de Chico Buarque, em que um pedaço do fígado do protagonista/cantor de música popular espirrava sangue no olho de uma grã-fina.
Outro episódio dramático foi quando, nos anos 90, Jorge Coli, colunista da Folha, criticou Zé Celso por insistir na carne crua no palco, dizendo-o redundante, velho, ultrapassado, datado, "sessenta". Zé Celso respondeu com dureza: "Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã".
Oswald Thomas decidiu, então, dirigir Romeu e Julieta. Entre muitas palavras em alemão, ele estava fazendo, ontem, um exercício cênico com dois atores: ela representava Romeu e ele, Julieta. Os atores ficaram incomodados com a situação, tal qual o Sérgio Britto comentou ter ficado em uma peça dirigida por Thomas em uma entrevista com Fabiana Gugli. O ator que interpretava Romeu disse ter ficado satisfeito com essa fantasia, mas atriz ficou desnorteada e questionou a direção de Oswald. O diretor, logo em seguida, disse que a troca de gêneros era muito importante e faria-os pensar mais sobre muitas coisas. O Romeu e a Julieta acabaram procurando Dante para serem, enfim, dirigidos; Dante consegue até heterossexualizar o até então vacilante Romeu. Vejam aí cenas da entrevista onde Sérgio Britto comenta com Fabi Gugli procedimentos semelhantes aos mostrados na minissérie Som e Fúria com a Fabi:
Ontem pude, pela primeira vez desde que a minissérie começou, observar a referência a alguns estilemas de José Celso Martinez Corrêa. Quando Oswald Thomas voltou, Dante exigiu a ele um Romeu e Julieta sem cavalos cagando nem "carne apodrecida atirada na platéia". Ora, as peças de José Celso ficaram famosas por levarem ao palco pedaços de carne como elemento utilizado para compor a dramaticidade da cena. É famoso o artigo de Nelson Rodrigues gozando a encenação de Roda Viva, de Chico Buarque, em que um pedaço do fígado do protagonista/cantor de música popular espirrava sangue no olho de uma grã-fina.
Outro episódio dramático foi quando, nos anos 90, Jorge Coli, colunista da Folha, criticou Zé Celso por insistir na carne crua no palco, dizendo-o redundante, velho, ultrapassado, datado, "sessenta". Zé Celso respondeu com dureza: "Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã".
Oswald Thomas decidiu, então, dirigir Romeu e Julieta. Entre muitas palavras em alemão, ele estava fazendo, ontem, um exercício cênico com dois atores: ela representava Romeu e ele, Julieta. Os atores ficaram incomodados com a situação, tal qual o Sérgio Britto comentou ter ficado em uma peça dirigida por Thomas em uma entrevista com Fabiana Gugli. O ator que interpretava Romeu disse ter ficado satisfeito com essa fantasia, mas atriz ficou desnorteada e questionou a direção de Oswald. O diretor, logo em seguida, disse que a troca de gêneros era muito importante e faria-os pensar mais sobre muitas coisas. O Romeu e a Julieta acabaram procurando Dante para serem, enfim, dirigidos; Dante consegue até heterossexualizar o até então vacilante Romeu. Vejam aí cenas da entrevista onde Sérgio Britto comenta com Fabi Gugli procedimentos semelhantes aos mostrados na minissérie Som e Fúria com a Fabi:
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sábado, 18 de julho de 2009
Solilóquios de Bárbaro em Som e Fúria
Esses dias onde meio faltoso com o Som e Fúria, mas eu vi o Hamlet deles. O negócio é o seguinte: o Hamlet deles com galã de novela é conservador e faz o gosto do crítico "Bárbaro", que, diferente da Bárbara Heliodora, toma notas e precisa ficar "sério" no teatro, sem reagir da mesma forma que o público nas cenas. Na cena em que se deve rir, ele não ri. Eu passei, com isso, a acreditar que a Bárbara Heliodora, como disse Marcelo Drummond numa entrevista para Revista Questão de Crítica, quer mesmo é enfiar as coisas da Globo. O olhar da minissérie realmente leva a validar a crítica do "Bárbaro", o crítico inspirado em Bárbara Heliodora.
Eu gosto mesmo é das citações e interpretações de Shakespeare, especialmente de Macbeth, que me fazem lembrar, por exemplo, o filósofo romeno Cioran. Estou gostando do Felipe Camargo e não gosto muito dos dramas dos casais. Aliás, o núcleo de Som e Fúria é triângulo Oliveira/Ellen/Dante, triângulo amoroso que fez Dante enlouquecer durante o Hamlet e se jogar na cova aberta de Yorick. Ele me lembra o triângulo Beth Coelho/Gerald Thomas/Giulia Gam que se formou numa das peças do diretor, mas Oswald Thomas é carta fora do baralho, já; ele foi montar O Homem e o Cavalo em Viena. Ou era Zurique?
Ele teve a única idéia original dessa Companhia de Teatro: o Hamlet pútrido num navio.
Mas isso não agradaria aos bárbaros da Globo. E la nave va...
Eu gosto mesmo é das citações e interpretações de Shakespeare, especialmente de Macbeth, que me fazem lembrar, por exemplo, o filósofo romeno Cioran. Estou gostando do Felipe Camargo e não gosto muito dos dramas dos casais. Aliás, o núcleo de Som e Fúria é triângulo Oliveira/Ellen/Dante, triângulo amoroso que fez Dante enlouquecer durante o Hamlet e se jogar na cova aberta de Yorick. Ele me lembra o triângulo Beth Coelho/Gerald Thomas/Giulia Gam que se formou numa das peças do diretor, mas Oswald Thomas é carta fora do baralho, já; ele foi montar O Homem e o Cavalo em Viena. Ou era Zurique?
Ele teve a única idéia original dessa Companhia de Teatro: o Hamlet pútrido num navio.
Mas isso não agradaria aos bárbaros da Globo. E la nave va...
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
Som, Fúria & Oswaldo Thomás
O episódio de ontem de Som e Fúria tinha um personagem claramente inspirado no Gerald Thomas.
A história se passa assim: com a morte do diretor Oliveira, Dante recebe a incumbência de dirigir a Companhia careta do ex-amigo, que sonhava em reconciliar-se com ele e montar de novo um Hamlet quando foi atropelado por um caminhão.
O difícil é que Dante, diretor nada convencional, vai ter de engolir Oswaldo Thomás como diretor artístico e um surfista de novela das sete como Hamlet. Oswaldo Thomás é logo referido como "Oswald Thômas".
Os membros da companhia disseram que Oswald (que se pronuncia como Oswald de Andrade, corrige) "é uma farsa": já duelou com o Dante, com quem tem uma rivalidade terrível, além de ter montado A Tempestade na Alemanha nazista, com cenário cheio de suásticas. "Heil Hitler", grita um dos atores da Companhia que é agora de Dante. O debate sobre a obra de Oswald Thomas continua. Ele teria feito um Titus Andronicus com "um cavalo cagando e muita fumaça".
Corta. Entra, então, no Teatro Municipal, a figura do Oswald Thomas: uma bichinha falando em inglês ao celular e vestida com um lenço da moda. Ele falou ao telefone: "Acabei de chegar. Me chamaram para dirigir o Hamlet. Life is crazy!"
Quando Oswald se encontra com Dante, a tensão é clara. O diretor artístico novo vai logo dizendo: "Hamlet é uma peça morta. Dead. Eu quero um Hamlet...Como é que fala em português? Filthy? Ah, é pútrido. Um Hamlet pútrido, assim como um navio...navio fantasma" (diz algo assim entre resmungos).
A orientação do Oswald Thomas para os atores é ainda mais hilária. O ator que faz telenovela gagueja como Hamlet, enquanto a atriz estreante que faz Ofélia grita, pula, canta e se descabela; ela, aliás, fuma um baseado para parecer louca.
Depois de ver essas "desorientações" do Oswaldo Thomás, Dante chega para ele após o ensaio e diz: "Se você for colocar um cavalo cagando nessa peça, coloque na frente dessa atriz, tá?" E dá um relincho na cara de Oswaldo, que tem de limpar com o lenço.
Enfim, é uma clara paródia de Gerald Thomas: fala do uso da fumaça (famoso estilema do Gerald), referências à blognovela (que tinha um cachorro cagando), o Navio Fantasma ("Holandês Voador"), montagem da ópera do Wagner que deu polêmica nos anos 80, fora a referência a Oswald de Andrade, presente também num artigo de David George sobre o Gerald.
A história se passa assim: com a morte do diretor Oliveira, Dante recebe a incumbência de dirigir a Companhia careta do ex-amigo, que sonhava em reconciliar-se com ele e montar de novo um Hamlet quando foi atropelado por um caminhão.
O difícil é que Dante, diretor nada convencional, vai ter de engolir Oswaldo Thomás como diretor artístico e um surfista de novela das sete como Hamlet. Oswaldo Thomás é logo referido como "Oswald Thômas".
Os membros da companhia disseram que Oswald (que se pronuncia como Oswald de Andrade, corrige) "é uma farsa": já duelou com o Dante, com quem tem uma rivalidade terrível, além de ter montado A Tempestade na Alemanha nazista, com cenário cheio de suásticas. "Heil Hitler", grita um dos atores da Companhia que é agora de Dante. O debate sobre a obra de Oswald Thomas continua. Ele teria feito um Titus Andronicus com "um cavalo cagando e muita fumaça".
Corta. Entra, então, no Teatro Municipal, a figura do Oswald Thomas: uma bichinha falando em inglês ao celular e vestida com um lenço da moda. Ele falou ao telefone: "Acabei de chegar. Me chamaram para dirigir o Hamlet. Life is crazy!"
Quando Oswald se encontra com Dante, a tensão é clara. O diretor artístico novo vai logo dizendo: "Hamlet é uma peça morta. Dead. Eu quero um Hamlet...Como é que fala em português? Filthy? Ah, é pútrido. Um Hamlet pútrido, assim como um navio...navio fantasma" (diz algo assim entre resmungos).
A orientação do Oswald Thomas para os atores é ainda mais hilária. O ator que faz telenovela gagueja como Hamlet, enquanto a atriz estreante que faz Ofélia grita, pula, canta e se descabela; ela, aliás, fuma um baseado para parecer louca.
Depois de ver essas "desorientações" do Oswaldo Thomás, Dante chega para ele após o ensaio e diz: "Se você for colocar um cavalo cagando nessa peça, coloque na frente dessa atriz, tá?" E dá um relincho na cara de Oswaldo, que tem de limpar com o lenço.
Enfim, é uma clara paródia de Gerald Thomas: fala do uso da fumaça (famoso estilema do Gerald), referências à blognovela (que tinha um cachorro cagando), o Navio Fantasma ("Holandês Voador"), montagem da ópera do Wagner que deu polêmica nos anos 80, fora a referência a Oswald de Andrade, presente também num artigo de David George sobre o Gerald.
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
Começou o Som e a Fúria
Achei os diálogos e as situações da minissérie criativas. Gostei da contraposição entre o diretor pobre e que faz escândalo para aparecer na mídia, mas que dirige com som e fúria A Tempestade num teatro caindo aos pedaços, enquanto um outro, totalmente bola murcha, monta um soporífero Winter´s Tale de luxo e tédio no Teatro Municipal. Bárbaro, o crítico, diz do espetáculo que ele é ótimo, " um calmante para relaxar as pessoas".
Se Meirelles fosse mais imaginativo e citasse mais, o personagem de Daniel de Oliveira iria adaptar A Tempestade em um aeroporto. A série mesmo é adaptação da série canadense Strings and Arrows. Ele verteu boa parte dessa série e isso apareceu nos créditos.
Algumas piadas fazem sentido para o pessoal de teatro: o nome do crítico é "Bárbaro". Um dos pontos que geraram a briga entre os diretores que protagonizam a série foi a relação com uma tal "Ellen". A insistência na loucura de Daniel de Oliveira é também um ponto muito curioso: ele, como se fosse um Julian Beck na peça dirigida por Gerald, num lance metateatral, enlouqueceu em Hamlet e agora está ouvindo a voz do diretor fantasma a atormentá-lo.
Achei que Daniel de Oliveira e Pedro Paulo Rangel brilharam nesse primeiro episódio e Regina Casé ficou apagadinha. O que mais gostei foram os discursos impróprios do empresário que patrocinou o Shakespeare, assim como o discurso do pastor evangélico.
O empresário citou Macbeth errado e a famosa citação ficou parecendo dizer que a vida é uma sucessão de besteiras e o teatro não significa nada. Depois, ficou falando sobre o quadro que a filha pintou com um pônei no telhado. O pônei no telhado, aproximou ele de maneira estapafúrdia, é como o Sonho de uma Noite de Verão que ele estava apoiando, acessível "para os pobres".
Já o pastor evangélico fez um discurso onde disse algo que Francis também disse sobre os gays. Algo como: eu não odeio os gays, odeio o que eles fazem. Eu me lembro de ter lido na coluna do Francis: tenho amigos gays, mas preferia que não praticassem. O desespero do público e dos atores da companhia para frear o ímpeto do idiota discursando apaixonado (que se liga com um diálogo maravilhoso do Macbeth que Daniel de Oliveira interpretou de forma emocionante) foi o ponto alto da minissérie até agora. Veremos o que vem por aí.
Uma definição de teatro, por parte do Oliveira, personagem do Pedro Paulo Rangel: "teatro é a arte de fazer as pessoas ficarem sem tossir durante um tempão".
Se Meirelles fosse mais imaginativo e citasse mais, o personagem de Daniel de Oliveira iria adaptar A Tempestade em um aeroporto. A série mesmo é adaptação da série canadense Strings and Arrows. Ele verteu boa parte dessa série e isso apareceu nos créditos.
Algumas piadas fazem sentido para o pessoal de teatro: o nome do crítico é "Bárbaro". Um dos pontos que geraram a briga entre os diretores que protagonizam a série foi a relação com uma tal "Ellen". A insistência na loucura de Daniel de Oliveira é também um ponto muito curioso: ele, como se fosse um Julian Beck na peça dirigida por Gerald, num lance metateatral, enlouqueceu em Hamlet e agora está ouvindo a voz do diretor fantasma a atormentá-lo.
Achei que Daniel de Oliveira e Pedro Paulo Rangel brilharam nesse primeiro episódio e Regina Casé ficou apagadinha. O que mais gostei foram os discursos impróprios do empresário que patrocinou o Shakespeare, assim como o discurso do pastor evangélico.
O empresário citou Macbeth errado e a famosa citação ficou parecendo dizer que a vida é uma sucessão de besteiras e o teatro não significa nada. Depois, ficou falando sobre o quadro que a filha pintou com um pônei no telhado. O pônei no telhado, aproximou ele de maneira estapafúrdia, é como o Sonho de uma Noite de Verão que ele estava apoiando, acessível "para os pobres".
Já o pastor evangélico fez um discurso onde disse algo que Francis também disse sobre os gays. Algo como: eu não odeio os gays, odeio o que eles fazem. Eu me lembro de ter lido na coluna do Francis: tenho amigos gays, mas preferia que não praticassem. O desespero do público e dos atores da companhia para frear o ímpeto do idiota discursando apaixonado (que se liga com um diálogo maravilhoso do Macbeth que Daniel de Oliveira interpretou de forma emocionante) foi o ponto alto da minissérie até agora. Veremos o que vem por aí.
Uma definição de teatro, por parte do Oliveira, personagem do Pedro Paulo Rangel: "teatro é a arte de fazer as pessoas ficarem sem tossir durante um tempão".
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terça-feira, 23 de junho de 2009
Som e Fúria
Com ironia e bom humor, Som e Fúria mostrará o dia-a-dia de duas companhias de teatro - uma, bem sucedida, é dirigida por Oliveira (Pedro Paulo Rangel), na qual atua Elen (André Beltrão), e a outra, falida, por Dante (Felipe Camargo).
O elenco conta no elenco ainda com Dan Stulbach, Daniel Oliveira, Regina Cazé, Gero Camilo, Rodrigo Santoro, Maria Flor, Chris Couto, Débora Falabella e Paulo Betti.
A minissérie é uma co-produção da Globo em parceria com a produtora independente O2 Filmes (a mesma de filmes como Cidade dos Homens), e é uma adaptação da série canadense Slings and Arrows, que retrata os bastidores de uma companhia de teatro que interpreta obras de Shakespeare.
Som e Fúria é dirigida por Fernando Meirelles. Gisele Barroco, Toniko Mello, Fabrizia Pinto e Rodrigo Meirelles também assinam a direção dos capítulos.
Categoria: Música
O elenco conta no elenco ainda com Dan Stulbach, Daniel Oliveira, Regina Cazé, Gero Camilo, Rodrigo Santoro, Maria Flor, Chris Couto, Débora Falabella e Paulo Betti.
A minissérie é uma co-produção da Globo em parceria com a produtora independente O2 Filmes (a mesma de filmes como Cidade dos Homens), e é uma adaptação da série canadense Slings and Arrows, que retrata os bastidores de uma companhia de teatro que interpreta obras de Shakespeare.
Som e Fúria é dirigida por Fernando Meirelles. Gisele Barroco, Toniko Mello, Fabrizia Pinto e Rodrigo Meirelles também assinam a direção dos capítulos.
Categoria: Música
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